terça-feira, 31 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.723(2021)

                      

            Esboço.

 

            Beto conhecia a si mesmo, sabia do que era e do que não era capaz de fazer. Tinha enorme raiva e pavor da sua timidez, que o atrapalhava, sem saber criará inconscientemente essa maneira como forma de se proteger. As vezes se orgulhava de alguma ousadia, de algo feito no presente que se fosse no passado não faria e nessas pequenas ousadias acreditava progredir. Assim foi quando conheceu João, sentiu-se forte e que estava dando um passo a frente na sua evolução...

            É isso... ou, não é?

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Outros dizeres - 02.

 

Escrevo dentro da palavra, palavras como dentro de mim a morte escreve, morte.

Mesmo que você morra continuarei escrevendo palavras que não dizem mais nada para mim.

Mesmo que eu morra, você continuara ouvindo palavras que foram sussurradas em teu ouvido.

Vencedores somos além da vida o que fomos um para o outro: a própria vida nossa de cada dia.

domingo, 29 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.722(2021)

                     

            As palavras surgem em forma de imagem forte e consistente que os dedos congelados e por isso dormentes, procuram digitar ao teclar as pretas teclas do notebook levando-o a imaginar que é escritor e num apaga e escreve as palavras ora confirmam a consistência da imagem ora deixam a desejar a ponto de estagnar a escrita por um tempo indeterminado e num confronto de ideias e fatos a mente entra num cataclismo provando-o que para ser escritor tem muito o que aprender, no entanto ficar nesse muito que aprender e não aprende não o levará adiante, vai sempre ser um medíocre escrevinhador que ninguém se interessará pelo o que escreve, entende... merda...

            É isso... ou, não é?

sábado, 28 de agosto de 2021

Outros dizeres - 03

No sonho transitávamos como criança alegre não sabendo o porquê de tanta alegria.

Estranho, disse você.

Calmo como o vento dobra o frágil capim, respondi: estranho seria se não sonhasse.

E com o sorriso branco de seus dentes, caminhou num pisar macio e carinhoso por todo o campo do meu corpo.

Tornei-me translúcido ao mesmo tempo em que, carinhoso e macio, por todo o prado do teu corpo caminhei.  

A sombra dos picos róseos deitei meus lábios sedentos e aninhei-me como criança que não sabe o porque de tanta alegria.


sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.721(2021)

                                    A busca

                       

