sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

se alguém

 se alguém, no metrô, pisa no meu calcanhar

mentalmente digo: que cara apressado
se eu piso no calcanhar de alguém
mentalmente digo: que cara lerdo

se é inverno e parece verão
poeticamente digo: que legal
se nos corredores
ou nas estações do metrô
há uma caixa de papelão
com um cartaz escrito:
neste inverno aqueça
seu coração doando um agasalho
filosoficamente digo:
que merda de temperatura

indignado vejo
a natureza alterada
o ser humano apressado
o passado desprezado
e o futuro... pensar pra que...
é... pensar para que
pensar dói...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Segue o caminho


Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor - Nelson Cavaquinho.

segue o caminho
não olhe para traz
conduza teus passos
na tecedura do tempo

ande de léu em léu
viva no mundo da lua
ou na cauda do cometa

seja qual for o caminho
tome cuidado com os
traiçoeiros espinhos

segue do destino
o curso sem levar
em desatino
o que pela frente
venha encontrar

saiba que foi colocado
neste cáustico mundo
para cumprir o teu
livre arbítrio

portanto saiba como
fazer para ter no fim
da linha a felicidade
tanto tempo almejada

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

segunda-feira

  

segunda-feira

é um dia como outro qualquer

é um dia somente

onde temos a esperança

de viver uma semana de alegria

 

uma semana

que podemos construir novas ações

ter novas idéias

trilhar novos caminhos

encontrar e reencontrar

velhos e novos amigos

e termos a certeza

de que no sábado

será só de poesia

com os amigos

dos Rascunhos Poéticos

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Segunda-feira.

 Para muitos é um dia terrível, para outros nem tanto. Terrível por ser o primeiro dia em que podemos dizer, começamos a trabalhar, o primeiro dia da semana em que ficamos presos oito horas dentro dessa sala onde por muitos e muitos anos fomos observadores de várias histórias e de várias transformações físicas e emocionais, onde o que se conta mais é o saldo positivo ou negativo, não o nosso, talvez sim, mas de uma maneira diferente, mas o débito ou crédito, os lucros e perdas. É a última segunda-feira em que ultrapassamos a catraca da estação do metrô da Consolação e viramos a direita. Última segunda-feira que subimos a escada rolante e recebemos a temperatura e o ar do lado esquerdo, o lado ímpar da Avenida Paulista. A última segunda-feira em que entramos no Conjunto Nacional e indecisos às vezes, ficamos sem saber se subimos a rampa ou pegamos o elevador. Última segunda-feira que cruzaremos esses corredores sombrios, mal iluminados cheirando a mofo e coisas estragadas. A última segunda-feira de muitas outras coisas e que, não sei se todos, ansiosos esperamos o dia derradeiro que não precisaremos agüentar mais esse lay-out e possamos no novo lay-out, no novo prédio, respirarmos melhor com maior iluminação e consigamos desenvolver nosso trabalho melhor.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

seios

 

 

os teus seios

se aprofunda

em meus anseios

se multiplica em colunas

cria doces perspectivas

levando-nos ao infinito

mundo de prazeres

domingo, 23 de fevereiro de 2025

sem título


luzes surgem no escuro
flashes acionados por mãos invisíveis pipocam como raios
pulsões orientam os passos num labirinto onde não há saída
vou e caminho sempre nos apalpos de objetos e concreto da vida
nebulosas volitam ao meu redor como o voejar de abelhas desorientadas
se alguma ação de repente surge
paro e procuro o ponto mais denso
pois sei que ali é que está o caminho certo
desconheço as formas porém os feixes é
a exatidão do que preciso e para onde devo ir
conheço a escuridão do que não vejo
e o que vejo aflora no toque da pele
beijo a vida e realizo os passos ao infinito
o risco da solidão não me atormenta mais
vivo a vida com mais intensidade

sábado, 22 de fevereiro de 2025

ser

 

 

O ser de Madeira Pensa:

Se temos um problema e o mesmo tem solução

deixa de ser problema, se não tem solução nem

chega a ser um problema.

