o homem busca na mulher o apoio à sua solidão
a mulher busca no homem o apoio à sua paixão
os filhos surgem dessa união
para a felicidade ou não
talvez até mecanicamente
para a continuidade
às futuras gerações
ou simplesmente
perpetuar a humanidade
o homem busca na mulher o apoio à sua solidão
a mulher busca no homem o apoio à sua paixão
os filhos surgem dessa união
para a felicidade ou não
talvez até mecanicamente
para a continuidade
às futuras gerações
ou simplesmente
perpetuar a humanidade
Passamos a vida a ver na TV os atentados que, infelizmente, acontecem um pouco por todo o lado. Até hoje tivemos a sorte de nunca nos bater à porta e esperemos que assim continue. Contudo, em Bali eles já aconteceram, por duas vezes. Há duas semanas caminhei pelos sítios dos rebentamentos, lugares onde já estive dezenas de vezes no último ano, a comer ou a comprar alguma coisa. Tudo mudou. Havia um silêncio no ar, uma tentativa de mascarar um sentimento de revolta... Tudo em nome do turista estrangeiro, do qual todos dependem nesta ilha, e que é cada vez mais raro após a zona ter sido classificada de Alto Risco. Exatamente por ter sido rotulada dessa forma, alguém com uma inocente mochila fotográfica negra é olhado com apreensão, o que dá também algum receio de ser mal interpretado. Mas como se tem ar de turista... Deixem-no andar. Não me livrei também dos testes anti-bomba em Frankfurt, onde aparelhagem de alta tecnologia aspira às máquinas em busca de partículas de explosivos. Levar tripé como bagagem de mão nem pensar. É uma arma, dizem. Em Hong-Kong foi preciso passar por uma máquina de infravermelhos, capaz de detectar desvios em relação à temperatura corporal média, o que, segundo os agentes, permite detectar quem está contaminado com a gripe das aves. Em Timor é o dilúvio, apesar de a estação seca não ter terminado oficialmente. No resto do mundo, é o que se sabe. O mundo está de pernas para o ar. Resta o conforto de em pequenos lugares como este, pelo menos por enquanto, se encontrar certa calma. (Joel Santos)
o mundo aqui é tranqüilo
com sua luz irradiando calor
não se propaga a todos a dor
o mundo aqui é em ondas
de azul púrpuro mesclando
tons vermelhos e verdes
que se esparramam na lente
da objetiva captando o silêncio
o mundo aqui é paz
sossego tranqüilidade
natureza quase virgem
elevando a harmonia
do nirvana poético
em palavras imagens
o mundo aqui não conhece
o mundo caótico desenfreado
nervoso explosivo anarquista
desumano consumista
propagandista
do medo terrorista
o mundo aqui é outro mundo
de nossas vidas
o rumo perdeu
e no surrealismo
do desenho poético
o poema
nas entrelinhas do caderno
se escondeu
teu olhar dirigido para a câmara
olhando para frente nada tem de indagador
é um olhar manso de criança observadora
um olhar que ainda irá crescer
é um olhar que irá perder a inocência
é um olhar seu totalmente seu
que ao crescer perderá a individualidade
e passará a indagar onde estará
o teu olhar especial
o teu olhar conhecido
todos procuram um olhar
para ser olhado ou talvez amado
um olhar que do meio da multidão
grita mudo: olhe para mim
eu estou aqui
veja-me para que eu possa retribuir
no meio de tantos olhares
surge a grande incerteza
uma troca gratificante
quase emocionante
de sermos lembrados
de sermos reconhecidos
um olhar teu me acalma
mesmo que não saiba o que sinto
eu saberei o que você sente
e esse saber traz em nós a calma
de sermos nós mesmos
e não sermos o que nos é proibido ser
não há em nossos gestos representação
representar sem fingir
é uma forma de escondermos
o nosso “eu”
sim o jogo já aconteceu
todos os dias o jogo acontece
no momento em que abrimos os olhos
em frente ao espelho da memória
ouvimos as gargalhadas
ainda não fomos vencidos
continuemos cantando as músicas
continuemos escrevendo literatura
continuemos fotografando nossas fotos
e principalmente continuemos vivendo
a nossa esplêndida vida
“nem preciso ser sem ser”
Dede
Silvério
teu olhar dirigido para a câmara
olhando para frente nada tem de indagador
é um olhar manso de criança observadora
um olhar que ainda irá crescer
é um olhar que irá perder a inocência