            ... por muito tempo fui intoxicado pela esperança que pudesse dar certo o que pretendia fazer, essa sensação me corroía, invadia os espaços abstratos como os reais a ponto de sufocar a carne de delírios me jogando dentro da onda de desejos, e, para me livrar dessa angustia, ao levantar naquele domingo, apesar do inverno, o sol lançava seus raios esquentando os poros da vida, resolvi pôr em pratica a ideia que vinha a muito tempo adiando, que por alguma razão ou outra me impedia de realizar, assim sendo sai cedo, resoluto, disse a mim mesmo que nada me impediria, depois de duas conduções, ônibus e metrô, em menos de meia hora descia na estação Itaquera, onde o movimento de pessoas é assustadoramente surreal além de uma calamidade insana, a estação em si até que é atraente, arejada, ao descer as escadas é que o bicho pega, é um mar de corpos, cabeças, vozes te engolfando a ponto de se sentir em outro mundo, é marreteiros, vendedores ambulantes, barracas e mais barracas de todo tipo vendendo das mais extravagantes e bizarras mercadorias num amalgama de ruídos, falas, veículos, e contribuindo com esse pandemônio há o shopping Itaquera e o posto do Poupatempo colado a estação, e, claro o Arena Corintiana bem ao lado, só atravessar a rua, tudo isso contribui para a indecência do lugar, lembro-me que o ônibus ficava dentro do terminal, logicamente depois de tanto tempo não iria encontrar ele no mesmo lugar, nem sabia se ainda existia a linha, perguntei para mais de dez pessoas e nenhuma delas sabia me informar qual ônibus passava pela rua Sara Kubitschek, não sei, não conheço, onde fica, foram  as respostas a minha pergunta, desde cobrador, motorista, funcionário, fiscal, vendedores, não souberam me dizer, estava até pensando em voltar quando por casualidade me deparei com a placa ao lado da porta do ônibus Cohab Barro Branco o nome da rua, subi e sente-me no último banco, enquanto esperava o veículo sair fiquei observando aquele povo com suas excentricidades na pequena vida que tinham, talvez sentiam-se felizes lutando por um lugar ao sol, outras nem tanto, vivendo à margem do sistema pouco se importando e nem procurando melhorar o padrão de vida, e para que, poderão responder, estou bem assim, nisso ao meu lado senta um rapaz e abre um livro de Napoleão Hill, nem tudo está perdido, tem sempre alguém buscando algo melhor, penso ao ver o rapaz preso as letras do livro, nisso o ônibus sai, vira a direita, a esquerda, segue em frente, pega a via expressa, novamente vira a esquerda, depois a direita, e começo a me infligir de ansiedade, olhando para tudo aquilo, com casas quase uma em cima da outra, sem um planejamento, sem estrutura, um amontoado de vida onde coexiste uma beleza poética que poucos nem percebem, há um pulsar estranho, um pulsar elétrico que conduz os passos de um lugar a outro levando e trazendo a história de cada uma daquelas pessoas, nesse ponto o ônibus para no terminal Cidade Tiradentes, isso depois de quase uma hora rodando, não pensava como era longe, sei que saindo desse terminal estarei na Sara Kubitschek, um aperto no coração me fez perguntar se estava agindo certo, afinal depois de tanto tempo não tenho o direito de chegar assim de repente sem saber se é do gosto dele ou não, retrocedendo mentalmente os fatos, me vejo no dia em que decidimos por um ponto final em tudo aquilo, estávamos a longo tempo num relacionamento meio frio, tanto por minha causa como por causa dele, e quando se chega a esse ponto deve-se cada um ir para o seu canto viver a sua vida e não a vida de outrem, e, foi o que fizemos, no entanto uma pequena chama ainda permanecia dentro de mim queimando, me dizendo, vai lá talvez ele ainda te ama, talvez nem tudo está perdido, e com esse pensamento desci do ônibus, atravessei a rua, parei em frente ao portão, quando ameacei bater palmas, alguém abre a porta e fica com a metade do corpo para fora e a outra metade para dentro como se estivesse respondendo para alguém dentro de casa, me escondo como posso numa porta, sai da casa ele e uma moça falando alegremente, ele não me vê, mas quando para e coloca a mão no bolso da calça, fala para a moça, espere, esqueci a carteira vou pegar e volta para entrar é que ele me vê, por instantes nós olhamos e sem dizer nada ele entra, e momentos depois sai sem olhar para mim, como se não me tivesse visto, desce a rua acompanhado da moça, tomo o ônibus que vinha chegando e, ao emparelhar com ele, o ônibus para no farol, ele também à espera do sinal abrir para os pedestres, nos olhamos novamente, jogo um beijo, ele faz o gesto obsceno com o dedo, sorrio, o ônibus se põem em movimento e perco sua figura na distância, encosto a cabeça no vidro da janela, uma paz me invade, não estou mais angustiado, ansioso, a tranquilidade me domina, sinto uma lágrima escorrer pelo rosto, não de tristeza, nem de felicidade, mas de uma sensação que cheguei onde queria, me encontrei comigo mesmo, valeu a busca, valeu a pena ter vindo, o sol brilhando com sua luz anunciando o fim do dia, me dá a leveza que há muito tempo não sentia e, junto, a beleza nos amontoados de casas, de pessoas indo pegar o seu lugar no futuro, e ao chegar na Estação Itaquera do metrô, sinto  pulsando forte a vida...

            É isso... ou, não é?

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Outros dizeres - 04.

Era o sonho, dizia Ela. Ele concordava, não conseguia sair do sonho dela e, por sua vez Ela incomodava o sonho dele. Estava nessa posição ridícula sem conversarem um com o outro por vários dias.  Ela andava nos meandros como se procurasse algo que Ele não tinha. Ou pensava que não tinha. Quem poderia saber o que se passa nos sonhos? Dizia que conhecia sim, todos os intricados caminhos. No entanto, pegava o mesmo trem, e encontrava as mesmas pessoas. Sentia uma aflição tênue permeando os corpos que, transitavam de um lado para o outro de vagão a vagão, ou que imóveis ficavam encostados nas poltronas, nos corredores... Outro dia se viu sentado na locomotiva espreitando o maquinista e seu ajudante. Claro que não era visto, é o que pensava, no entanto sabia que era visto, só que não davam atenção a ele, um mero passageiro.

Ficava lá, no seu canto, isto é, dava a idéia de ser o seu canto, mas onde olhava deparava com a figura esguia como uma enguia a eletrificar o olhar. Não adianta ir para onde quiser ir, onde você for é onde estarei, dizia seu olhar mudo. O que o afligia, não era em si o sonho, era Ela esquivamente sorvendo a pouca resistência conseguida nos sonos sem sonhos.

