Gato
Estava perdido andando por uma planície. Coçou
o queixo, era uma planície? Achava que não, pois agora pouco passou por dois
montes não muito grandes. Deserto não era, sentia a maciez do solo, estava mais
parecendo pele humana, enfim, seja o que for continuou andando. Nisso,
escorregou por entre galhos pretos. Conseguiu se segurar em um e, num vai e
vem, soltou o galho e caiu numa caverna escura, macia, suave, quente, com odor
de urina e outro odor que não sabia explicar o que era. Foi quando ouviu sons
de algo escorrendo. Água? Talvez, virou-se e foi atingido por um líquido escuro
que o expeliu para fora da caverna.
- Você sempre faz dessa maneira?
- Só quando transo.
- E para que isso?
- Evitar desastre maiores.
- Como ficar grávida.
- Isso mesmo.
- Não sei como permito essas coisas.
- Já conversamos sobre esse assunto, não foi.
- Foi, mas temos pênis de borracha e outras
tralhas...
- Sabe que não tenho tesão por pênis de
borracha, o que eu quero é um de verdade pulsando forte e gostoso dentro de
mim.
- Não sei se me sinto traída, corneada ou não.
- Será corneada se eu transar com outra mulher,
aí sim.
- O que eu sei é que você é uma puta de uma
tarada isso sim.
- Puta não, tarada sim.
- Olha que é isso?
- Não sei...
- Parece um feto, veja tem pernas, braços e se
mexe, está tentando se levantar e não consegue por causa do sangue.
- Argh, credo, que nojo.
- Saiu de dentro de você.
Viu dois dedos enormes se aproximar dele e,
antes que pudesse dizer alguma coisa, foi jogado longe por um piparote. Caiu
bem em frente ao gato que, assustado, cheirou-o, lambeu e num formidável bote o
engoliu.
- Gato porco, não vou mais te beijar.
- Vamos tomar banho e limpar essa sujeira e
sair.
- Certo, mas se acontecer como da última vez,
me deixar sozinha não falarei mais com você...
E tagarelando entraram no banheiro.
imagem: https://igay.ig.com.br/2014-08-11/como-sera-que-um-gay-ve-uma-vagina-um-desenho-fala-mais-do-que-mil-palavras.html

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