terça-feira, 30 de abril de 2024

Bom dia, desculpem a risada

  

Ahahahah! Desculpem começar esse bom dia com risada, mas só rindo mesmo. Não, não é aquele programa do Multishow não, Só rindo, não nada disso. Não sei o que estava pensando ontem, onde eu estava com a cabeça, nas nuvens talvez, não sei qual foi a causa, stress, cansaço, se a mente estava longe, se matutava na resposta do Anderson por ter feito um poema dedicado à ele, não sei, simplesmente não sei.

Tentei rebobinar a mente, mas não descobri a causa, só sei que quando percebi cai na risada. A Camila ainda me perguntou:

- Você vai ao médico. Respondi:

- Que médico nada, cheguei hoje vinte para as oito, portanto nada mais justo sair dez para cinco, não acha?

E também a turma de gozadores nem se manifestaram com as costumeiras exclamações:

- Já vai?

- É cedo.

- Folgado, ta pensando o que?

Se tivessem se manifestado eu teria percebido.

Olhei o relógio pendurado acima da porta do banheiro, dez para cinco, peguei minhas coisas e sai.

Tomando o ônibus no Tatuapé olhei no meu relógio de pulso, ultimo tipo, de marca, daqueles que se compra por dez reais, era cinco horas e cinco minutos. Pensei:

- Essa porcaria já acabou a bateria? Também pudera dez reais você queria o que? Um rolex?

O tempo estava escuro, ameaçando chuva. Quando desci em frente de casa chovia temporal. Abri correndo o portão, abri a porta de casa e entrei. Quando olhei o rádio-relógio, não acreditei. Marcava cinco horas e vinte minutos. Nossa! Cai na gargalhada.

- Que merda! Sai dez para as quatro e não dez para cinco. Por isso que a Camila perguntou se eu ia ao médico. Que mico! Ainda bem que há o horário flexível, banco de horas e tudo mais. Bom, espero que o Marcão, meu supervisor entenda que foi impensado, que não fiz de sacanagem. Agora a semana que vem tenho que sair todos os dias às cinco horas para compensar essa uma hora. Que saco! Cabeça de vento fica pensando na morte da bezerra e faz o que não deve. Bom o que está feito, está feito, bola pra frente que atrás vem gente, não é?

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Bom dia, dia nove de maio

 

Dia nove de maio de dois mil e sete, sete horas e quarenta e cinco minutos, de uma quarta-feira de garoa, temperatura baixa, mesmo assim a condução não estava ruim, lotada vamos dizer metrô funcionando com velocidade reduzida, não que os altos falantes anunciavam, e sim, porque percebi, não consigo chegar mais cedo e, olhe que tenho saído de casa no mesmo horário, seis horas e vinte minutos, chegava sempre na estação Penha do metrô, vinte para as oitos ou vinte e cinco, pegava o primeiro metrô, descia na Sé dez para sete ou às vezes quinze para a sete, quando muito ou mais, estava na Paulista sete quinze ou sete vinte, agora não, sete horas ainda estou na Sé, nesses últimos meses, sete e dez ou mais, não sei por que, aumentou o fluxo de passageiros e o bendito do metrô não está agüentando mais, talvez seja isso, afora os descontentes funcionários querendo pressionar, fazem operação tartaruga.


O Papa Pop Podre vem aí, vem fazer o que aqui, atrapalhar nossa vida já atrapalhada pelo atrapalhado palhaço do presidente e seus asseclas, só espero que ele venha e saí daqui sem maiores conseqüências, pois vá que algum maluco resolva dar um fim ou, tentar dar um fim no dito cujo, agora veja só, o atrapalhado palhaço é quem vem ao Papa e não é o Papa que vai até ele, como é que pode um presidente desses se rebaixar a um dignitário que vem nos visitar, aposto que se fosse para o palhaço mor dos Estados Unidos, o Papa é que iria à Casa Branca e não o presidente ir ao Papa, entende, bom apesar do povão imbecil, molóide, pacato, que aceita tudo, que só liga para o bbb idiota, só pensa em futebol, creio que nada acontecerá ao papa pop podre que vem encher o saco.