Diferente dela agia as claras, não ficava na espreita de olhares pelos cantos dos sonhos. Seguia onde Ela fosse sem se importar com nada. Como daquela vez, quando Ela o percebeu olhando fixamente, caiu nuns gestos sem jeitos, ruborizada tentando um disfarce que nada resultou. Soube claro que Ele soube, mas não disse nada, isto porque nos sonhos o som não se propaga, parece som mudo de pensamentos difusos.

Tinha uma maneira de resolver isso. Entrou no bar do japonês, comprou seis latinhas de cerveja e tomou uma atrás da outra. Na quinta a embriaguês comandava os gestos que se tornaram audaz. Não se importou. Era tudo ou nada. Começou a seguir os passos dela. Seguiu-a até o mercado municipal, percorreu os corredores, banca por banca, por fim Ela parou na banca de peixes. Ele chegou perto e ao dizer na mudez do sonho:

- Não estou onde você está.

 E saiu nadando no olho do peixe respirando a liberdade de ser ele mesmo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.720(2021)

          

            Acasos e descasos

 

            ... se você quiser ir embora, chamo um Uber,

pela quarta vez me perguntava, o que me fez responder grosseiramente,

não quer que eu fique,

com uma expressão de inexpressivo desinteresse, me disse,

não é isso, é que você está com uma cara de quem comeu fígado cru,

é lógico, queria estar em casa a essa hora, mas como você me segurou, então melhor aproveitar a festa, não acha, afinal mereço não é,

você que sabe,

portanto a situação ficou nesse pé, não liguei, procurei tirar o maior proveito possível da situação, percebi que ela não queria que eu ficasse, era véspera de São João, tinha pedido minha ajuda para comprar as coisas que iria fazer, além é claro, para pendurar as bandeirinhas, limpar a casa, o que não me fiz de rogado, ajudei no que pude dentro das minhas possibilidades, por isso me senti no direito de ficar sem ser convidado, como o pessoal estavam chegando achei que seria mal interpretado sair naquele momento, Mary com seus um metro e oitenta, olhos azuis, loira, cabelos lisos, um rosto ovalado bem expressivo, era uma excelente amiga, mas quando queria ser sacana, tirava proveito dos amigos e não se fazia de rogada, pedia, exagerava como estava fazendo comigo, ao toque da campainha, enxugando as mãos, correu abrir a porta dizendo,

deixe que eu atendo,

evidentemente que eu deixei, afinal não era eu o dono do apartamento, era ela, assim sendo, com um sorriso de orelha a orelha recebeu Clara e  sua companheira Cida e seu irmão, o Eliseu, moreno alto, magro mas com um corpo de academia, cabelos castanhos, olhos profundos de uma beleza quase melancólica, lábios finos que revelava um sorriso de dentes brancos e bonitos, o rosto de traços bem definidos que deixou minha amiga com os olhos arregalados e queixo caído literalmente, ao cumprimenta-lo senti no aperto de mão uma força diferente como se dissesse:

estamos juntos,

olhei em seus olhos me passando uma tranquilidade que ele ao mesmo tempo tomou conhecimento, Eli como gostava de ser chamado, detestava seu nome, durante a noite toda não dirigiu-se nenhuma vez a mim diretamente, muito menos nossos olhos se cruzaram, também não me dirigi a ele abertamente e quando fiz me obriguei a não olhar em seus olhos, em contrapartida Mary o alugou constantemente, era Eli aqui, Eli acola, venha me ajudar Eli, por favor Eli, não largava em nenhum momento o pobre rapaz, eu tinha noção de que ele sabia o jogo que Mary fazia com ele, como bom convidado em momento algum deixou de ser gentil e prestativo, a conversa se desenrolava entre os quatro numa  fluidez até que aprazível, para deixar Mary chateada, ofereci quentão para Eli, foi o único momento em que nossos olhos se tocaram, passado um tempo, uma hora talvez, ou um pouco mais, disfarçadamente Mary me carregou até a sacada e sussurrando me disse:

eles vão dormir aqui, não tem lugar para você, portanto dê uma desculpa para ir embora, vou chamar o Uber,

e não me dando tempo de responder, anunciou num bom tom alegremente,   

o Martim está indo embora,

ah! já, está nem começamos a festejar

disseram quase em uníssimo,

desculpem é que tenho compromisso logo de manhã,

eu também disse Eli,

e além do mais continuei tenho uns desenhos para terminar já adiei muito eles,

me despedi de Clara e Cida, ao me despedir de Eli, ele me entregou um cartão dizendo:

me liga

ao mesmo tempo me beijou na boca,

o engraçado é que eu já sabia que você agiria daquela maneira ao me despedir,

e eu fiz porque tinha a noção de que você sabia,

pena que não vi a cara das meninas,

bem posso dizer que ficaram espantadas e a Mary não falou mais comigo o resto da noite, antes de você sair, ela a Clara e a Cida me pressionaram para dormir lá, e uma hora depois que você saiu, me despedi delas e nem perguntaram se iria dormir lá ou não,

por onde andará Mary,

a última vez que ouvi falar dela estava na Inglaterra casada com um lorde,

bem, deixemos o passado e vamos para a sua mãe que nos espera para almoçar,

vamos sim...

