segunda-feira, 31 de março de 2025

o homem e a mulher


 

o homem busca na mulher o apoio à sua solidão

a mulher busca no homem o apoio à sua paixão

 

os filhos surgem dessa união

para a felicidade ou não

talvez até mecanicamente

para a continuidade

às futuras gerações

ou simplesmente

perpetuar a humanidade

domingo, 30 de março de 2025

O mundo aqui é outro

 

Passamos a vida a ver na TV os atentados que, infelizmente, acontecem um pouco por todo o lado. Até hoje tivemos a sorte de nunca nos bater à porta e esperemos que assim continue. Contudo, em Bali eles já aconteceram, por duas vezes. Há duas semanas caminhei pelos sítios dos rebentamentos, lugares onde já estive dezenas de vezes no último ano, a comer ou a comprar alguma coisa. Tudo mudou. Havia um silêncio no ar, uma tentativa de mascarar um sentimento de revolta... Tudo em nome do turista estrangeiro, do qual todos dependem nesta ilha, e que é cada vez mais raro após a zona ter sido classificada de Alto Risco. Exatamente por ter sido rotulada dessa forma, alguém com uma inocente mochila fotográfica negra é olhado com apreensão, o que dá também algum receio de ser mal interpretado. Mas como se tem ar de turista... Deixem-no andar. Não me livrei também dos testes anti-bomba em Frankfurt, onde aparelhagem de alta tecnologia aspira às máquinas em busca de partículas de explosivos. Levar tripé como bagagem de mão nem pensar. É uma arma, dizem. Em Hong-Kong foi preciso passar por uma máquina de infravermelhos, capaz de detectar desvios em relação à temperatura corporal média, o que, segundo os agentes, permite detectar quem está contaminado com a gripe das aves. Em Timor é o dilúvio, apesar de a estação seca não ter terminado oficialmente. No resto do mundo, é o que se sabe. O mundo está de pernas para o ar. Resta o conforto de em pequenos lugares como este, pelo menos por enquanto, se encontrar certa calma. (Joel Santos)

 

o mundo aqui é tranqüilo

com sua luz irradiando calor

não se propaga a todos a dor

 

o mundo aqui é em ondas

de azul púrpuro mesclando

tons vermelhos e verdes

que se esparramam na lente

da objetiva captando o silêncio

 

o mundo aqui é paz

sossego tranqüilidade

natureza quase virgem

elevando a harmonia

do nirvana poético

em palavras imagens

 

o mundo aqui não conhece

o mundo caótico desenfreado

nervoso explosivo anarquista

desumano consumista

propagandista

do medo terrorista

 

o mundo aqui é outro mundo

sábado, 29 de março de 2025

o navio

 

de nossas vidas

o rumo perdeu

e no surrealismo

do desenho poético

o poema

nas entrelinhas do caderno

se escondeu

sexta-feira, 28 de março de 2025

o olhar

 

 

teu olhar dirigido para a câmara

olhando para frente nada tem de indagador

é um olhar manso de criança observadora

um olhar que ainda irá crescer

é um olhar que irá perder a inocência

é um olhar seu totalmente seu

que ao crescer perderá a individualidade

e passará a indagar onde estará

o teu olhar especial

o teu olhar conhecido

 

todos procuram um olhar

para ser olhado ou talvez amado

um olhar que do meio da multidão

grita mudo: olhe para mim

eu estou aqui

veja-me para que eu possa retribuir

 

no meio de tantos olhares

surge a grande incerteza

uma troca gratificante

quase emocionante

de sermos lembrados

de sermos reconhecidos

 

um olhar teu me acalma

mesmo que não saiba o que sinto

eu saberei o que você sente

e esse saber traz em nós a calma

de sermos nós mesmos

e não sermos o que nos é proibido ser

 

não há em nossos gestos representação

representar sem fingir

é uma forma de escondermos

o nosso “eu”

 

sim o jogo já aconteceu

todos os dias o jogo acontece

no momento em que abrimos os olhos

em frente ao espelho da memória

ouvimos as gargalhadas

ainda não fomos vencidos

 

continuemos cantando as músicas

continuemos escrevendo literatura

continuemos fotografando nossas fotos

 

e principalmente continuemos vivendo

a nossa esplêndida vida 

        “nem preciso ser sem ser”

                              Dede Silvério

 