é um olhar seu totalmente seu
que ao crescer perderá a individualidade
e passará a indagar onde estará
o teu olhar especial
o teu olhar conhecido
todos procuram um olhar
para ser olhado ou talvez amado
um olhar que do meio da multidão
grita mudo: olhe para mim
eu estou aqui
veja-me para que eu possa retribuir
no meio de tantos olhares
surge a grande incerteza
uma troca gratificante
quase emocionante
de sermos lembrados
de sermos reconhecidos
um olhar teu me acalma
mesmo que não saiba o que sinto
eu saberei o que você sente
e esse saber traz em nós a calma
de sermos nós mesmos
e não sermos o que nos é proibido ser
não há em nossos gestos representação
representar sem fingir
é uma forma de escondermos
o nosso “eu”
sim o jogo já aconteceu
todos os dias o jogo acontece
no momento em que abrimos os olhos
em frente ao espelho da memória
ouvimos as gargalhadas
ainda não fomos vencidos
continuemos cantando as músicas
continuemos escrevendo literatura
continuemos fotografando nossas fotos
e principalmente continuemos vivendo
o oblíquo olhar
silencioso indaga
os mistérios
e tenta não
compreender
o enigma da morte
vivendo tão somente
o presente
equilibrando-se
na corda da vida
para no futuro
se possível
colher os louros
de prováveis
vitórias
o que nem sempre
temos
noção do que
conquistamos
e
quando percebemos
o gosto da
conquista
deixou um pequeno
amargo
na boca que sorri
decepcionada
ao recordar o que
passou
Na noite fedida
De um sábado qualquer
Um animal febril
Escorre no ralo
Um poeta aos pranto
Chora a poesia escorrida
Que pelo ralo foi embora
E agora e agora
12.11.05
Pastorelli/ Donny/ Bittar
quem parte leva saudade
quem fica saudade tem
o trem me levou
e de você me esqueci
você na pequena estação ficou
e de mim nunca mais lembrou
hoje
o trem é apenas lembrança
se deteriorando na memória
de dois corações
que na distância
se perderam
nas brumas de mil megatons
o vaso prende o ar
onde disfarçadamente
nadam vestígios de enfeites
da festa passada
em que você foi embora
sem me dizer nada
balançam as folhas da árvore
anunciando o outobrice
- inflamação de outubro –
onde de manhã o sol se expandia
no alargamento da luz
e a tarde o mal se anuncia
mais feroz e o dia escurece
aumentando a inflamação
impingindo melancolia
nas palavras e idéias
dos poetas neste sábado
de outobriciano
Adoro seu recomeçar
Recomeço só de ler
Só de sentir o Re me tocar
É um começar progressivo
Que me vigia e me guia
Todo dia
Como inseparável amigo
Esse tal de Re
Remeleixo, que até me faz cair o queixo!
A caixa sempre me reserva surpresas
E então quando a abro
Quem vejo sentado rascunhando à mesa?!
Pastorelli!com dois LLs
Para retomar
O meu recomeço
Recomeçar.
Vivian Toledano.
27.10.2005
e afugentar
os fantasmas
os anseios
as dúvidas
e os medos
é preciso abrir
uma a uma
as gavetas do subconsciente
e palmilhar os trilhos da vida
e viver plenamente
sem medo de ser feliz
pedaços de mim
destrocei-me em pedaços pequenos e insignificantes
reparti mais os pedaços querendo-os só para mim
e os poucos que restaram depositei num pequena urna
e joguei-a no mar bravio que é essa caótica vida
ao sabor das ondas ora mansas ora tempestuosas
meus pequenos pedaços dentro da urna navegou
por correntes quentes até que na cascata despencou
engolindo seus pedaços para a toda eternidade
pintura com água
água
alimento para os sedentos
elemento de consistência pura
cuja filigrana cria desenhos abstratos
que o artista sensibilizado
compreendendo sua forma
cria com ele desenhos estilizados
elemento paciente
molda e transforma
o planeta terra
esculpe rochas
praias e desertos
os bravos e heróis
em teu seio as glórias procuraram
e no panteão da história
registrados ficaram
ao sagrarem seus feitos
desbravando oceanos
rios e mares
O tamanho
Do meu ser
Será o que sou
E ser o que sou
Serei o que penso
Ser o meu ser
No tamanho
Que serei
Poesia não serve de nada
Não dá emprego, não dá pão
Nem mesmo casa
Mesmo assim
A chaga aberta
Inflama-me
A escarrar o poema
Na poça de sangue
Que no dia-a-dia me cala
Donny/ Bittar/ Pastorelli
Poetas na mesa do bar
Bebem e comem
Sempre a poetar
Como é que
O Donny vai ficar
Talvez! Quem sabe! Incomodado?