            É isso... ou, não é?

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Outros dizeres - 05.

E saiu nadando no olho do peixe respirando a liberdade de ser ele mesmo. Ele mesmo? É possível? Se a morte me espera a qualquer momento? Hoje ou amanhã ou no futuro qualquer serei alcançado. Então como ser eu mesmo se no sonho dela vivo a azucriná-la? As coisas acontecem na proporção dos fatos.

Sentia-se enclausurado na futilidade dos dias. Culpa dele? Talvez.  Sentado no canto da alma, buscava a quietude sonora de um saxofone diluindo o silêncio. Envolvido no som dos acordes acompanhava o equilíbrio do sentimento. A música agia em fios melódicos homeopáticos. Nada fazia com que se locomovesse, envolvido na clarividência do pensamento, se entregava a cada segundo.   

A luz, pequena surgida na distância dos corpos, foi por instantes seu ponto de salvação. Agarrou-se a ela e se conduzia a iminente paixão ilusória. Cego não pisou em pedras verdadeiras, reconheceu, fora descuidado. Agora deverá reiniciar a partir do zero. Esquecer o que fora e o que fizera e partir com toda a força dos gestos lançando-se ao desconhecido outra vez. Medo não tinha apenas uma ligeira decepção com o humano, o ser, o único.

Ela com sua desenvoltura, afinal, o sonho é dela, não se importava com a classificação que ele lhe dera. Por sua infelicidade não o notava sentado no banco do trem observando-a com olho de águia, os mínimos detalhes dos gestos dela.

Ouvia tambores distantes numa batida agressiva. Selvagens, disse entre os dentes para não despertar nela o medo do não saber o que era. Selvagens, dissera ele enquanto atravessavam campinas secas e esturricadas de sol. Como surgiram os tambores pararam trazendo de volta o trepidar da locomotiva célere. Atravessaram montanhas, rios, pontes, estradas, cidades, vilarejos.

No dia seguinte ao acordar, estava novamente sozinho na grande cama de casal.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.719(2021)

           

            Volto com questionamentos antigos, agora sobre um ponto de vista mais abrangente ou, talvez mais contundente: o que faço com as ideias/imagens que surgem em minha mente, forte, agressiva, até espetaculares e, quando vou transformá-las em palavras se enfraquecem, ficam fúteis. Será que os gênios passam por esse processo problema? Creio que não, tarimbados já resolveram essa questão. Gostaria de saber como. A poucos instantes, lendo John Steinbeck uma biografia, de Jay Parini, tive uma estupenda ideia que chegou a atrapalhar a leitura interrompendo-a, no entanto, ao fechar o livro marcando a página onde parei, a ideia se evaporou como fumaça que fumante lança ao ar. Lógico, fiquei puto, mesmo assim, me obriguei a escrever e me saiu esse texto frouxo. Não é o texto que gostaria ter escrito, evidentemente, mas posso dizer que seja um texto exercício. Tenho, não vou dizer projetos, e sim, ideias que poderei desenvolver em contos. Caralho três ideias que não lembro no momento... ah! lembrei. Uma é mais ou menos assim: o personagem principal está numa festa na casa da amiga e ele percebe que não deveria estar, pois a amiga três vezes pergunta a ele se não quer ir embora; a segunda o personagem principal, depois de muitos anos, resolve visitar o namorado sem o avisar e durante o trajeto rememora os momentos em que passaram juntos e o do porquê se separaram e se vale a pena essa visita surpresa; e a última... bem... merda, não recordo a terceira... uma hora e cinco minutos da madrugada, apesar de não estar com sono, vou me obrigar a dormir, senão já viu, né.

            É isso... ou, não é?

sábado, 21 de agosto de 2021

Outros dizeres - 06.

