Do topo da escada rolante da estação Sé vi a plataforma abarrotada. Alguns desistentes subiam a escada no contra fluxo atrapalhando quem descia. Apesar da perna doendo, me enfurnei no meio da caterva com a paciência de esperar o metrô fosse o tempo que fosse. Estava adiantado mesmo, portanto era só agüentar a dor e ter paciência. O que não precisei esperar muito. No segundo trem consegui entrar. Tinha uns adolescentes, bando de estudantes na porta. Fiquei em pé, isto é, nem cheguei a ficar em pé, pois no banco cinza tinha dois rapazes que, assim que me viram, cederam o lugar para mim e para um senhor. Nem bem tinha sentado o senhor se levantou para dar lugar a uma moça com uma criança no colo. Logo reparei que a criança tinha algum problema, pois seus pés estavam calçados com um tipo de bota, o que mais tarde pude verificar que eram mais protetores do que propriamente bota. Realmente a criança era deficiente. Tinha mais ou menos um ano ou um ano e meio, mas o que chamava mais a atenção era sua cabeça desproporcional ao corpo. Já vi fotos, filmes e relatos, mas nunca assim, perto, cara a cara. O corpo era um corpo normal, mas a cabeça era menor, o dente para frente e, por causa disso, estava sempre com a boca aberta e babando, os olhos esbugalhados saltados pareciam querer saltar do rosto. Todos olhavam para a mãe e para a criança, não consegui olhar muito tempo... Pois me pus a questionar a existência divina. Se Deus realmente existe, porque deixaria acontecer uma coisa dessas? A uma criança que tem uma vida pela frente. O que ela fez para merecer esse castigo, se castigo for, pois se coloco em dúvida a existência de Deus devo colocar também, em duvida o pecado. O que aquela mãe, deve ter um pai também, fez para merecer que o seu filho nascesse desse jeito? Tudo bem, o que você faz aqui, aqui você paga, não é o que diz as escrituras e, não diz que Deus é bom, caridoso, e etc. e tal? Então, porque ser tão maldoso a ponto de fazer nascer uma criança deficiente. Deus para mim é uma criação do homem para dominar os fracos, e, Jesus Cristo foi o primeiro a difundir o amor - não vou dizer amor entre os homens, pois teria a pecha homossexualismo - o amor entre os humanos. Acredito mais em alguma falha humana, a mãe na gestação deve ter sido displicente, o gene dela com o do pai não batia, ou mesmo um erro médico, desses médicos que são médicos apenas por questão financeira. E será que o médico não poderia, durante a gestação, que a criança estava se formando deficientemente fazer alguma coisa que o salvasse? Sei lá. Pois eu digo sempre e sempre direi: há sessenta anos sou feliz e rico.
domingo, 31 de março de 2024
Deus existe?
sábado, 30 de março de 2024
Diário imbecil 11.09.2997
Desinteressante é o que achavam e, para que esse desinteressante fosse invisível, precisava tomar uns quatro ou cinco aperitivos, o que lhe custava certos inconvenientes. Dizia para si mesmo:
- Inconvenientes que não me afetara em nada. O negócio é ser o que se é no durante no antes e no depois.
Riu da merda que dissera ainda bem que dissera mentalmente, ninguém ouviu, somente ele e seu eu interior que também não ajudava em nada. Atravessou a rua. Do outro lado da calçada sentiu-se mais confiante. Começou a esticar os passos batendo com firmeza na calçada o calcanhar do tênis. Seguiu reto até o meio da rua. Depois ficou indeciso. Não sabia se virava à direita ou à esquerda ou ainda, se continuava em frente. Pensou. A direita seguiria a merda do fluxo para o começo da avenida, e a esquerda seguiria a merda do fluxo para o fim da avenida, e, em frente, não seguiria fluxo porra nenhuma, apenas atravessaria a avenida e poderia entrar no bar e tomar mais umas e outras. Pensou... Melhor mesmo, atravessou a rua, entrou na droga do bar e pediu mais uma. Sentou no banquinho. Girou o corpo e passou a apreciar a merda do movimento das pessoas que perdidas corriam contra o tempo para serem encontradas.
sexta-feira, 29 de março de 2024
Diário imbecil 12.09.07
Muitos dizem: “Vamos que vamos”; “É isso aí”; “Vamos em frente que atrás vem gente”; “Quem cedo madruga Deus ajuda”; “De grão em grão a galinha enche o papo”, e outros salamaleques de ditados que não me diz nada, apenas pretende afirmar axioma idiota e inútil.
Dou um pontapé na bunda da angústia como da depressão, não deixo que nenhum sentimento negativo me leve a recorrer de ditados inúteis que só enferruja a engrenagem do saber.
Não tenho manto protetor contra pulsações negativas que me bombardeiam a todo o momento, não tenho, também como outro qualquer tenho meus dias de angústia e depressão, claro que os tenho, sou humano, não sou maquina – engraçado sem perceber escrevi machine – feito de chips, bits, byts, parafusos e metais, apesar de que já me colocaram uma porca e um parafuso no joelho direito.
E neste diário imbecil, deixo registrados dois textos que tive a audácia em escrever. Alinhais, não sei se devo dizer contos, creio que sejam. Um foi à erótica e pornográfica Dama do Metrô e, o outro, como classificou um leitor: “uma leitura enjoativa e desinteressante” – não estou te criticando leitor, apenas evidenciando a repercussão do texto – A Cadeira de Espaldar Alto.
Afirmo que nesses dois contos, vamos assim chamar, tive prazer em escrevê-los, pois surgiam na minha mente espontaneamente, não era algo calculado, estudado, não fiz projeto nenhum para escrevê-los. Foi surgindo livres e soltos toda vez que ligava o micro, por isso que disse: “sou um escritor espontâneo”, foi o que eu disse, foi: “sou um escritor repentista”, e não sou?
Não sei como os competentes escritores conseguem escrever, talvez criem um projeto dando perfeição a cada personagem, para depois jogar na história por ele criada. Não sei.
Bem, o leitor perspicaz deve ter notado que esse escritor medíocre por falta de assunto ou, vamos dar um ponto positivo para ele dizendo: por falta de inspiração é que nasceu esse diário imbecil.
quinta-feira, 28 de março de 2024
Diário imbecil 12.09.2007
Bom bamos dizer ou vamos dizer?
Não interessa como, o importante é dizer, certo? Mas vamos dizer dentro da
ortografia, certo? Portanto para que seja um diário imbecil tenho de escrever
imbecilidade ou sobre imbecilidade, certo? E olhe que de imbecilidade estou
rodeado a ponto de me julgar um imbecil também. Primeiramente todo bom escritor
antenado com problemas, dele ou envolvendo ele ou do seu país, não será difícil
escrever, certo? Para começo de conversar não sou um bom escritor, sou um
imbecil escritor ou escritor imbecil, o que vem dar no mesmo, certo? E outra
coisa, não sou antenado com merda nenhuma, pouco dou atenção ao que ocorre a
minha volta, principalmente o que dizem; não ligo televisão para ver os
noticiários, não leio jornais e nem revistas, cansei de tanta imbecilidade.