domingo, 28 de abril de 2024

Bom dia, ele poderia ter dito

 

Ele poderia ter dito um palavrão ou mais até, como não era de extravasar a raiva dizendo palavrões, o máximo que disse ou, que ele lembrava foi um merda somente. Passado o momento da decepção, tentando recordar o que acontecerá, se conscientizou que talvez tenha dito o palavrão, mas como tudo o que fazemos mecanicamente regido pelo cotidiano, seria difícil lembrar se dissera palavrão ou não. Apenas lembrava que sentiu decepção como se tivessem arrancado um membro, um pedaço do seu corpo que não doía apenas causando o mal estar de ter sidoi roubado ou, de ter perdido a carteira ou, esquecido em algum lugar, onde?

Tanto é que ao perceber a falta ligou para a empresa na esperança de que tivesse esquecido em cima da mesa. Como já era mais de dezoito horas e trinta minutos.

- Alo!

- Alo! – respirou meio aliviado na expectativa.

- Alo! Com que você quer falar?

- Marcos? Tudo bem? – reconheceu a voz do supervisor.

- Diga, Osvaldo, o que você quer?

- Pô, cara, por favor, dê uma olhada na minha mesa e veja se não esqueci a carteira em cima dela.

- Não, não tem nada, não tem carteira nenhuma. Por quê?

- Que droga! Perdi a carteira. Cheguei agora em casa e dei falta dela.
- Que azar!

- Pois é! Quem sabe coloquei na gaveta novamente. Bom, amanhã eu vejo. Obrigado, Marcos.

- Falou.

Desligou o telefone. No silêncio fibroso dos objetos, procurou rememorar os seus últimos movimentos. Pensou nitidamente desde o instante em que pegou a bolsa, num flash bem lento onde podia sentir a vibração de cada ângulo do movimento. Mas, nada conseguiu, havia um instante bem pequeno causando uma falha, uma brecha que ele não sabia como deixara escapar. E esse instante é que lhe faltava para preencher a laguna e assim entender como fora perder ou, ser roubado, se é que fora roubado, o que não acreditava muito não. Tinha mais consciência de que perdera mesmo a carteira.

- Bom, não vai adiantar nada ficar parado interrogando o diluído passado que o filme da vida não será rebobinado.

sábado, 27 de abril de 2024

Bom dia, eu queria escrever

 

Eu queria escrever algo que ficasse impresso nos fios invisíveis do nosso sentimento e, que pudéssemos a todo o momento voltar a ele matando a saudade.

Eu queria...  Pois o querer e ter, tem uma diferença grande, há nisso tudo um fio condutor envolvente que não só depende de mim, isto é, além de depender de mim, depende do que me envolve nesse momento, transgredindo ou não o universo de simples palavras.

Palavras ditas com sentimento, com ardor amoroso, com a certeza de que serei ouvido, não só por quem me lê, mas por você que, logicamente irá ler, mas com o que você traz no peito em relação a mim, ao nosso envolvimento sentimental, ou mesmo, envolvimento de amizade.

Seja por qual for o motivo que essas palavras possam lhe causar, espero que sejam positivamente benéficas despertando em seu peito o que em meu peito sempre permaneceu desperto, revelando-me o que você indiscutivelmente é: uma pessoa simples, mas com grande coração onde cabe o amor tanto fraternal como o amor individual que, espero, possa eu dele desfrutar.

Portanto, queria ter tudo que pudesse você abarcar em suas mãos e sentir nesse tudo ter o que tenho a lhe oferecer e, que aos poucos fosse descobrindo o que há muito tempo eu já sei.