 

 No dia seguinte ao acordar, estava novamente sozinho na grande cama de casal. Estirado com a perna para fora, regozijou-se; vivo disse friamente. O filete de sol picou a coxa direita obrigando-o a se mexer. Lento na despreocupação do que pudesse lhe acontecer, agarrou o sabor da água, gota por gota e, abriu os poros para que fosse alimentado. A temperatura embaçou o espelho do banheiro. O tédio começava a espezinhar como mola propulsora levando-o mecanicamente. Ouviu uma risada. Era ela. Não podia ser outra coisa. Era ela invadindo o seu sonho. Por quê? Qual a intenção dessa invasão? Não deu importância, ignorou por um bom tempo, até que não aguentando mais, desligou o chuveiro. Vestiu-se prolongando cada gesto para assim atormentá-la com sua presença. Gostaria de vê-la, de contracenar com ela nesse mundo fluídico, abstrato, amorfo sem consistência. Tinha a certeza de que a venceria. Só assim estaria livre dessa obsessão maluca. Um arrepio atravessou a pele. Sorriu. Estava gostando da situação. Desse esconde e esconde um no sonho do outro.

Gostaria de frequentar num café como os de antigamente, com cadeiras na calçada onde homens com bengala e chapéu se sentavam acompanhados de belas mulheres e, não num bar qualquer e tomar um café que parecia mais requentado do que outra coisa. Conhecia vários cafés na cidade, mas não estava com vontade de percorrer quilômetros por causa de um. Serviu-se desse mesmo, pendurado no balcão vendo moças de jeans, blusas curtas mostrando umbigos horríveis e rapazes molambentos que mais pareciam mendigos, transitando vidas insignificantes. Não sabia viver, era isso. Só tinha que viver isso. Viver é uma grande insanidade onde apenas os translúcidos transitavam 

Às vezes se surpreendia ao empregar palavras impensadas, palavras escondidas no imaginário do cofre. Sobressaltava-se ao vê-las fixadas no papel eletrônico. Eufórico percorria sentimentos voltados a uma finalidade: não sair jamais do sonho dela. Ficar, mesmo que imóvel, entre as sombras de fluidez permeável o quanto fosse necessário ficar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.718(2021)

          

                Queria sem pudor escrever abertamente sobre meus sentimentos que, não só me assolam como tolhem o meu escrever. Como fazer isso sem ter resultados dolorosos e negativos? Terei que me expor sem fragmentos, sem compaixão, extirpar a culpa que me leva a andar em passos lentos? Conheço esse sentimento muito bem o qual imaginava ter eliminado, mas acontece que tem dias ele é forte intensamente e outros dias chego ao ponto de me paralisar feito estátua esculpida pela mão do mais péssimo escultor. Creio que melhor continuarmos como estamos, eu aqui e você aí, talvez consigamos criar algo solido sem nos machucarmos.

            É isso... ou, não é?

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Outros dizeres - 07.

                             Ficar, mesmo que imóvel, entre as sombras o quanto for necessário ficarei. Sei que não adianta dizer o contrário. Entre nós há uma distância quilométrica de coisas, de ar, de terra, de estrada, de asfalto, de comodismo, de incompetência delimitando gestos e ações. Para ser é preciso agir, não é mesmo? Até mesmo o pensamento cria forma diferente do antes para uma forma, talvez audaz, muda na própria forma. Por quanto tempo isso será viável, não sei, sei o quanto é necessária para mim. Quero crer que para você também o seja.

Enquanto algo de concreto não acontece, colho os raios de sol na palma da mão. Respiro o ar que beija a face do sentir guardando no peito a paixão. Bebo a água saciando a sede de não ter-me ao teu lado.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.717(2021)

         

                My dear friend

 

            Sentado no banco na plataforma da estação do metrô Penha, sonolento, quase deixando cair o livro do colo, o frio chato balançando os cabelos em frente aos óculos, os passageiros dentro do trem me olham com algum pensamento, o que pensam, não sei, de repente o rapaz de boné, fone de ouvido, blusa listada, mochila nas costas, comendo talvez pipoca, ao passar me olha por segundos e vai sentar no banco no fundo da plataforma, será que é o rapaz que todos os dias eu o vejo, pode ser...

            ... sábado, meia noite e vinte e seis segundos, frio, caiu a net e está difícil voltar, sem sono...

            ... o que está fazendo...

            Com amor, Pastor.

            É isso... ou, não é?

terça-feira, 17 de agosto de 2021

PEDRAS

 Por Carlos Savasini

       Osvaldo Pastorelli

 

No rio as palavras

concretizam o riso das falas

na face da alegria cotidiana

rasgando e raspando o leito rochoso

moldando o perfil do contorno

das linhas das bocas que falam

e riem

no escondido da alma

festejando a calma

que há em cada

pedra e em cada

grão de areia

na paz sonora

das ondas da felicidade.