Agora o que é preciso é ter tato para escrever, certo? Não posso falar sobre
imbecis, senão minha lista de inimigos aumentara, então tenho que falar sobre
imbecilidades sem envolver os furibundos imbecis, não é mesmo?
Por exemplo, o futebol! Não é de
uma imbecilidade enorme? Um bando de marmanjos correndo atrás de um pedaço de
couro na forma esférica enquanto um marmanjo de preto - era de preto porque
agora cada um se veste como quer da maneira mais espalhafatosa possível, só não
se parecem com palhaço porque não pintam a cara e nem tem aquela bola vermelha
no nariz - não deixa que peguem a bola com a mão, sem contar os macacos que
ficam nos poleiros de concreto gritando os maiores palavrões. Não é de uma
imbecilidade?
Ta certo sei o que me dirão: “Ora
futebol é esporte!”, sei, não deixa de ser, mas pergunto: “É esporte quebrar a
perna? É esporte morrer no campo de batalha? É esporte manipular resultado? É
esporte os macacos brigarem entre si no poleiro? É esporte ir já com a intenção
de fomentar a guerra entre as facções? É esporte lavagem de dinheiro?” Bom se
responderem que é esporte, eu digo que o estádio é parecido com as arenas no antigo império
romano, sem tirar e nem por.
Conheci um cara que pintou o
quarto com as cores do time. Não perdia um jogo, fosse a onde fosse, faltava ao
trabalho, mas não faltava aos jogos. Preparava-se para a batalha, fazia dos
clipes sua arma. Arremessava com a ajuda do elástico nos outros. É esporte
isso? Ele era um competente imbecil. Trabalhávamos junto. Vivia comendo a
gelatina que era usada para copiar as folhas do diário naqueles livros grandes.
Chupava Sonrizal puro, sem água, colocava na boca e mandava goela a baixo.
Vivia estudando japonês por estudar, por gostar.
Não me lembro dos anos de 1958 e
1962, era criança lá na minha terra natal Rio Claro, mas em 1970, morando já
aqui em São Paulo, assisti aos jogos, lia os comentários, ouvia os bate bocas
pela televisão, mas 1970 foi o ano supremo do futebol, ainda se jogava se suava
defendendo a camisa gloriosa, a canarinho. E hoje? Você acha que os jogadores
suam a camisa, defendem a canarinho? Ou será que jogam por dinheiro? Jogam
pelos milhões que ganham dos patrocinadores, dos clubes, dos prêmios, e a
camisa onde fica? No fundo da gaveta esquecida. O dinheiro como sempre, matou a
arte futebolística, a arte de se gostar de uma bola, de fazer uma jogada
excelente, visando apenas o gol.
Hoje um moleque sai da várzea
ganhando os tubos em dinheiro e o que acontece com ele? Se não tem uma mente
firme, decidida, o coitado se perde com tanto dinheiro. Em minha opinião
deveriam era ter um salário como todo empregado tem. Futebol não é um emprego?
Então, se estipula um salário, que seja dez mil reais, se o time perder
desconta um x do salário, e nada de prêmio ou bonificação e nada de
patrocinador. Quero ver se esses malandros não jogariam! Claro que jogariam,
até mais talvez.
Outra coisa, se o time vai mal,
perde não ganha títulos, os macacos dos poleiros de concretos não deviam ir aos
estádios. Já pensou o estádio vazio de torcedores, não haveria renda, não
haveria distribuição de propinas, e como ficaria? A meu ver o time se
esforçaria, pois para o jogador, além do dinheiro, é preciso de platéia, de
alguém que aplaude tanto as boas jogadas como as más.
Bom era isso o que tinha a dizer
nesse diário imbecil, até o próximo, ah! Um bom fim de quarta-feira, certo?
quarta-feira, 27 de março de 2024
Diário imbecil 14.09.07
Bom, mais uma sexta-feira que para muitos parece ser a
redenção da semana árdua de trabalho, para outros é apenas mais uma sexta
anunciando um sábado e domingo para descanso ou para se entreter nos afazeres
de burguês satisfazendo esposa e filhos e, por que não, a si próprio; e também,
para outros mais arrojados, principalmente os jovens, uma noitada de sexo, cerveja
e baladas até o amanhecer. Em que faixa você se encontra? Acho que essa
pergunta não vem ao acaso, pois o que importa é você fazer o que lhe satisfaz o
que lhe dá prazer sem que fique com a consciência pesada de que fez algo que
não deveria fazer. Você estando bem com você mesmo, se aceitando com todos os
erres defeituosos, não tem o porquê de se mortificar com pensamentos negativos.
O importante é ter algo para se fazer na sexta, no sábado e no domingo. O pior
é aquele que não tem sentido de vida e sai a caçar sua presa nos cantos escuros
da noite e acaba num lugar sem saber como foi parar lá, bêbado e se
mortificando por tal procedimento. Portanto cada um viva como quer e como acha
que deve viver, o principal é que viva satisfeito com si próprio, aquele que
consegue chegar a esse... Como posso dizer: nirvana, máxima ou sei lá o que,
estará a um passo da felicidade.
Sei que como
escritor, coisa que ainda não me acostumei, deveria estar falando dos imbecis
que pesteiam a beleza arquitetônica projetada por Oscar Niemeyer e aquele outro
arquiteto que infelizmente não consigo guardar o seu nome. Mas como esse é um
diário imbecil não vou perder meu tempo falando da imbecilidade que todos nós
conhecemos. É um bando de merdas empestando os corredores do Brasil numa
vergonha só. Pena que não se faz mais heróis como antigamente. Melhor dizendo:
não se faz mais homens carismáticos, daqueles de levar a população ao extremo
de suas conseqüências e assim conseguir mudar alguma coisa. Não existe mais.
Onde estão meus heróis carismáticos para fazer uma revolução. Por isso eu digo:
o que se precisa fazer é conscientizar o povão, o povão mesmo, aquele povão que
vive na ignorância, e colocar em sua cabeça o que é correto. Queria um herói
carismático que fizesse com que ninguém saísse de casa, que ninguém mesmo, nem
mesmo os empresários, ricos, pobres, mas ninguém mesmo saísse para trabalhar,
nem mesmo médicos, enfermeiros, que deixassem um dia só os doentes morrendo,
assim diminuiriam a população. Ah! Estão achando absurdo o que estou falando,
ou melhor, dizendo, uma imbecilidade! Mas a vida é uma imbecilidade e esse é um
diário imbecil, portanto nada mais que certo dizer imbecilidade.