Incomodar, não incomoda
Mas até afoba
As pegadinhas do grilo Bittar
Pastorelli/ Bittar/ Donny
a solidão repousa
em tiras escuras como manto protetor
até à manhã seguinte quando
a pequena embarcação vencerá
as ondas da adversidade
conduzida por mãos fortes
que empunhando o remo
navegará mar adentro
a caça de alimento
a solidão repousa
em tiras de sons agigantando
as manhãs seguintes quando
o comboio vida nos levará
a vencer obstáculos adversos
onde com mãos fortes
e decisões acertadas
empunharemos o remo
da nossa embarcação
até encontrarmos
um porto seguro
para que possamos
descansar em paz
e com tranqüilidade
teus olhos navegam
no caos noturno
gozando prazeres
profundos
tua boca
orgásticas palavras
sussurras ao ouvido
do paladar saciando
a carne de fome
e desejo
tuas mãos
ao contato da pele arrepiada
desvenda caminhos
de entrâncias e reentrâncias
saciando-se
na faminta mata
onde jorra o liquido
da vida
e teus lábios
num gozo ávido
sugam a polpa
da fruta virgem
revelando o sêmen
que dará continuidade
à podre humanidade
primavera que se estende
no verde olhar das campinas
emoldurando o amarelo
da gostosa vida
prima Vera oh! primavera!
guardo em mim teu olhar meigo
cujas linhas se rompe
com horizonte sem fim
oh! primavera! traga-me
novamente a prima Vera
com seus cabelos cacheados
como o amarelado
sinuoso dos campos
onde na primavera
descobri os teus encantos
prima Vera! ha! primavera
retorna cada vez
que meus olhos abrange
todo o amarelo verde
que da janela contemplo
e que por milagre fotográfico
tenho tua imagem pendurado
na parede do meu quarto
professor
já foi formador
de opinião
hoje apesar
de sua formação
é uma marionete
mal tem condição de vida
e dinheiro para alimentação
teus seios refletidos
no espelho atiça
minha libido
repercutindo
no corredor
do desejo
onde satisfeito
me vejo
debaixo
do chuveiro
quando eu a vi
na Avenida Paulista
chovia torrencialmente
e no vão do MASP
eu me escondi
quando eu a vi
pela segunda vez na vida
na Avenida Paulista
fazia um tremendo sol
e no Trianon
eu me escondi
pois ao teu lado
eu vi
estava o Maguila
o teu namorado
não me enterrem
num chão qualquer
me enterrem no chão
de tuas lembranças
queimem meu corpo
junto com meus textos
junto com meus desenhos
e nas águas do esquecimento
joguem as minhas cinzas
só assim me tornarei
eterno em tua vida
Queria falar
Meu verso
Mas, não deixaram
No papel meu poema...
Caralho! Não vão
Também deixar eu escrever
Daí, pensei mais um verso
E guardei na cabeça
Porra, me mandaram à guilhotina
12.11.05
Bittar/ Osvaldo/ Donny
no ato da carne
a luz fere o corpo
em estilhaços de sombras
e no recanto do teu prazer
aconchego meus sonhos
Bittar
Rosangela Aliberti
Osvaldo Pastorelli
amor
difícil falar
louco sentir
amor à flor do porvir
gestos de amor
acalantos diários
sorrisos espontâneos
o que vale a vida
sem expressão de viva sensibilidade
seria árida
seria feia
seria cinzenta
sem expressividade
amor amar
sem pensar
correr nadar
voar no ar
até você
devanear...
roda vivas montanhas russas, tamborilar na avenida
caçar de pirilampos no imaginário
dançar com as fontes coloridas no Parque
beijar as estrelas
dormir nas nuvens
amar é tudo isso
e é muito mais
é se soltar na imaginação
até por do sol
amar é acreditar
no mar
quem ama as rosas
não tem medo em tocar
nos espinhos...
principalmente
espinhos da alma
que ferem mais
que os espinhos concretos
concretos lembram poesias
Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...