 

Ronronam

as pedras polidas

as pedras que rolam

falas e risos

compartilhadas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.716(2021)

          

                My dear friend

 

            Caralho como está frio, meu caro. Nove grau. Pode isso!? Vou me congelar, virar estátua dura, fria, morta. Aos poucos vamos morrendo, não é, principalmente quando, não vou dizer mágoa, talvez você sinta alguma magoa que eu possa ter feito a você, mas aqui vou me referir a chateação, é, quando uma chateação surge por algum acontecimento que sem querer uma pessoa ou, eu mesmo tenha feito com a intenção de estar ajudando e acaba por complicar mais as coisas, também não deixa de ser uma parcela de morte, você se descontrói num vazio sem se lamentar, fica perdido, desnorteado por não esperar tal reação de determinada pessoa, entende, principalmente de  pessoa querida até demais e na sua revolta grita, xinga, se desespera, te põe no chão, te humilha sem se importar o que você seja para ela, entende, são... são porra nenhuma...

            Com amor, Pastor.

            É isso... ou, não é?

domingo, 15 de agosto de 2021

Por que escrevo?


 Não sei. Antigamente dizia que era para espantar os fantasmas escondidos nos recantos da mente. Mentira. Nem aquela época e nem agora não sei por que escrevo. Alguns escritores dizem mirabolantes teorias e palavras justificando o porquê escrevem. Eu não tenho teoria e muito menos palavras mirabolantes que justifique o porquê eu escrevo. Tenho apenas uma resposta: escrevo para viver.

sábado, 14 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.715(2021)

       

                My dear friend

 

            Talvez não deva te escrever nem essa e nenhuma outra palavra, não é, que seja sobre mim e sobre você, sei que não devo, pois tudo o que for escrito se refere a nós, não é, e não tenho o direito de usar nenhuma palavra sem a sua devida autorização, não é, mas me vejo na necessidade de escrever sobre mim pelo menos, sobre meus sentimentos antigos e atuais, sobre as consequências que disso possa acontecer, consequências que cairão sobre mim e que só a mim me diz respeito, compreende, e para tal preciso urgentemente eliminar tanto a ansiedade como a timidez e soltar o animal que me obriga... porra me foge o termo... reprimir... não, não é reprimir... é algo que eu próprio crio para não me soltar totalmente... critico... sim, acho que seja critico constantemente o que escrevo e por isso só escrevo merda... não é, bem, no momento é meia noite e quarenta e nove minutos só me resta dormir esquentar a carcaça que o frio está porreta...

            Com amor, Pastor.

            É isso... ou, não é?

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Procuro o que dizer

 

E a música invade os sentidos. Puxa lá do fundo a lágrima que não quer sair. E lentamente ela escorre em pequenas gotas de palavras mudas. Símbolos que deixo me levar à distância infinda do corpo em suspenso pela harmonia. O violino estraçalha a saudade em fragmentos melódicos acompanhados pelo piano seguido das vozes impondo a sonoridade do tema. Minutos de silêncio quebram a mudez se infiltrando nos móveis, bibelôs, paredes e na estrutura da casa. Nada há para fazer. Aquieta-se o coração no ritmo da vida. Adormeço em seus braços.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.714(2021)

          

            Hoje meu almoço foi duas caipirinhas, três cervejas, quatro porções de amendoins, duas bananas, duas mexericas e uma porra vontade doida de escrever para você, sabe, é escrever, mas como você sabe e acho que deve saber, pois a todo momento toco no assunto, quando vou colocar no papel as palavras que surgem na mente, nada sai e se sai não sai com a mesma intensidade como na mente, compreende, o que me frustra terrivelmente porque o que está aqui não é o mesmo que está ai, isto é, você não está aqui, não me ouve, não sente meus sentimentos, caralho Ennio Morricone é foda mesmo, o cara foi um gênio...

            É isso... ou, não é?

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Réveillon.

 Cheirava a cigarro, café e álcool. Fedia, isso sim. Fedia o suor do passado que no badalar das vinte e quatro horas, anunciou a morte do velho e anunciou o novo que nascia. Ao longe pipocaram estrondos de chuvas de pratas coloridos na imensidão do céu despejando chuva que, apesar da pouca intensidade, molhou os ousados que saiam para ver a queima de fogos. Ele fedia. Fedia a velho tempo enterrado no brilho dos rojões em festejos de que haverá, mais uma vez, mudança na vida. A vida não muda, aliás, nada muda o que muda é a intensidade de cada um a encarar seu destino. E o dele, era estar ali suportando o fedor de cigarro, café e álcool. Perambulava do sofá para a cadeira de vime e da cadeira de vime para o sofá, os olhos vidrados no além-desconcertante, com o copo de champanhe brindando a morte nos gritos surdos dos fogos. Brindava numa voz enrolada, numa absurda voz, poderia até se dizer, ridícula entoando sempre a mesma canção:

- Feliz ano velho...