Queria um líder carismático que fizesse com que o povo
não comparecesse as urnas nas próximas eleições. Onde está esse líder
carismático? O único que talvez pudesse fazer alguma coisa está onde não devia
cagando na beleza arquitetônica de Brasília.
terça-feira, 26 de março de 2024
Diário imbecil 17.09.07
Bom, vamos vai uma vez despertar a imbecilidade entrouxada nas miríades
de pulsões dessa manhã que, só não é brava, porque não está chovendo. A
cinzenta claridade corrompe a sensação de liberdade onde as imbecis cortinas
fechadas provocam claustrofobia amarga e obriga os passos a serem contidos e
aos poucos envenenados pela maldita sobrevivência.
Essa merda já disse várias vezes, de várias maneiras diferentes, com
outro ângulo, outra linha de pensamento, mas tudo igual, apenas mudando uma
palavra aqui, outra li e nada além de um escrever atrás do outro, para
comprovar a merda do que escrevo.
Por mais que os órgãos fiquem atentos, com a sensibilidade aprimorada a
ponto de captar até o invisível – que muitos procuram não ver – a crise de
falta de inspiração surge, atrofia o pensamento que se esforça em lembrar
palavras, frases, até sentenças inteiras, mesmo sabendo que o perdido não está
totalmente perdido, apenas é preciso acionar a palavra “procura” no catálogo
mental e trazê-la de volta, seja o que for. O que nem sempre funciona, pois
truncado pelo mecanismo constante, esse processo falha sempre no momento que mais
se deseja. A continuidade dos gestos mata os próprios gestos tornando-os
cansativos, indiferentes a beleza do podre, fornecendo-lhes apenas a beleza
corriqueira de quem não sabe viver com múltipla escolha.
A cidade não desperta amanhece
febricitante de sons ininterruptos cujos mortos vivos caçam as iguarias
deixadas nos lixos da vida diurna. Ela oferece sua música que para alguns, é
sempre a mesma, mas para outros existe pequena diferença moldando o sentir que
eles carregam desde o nascimento; outros ainda, mais detalhistas, descobrem e
sabem os diferentes tons, as melodias que rolam nos escondidos cimentos e
ferros e argamassa individual, as variações impingidas no preto asfalto marcado
por pneus enfurecidos retratando paranóias nem sempre curáveis; há ainda, a
música da fome cortando peles descarnadas pelo vicio maligno em viver.
E nesse vicio poucos conseguem alcançar o que o futuro promete. Poucos
se sobressaem, talvez mediocremente ou se anulando aos gostos consumistas do
sucesso barato e nada fácil. Do sucesso que alça e ao mesmo tempo derruba sem
pestanejar e sem dó. Quem quiser que procure seu psicanalista. Já tenho o meu
nesse escrever mambembe.
segunda-feira, 25 de março de 2024
Diário imbecil 18.09.07
Mais uma manhã sem a luz iridescente do sol para
esquentar a cacunda dos símios aloprados na iminência de serem tragados por
suas necessidades fúteis e descartáveis. A manhã transcorrera imperturbável
seguindo o ciclo da natureza que pouco se importa com os imbecis símios e suas
sofríveis preocupações a não ser, com a transformação que ela, a natureza, vem
sofrendo por causa dos ignorantes e gananciosos. Ora é um tufão, ora é um
vulcão, um terremoto, tsunami e outras demonstrações de que a natureza se
encontra cansada e que precisa de mais respeito. Mas fazer o que se a
imbecilidade humana só pensa em si própria.
Talvez chamar os humanos de símios seja um tanto pesado
ou até um pouco pejorativo. Não acha? Não para os humanos, mas para os próprios
símios, coitados que não tem nada com as barbaridades humanas! Peço desculpas
aos símios, eles não merecem tal comparação.
Pois o ser humano e a sua humana sociedade podre, em
ritmo de falência, não merecem nenhum epíteto a não ser, o desprezo total e
animalesco levando ao extermínio o mais rápido possível. Desprezo à humanidade,
não merece nenhuma atenção da minha parte. Talvez o ser humano possa ser salvo,
mas como humanidade não merece a salvação.
É difícil desassociar o ser humano da humanidade. Pois
se eu sou um indivíduo, pertenço à humanidade, mas se eu cometer uma
atrocidade, não posso dizer que foi a humanidade quem cometeu a atrocidade,
entende? Não, acho que não. Se nem eu entendi. Deixemos esse quesito para os
filósofos que gostam de discorrer sobre um mesmo tema sem chegar a nenhuma
definição.
Creio que não
seja preciso enumerar as imbecilidades, é só ligar a televisão, ou o rádio, ou
abrir o jornal para ver ou ler as atrocidades dos imbecis de gravata e suas
dançarinas; os imbecis que dá prisão comandam e desmandam na cidade; os imbecis
que matam por matar sejam por questão social, amorosa ou sexualidade; os
imbecis que jogam futuros cidadãos no lixo ou na lagoa; os imbecis que com suas
máquinas fazem uma extensão do corpo vivendo alucinadamente como se fossem os
infalíveis; os imbecis que não respeitam nada e ainda riem ao ver o edifício
desabar; os imbecis riquinhos que mata doméstica pensando que fosse prostituta,
como se prostituta não merecesse a condição de gente; os imbecis que queimam
índio e continuam em liberdade; o imbecil promotor que mata e continua na ativa
recebendo seu vultoso salário; os imbecis fanáticos com suas ricas igrejas
enriquecendo cada vez mais; os imbecis fanáticos futebolísticos tapados que se
digladiam até a morte; os imbecis camelôs que só emporcalham a cidade e ainda
são protegidos pelos imbecis e corruptos fiscais; há, não posso esquecer os
imbecis acomodados que não fazem nada, apenas reclamam e não lutam por seus
direitos; mas o maior dos imbecis é o povo, não o povão que vive de promessas e
vota em que melhor lhe dá esperança, mas o povo ilustrado, os que têm certa erudição
e nada fazem, esses são os piores imbecis dessa nação de imbecis.
É uma vergonha
viver entre imbecis tapados e se julgar um imbecil também. Quer dizer, não me
julgo um imbecil, eu sou um imbecil, pois faço parte dessa humanidade, sou um
ser humano, um indivíduo como outro qualquer e não me excluo de tudo o que
disse aqui. Faço parte dessa imbecilidade.
domingo, 24 de março de 2024
Diário imbecil 20.09.07
Bem, vamos a
mais uma edição do diário imbecil.
E o que poderei dessa vez escrever? Ou talvez seja o
fato de perguntar aos leitores o que gostariam de ler ou, sobre o que deveria
escrever?
Há tanta coisa entre a terra e o mar que nenhum tsunami
pode imaginar o perigo que corremos, não é mesmo? Mas isso quem tem que se
preocupar é os moradores dos grandes edifícios a beira mar, os que têm suas
praias particulares com seus iates fenomenais, não é mesmo? E não nós que
moramos no alto da serra em nossos casebres sonhando com uma pequena piscina
ou, com uma pequena horta onde poderíamos criar nossos porcos, galinhas e
hortaliças para o sustento nosso de cada dia. Porém, essa prática passou a ser
anti-higiênica por causa do espaço, do aglomerado de indivíduos num mesmo
local, e além do mais, não temos tempo nem para cagar quanto mais criar isso ou
aquilo.