Apesar da distância, nossos caminhos foram criados para serem trilhados por nos dois juntos, aceite o destino assim como aceito a distância que nos separa.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Bom dia fretado


Chimmmmmm
- Bom dia
- Bom dia.
Chiiiiiiiimmmmmmm
Trech trech
Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Ronc ronc ronc
- Bom dia
- Bom dia
- Por favor, senta lá no fundo.
- Ok, obrigado.
toc toc toc
nhec nhec nhec
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Ronc ronc ronc
Bibi bibi
- Até amanhã.
Até amanhã.
Toc       toc    toc
Mais um dia de fretado

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Bom dia manhã tão bonita manhã

  

Manhã tão bonita manhã... Quantas vezes  escrevi isso ou, já comecei o meu bom dia dessa maneira, várias vezes, não é?

Manhã tão bonita manhã... Mas hoje está mesmo uma manhã bonita, apesar de a temperatura ter caído um pouco, está uma manhã bonita.

Bonita manhã... No entanto no peito a manhã continua a mesma de sempre, continua a mesma esperança... Esperança... De que? De algo melhor? De parar de trabalhar? De passar o dia inteiro desenhando? Escrevendo? Dormindo? Morrendo lentamente num esgarçar entranhado nas fibras dilaceradas pelo tempo? Na busca do amor eterno? Não sei... Sei não.

Mas isso não interessa, não é mesmo? O que interessa é viver e, se possível, viver intensamente a vida em todos os sentidos.

Viva a vida!

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Bom dia não, não vou mudar

 

"Não, não vou mudar, meu caso não tem solução, sou fera ferida na alma e no coração", diz uma canção em que o Caetano Veloso e a sua irmã puseram alma, calor, você não diz que é do brega morto vivo Roberto Carlos. A interpretação deles deu a música mais sensibilidade interpretativa, mesmo que o Caetano não seja um bom cantor, e, mesmo que Maria Bethânia não realce muito em suas interpretações em disco, pois como dizem os críticos, ela é forte no palco, no palco ela tem todo o seu poder interpretativo a flor da pele, mesmo assim, conseguiram uma proeza, deram vida a uma música chocha, desprovida de qualquer outro sentimentalismo barato, eu mesmo, se não ouvisse a gravação do Caetano nunca saberia que essa música existia.

A semana passada, não sei por que cargas d água, a música que ouvia a todo momento mentalmente, era aquela famosa tocada nas igrejas em ocasiões especiais: tam  tam tam tam  tam  tam tam, perceberam? Não! Nem eu. É aquela que quando as portas da igreja se abrem e surge à divina e deslumbrante rainha da festa, sim rainha da festa, pois tudo o que é feito nesse dia é para ela, é ela que brilha, é ela que é a mais bonita, é ela que é a mais bem vestida, e com vocês: a noiva. Isso mesmo, a semana passada a Marcha Nupcial não saia da minha mente.

Por que temos de ser masoquista, se houvesse uma maneira de desligar a mente...  

terça-feira, 23 de abril de 2024

Bom dia o povo continua

  

 

“O povo continua sem informação ainda”, é o que diz o jornalzinho que os arruaceiros do metrô distribuíram para os usuários.

E o povo precisa de informação? Para que informação se é um povo nada politizado, moleirão que dança conforme a música, que vota sempre nos mesmos ladrões, sabe das roubalheiras e ficam apenas se lastimando atrás de suas máscaras de pequenos coitados que se julgam felizes, para que informação, para que saber disso ou daquilo?

Subindo a escada rolante, vejo um rapaz bem vestido ajeitando a camisa para que não fique com uma dobra a mais ou a menos na cintura. Camisa bonita, de marca, listas finas e grossas, com uma camiseta branca por baixo, calça preta, rapaz de ombros largos, quadril estreito, deve atiçar muitas cabeças desmioladas que daria tudo por uma noite com ele, com o crachá a mão, assim que saiu da estação sumiu na poeira da multidão no anonimato de todos os dias.
Será que ele é um rapaz bem informado? Ou melhor, dizendo: será que ele se informa do que acontece nesta bela caótica cidade ou no Brasil? Será? Não sei, espero que sim, espero que não seja mais uma cabeça desmiolada narcisista a procura de aventuras tão somente. Será que ele se preocupa, ou pelo menos, deu uma olhada para o coitado do rapaz, talvez da sua idade, esfarrapado dormindo nas escadas do metrô? Acho que não, e se olhou não deu nem importância.