E disso não saia, de enquanto em enquanto, berrando na sala, na cozinha, na sacada, na rua:

- Feliz ano velho...

Não ouviam mais a voz embriagada dele pelo álcool da satisfação de se sentir inteiro e feliz. No inicio, apenas falava, depois com a empolgação, começou a cantar, e finalmente, aos berros expunha o ridículo de ser ou de se estar alegre. Assim festejou a passagem do ano novo.

- Feliz ano velho...

E deitou a alma cansada nos braços da madrugada.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.713(2021)

           

            “A vida é um precipitar de ações que nos leva a armar tramas que ela não tem. É uma rajada de fatos, acontecimentos, situações que muitas vezes não existe sequencias concebíveis e sem padrão linear levando-nos a recorrer ao perdão e a dor.”  - John Steinbeck uma biografia, Jay Parini.

            É isso... ou, não é?

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Roupas dependuradas.

 

Roupas dependuradas no varal lembram o vazio dos corpos que um dia a usaram. Coisas simples que não havia compreensão. Deixavam-no aturdido, embasbacado, precisava alcançar o cerne do vazio para compreender. Procurar nas dobras das roupas, uma por uma a essência vida que por pouco tempo existia dando à roupa a condição de roupa. Assim pendurada, por pregadores, ao sabor da matéria pano e linhas, era nada, apenas pano costurado aqui e ali dando forma de roupa. Assim como o corpo, que sem o invólucro da roupa não pode ser considerado corpo. Uma coisa não vive sem a outra.

domingo, 8 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.712(2021)

            

            Chove torrencialmente. Escrevi isso ontem, mais ou menos as vinte duas e cinquenta ou quarenta e cinco minutos e, pelo jeito choveu a noite toda, pois ao amanhecer o chão estava úmido e um frio subia do chão molhado, o bom é que não estava ventando, o ar parado fazia acreditar que o dia iria esquentar devido a um sol tímido que ora aparecia e desaparecia. Dez horas e quarenta minutos. Estação Penha do metrô com seu movimento normal, até normal demais para essa pandemia. Os trens vão e vem dentro do horário, acho. Uma pomba pousa na plataforma. A segurança deve estar acirrada, pois não vejo mais os marreteiros com suas indolências impertinentes. A pomba passa pela minha frente, estou sentado num dos bancos da plataforma e ninguém lhe dá atenção. Surgem três jovens e se sentam ao meu lado com um saco preto e grande. Um deles diz:

            --- Vou deixar aqui, não quero saber, se os guardas aparecerem eu falo que é dele – apontando para mim e, eu respondo:

            --- Olha aí, já está vindo um...

            --- Não, esse é funcionário, não tem perigo.

            Um deles fila um cigarro do amigo e acende fumando escondido. Quando entro no vagão não vejo nenhum deles. Parecem que se evaporaram.

            É isso... ou, não é?

sábado, 7 de agosto de 2021

SAUDAÇÕES

  

Por Carlos Savasini

       Osvaldo Pastorelli

 

Salve, salve

guarde o próximo verso

o próximo assunto

o próximo tento :

tento o verso

guardando assuntos

para conversas amigas

nos próximos encontros.

 

Salve, salve

garçom mande

outra gelada

a saideira

e depois

a expulsadeira.

 

Salve geral !

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.711(2021)

           

            Existe algo que eu detesto? Não sei. Nunca me perguntei. Talvez chuva, inverno, ser obrigado a fazer o que não quero. E outras coisas pequenas que só no momento é que percebo que não quero fazer e acabo fazendo. Quer dizer, digo não a mim mesmo. Caralho... o sono interrompe a caneta que desliza sobre o que escrevi trançando uma linha por cima das letras. Ainda bem que é caderno de anotações...zzzzz... dez... cinquenta... friooooozzzzzz

            É isso... ou, não é? 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Suplício de uma saudade.

 

Dança a saudade no brilho dos canhões

E as tristezas assolam nos campos minados

E as folhas murcham sementes esquecidas

Escorrendo sangue por escombros de carne

 

Moldam e desvirtuam pacatos destinos

E a esperança nasce sem ter encontrado

Um minuto de paz nos braços da felicidade

Onde o sorriso da lua é enegrecido pela morte

 

Choram olhos secos de terra e fuligem

Gritam vozes estarrecidas de chumbo

Mãos estatelam dores ao apertar o gatilho

 

Tudo é confusão de gritos e sentimentos

Tudo é um caos de passos tortos e incertos

Onde todos cultivam cada um a seu modo

 

O suplício de uma saudade.