O nosso precioso tempo é preenchido com os fins de
semanas burgueses em companhia dos amados familiares, em ônibus apertado, metrô
abarrotado, escravidão pelo sustento, alimentar a ignorância em frente da televisão,
querer ser mais que o outro, ter o carro último tipo, preocupações fúteis
levando-nos a se suicidar sem ao menos viver como deveríamos.
O nosso precioso tempo é preenchido em como eliminar o
estresse, não comer demais para não ficarmos balofos, recorrer à estética
cultural e visual da beleza do corpo, caçar sexualmente para não sermos taxado
disso ou daquilo, encher a cara nos últimos bares da madrugada para não ter a
solidão como companheira, sermos prisioneiros em nossa própria casa e fazer do
celular um aparelho de busca às vezes desnecessária e irritante.
Pensamentos que surgem no balançar das folhas entre o
concreto frio da morte aprisionando-nos infalivelmente ao destino incerto e
inexorável.
Será que temos o que queremos? Por que há um vazio que
nunca se completa? Será que é para impulsionarmos a ir cada vez mais adiante?
Talvez, quem poderá dizer! Nossos próprios passos em vielas desconhecidas da
alma carregada de desamor, aflição e magoa? Nossos atos descontrolados pisando
nas conseqüências sem importarmos em magoar amigos e parentes?
Há um cheiro
podre de estética falida que corrompe os sentidos da razão impregnando os muros
da sociedade em luxo descartável. O pior é que fazemos parte dessa estética
podre a qual ajudamos a afundar cada vez mais. Talvez, por isso o vazio que
nunca se completa, cada vez maior como um nada cheio de nada.
Palmilho no lodaçal anônimo infringindo prazeres que me
farão cair no abismo delicioso num sentir único. Não posso compartilhar o
sentir, pois cada sentir tem seus caracteres próprios, tem seus DNA
específicos. Por mais que eu venha teorizá-los nunca serão entendidos como eu
senti. Serão mecanicamente reproduzidos sem o conteúdo especifico que me
fizeram sentir a sua totalidade.
E assim será até o próximo diário imbecil.
Estamos combinados?
sábado, 23 de março de 2024
Diário imbecil 21.09.07
Manhã de sexta-feira sombria, ameaçando chuva, garoa, vento para uma primavera em desequilíbrio que nada promete. Vamos ver do meio-dia para frente se essa situação mudará. Esperamos que sim.
E nesta penumbra onde o cinza do céu se torna mais premente é que dou
iniciou a mais um diário imbecil. Diário que não sei se está agradando, se está
sendo lido pelos meus leitores queridos, que dizem ler tudo o que escrevo, não
sei. E como poderei saber se não tenho um retorno, se não há um evidencia de
leitura. Sei do nosso tempo exíguo, o trabalho em primeiro lugar, e etc. e tal
e tal etc.
A meu ver, na minha parca experiência como escritor, acho que nenhuma
obra seja escrita, visual, performática, ou sei lá o que, deve ser explicada,
principalmente a poesia. Você quer ver um escritor chateado é perguntar para
ele o que ele quis dizer com determinada obra que ele escreveu. Principalmente
se for uma obra aberta que dê margem a várias interpretações. Não se deve
perguntar nada, o que se deve fazer é entender o que foi lido.
E todo escritor gosta da participação
do leitor, gosta de inter agir com o leitor, se assim não fosse não teríamos
obras criativas, significativas que chegaram a mudar o panorama literário,
criando escolas e técnicas diferentes. O problema é que o brasileiro não tem
formação acadêmica que dê a ele a bagagem necessária de se embrenhar no desconhecido
caminho que só os intelectuais, poucos por sinal, conseguem. É uma pena, pois
essas obras ficam confinadas apenas a pequenos grupos de leitores capacitados
literariamente falando.
Se eu perguntar aqui quem já ouviu
pelo menos falar, não vamos dizer ler, AVALOVARA, de Osman Lins – espero
não ter me enganado com o nome do autor – garanto que pouquíssimo responderão
que conhece. Outro que acredito poucos os que conhecem: ZERO, de Ignácio
Loyla Brandão, livro que como o anterior ganhou prêmios, e até hoje não tem uma
abrangência entre os leitores. Outro que poucos o conhecem, mas só que esse é
mais plano, o que faz dele diferente dos outros dois, é a técnica, é o discurso
narrativo e não a forma em si: UM COPO DE CÓLERA, de Raduan Nasser. São
livros importantes para quem tem a ânsia de conhecimento literário, para quem
deseja escrever, tornar-se escritor. Esses não são os únicos livros que devem
constar de uma estante, há outros e muitos outros, os clássicos antigos, os
clássicos modernos, e os clássicos que surgem e quase sempre não ficamos
sabendo.
Bom pelo jeito o tempo daqui para frente, são treze horas e um minuto,
não vai mudar mesmo. Tudo indica que continuará com a temperatura cinzenta,
ameaçando garoa, agora pouco cai uns pingos grossos, mas o calor continua o que
é bom.
sexta-feira, 22 de março de 2024
Diário imbecil 24/09/07
Bem, como desde sexta-feira que
não escrevo o diário imbecil, chegando aqui (precisei) fui olhar no diário
imbecil anteriro onde eu tinha terminado, melhor dizendo, como tinha terminado.
Mas antes precisei – de novo “precisei”, não gosto de repetir palavras, acho
que repetição de palavras é falta de talento, de conhecimento da língua,
portanto qual a palavra que colocarei num desses “precisei”? – ah! Já sei como
farei – no primeiro precisei colocarei “fui olhar” - bom acho que ficou melhor
-, então voltando ao assunto, precisei acessar o webmail da UOL para verificar
quantos e-mails eu tinha. Tudo porque, desde sexta-feira que estou sem
computador em casa e, para meu espanto, tinha seiscentos e-mails! Sendo assim,
fiquei a manhã toda, claro que trabalhando e lendo e apagando, e guardando o
que achava necessário guardar ou apagar. Portanto, desde ás oitos hora e
qualquer coisa, pois cheguei um pouco atrasado, sem me levantar, fui limpando
minha caixa postal.
Por causa desse imprevisto, não
pude começar esse diário imbecil logo de manhã, fazendo-o agora, na hora do
almoço e, creio que avançarei um pouco o horário do expediente, mas lembre de
uma coisa, não pararei de trabalhar, isto é, trabalhando e escrevendo, certo?
Após essa pequena explicação que,
talvez não fosse necessário, dou inicio a esse diário imbecil.
Como dizia no último, nesse
falarei sobre merda. É isso mesmo, merda. Agora já pensou se o e-mail tivesse
cheiro? Exalasse o perfume conforme o assunto? Já pensaram? Não! Então pense,
pois enquanto estarei discorrendo sobre o assunto merda, o cheiro estará sendo
transmitindo pelo e-mail. Ahahahahahah! Risos.