“O povo continua sem informação ainda”, diz o jornalzinho que os arruaceiros do metrô distribuíram para os usuários, e, vocês, arruaceiros o que fazem? Informam o público ou apenas tentam atiçar esse povo dorminhoco acendendo o pavio da arruaça exigindo o que lhe é de direito ou, será que estão puxando a sardinha para o seu lado, hein arruaceiros?

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Bom dia, ônibus com a parte

  

Ônibus com a parte central rebaixada ou mais baixa, não lembro como estava escrito na parte lateral, sou ruim para guardar as coisas, tem degraus. O cobrador fica na parte baixa, portanto para você passar a catraca tem que descer o degrau, pois o cobrador fica bem encostado a porta. Desceu o degrau, passou a catraca, se você quiser sentar, tem que subir outro degrau, isto é, a parte da frente e a parte de traz estão no alto, o meio é rebaixado. Isso é para facilitar os deficientes, os que se utilizam da cadeira de rodas. Mas é esquisito. Foi a primeira vez que peguei um ônibus assim. Passei a catraca e no primeiro banco sentei. Gosto de sentar na beirada do banco e não encostado a janela, pois assim facilita para descer. Tirei o livro Cartas a um jovem poeta, de Rilke, aliás, um excelente livro, que recomendo a todos os poetas, principalmente os que estão iniciando na arte poética e, como estava dizendo, tirei o livro da bolsa - da bolsa? Que isso? Quem usa bolsa é mulher, homem usa mochila - então tirei o livro da mochila e, nem bem tinha começado a ler, quando uma jovem, pelo menos era o que dava para identificar no rosto, pediu licença para sentar. Encolhi-me todo para que ela passasse raspando nas minhas pernas. Até aí tudo bem, mas quando ela sentou, me senti espremido contra o braço do banco. A dita cuja tinha uma anca que vou te contar parecia bunda de elefante. Jesus! Como ficou constrangedor, horrível sei lá o que! Pois querendo ler não dava para ficar com os cotovelos sem que não encostasse naquela protuberância, sabe quando se fica espremido, com os cotovelos quase encostando um ao outro? Então era assim que eu estava. Inconscientemente soltei um suspiro e uma exclamação:

- Que coisa!

A dita avantajada me olhou com uma cara de reprovação como se dissesse:
- O que você tem a fazer é mais que levantar e deixar todo o banco para mim.
Realmente, ela precisava de dois bancos para sentar, e olhe lá, deveria era pagar duas passagens. A sorte é que o ônibus começou a andar e com o sacolejo do veículo, a carga foi se encaixando, permitindo assim que eu pudesse ler um pouco.

domingo, 21 de abril de 2024

Bom dia, ontem comprei

 

Ontem comprei um DVD. Eu que dizia que não compraria um DVD de show, de nenhum cantor porque acho que para se ver um DVD é preciso estar “vendo”  e não “ouvindo”, mas acontece que não resisti. Pelo preço: dezenove reais, e segundo: por ser uma cantora fora de série que já existiu na face da terra: Elis Regina.
É uma entrevista que ela concedeu à TV Cultura no ano de 1973, em preto e branco, bem conduzido, dirigido por Fernando Faro, onde a câmara faz quase sexo com o entrevistado, vasculha todos os cantos em close, ora o rosto, ora um olho, ou detalhes da mão em gestos infindáveis, enfim, um excelente DVD, com mais ou menos vinte canções, e as entrevistas, tudo separado, você pode apenas ouvir as músicas, ou só as entrevistas, agora não vi se é possível assistir na seqüência como foi apresentado o programa, isso é entrevista intercalada pelas músicas, ontem só foi possível ouvir as músicas, pois estava para começar o melhor seriado que a TV americana já produziu: CIS. E como não queria perder o seriado, não vi o DVD como deve ser visto uma obra prima.