 

Gonçalo Borges Dia

 

descansa teu corpo madeira

na sapatilha barco sonhando

com o bailado das árvores

de onde teu corpo foi retirado

 

sonha pequeno ser de madeira

com tua essência primeira

sonha e descansa pois agora

você se tornou uma bela arte

captada pela lente fotográfica

 

descansa pequeno ser poeta

que contempla a distancia

traz no olhar perdido a quimera

de ser outra vida sem problema

- se não tem problema vida não é -

ou pensa no ser humano

que transformou tua natureza

 

(ser humano impotente frio calculista

ganancioso mesquinhamente frágil

que tudo transforma feito Midas

como se fosse Deus que muda

reconstrói e destrói a bel prazer)

 

pequeno ser boneco de madeira

extático é tua sina moldurando

alguma luxuosa e fina prateleira

em infindáveis anos até que dure

tua bela e resistente matéria

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

silêncio


o silêncio paira sobre a rua
atingi os cantos e cristaliza
a sombra em várias formas

estica num infinito o dia triste
alonga as sombras cruzando
vidas e destinos à mesma e
retilínea sina no lânguido dia

varre o vento silenciosamente
os passos das folhas caídas
das árvores noticiando o fim
do glorioso e quente verão

feito faca o silêncio em postas
corta o cansaço que pela carne
escorre num olhar desiludido
e que atravessa a modorrenta

cidade na adormecida tarde
onde a frágil vida é suspensa
pelo grito destruindo o sentido
que há na própria e fútil vida

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

só sei que nada sei

 

pois pensava na imensidão da vida ao tê-la pela primeira vez

e ao tê-la pela primeira vez imaginei que tivesse conquistado o mundo

e conquistado o mundo entendi que a vida seria mais fácil

e sendo a vida mais fácil poderia fazer o que bem entendesse

e fazendo o que bem entendesse criaria mais livremente minha arte

e criando livremente minha arte fosse reconhecido tanto artisticamente como intelectualmente

e tendo o reconhecimento estaria realizado e nada mais precisasse fazer

e se nada mais precisasse fazer haveria mais tempo em amá-la

e se houvesse tudo isso não estaria agora dizendo simplesmente:

 

só sei que nada sei

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

solidão e tranqüilidade

 

 

solidão é lágrima que molha a tranqüilidade

inscrita em pedras moldadas pelas ondas do mar

criam formas na alma além do limite das possibilidades

onde o ser humano vai em busca do que amar

 

tranqüilidade é o que se conseguiu alcançar

beijando a areia da praia o frescor da natureza

alimenta nosso prazer de sentirmos integrantes

ao cósmico onde se prevalece a total beleza

 

solidão e tranqüilidade unida num só propósito

cria a harmonia transcendental para atingirmos

o nirvana nos atos e ações nesse caos diário

 

tranqüilidade e solidão transforma o presente

transmuda o passado mesmo o mais recente

num futuro proveitoso alargando o imaginário

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

sonhos...



o mar agita suas águas calmamente
dando formas das mais variadas
às pedras que silenciosas aceitam
o beijo suave de suas ondas

os sonhos como o mar delineiam
vidas conforme a concretização
de cada sonho que silenciosos
conduz os passos de cada um

pedras duras e resistentes
somos moldados pelas ondas
que nos arrastam na vida
feito barco sem leme e sem rumo

os sonhos nos faz seguir adiante
nos faz criar a força necessária
e dominar o leme do barco
endireitando a bússola
para o rumo certo

mar sonhos se conjugam
no mesmo processo criativo
onde a natureza e homem
se alinham para brindar
a natureza num clique
belo e fotográfico

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

teu olhar

  

se enrosca na pergunta:

            o que é a vida?

 

teu olhar redondo

gira na órbita

silencioso se cala

busca no destino

trespassar o infinito

do seu próprio ser

 

isso amigo eu lhe digo

é a vida

domingo, 16 de fevereiro de 2025

teu olhar

 teu olhar

 

espraia na linha do horizonte

busca nos mistérios desvendar

os encantos da natureza

numa total unicidade de amor

paz e felicidade em ser único

integrado na homogenia

cósmica do meu universo

sábado, 15 de fevereiro de 2025

textura

 