Por acaso, creio que a maioria
conhece o Centro Cultural São Paulo? Não conhecem se não conhecem já ouviram
falar. É um lugar nota dez, muito bom, onde você pode ficar a vontade, lendo,
escrevendo, estudando, batendo papo, paquerando, consultando vídeos, livros,
fazendo trabalho escolar, além de cursos grátis, dos mais variados, e peças
teatrais por um preço acessíveis, e bons, recomendo, é um espaço digno de ser
sempre visitado.
Pois bem, eu pergunto:
“Por que todo banheiro público é
uma merda de sujeira, mau cheiro, que às vezes ao entrar, você tem ânsia de
vomito do que propriamente em fazer suas necessidades, seja a primeira como a
segunda, isto é, urinar e defecar”. – eita palavra feia, defecar -? Por quê?
Não é uma merda? O Centro
Cultural São Paulo deveria dar um trato melhor em seus banheiros, sei que o
povo não está nem aí com aquilo que não é deles, mas poderia, não sei, dar um
curso de como cagar e mijar em banheiro público, não acham? Colocar na merda da
cabeça desse pessoal que ali não é lugar de fazer o que eles fazem em casa.
Outro dia em que precisei ir ao
tribunal, ao entrar no banheiro, meu estomago se revirou nas entranhas quase
saindo tudo o que não tinha comido, isto é, nada, talvez ele próprio é que
sairia ao presenciar o que meus olhos transmitiam a ele. Era uma porcaria só,
sem tamanho, tinha merda para tudo quanto era lugar, na bacia branca amarelada,
na tampa tanto em cima como embaixo, no cano que desce da descarga até o meio,
mas era uma merda consistente, não era aquele tipo de merda rala não, era
pelota e pelota de merda, só de pensar meu estomago se revira.
Aí eu pensei. O cara que tinha
feito aquilo merecia lamber tudo até deixar brilhando. Será que não pensou em
quem limparia tudo aquilo? Não sei a meu ver o povão merece o que tem. Não sei
se em outros países os banheiros públicos são como aqui, penso que não, não
conheço os outros além os da minha cidade. É uma pena, como eu digo:
“O que se precisa é conscientizar
o povão do que é errado e do que é o certo”. Mas cadê o sujeito carismático
para conduzir o povo, para orientar, se cada um procura roubar um pouco, pensa
em si próprio.
Bem, é isso, não sei se haverá o
próximo diário imbecil...
quinta-feira, 21 de março de 2024
do croqui dos meus passos
minha
história é desenhada
criando
assim na linha
das
tuas mãos o destino
de
nossas vidas
quarta-feira, 20 de março de 2024
Do outro lado da rua.
Atravessaram a rua e pararam na pequena ilha.
Ele deu um beijo longo ao qual
ela retribui e entregou a ele uma garrafa de plástico cheia de água.
Ela, após o beijo, tomou o
sentido contrário em passos rápidos.
Ele voltou atravessar a rua na
transversal ao mesmo tempo em que esvaziava a garrafa de plástico.
A água chocando-se com o asfalto
esturricado de sol logo se evaporou em fumaça que, por sua vez, se desintegrou
no espaço quente da cidade.
Passando perto de uma lixeira,
sem culpa de estar simplesmente projetando um gesto, jogou a garrafa vazia de plástico
que se chocou com os detritos num som chocho de vida inerte permanecendo ali
para o todo o sempre.
Do outro lado da rua, o escritor
na sua busca de inspiração, virou no copo a cerveja gelada e, registrou no seu
caderno de notas a pequena cena que intitulou: O AMOR
terça-feira, 19 de março de 2024
dobram sinos
conjugando
nossas vidas
numa só
cuido
para que não
escape entre os dedos
uma só lembrança
um só suspiro
que me traga
consigo a saudade
segunda-feira, 18 de março de 2024
dois motivos:
eu e você
você e eu
nada mais
que dois motivos
para que a vida
continue eternamente
sendo eu e você
dois motivo
domingo, 17 de março de 2024
Duas vozes gritam no alarido da vida.
O tanto quanto o balanço do ônibus me permitia, procurava me concentrar na leitura da Lira dos Vinte Anos, de Álvares de Azevedo, quando uma voz chamando a atenção dos passageiros, me obrigou a desviar a atenção do livro.
- Senhores e
senhoras, desculpe interromper o sossego de vocês. Mas é que estou desempregado
há meses, e a solução que encontrei para poder levar um dinheirinho para casa
foi essa. Ao invés de pedir esmola, achei melhor vender essas balinhas de
chocolate de boa qualidade. Podem verificar a validade do produto. Uma são
cinqüenta centavos, três faço por um real, nos supermercados vocês encontrarão
uma por um real. Aproveitem. Quem vai querer? Vou passar um por um, mesmo que
não queiram peguem para verem que falo a verdade.
E foi ele entre licença aqui, licença ali, distribuindo
as balinhas para o pessoal. O ônibus não estava super lotado, estava
razoavelmente cheio, o que dificultava o vai e vem em distribuir e receber as
balinhas de chocolate.
Tudo bem, o
cara precisa sobreviver, não pode morrer de fome, mas comprando as balinhas só
estarei incentivo-o a continuar nessa vida de mendicância, vendo que com isso
consegue dinheiro fácil, pra que irá querer outra vida? Além do mais, não vou
comprar só para ajudá-lo, e vai se saber de onde vem ou como ele armazena essas
balas em sua casa. Instantes depois, ele desceu e eu pude voltar à atenção ao
livro.
O que foi por pouco tempo. Enquanto meus olhos
percorriam os versos da Lira dos Vinte Anos, ouvia uma voz como se estivesse
falando com alguém. Falava e ninguém respondia. Até que divisei o dono da voz.
Era um homem mirrado, vestido simplesmente, não muito alto, o rosto magro onde
se percebia as bochechas afundadas na cara, dando um ar doentio. Falava com uma
voz alta, sem demonstrar ódio ou raiva, mas uma angústia assustadora.
- Eu preciso todo mês vir para São Paulo fazer exames.
Se não fizer isso não terei remédio de graça e eles não mandam para a minha
cidade. Sou professor, trabalho na prefeitura, e a assistente social me deu
licença médica e cinqüenta reais para vir para São Paulo. Sou HIV positivo,
preciso do remédio. Sai do hospital e fui abordado por um sujeito bem vestido
dizendo estar aqui em busca de emprego já fazia mais de três meses. Bem
vestido, falante, fomos jantar. Não sou o que vocês estão pensando, fiquei com
pena dele e no fim fui roubado, me bateram, ele estava com mais dois sujeitos,
quando saímos do restaurante eles me bateram. Levaram meu dinheiro, meus
documentos, tudo. O policial que me atendeu, arrogante, quando fui dar queixa,
me tratou mal, preconceituoso, fui humilhado só porque sou HIV positivo, disse:
- Bem feito isso que dá ser veado. Não sou gay, tenho mulher e uma filha,
preciso voltar para casa e não consigo. Já fui lá Barra Funda, a assistente
social me disse que é impossível me ajudar. Ela ligou para minha cidade e falou
com a assistente social da prefeitura de lá, e eles disseram que eu estava de
férias, logicamente que assistente social da Barra Funda não acreditou em mim.