 

teu olhar dirigido para a câmara

olhando para frente nada tem de indagador

é um olhar manso de criança observadora

um olhar que ainda irá crescer

é um olhar que irá perder a inocência

é um olhar seu totalmente seu

que ao crescer perderá a individualidade

e passará a indagar onde estará

o teu olhar especial

o teu olhar conhecido

 

todos procuram um olhar

para ser olhado ou talvez amado

um olhar que do meio da multidão

grita mudo: olhe para mim

eu estou aqui

veja-me para que eu possa retribuir

 

no meio de tantos olhares

surge a grande incerteza

uma troca gratificante

quase emocionante

de sermos lembrados

de sermos reconhecidos

 

um olhar teu me acalma

mesmo que não saiba o que sinto

eu saberei o que você sente

e esse saber traz em nós a calma

de sermos nós mesmos

e não sermos o que nos é proibido ser

 

não há em nossos gestos representação

representar sem fingir

é uma forma de escondermos

o nosso “eu”

 

sim o jogo já aconteceu

todos os dias o jogo acontece

no momento em que abrimos os olhos

em frente ao espelho da memória

ouvimos as gargalhadas

ainda não fomos vencidos

 

continuemos cantando as músicas

continuemos escrevendo literatura

continuemos fotografando nossas fotos

 

e principalmente continuemos vivendo

a nossa esplêndida vida

quinta-feira, 27 de março de 2025

o olho

  

o oblíquo olhar

silencioso indaga

os mistérios

e tenta não compreender

o enigma da morte

vivendo tão somente

o presente

equilibrando-se

na corda da vida

para no futuro

se possível

colher os louros

de prováveis vitórias

o que nem sempre temos

noção do que conquistamos

e quando percebemos

o gosto da conquista

deixou um pequeno amargo

na boca que sorri decepcionada

ao recordar o que passou

quarta-feira, 26 de março de 2025

O poema escorre saliva

 

Na noite fedida

De um sábado qualquer

 

Um animal febril

Escorre no ralo

Um poeta aos pranto

 

Chora a poesia escorrida

Que pelo ralo foi embora

E agora e agora

 

12.11.05

Pastorelli/ Donny/ Bittar

terça-feira, 25 de março de 2025

o que eu faço



o que eu faço nessa estrutura arcaica
nessa indumentária que veste outra indumentária
mais arcaica e pior: ultrapassada

o que eu faço com esses olhos que se abrem
todos os dias involuntariamente
com esses passos sorrateiros
sem se dar conta para onde vai

passos que sobem e descem escadas
passa roletas pisa em caminhos tortos
esburacados e encharcados

que por uma deficiência de equilíbrio
tropeça e não cai
resvala em corpos estranhos
na imensidão dos desiludidos
a procura do que fazer

o que faço carregando o barco
das ilusões perdidas
que navega contra correntezas frias 
lutando sem saber o motivo

como calar o que há no dentro
em palavras sem sentido
apaziguar o soturno vento
açoitando a pele árida e rugosa

quebrar os cristais da fala
que muda escorrega em delírios
secretos de ondas em pulsões vazias

passo por lugares conhecidos
olhando vendo tocando apalpando
livros e revistas e vitrines que esquisitas
me olham sem nada me dizerem do que sinto

contorno galerias imensas
cheias de ansiosas almas errantes
passarelas íngremes na tentativa
de aliviar a dor da perna

enquanto não sei a resposta
ou talvez até eu saiba qual seja
mas por um engano da natureza
não posso ou não tenha coragem
em dizê-la, vou carregando
como um molusco a sua própria casa
até que um dia da face da terra
eu desapareça

segunda-feira, 24 de março de 2025

o silêncio nunca é intenso



o silêncio nunca é intenso
em alguma parte distante
ele grita em sons pequenos
e conduz o vil pensamento

abstrato poder presente vai
levando-nos por caminhos
onde a mente se deixa ir
indócil quase ausente frágil

que sem se perceber beira
o perigoso abismo do ser
ignorante do perigo caminha

entre pedras e cascalhos
entulhos e rebotalhos
para assim conseguir

no dia a dia sobreviver

domingo, 23 de março de 2025

o trem

  

quem parte leva saudade

quem fica saudade tem

 

o trem me levou

e de você me esqueci

 

você na pequena estação ficou

e de mim nunca mais lembrou

 

hoje

o trem é apenas lembrança

se deteriorando na memória

de dois corações

que na distância

se perderam

nas brumas de mil megatons

sábado, 22 de março de 2025

o vaso

  

o vaso prende o ar

onde disfarçadamente

nadam vestígios de enfeites

da festa passada

em que você foi embora

sem me dizer nada

sexta-feira, 21 de março de 2025

O vento outobrice

 