o vento imprime na areia a textura do movimento

o vento da adversidade imprime

na areia facial a textura do sentimento

marcas e sulcos: registros a envolver vidas

onde o espelho na sua fria reflexiva existência

revela caminhos e trilhas inconseqüentes

a areia molda-se na ação constante do vento

a face molda-se na ação constante do tempo

a textura da areia permanecerá na arte fotográfica

a textura facial ficará impressa na arte

de se viver a vida total e intensamente

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

toda vez que se liga uma teve


é mais uma criança que morre de fome
é mais uma bala perdida que acerta o inocente
é a seca que aumenta no nordeste
é mais um ladrão que mata, assalta e estupra
é a burrice que aumenta
e o brasileiro é mais controlado

toda ligação que se faz para o Big Brother
fosse para a fome Zero ou Criança Esperança
metade dos famintos teriam comida a mesa

vamos ver a Nazaré e esquecermos nossas mazelas
vamos sambar com a Mangueira, com a Nenê
para engrandecermos o samba e a mulata
e jogar no lixo a boa música brasileira
vamos ver o Brasil jogar enquanto outros esportistas
lutam para apenas brilhar orgulhosamente na Olimpíada
e passam fome até que sejam novamente relembrados

isso vamos glorificar as relíquias brasileiras
e ouvir músicas estrangeiras
isso vamos festejar o halloween
quatro de julho e o dia de ação de graça
e assim perdemos a identidade brasileira
e ganhamos a identidade global e verdadeira

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Traduzir

  

Como posso ser eu mesmo se quero ficar e ao mesmo tempo quero partir?

Como me desligar de mim se errante ando por espaços brancos das palavras pouco me importando com os anseios e dúvidas e angústias?

Como ser se sou apenas um ser nesta multidão de seres solitários e perdidos querendo se sobressair e viver a vida intensamente nada mais.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

tudo parece estar seguro

 

tudo parece estar seguro no emaranhado do mundo

luzes  barcos flutuam na imensidão de azul onde a calma

faz-me crer na paz que há em cada ser e objeto

pela cena equilibrada de imensa profundidade

 

a luz se divide em três tons dominando a cena toda

cortando o meio da cena há os morros em tons escuros

e em primeiro plano o mar em tons mais claros

quebrando esses tons de azuis estão os barcos

estacionados no cais da vida pincelados de vermelhos

e marrons refletidos na água e na retina fotográfica

 

tudo parece estar seguro no emaranhado do mundo

onde cada um procura a paz e a calma no azul vida

mesmo que as manhãs pareçam cinzentas e úmidas

há sempre o barco da esperança transportando

nossas almas neste rio de ilusões crucificando-nos

no dia a dia  

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

um caos no Arcadas

  

Bittar

Rosangela Aliberti

Osvaldo Pastorelli

 

 

depois que você escreve

o que você escreve

não é mais seu

é de quem lê

interprete como quiser

o que você escreveu

por que o importante

é a idéia é o poema

que você escreveu

 

filosofia Arcadiana

escudos contra flechas

num piscar de pestanas

impossível estar cem por cento

todos os dias

a perfeição caminha com os anjos

 

erros e acertos

são coisas de humanos

poesia poemas e versos

são coisas de humanos

pensar e poetar

são só coisas

de humanos

 

que na mesa do Arcadas

poetam sobre a vida

sobre o amor

sobre as mulheres

e sentimentos diversos

 

versos

carimbos do tempo

leitos dos rios

cálices adocicados

flores, gotas de orvalho

desarmando o concreto

 

a praça entristece

quando a fonte

se apaga

 

o povo, dono da praça

vai para casa

dorme ao som

das poesias

dos poetas

com seus poemas

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

um outro universo


as luzes costuram dos sentimentos os sons
em volteios alucinógenos


não sou vidente
pois não tenho a força de Rimbaud
tenho a força do homem atual
que capta os sentires na lama quente da vida
e das pontas dos dedos escorre
singrando a brancura do papel

as luzes transcendem o viver
sem que possamos compreender
na totalidade a própria luz da vida
que projeta humanidade refletida
nos prédios e no asfalto da avenida

projeção nem sempre verdadeira
cheia de enigmas escorregadia
como prostituta sacana e vadia
fugindo da condição de rameira

a luz pelo olhar fotográfico
tem valor totalmente artístico
a luz pelo olhar leigo tem valor
totalmente dessimétrico e casual

causando disritmia visual
um outro universo
se estende paralelo
captando dos sentimentos
os sons em volteios alucinógenos

domingo, 9 de fevereiro de 2025

um raio de luz


um raio de luz não cai sempre no mesmo lugar
um raio de luz não atinge sempre a mesma pessoa
o raio de luz ilumina a sensibilidade fotográfica
que num clique capta a beleza natural
que reluz e flui para visão do observador

um raio de luz sorri nos teus lábios
ilumina de azul o meu corpo de norte a sul
e se estende no banco que solitário
me aquece e me leva ao desvario
me reconfortando do meu cansaço