To com fome, sujo, fedendo, desde segunda feira estou com a mesma roupa. Não
sei mais o que faço. Fiz um escarcéu, briguei com a assistente social, me
levaram para a cadeia, até que foi bom. Lá a policial me tratou com carinho, me
deu cinco reais e me levou ao albergue, mas não pude ficar, estava lotado. Fui
ao Parque Dom Pedro, num prédio onde os mendigos de rua usam como sanitário, e
foi lá que estou dormindo esses dias. Estou cursando o segundo ano da
faculdade, não sou de estar pedindo esmola. To com a maior vergonha de estar
aqui falando com vocês essas coisas, mas juro, é por necessidade, preciso de
trinta e cinco reais para voltar para minha casa. Estou desesperado. Não sei
mais o que faço.
Achei a história mal contada. Se ele é doente e, está
fora de casa mais de cinco dias, os familiares logicamente estariam a sua
procura. E por que não consegue voltar para sua cidade?
sábado, 16 de março de 2024
Dueto virando monólogo
Embriago-me de estilhaços onde a palavra calada, fere a carne que sangra o desconstruir a vida e seus liames absurdos. Escorro o sangue dos prédios fálicos da avenida. Persigo a mágoa nos cantos escuros das praças. Esqueço o furor assassino dos sexos. Lavo meus pés limpos na água escura do Tietê. No entanto, não vejo tua voz, não ouço teus braços e meus dedos não alcançam teu coração. Será que nada mais nos prende além da poesia sexual?
sexta-feira, 15 de março de 2024
Eficiente mantra
Há, correndo pela Internet um vídeo onde uma atriz, que fiquei sabendo depois, canta uma música de um só verso, onde, por quase dois minutos ela diz: Vai tomar no cu.
Quando da primeira vez que ouvi, achei de mau gosto,
ainda é, mas não sabia que faz parte de um show sobre essa anatomia ignorada e
até desprezada do corpo.
Bom, quer
dizer, tem alguns sádicos que sexualmente não o desprezam, pois sendo a região
mais erógena nada mais que estimulá-la, não é verdade. Como diz aquele
filosófico partidário da Filosofia Transcendental para o Prazer Máximo em Todos
os Sentidos: entre quatro paredes vale tudo. Concordo, mas com certas
restrições, pois essa região não foi feita para ser penetrada, no entanto,
prazer é prazer, cada um sinta como acha melhor.
Como aquele sujeito que conheci. Gostava na hora do
coito que a parceira introduzisse o dedo no ânus. Com isso o prazer era mais
intenso, com o qual concordava a parceira. Bom, cada um com o seu prazer se
divertem conforme a situação.
Voltando à música. Outro dia na plataforma do metrô uma
matrona a minha frente começou se invocar por estar enconchando-a. A culpa não
era minha, estava sendo empurrando para cima dela. Por infelicidade quando o
metrô parou na plataforma fui carregado e acabei por ficar atrás dela. Volta e
meia ela se virava, se mexia, tentando sair da posição ingrata que estava.
Permaneci na minha, mas estava vendo que levaria uma bronca a qualquer momento.
O que estava me irritando. Foi então que mentalmente comecei a cantarolar: Vai
tomar no cu, calmamente, sem um propósito definido, sem que fosse
exclusivamente voltado para ela. Não é que a irritação que ela me provocava
sumiu. Pouco me lixei com o que se passava com ela ou que estivesse querendo se
livrar da situação. Sorri num mover de lábios até que provocativo o que fez com
que ela me olhasse de viés sem entender nada.
Percebi que essa esdrúxula música funciona como um
mantra. Repetindo-a várias vezes você se controla, fica mais calmo e aquilo que
o atazanava, desaparece. Depois dessa situação no metrô, repeti a experiência
em vários momentos, tanto em casa, como no serviço e, funciona.
Porém há uma regra. Você não pode dizer: vai tomar no
cu, como ofensa, dirigida especialmente à pessoa que lhe causou desaforo ou
quer que seja. Você tem que proferi-la como uma música qualquer, como um
mantra, despreocupado, sem rancor, sem ódio, sem que seja dirigida a alguma
coisa ou alguma pessoa.
Tente, tente, faça a experiência e veja o resultado.
quinta-feira, 14 de março de 2024
ela chegou
... ela chegou toda imponente, soberba, despudorada, se
alojou sem permissão, pouco se importando se seria ou não bem aceita, ela veio,
rápida como o vento da madrugada, voando esparsa na garra do momento,
inteligente não deixou passar a oportunidade, veio meio brega como todas elas
são, não fez barulho, não é de se mostrar, por isso, veio silenciosa, apesar de
sua índole feroz, aproximou-se calmamente, abriu uma pequena brecha, e, entrou,
se impôs, dificilmente sairia, de caráter forte não havia nada a fazer, a não
ser se entregar perigosamente à ela e, foi o que ele fez...
segunda-feira, 11 de março de 2024
Ela e o celular.
Ela retirou o celular da bolsa,
abriu o flap e começou a mexer no seu teclado com uma ligeireza imprescindível. No ouvido os fones por onde os fios desciam
roçando seu colo rechonchudo realçando uns seios fartos. A alça da mochila na
transversal pressionava sua carne entre os seios o qual, parecia não incomodar.
Enquanto suas mãos, ou melhor, sua mão direita mexia no celular a outra
agarrava com firmeza o ferro bem perto da minha mão, por uns milímetros a minha
não tocava a dela. O formigamento na ponta dos dedos atiçava para que eu
tocasse naquela mão sensual. Ela ficou assim por uns bons momentos. Depois, dando
por finalizado sua operação com o celular, fechou o flap, e guardou. Retirou a
mão que estava perto da minha e se dependurou na barra de ferro, encostou ou
deitou a cabeça no braço esquerdo, começou a dançar e cantar a música que
estava ouvindo. Não tirei os olhos dela, vendo-a no seu remelexo interpretativo
pouco ligando onde estava. Ah! Durante todo esse tempo conversava com a amiga
ao seu lado. Faltou pouco para que eu apontasse para os dois fones de ouvido
enterrado em sua orelha e, depois apontasse para os dois aparelhos enfiados em
meu ouvido. Mas não adiantaria em nada, talvez ela desse de ombros, poderia
pensar: o azar é seu coroa, pois como todos os jovens – alguns, nem todos, mas
uma grande parte deles – não pensa no futuro, no que poderá lhes acontecer
quando não forem mais jovens. Eles que estão certo o que importa é o agora, o
momento, o depois a gente enfrenta o problema, não é?
domingo, 10 de março de 2024
Encontraram.