 

Pastorelli

Esta é uma das mais lindas e famosas histórias de amor das telas cinematográficas. Ambientado em Hong Kong durante a Guerra da Coréia, o filme narra a história de um correspondente de guerra americano (William Holden) e seu amor por uma linda médica eurasiana (Jennifer Jones). À medida que seu amor cresce, surgem problemas para atrapalhar sua felicidade. Ele deixou uma esposa em casa, e ela enfrenta a desaprovação de sua família e amigos. O destino também não parece querer ajudar. Todo o exótico esplendor de Hong Kong foi brilhantemente capturado pela magnífica fotografia de Leon Shamroy, e a trilha sonora vencedora do Oscar de 1955, e a canção título Love is a many-esplendored thing a melhor canção original de 1955, estão entre as melhores já compostas para o cinema. Suplício de uma saudade é indiscutivelmente um ponto alto da melhor tradição em filmes românticos de Hollywood.

 

Vencedor de 3 Oscar 1955

Desenhista de figurino (colorido)

Melhor trilha sonora

Melhor canção original

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.710(2021)

          

            Está bem. Olhe, já te disse, tome banho e vá para a escola. Depois veremos, conversamos sobre isso. Sei. Tchau. E assim ela foi falando pelo WhatsApp mandando áudio para a filha. Durante o trajeto todo. Mandava um áudio e esperava. Vinha a resposta, ouvia e mandava outro áudio. O tempo todo. Pelo que pude imaginar é que ela estava indo trabalhar, médico ou quer que seja e por não poder faltar, deixou a filha sozinha e de longe tentava monitorara-la. Era irritante. Sentada ao lado dela, quase gritando em meu ouvido. Infelizmente não pude saber o final da história, ela desceu dois pontos antes. Coisas que acontece no ônibus.

            É isso... ou, não é?

terça-feira, 3 de agosto de 2021

VERSO-GRAMA

 

Por Carlos Savasini

       Osvaldo Pastorelli

 

“Abstrair a imagem na palavra,

 imprimir o pensamento no papel.”

   La Zizita (Leonice Tronco)

 

Cenas fotograficamente

firmam-se em takes irreais

no surrealismo da vida

de suspiros e tintas

cores e sopros

o pensamento é de vento

os dedos de carne

as imagens, de tons

fotogramas, papel e pigmento

retratam em fotos digitais

o cotidiano da palavra

abstraindo o pensamento

do papel ao imprimir

o indivíduo em palavras.

 

(10/07/2010)

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.709(2021)

           

            O ônibus estava lotando e nada de se movimentar. A impressão que dava é que o motorista não estava nem aí. Tomando seu cafezinho no copo descartável parecia despreocupado. O gozado é que a maioria desce um ponto antes ou um ponto depois da praça Silvio Romero. Do metrô a praça são dois quarteirões. Por que não ir a pé? Tudo bem, pegar o ônibus numa situação urgente. Um ponto ou dois pontos depois esvazia e, uns quatro ou cinco pontos até chegar na Azevedo e, mais uns cinco ou seis ele desce na esquina da Azevedo com a Marengo. Também, ele não precisaria pegar o ônibus. É só descer no Carrão e subir a Monte Serrat. O que o impede é que a avenida é subida, cansa andar quase dez quarteirões, assim ele aproveita para praticar o poder de observação. Apesar do trajeto curto observar as pessoas e suas idiocrasias é fabuloso.

            É isso... ou, não é?

domingo, 1 de agosto de 2021

Tarde demais para esquecer.

 

Tarde demais disse você sem ao menos perguntar o que estaria eu sentindo. Demais, eu diria, sem pestanejar seria se não tivesse te conhecido. Mas felizmente para mim, não sei se para você, o encanto nasceu ao conhecê-la sorridente no convés das aflições. Sorri, correspondente ao teu charme enovelando nossos sentimentos em um só momento que se tornou todos os momentos que, sem saber, fiquei a te esperar aflito na saudade que, disse a mim mesmo, jamais te esquecerei. 

 

Nesta intensa e bem-humorada história de amor, indicado pra quatro prêmios Oscar, Cary Grante e Deborah Kerr se conhecem em um transatlântico e apaixonam-se perdidamente. Apesar de ambos estarem comprometidos com outra pessoa, eles concordam em encontrar-se seis meses depois no Empire State Building, caso continuem sentindo o mesmo um pelo outro. Mas um trágico acidente impede tal encontro e seu futuro toma um rumo emocionante e incerto. Direção: Leo McCarey.

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...