se alguém, no metrô, pisa no meu calcanhar
mentalmente digo: que cara apressado
se eu piso no calcanhar de alguém
mentalmente digo: que cara lerdo
se é inverno e parece verão
poeticamente digo: que legal
se nos corredores
ou nas estações do metrô
há uma caixa de papelão
com um cartaz escrito:
neste inverno aqueça
seu coração doando um agasalho
filosoficamente digo:
que merda de temperatura
indignado vejo
a natureza alterada
o ser humano apressado
o passado desprezado
e o futuro... pensar pra que...
é... pensar para que
pensar dói...