Estava decidido. Compraria outra. Já fazia quase uma
semana que tinha perdido a carteira com os documentos, os quais precisou tirar
a segunda via. Portanto passaria no Shopping Tatuapé e compraria uma. Assim
fez.
Desceu
do metrô, entrou no Shopping que como sempre lotado. Percebeu que a maioria do
pessoal vinha ao shopping apenas para passeio, principalmente os jovens, vinham
apenas paquerar, afora os casais de namorados agarradinhos ou, os casais com
filhos na praça de alimentação com seus sanduíches macdonald´s ofertando
brindes dos mais esdrúxulos possíveis.
Pensou
primeiramente tomar um chope, acabou desistindo, a praça de alimentação estava
abarrotada de famintos procurando empanturrar o estomago de guloseimas
atrativas. Deu uma volta despreocupado.
Passou
por duas lojas especializadas em bolsas e carteiras e não achou nenhuma do seu
agrado. Estava na Lê Postiche em dúvida qual carteira que escolheria quando o
celular tocou:
-
Alô!
-
Sim?
-
Tio?
-
Sim, o que foi Henrique?
- O
senhor perdeu a carteira?
-
Perdi, sim.
-
Então é para o senhor ir à igreja que um cara achou a carteira do senhor.
-
Legal, já vou para lá.
-
Vai logo que o cara já ligou aqui umas três vezes.
-
Falou, estou indo.
-
Tchau
-
Tchau e obrigado.
Guardou
o celular e, dirigindo-se a vendedora:
-
Obrigado, não preciso comprar mais a carteira, acharam a que perdi.
- O
senhor tem sorte. Perdi a minha e até hoje não encontrei.
-
Pois é, sorte mesmo.
Quando
chegou na igreja o rapaz já estava quase indo embora. Aparentava uns vinte e
poucos anos, roupa simples, notava-se que era uma pessoa de pouca instrução no
seu falar, um rosto fino, olhos de malandro escolado pela vida, cabelos
desgrenhados parecendo que não via água fazia tempo.
-
Cara, você achou minha carteira onde?
-
Numa lixeira perto do restaurante.
-
Que restaurante.
-
Não sei que restaurante. Fui pegar o lixo, vi a carteira e peguei por
curiosidade e como estava com todos os documentos achei melhor entregar.
- Tem
certeza?
- Ta
pensando o que? Que eu roubei do senhor é?
-
Nem pensar, que isso? Apenas acho que você achou a carteira, só isso.
-
Achar, eu achei senão não estaria entregando ao senhor.
- Ta
certo, fico agradecido. Toma, aqui está uma pequena recompensa para você.
-
Obrigado, senhor.
Todos
os documentos, todos os cartões estavam intactos, não faltava nada, aliá,
faltava sim, os cem reais. Mil conjeturas passaram por sua cabeça, mas nenhuma
se concretizou, pois não sabia como acontecera, se perdera mesmo ou se fora
roubado. Quem poderia dizer o que acontecerá, afinal a vida não pode ser
rebobinada, não é?
sábado, 9 de março de 2024
entre a cruz
e a espada
teu rosto expressa a dor
ora blasfema
ora luminoso
não vejo
nenhum sorriso
não vejo
nenhuma alegria
o que vejo
é a paz por ter
salvo teu povo
de tanto
sofrimento
e
selvageria
sexta-feira, 8 de março de 2024
entre as pedras das calçadas
vagabundeia o vagabundo
bebendo as poças d águas
e
dormindo sob as luzes
das estrelas
felizes são os loucos
com os seus mistérios
quinta-feira, 7 de março de 2024
quarta-feira, 6 de março de 2024
Escrever e escrever e escrever e escrever
Venho tentando escrever o que me ocorreu outro dia, propriamente num sábado. Mas escritor e poeta medíocre que sou não consigo colocar no papel ou nessa telinha hipnótica o ocorrido. Se fosse um Sabino, um Cony, um Fonseca, garanto que teria rendido uma boa crônica. Na minha mente o fato parece consistente, forte, mas quando pressiono as pretas teclas do computador, a coisa se deliu na bruma das palavras, elas batem no rochedo e se despedaçam em vários segmentos de desânimo. Qual será o segredo dos cronistas, dos contistas, de conseguirem laçar as palavras colocando-as umas ao lado das outras e darem consistência ao que escrevem? Não sei. Se soubesse garanto que estaria alçando as honrarias que a literatura possa me oferecer. Quem sabe o Nobel? Contentar-me-ia com o Jabuti, já estava bom.
Fato corriqueiro, simples, até inusitado que comprovaria meu sucesso de escritor avoado. Mas como aprisionar as palavras que me fogem constantemente dos dedos e aprisioná-las num contexto atraente para que os leitores deduzissem o meu valor literário. Como? Sei que vou escrevendo a esmo, numa vertigem acalorada sem esquema nenhum, e às vezes, crio um texto que agrade. O que raramente acontece.
Seguindo um conselho que li outro dia, não vou forçar a mente, não vou criar um texto forçado, sem verossimilhança, o que é importante é escrever todos os dias, pelos menos uma sentença, uma frase, uma palavra, mesmo que seja uma letra. Escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever e escrever
terça-feira, 5 de março de 2024
... escrever , escrever
..escrever, escrever e escrever nessa tela hipnótica palavras e mais palavras que resume o dia a dia de um cotidiano opressor, de um cotidiano que nada acontece de sobressalente para que se possa dizer:
Alguma coisa acontece no meu coração, quando eu cruzo com a Ipiranga e a São João, mas sempre acontece alguma coisa, não se precisa cruzar com a Ipiranga, uma avenida bonita que hoje está totalmente descaracterizada, pobre, suja, cheia de vândalos ambulantes esparramados por sua calçada e com a construção de um metrô que nunca termina, e a São João outra avenida que vem sofrendo alterações cada vez mais desastrosas, onde está aquela São João mística misteriosa na sua beleza fria de prédios, carros, cinemas e teatros, onde está que não a vejo, outra avenida onde os vândalos ambulantes com suas bugigangas esparramadas pela calçada vendem pequenas ilusões pobres e falsificadas, onde seus belos cinemas fecharam para templos de falsificadores de um deus que só atende ao barulho das caixas registradoras, onde ficaram aquelas avenidas românticas de passeios de mãos dadas ou abraçados por qualquer hora do dia ou da noite, onde estão:
onde estão os seus carinhos, onde está você...
segunda-feira, 4 de março de 2024
escrevo o que sou
e o que sou não
escrevo literalmente
pois o que eu sou
só você sutilmente
é que sabe
o que eu sou
domingo, 3 de março de 2024
Estou me rendendo.