 Fora esse DVD, achei outros bons. "Quem tem medo de Virgínia Woolf", com Elizabeth Taylor e Richard Burton numa interpretação fora de série, onde os dois e mais outro casal se destroem em diálogos ferinos.

Tinha também "Blade Runner – o caçador de andróide", por dezenove reais, mas não comprei, deixei para outra ocasião.

Há outro clássico, com Richard Burton e Jean Simonn e Victor Mature: "O Manto Sagrado".

"Speed Race”, desenho muito cultuado nos idos anos 60, muito bom, japonês, não perdia nenhum episódio.

"Anastácia", desenho sofrível, sobre a princesa Anastácia e Rasputin.

Há outros que comprei, mas não lembro os nomes.

Para quem vivia dizendo: não comprava filme porque só se assisti uma vez e depois o DVD fica enfeitando a estante, até que já tenho uma quantidade razoável DVD...

sábado, 20 de abril de 2024

Bom dia ou boa tarde

  

... bom dia, boa tarde, ola, tudo bem, como vão, espero que todos bem, com saúde, paz e amor, especialmente amor, que cada um seja feliz consigo próprio, se aceitando como são e, não desejando ser o que não são, a vida apesar de ser ruidosa, apesar de ser destrutiva no cotidiano que nos leva ao um tédio profundo, ou mesmo, a ponto de desistirmos, ela, a vida, tem seus milagres injetando em nosso meandro enigmático a seiva pura que nos alimentará, que enriquecera nossa alma enrijecendo-a aos combates que, mesmo preparados, sofremos os baques onde, os mais fracos se entregam à derrota, ou, os mais fortes se erguem expulsando as dores e os sofrimentos com um sorriso, ou com uma lágrima feliz por mais uma batalha vencida, esgarçamos nossas fibras para não sentir dor, no entanto a dor está presente física ou abstrata queiramos ou não, uma boa tarde a todos... e obrigado por vocês existirem...

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Bom dia quinze minutos parado

  

Quinze minutos parado. Com a mão no ar esperando o momento certo para que seus dedos feios e grossos pressionassem as teclas escuras e mortas do teclado. Assim, por quinze minutos ficou. Como estátua. Petrificado. Levou a mente a se esvaziar caindo num vácuo sonoro onde não encontraria apoio nenhum. Não se importou, aliás, não se importava com mais nada, mas, ao mesmo tempo em que formulou esse “não se importava com mais nada”, seu cérebro lá das profundezas do inconsciente revidou: “Será que não se importa com mais nada mesmo?” Isto é, tentava demonstrar que não se importava com mais nada, contudo, mesmo que superficialmente havia sempre alguma coisa que o importunava. Se assim fosse, não escreveria palavras mortas como justificativa de sua existência poética. O qual ele colocava em questionamento. Toda vez que terminava de escrever um texto, sendo poema, prosa, conto ou crônica, vinha à mente a pergunta cruciante: “Isto que escrevi pode ser considerado literatura?” Sim e não. Dependia do momento, do dia, ou mesmo da conclusão do texto. Disseram-lhe uma vez: “Se quem o ler gostar, então está fazendo literatura”. Poderia considerar isso como verdadeiro? Não sabia.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Bom dia,Um caso de surdez.

 

Pasmo! Essa é a palavra certa, pasmo! Saiu do consultório estupefato – palavra bonita: estupefato – sem saber o que estava sentindo. Andou paralelamente a parede, com a cabeça baixa quase contando as passadas, tentando decifrar o sentimento. Mas na verdade o que não conseguira decifrar naquele momento sabia agora. O médico fora categórico:

- O senhor vai precisar usar aparelho.