 

balançam as folhas da árvore

anunciando o outobrice

- inflamação de outubro –

onde de manhã o sol se expandia

no alargamento da luz

e a tarde o mal se anuncia

mais feroz e o dia escurece

aumentando a inflamação

impingindo melancolia

nas palavras e idéias

dos poetas neste sábado

de outobriciano

quinta-feira, 20 de março de 2025

objeto sexual


a linha do imaginável
enquadra-se no provável

nasce o desejo de ser inigualável
onde o objeto é sempre desejável

procura-se então, em cada ato
mesmo pequeno que seja o fato

alinhar na palma da mão
cada centímetro da paixão

guardar mesmo que seja
um instante do que se deseja

ou alimentar a dor da saudade
sem cair na fútil promiscuidade

todo o saboroso momento
retendo dentro do sentimento

a cristalização do objeto presente
para todo sempre na mente

terça-feira, 18 de março de 2025

PALAVRA PERFEITA ?


Por Américo Bittar
       Carlos Eduardo Savasini Ferreira
       Osvaldo Pastorelli

Foda-se a palavra perfeita!
Qual é essa tal palavra perfeita?
Perfeita onde? Onde está que não a vejo?
Entre tantas, milhares, não há uma
Palavra na lavra do poeta
Pois o poeta diz com emoção,
Merda à palavra!

Foda-se a palavra perfeita,
Liberdade, cálice, cale-se,
A palavra não se cala, grita,
Exalta, berra, xinga, manda à merda,
Nunca, sempre, até
Que o corpo morra, mas não a idéia
Mandatária de tudo, até da palavra
Enquanto o fim não vem.

Haverá fim se não há palavra perfeita ?
Há fim mesmo sem perfeição
Sou só espera
Você vai cansar de esperar
Melhor ficar sentado
Tomando a geladinha.

segunda-feira, 17 de março de 2025

Para meu querido Pastorelli.

 

Adoro seu recomeçar
Recomeço só de ler
Só de sentir o Re me tocar
É um começar progressivo
Que me vigia e me guia
Todo dia
Como inseparável amigo
Esse tal de Re
Remeleixo, que até me faz cair o queixo!
A caixa sempre me reserva surpresas
E então quando a abro
Quem vejo sentado rascunhando à mesa?!
Pastorelli!com dois LLs
Para retomar
O meu recomeço
Recomeçar.

Vivian Toledano.
27.10.2005

domingo, 16 de março de 2025

para que possamos crescer


 

e afugentar

os fantasmas

os anseios

as dúvidas

e os medos

é preciso abrir

uma a uma

as gavetas do subconsciente

e palmilhar os trilhos da vida

e viver plenamente

sem medo de ser feliz

sábado, 15 de março de 2025

pedaços de mim

 pedaços de mim


destrocei-me em pedaços pequenos e insignificantes
reparti mais os pedaços querendo-os só para mim
e os poucos que restaram depositei num pequena urna
e joguei-a no mar bravio que é essa caótica vida

ao sabor das ondas ora mansas ora tempestuosas
meus pequenos pedaços dentro da urna navegou
por correntes quentes até que na cascata despencou
engolindo seus pedaços para a toda eternidade

sexta-feira, 14 de março de 2025

pintura com água

 pintura com água

 

água

alimento para os sedentos

elemento de  consistência pura

cuja filigrana cria desenhos abstratos

que o artista sensibilizado

compreendendo sua forma

cria com ele desenhos estilizados

 

elemento paciente

molda e transforma

o planeta terra

esculpe rochas

praias e desertos

 

os bravos e heróis

em teu seio as glórias procuraram

e no panteão da história

registrados ficaram

ao sagrarem seus feitos

desbravando oceanos

rios e mares

quinta-feira, 13 de março de 2025

Poema chato

 

O tamanho

Do meu ser

Será o que sou

E ser o que sou

Serei o que penso

Ser o meu ser

No tamanho

Que serei

quarta-feira, 12 de março de 2025

Poesia não serve de nada

 Poesia não serve de nada

Não dá emprego, não dá pão

Nem mesmo casa

 

Mesmo assim

A chaga aberta

Inflama-me

 

A escarrar o poema

Na poça de sangue

Que no dia-a-dia me cala

 

Donny/ Bittar/ Pastorelli

terça-feira, 11 de março de 2025

Poetas na mesa do bar

 Poetas na mesa do bar

Bebem e comem

Sempre a poetar

 

Como é que

O Donny vai ficar

Talvez! Quem sabe! Incomodado?