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Uma coisa em forma de assim

 " Uma coisa em forma de assim "(Alexandre O´Neill)


há uma coisa assim projetando
forma aleatoriamente ao meu
viver na procura da intensidade
ter em meus braços a concreta
forma do teu corpo conjugado a
mim através do meu que ao seu
unificado seremos uno na terrena
cosmologia de procurarmos além
do eterno o nirvana de sermos
tão somente a eterna felicidade

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

uma flor...

 uma flor...


para Dedé Silvério


uma flor
revela a essência do amarelo
na vida monótona
cujo olhar fotográfico
capta a beleza do momento

quebra as fibras
do meio dia em partículas
traduz em volteios intensos
incompreensíveis dizeres
que só "a luz que escreve
minha fotografia"(*) poderá
lhe dizer

uma flor... imprime no amarelo
o instante do observador
poeta fotográfico
o evolutivo existir
a vida amada
mais que amada
e que vale a pena
intensamente viver

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Uma vez

Uma vez 

 

uma vez vencendo o espaço a bala encontrou a voz que agora dorme na vala silenciosa interrompendo a foz

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Valha-me Deus

 Valha-me Deus

Que fugiu de casa

E largou tudo: uma zorra

 

Agora corre

Pela rua

Desnuda

 

A procura de si mesmo

Ao clarão da lua:

Repousa o corpo na rua

 

Donny/ Bittar/ Pastorelli

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Vertigo

  

teus olhos mestre Hitchcock

desvendaram em nossas almas

as angústias

o suspense

e os medos

 

da arte de encenar

fez sua arte maior

foi um Festim Diabólico de cenas

pássaros aterradores

suspeitas e assassinatos

 

um mundo de complexidade

elevou e ao mesmo tempo

como vertigem

jogou meu corpo esfacelado

no asfalto frio da vida

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Agradeço aos deuses

 

 

Lentamente a lágrima escorre na lente dos ósculos enquanto o sol sorri o brilho nos prédios de vidros escuros.

 

E na momentaneidade dos gestos, os fatos se tornam mais integro expondo o dia á sua fragilidade.

 

Cada um faz ou tem na cosmografia humana a capacidade de mudar dos seus sentimentos o destino.

 

A luz se infiltra entre as laminas da persiana fechada impondo sua consistência no ambiente claustrofóbico de vozes esparsas delineando o profissionalismo de cada um.

 

Sombras se aproximam, nada para se admirar, apenas o corriqueiro impondo sua carga mesquinha em ombros esfoliados pela procura do que deve ser encontrado.

 

Tudo induz ao suicídio mental desprezando o físico intelecto do corpo, invólucro farto de mesquinhez e apatia, se desintegrando ao idolatrado consumismo.

 

Faltam palavras para expressar, não o suave ódio por viver, mas o ameno ódio por caminhar nos solitários caminhos da vida intelectual sem os prazeres necessários para uma boa companhia.

 

E, consciente, se ajoelha, abaixa a cabeça e agradeça aos deuses por ainda estar vivo.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Belas futilidades.


Surda aos gritos da caterva muda, a cidade sonoriza os dilemas rachando concreto, cimento, ruas, vielas e praças silenciosas.
Séculos de individualidade, alimentam o progresso que avança deturpando o humilde em busca de um raio de sol.
No leito da vida, o vale tudo é aceito como regra de sobrevivência lutando, braço a braço, pelo direito a dignidade.
Ossos raquíticos cruzam, aleatoriamente, a corda bamba como marionetes nadando em tudo que pinga das mãos pela sobrevivência.
Cego e surdo no fio de voz, o sussurro das mentes que não emudecem, transformam pensamentos em palavras.
E na tela panorâmica dos outdoors luminosos, sorrisos falsos brilham na anorexia ceifando belas futilidades.

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...