- Como, doutor?

- O senhor está com quase setenta por cento de perda auditiva.

- Mas estou escutando bem.

- O senhor que pensa que está esse zumbindo que diz ter é perda auditiva.

- Mas doutor, nos dois ouvidos?

- Isso mesmo, nos dois ouvidos.

- O esquerdo ouço melhor que o direito.

- É a mesma coisa com os óculos. Você tem um problema no olho direito o que precisa fazer? Usar óculos para os dois olhos, não é, se usar só para um olho o que está bom vai enfraquecendo. Você nunca viu óculos com uma lente só.
- Está certo doutor, vou fazer o que me diz.

- Toma leve esse cartão, os exames. Tenho mandado todos os meus pacientes nesse laboratório que eles até me conhecem. Você não vai se arrepender.

Usar aparelho? Que merda! – pensou indignado – Tudo bem, não sou mais jovem, estou nos “enta”, mas surdez! Nunca pensei nisso. Agora teria que ouvir as chateações.

- Ahn...

- Isso mesmo que você ouviu.

- Ahnnnnn... Que foi que o senhor disse?

- Para de gozação, menina. Ouviu o que eu disse, não ouviu?

- Falei para o senhor. Ouve a televisão e o som no último volume. E quando assiste filme brasileiro! Precisa colocar legenda porque não ouve as falas.
No dia marcado, quarta-feira às catorze horas estava pontualmente no laboratório.
- Pois não? – perguntou a recepcionista.

- Tenho hora marcada.

- Qual o seu nome?

- Osvaldo Luiz Pastorelli.

- Pode esperar um momento seu Osvaldo, fique a vontade.

- Obrigado.

Segundos depois, surgiu uma morena bonita, alta, cabelos lisos na porta da sala de espera.

- Seu Osvaldo?

- Pois não.

- Queira me acompanhar.

Ele seguiu a morena admirando as curvas graciosas no balanceio do corpo.
- Por favor. Sente-se.

Acomodou-se na cadeira enquanto ela pegava o papel e caneta.

- O senhor trouxe o resultado do exame.

- Aqui está.

Passou os olhos pelo exame, marcou os dados em outro papel ao mesmo tempo em que o enchia de perguntas.

- Há quanto tempo o senhor tem esse zumbido?

- Já trabalhou em lugar barulhento?

- Trabalha no que agora?

E outras séries de perguntas.

- Bem seu Osvaldo, o senhor vai precisar mesmo do aparelho.

E passou a me explicar os modelos, quais eram os melhores, quais as vantagens deste ou daquele. O mais barato, conforme os lugares que ele fosse teria que ser regulado manualmente, e os digitais regulavam automaticamente, e quando a pilha ficava fraca, emitia um sinal, enquanto que o outro não, você teria que adivinhar quando a pilha ficava fraca. Usou o mesmo exemplo do médico, os óculos, que era preciso usar para os dois ouvidos. Mas seu eu quisesse poderia usar um só, etc., que o preço de cada aparelho era de dois mil e novecentos reais.

- Nossa! Tudo isso? Pensei que fosse uns mil e qualquer coisa.

- O senhor pode pagar em dez vezes sem juros ou em vinte quatro meses, fazendo tudo por aqui, o senhor me dá seus documentos, preenchemos os papéis e via Internet mandamos para o banco e o banco manda para o senhor o boleto, como o senhor não trabalha com cheque.