 

Incomodar, não incomoda

Mas até afoba

As pegadinhas do grilo Bittar

 


Pastorelli/ Bittar/ Donny

segunda-feira, 10 de março de 2025

Porto solidão repousa

 a solidão repousa

em tiras escuras como manto protetor

até à manhã seguinte quando

a pequena embarcação vencerá

as ondas  da adversidade

conduzida por mãos fortes

que empunhando o remo

navegará mar adentro

a caça de alimento

 

a solidão repousa

em tiras de sons agigantando

as manhãs seguintes quando

o comboio vida nos levará

a vencer obstáculos adversos

onde com mãos fortes

e decisões acertadas

empunharemos o remo

da nossa embarcação

até encontrarmos

um porto seguro

para que possamos

descansar em paz

e com tranqüilidade

domingo, 9 de março de 2025

prazeres da humanidade


teus olhos navegam
no caos noturno
gozando prazeres
profundos

tua boca
orgásticas palavras
sussurras ao ouvido
do paladar saciando
a carne de fome
e desejo

tuas  mãos
ao contato da pele arrepiada
desvenda caminhos
de entrâncias e reentrâncias
saciando-se
na faminta mata
onde jorra o liquido
da vida

e teus lábios
num gozo ávido
sugam a polpa
da fruta virgem
revelando o sêmen
que dará continuidade
à podre humanidade

sábado, 8 de março de 2025

prima Vera, oh! minha primavera!


primavera que se estende
no verde olhar das campinas
emoldurando o amarelo
da gostosa vida

prima Vera oh! primavera!
guardo em mim teu olhar meigo

cujas linhas se rompe
com horizonte sem fim

oh! primavera! traga-me
novamente a prima Vera
com seus cabelos cacheados
como o amarelado
sinuoso dos campos
onde na primavera
descobri os teus encantos

prima Vera! ha! primavera
retorna cada vez
que meus olhos abrange
todo o amarelo verde
que da janela contemplo
e que por milagre fotográfico
tenho tua imagem pendurado
na parede do meu quarto

sexta-feira, 7 de março de 2025

professor

 

professor

já foi formador

de opinião

 

hoje apesar

de sua formação

é uma marionete

 

mal tem condição de vida

e dinheiro para alimentação

quinta-feira, 6 de março de 2025

puberdade

 

teus seios refletidos
no espelho atiça
minha libido
repercutindo
no corredor
do desejo
onde satisfeito
me vejo
debaixo
do chuveiro

quarta-feira, 5 de março de 2025

quando eu a vi


quando eu a vi
na Avenida Paulista

chovia torrencialmente
e no vão do MASP
 eu me escondi

quando eu a vi
pela segunda vez na vida
na Avenida Paulista

fazia um tremendo sol
e no Trianon

eu me escondi
pois ao teu lado

eu vi
estava o Maguila
o teu namorado

terça-feira, 4 de março de 2025

quando eu morrer

 

não me enterrem

num chão qualquer

me enterrem no chão

de tuas lembranças

queimem meu corpo

junto com meus textos

junto com meus desenhos

e nas águas do esquecimento

joguem as minhas cinzas

só assim me tornarei

eterno em tua vida

segunda-feira, 3 de março de 2025

Queria falar

 Queria falar

Meu verso

Mas, não deixaram

 

No papel meu poema...

Caralho! Não vão

Também deixar eu escrever

 

Daí, pensei mais um verso

E guardei na cabeça

Porra, me mandaram à guilhotina

 

12.11.05

Bittar/ Osvaldo/ Donny

domingo, 2 de março de 2025

recanto


no ato da carne

a luz fere o corpo

em estilhaços de sombras

e no recanto do teu prazer

aconchego meus sonhos

sábado, 1 de março de 2025

sala de espera do coração

 

Bittar

   Rosangela Aliberti

      Osvaldo Pastorelli

 

amor

difícil falar

louco sentir

amor à flor do porvir

 

gestos de amor

acalantos diários

sorrisos espontâneos

o que vale a vida

sem expressão de viva sensibilidade

 

seria árida

seria feia

seria cinzenta

sem expressividade

 

amor amar

sem pensar

correr nadar

voar no ar

até você

 

devanear...

roda vivas montanhas russas, tamborilar na avenida

caçar de pirilampos no imaginário

dançar com as fontes coloridas no Parque

 

beijar as estrelas

dormir nas nuvens

 

amar é tudo isso

e é muito mais

é se soltar na imaginação

até por do sol

 

amar é acreditar

no mar

quem ama as rosas

não tem medo em tocar

nos espinhos...

 

principalmente

espinhos da alma

que ferem mais

que os espinhos concretos

 

concretos lembram poesias

 

 

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...