- Ele está acordando. – disse o rapaz.
Tentando erguer o corpo, perguntou:
- Quanto tempo fiquei fora?
- Desacordado?
- Sim.
- Três dias.
- Três dias?
- Sim.
- Onde estamos indo?
- Você está sendo mandado de volta para a
Terra.
- Para Terra? O que eu fiz?
- Não se lembra?
- Não. O que foi?
- Você tentou assassinar o Ministro Galáctico.
- O que!!?
- É. Durante o concerto da Suprema Orquestra
Galáctica.
- E...
- E o que? Você não se lembra?
- Se lembrasse não estaria perguntando.
- Não conseguiu matar o Ministro e, sim, matou
o segurança.
- Como?
- Uma mulher gritou antes dos pratos baterem o
que fez com que o Ministro se desviasse e a bala acertou o segurança atrás
dele. Você ao fugir pelo balcão, caiu em cima de uma mulher gorda deixando-a
tetra paraplégica e bateu a cabeça no braço da poltrona desmaiando. E aqui
estamos.
- Mas... e julgamento?
- Encontraram um bilhete no bolso da sua calça
escrito: “É hoje que vou matar o Ministro” contando detalhe por detalhe o plano.
- E por isso decidiram que não preciso de
julgamento.
- Correto. O que você queria?
- E se eu disser que não lembro nada disso, que
não fui eu.
- Afirmar que não se lembre é até cabível, mas
dizer que não foi você é difícil, não acha?
Suspirou. Não podia fazer nada, talvez mais
para a frente poderia investigar o que lhe aconteceu e, quem sabe, fazer alguma
coisa.
Estava voltando para a Terra. Puxou o zíper da
blusa e encostou a cabeça na janela e tratou de cochilar.
Pastorelli
07.07.2109