Estou me rendendo. Aos poucos. Sei que serei vencido. Não tenho mais o que lutar. E para que? Além de ser seguro, quer dizer, não há nada seguro, mas convenhamos que na prática seja mais seguro. Então porque relutar? Seguro e sossegado. Agora sim, sossegado garanto que é. Rápido? Não é rápido, lento até demais, creio que dá para ler um livro de oitocentas páginas em uma semana. Isso é o que me preocupa. Não, não o ler, mas a lentidão entende? Como gosto e estou acostumado chegar, vamos dizer, um pouco cedo, o que dá tempo para escrever os meus bons dias e ler e responder os e-mails. Agora se eu passar a pegar o fretado não terei esse tempo livre, entende?
Hoje fiz uma experiência e, por causa dessa experiência é que escrevo essa crônica. Tomei o fretado era mais ou menos seis horas e cinqüenta minutos. Ele passou pela Penha, pegou a Radial, passou pelo Parque Dom Pedro, Senador Queiroz, a São Luiz, passou pela Praça da República, subiu a Consolação e depois a Paulista. Encurtando, eram oito horas e cinco minutos descia em frente ao Conjunto Nacional. Quando entrei no ônibus falei para minha filha:
- Tenho a impressão que não estou indo trabalhar, mas sim, indo para outro lugar, numa viagem longa.
Tudo bem que eu diga vou a um passeio ao invés de ir trabalhar. Mas convenhamos, é diferente você dizer que está indo a passeio ao invés de trabalhar do que se sentir como se estivesse indo a passeio e vai mesmo a trabalho. Entende? Não sei se consegui me explicar.
Apenas sei que ao chegar no Parque Dom Pedro me sentia incomodado, as pernas começaram a formigar, virava de um lado não me sentia bem, virava do outro o bem que estava não era o que eu queria, enfim, me sentia incomodado.
Bem, vamos ver, estou sendo conquistado a experimentar por um mês, vamos ver no que vai dar. E pode acreditar dessa experiência sairá uma ou duas crônicas, assim espero.
sábado, 2 de março de 2024
Evanescence.
Eram quatro horas mais ou menos quando a chuva começou. Foi um temporal, não medonho, mas um temporal com queda de energia umas duas vezes. Rapidamente desliguei o micro. Apreensivo, ousei dizer:
- Acho melhor não irmos.
- Se o senhor não quer morrer não fale isso, chova pedra ou canivete, nós vamos, disse minha filha.
- Certo, mas tinha que chover agora, não podia pelo menos chover quando estivéssemos lá?
- Até cinco horas vai passar, leva uma blusa, estou levando essas duas capas de chuva.
- Vou ligar para o Júnior.
Do celular não foi possível completar a ligação. Dava como ligação não autorizada. Apelei para o fixo.
- Alô! Júnior?
- Sim.
- E aí, vamos ao show ou não vamos?
- Vamos sim, porque não ir?
- Porque aqui ta um temporal...
- Aqui não está chovendo. E estou uns dez minutos do estádio, lá também não deve estar chovendo.
- Então acho que é só aqui.
- Vai ver que sim.
- Falou, a gente se encontra.
- Certo. Até mais.
E, realmente, às cinco horas, a chuva amainara, isto é, chovia, mas chuva fina, tipo molha trouxa.
Saímos de casa às cinco horas e poucos minutos, o show seria as vinte e uma hora, tínhamos, portanto bastante tempo não precisaria correr.
Mesmo assim, uma apreensão se fez notar, principalmente em mim, pois quando se ouve falar em show, principalmente em estádio, logo o que vem a mente da gente é empurra-empurra, aglomeração, fila enorme, bagunça, enfim tudo o que é característico nesses tipos de espetáculos.
Os portões já tinham sido abertos quando chegamos. Para a arquibancada não tinha fila muito grande. Entramos numa boa. Sossegado. A arquibancada estava cheia, mas não superlotada. Estávamos procurando um lugar quando dei de cara com o Júnior.
- Vi você passando lá embaixo. Eu e meu primo estamos ali.
Fomos com eles. Dei uma olhada em geral. Tinha bastante gente, mas não era uma coisa exagerada. A pista estava pela metade. As cadeiras cobertas e as descobertas estavam praticamente ocupadas. A arquibancada estava no meio termo. Tinha gente de todo tipo, uns mais estranhos que os outros, todos vestindo a camisa do Evanescence, mas vi camiseta de Judas Pirest, Iron Made, Black Sabat, Angra, Motorhead, Slipknot entre outros.
A chuva ora caia fina, tipo garoa, ora aumentava, mas nada que pudesse ser um temporal. Era um vestir e desvestir a capa..
Às sete horas começou o show de abertura com as Luxurias. Grupinho ruim, onde a vocalista tentava de todas as maneiras esquentar o pessoal. Depois de meia hora de show, saíram debaixo de: Fora! Fora!
A platéia por qualquer coisa se assanhava, dava gritinhos, assobios, berros, gritos insanos. Tinha umas garotas, pivetes, atrás de nos que gritavam por qualquer motivo, parecia que uma queria gritar mais que as outras.
Às oitos horas entrou outro grupo, que ninguém sabia quem era. Depois fiquei sabendo, era uma banda Uruguaia, os Silicon Fly. Cantava ora em castelhano ora em português. Num momento, o vocalista gritou: Vocês querem mais uma música. Ouviu um ensurdecedor grito geral de: Fora.
Às vinte e uma hora começou o show do Evanescence. Foi uma empolgação geral, ninguém mais ficou sentado, ninguém mais se preocupou se chovia ou não, todos estavam voltados para o palco.
Amy Lee deu o recado com competência, com desenvoltura, gingado o corpo de um lado para o outro dominando totalmente o palco. Quando os acordes da música “Luthimia” soaram para o deleite da platéia, foi uma comoção geral, ao mesmo tempo um mar de balões brancos agitavam o ar numa empolgação só. A magia da música unia todo mundo. Foi estupendo, contagiante.
Por uma hora e vinte minutos, Amy Lee e seus companheiros dominaram o espetáculo fazendo o povo cantar junto umas duas músicas.
O único senão, a meu ver, foi o espetáculo curto, levou mais ou menos uma hora e quinze minutos, fora isso nota dez.
Após o término o povo não queria sair do estádio, foi preciso que voltassem e apresentassem o bis com mais duas músicas, o que agradou imensamente os fãs.
As dez, mais ou menos, dez e quarenta e cinco minutos, estávamos saindo do estádio satisfeitos com o espetáculo, mas com a sensação de que algo ainda faltava, como se tivéssemos visto um demo, uma pequena amostra do que é o Evanescence.
Vazia.
Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...
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Bloquinho Amarelo Creio já ter escrito o suficiente. E ainda tenho...
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chtgpt Criar o gesto, acompanhado da fala — oral ou escrita — é pulsar vibrações ao redor, orientando ou manipulando quem está por perto. A...
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na sua infinita pequena grandeza a borboleta abre as asas e beija a natureza espalha o pólen da beleza fecundando o ci...