Ele que sairá estupefato – palavra bonita, não acha? – do consultório médico, saiu do laboratório atônito. Se pelo menos o plano de saúde cobrisse, não precisaria ser o total, mas uma parte... Quem sabe, pensou salvando o texto, e fechando o world.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

bombas destroem

 

prédios

 

raiva explode

paixões

 

traição parte

corações

 

entre os escombros

corpos

petrificados

e o terror

de se viver

eternamente

terça-feira, 16 de abril de 2024

Brilha o sol

 

 nas folhas do pensamento. Reflete palavras invisíveis guardadas na garganta umedecida de parca sabedoria. O vento dolorido desmancha os cabelos da saudade e esfacela no asfalto o brilho da mocidade. Os passos da sensibilidade, numa cadencia motorizada labuta na dormência da idade. As mãos cansadas, cruzam-se ao peito do otimismo toda a esperança falida.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Canta as pedras

  

Canta as pedras, cimento e ferros nos edifícios humanos

Lamentam as dores e sofrimentos da humanidade

 

É um canto de dor

Triste lamento

A escorrer no asfalto

E no grito dos faróis alucinados

Nos ferros enferrujados

O canto negro

A ecoar o preconceito

De um povo

 

Pelas matas dilapidadas

O guerreiro deixou

De ser índio

E tornou-se

Idiota civilizado

 

Do sertão esturricado

Grita mudo o trabalhador

A morrer de sede

Num choro angustiado

 

Canta as pedras, cimento e ferros nos edifícios humanos

Lamentam as dores e sofrimentos da humanidade

 

É um canto

De uma só voz

Pedindo paz saúde

Alimento e o fim

Da miséria e dor

domingo, 14 de abril de 2024

Caos

  

não tenho direção
e nem itinerário
vivo no vento
sigo meus pensamentos

meus pés vazios
tropeçam inúmeras vezes
e as ilusões
servem de muletas
que nunca me permitem
cair realmente

não sou feito de concreto
mas de versos silentes
que  gritam  mudos
meu despreparo
implorando a cada farol
migalhas de rimas
dissonantes

durmo no caos
da metrópole fria
e barulhenta
da minha alma

onde o descanso
é mero souvenir
a enfeitar a vida
do faminto poeta


Pastorelli / Ly Sabas

sábado, 13 de abril de 2024

carros velozes

 

buscam

nas sinuosas

estradas

a adrenalina perigosa

 

ronco de motores

pulsam emoções

em cada curva

uma cruz indicando

uma vida

que se foi

sem razão

sexta-feira, 12 de abril de 2024

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Cicatrizes se fecham

  

Cicatrizes se fecham, outras surgem mais profundas, feridas abertas que sangram a vida em vermelhas lágrimas.

Ando sem caminho, sem destino, correndo perigo a cada esquina, a cada viela, em cada praça.

Subo andaimes para livrar-me das dores, encontro-me comigo solitário.
Retiro palavras maceradas por pés que não sabem aonde se dirigir.
Cambaleio de um lado para o outro sem prestar atenção na calçada úmida da madrugada.
Para lá e para cá deslizo angustia fixada nos outdoors invisíveis conturbando a mente.
Teimo em viver.

Para que e porque alimento essa teimosia?

Para que eu tenha sempre esperança naquilo que eu sei não terei?

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Cidadão acima de qualquer suspeita.

  

Tem dias que a gente se sente confiante, de que vai desafiar quem quer que seja, pisa duro, decidido, os gestos mais consistentes, parece que tudo dará certo.

Olhamos com olhar de nobreza, de conquistador, pouco se importando com o que dizem ou, se é que alguém dirá alguma coisa, ou se alguém o notara como se fosse o herói da situação.

Você desafia carros, transeuntes indecisos que lhe barram a passagem, fica com vontade de lhe dar uns tabefes, só não voa porque a gravidade é ainda muito forte e, você não tem a capacidade mental de se elevar acima da sua prepotência.

Você se sente o máximo, nada o fará seguir em frente sem temor, a angústia some, a dúvida do que lhe poderá acontecer não o atormenta, parece que você está acima de qualquer suspeita.

Você é o herói que só você vê, ninguém mais, o herói solitário da sua vida vazia.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Colheu o sentimento

  

Colheu o sentimento na palma da mão e deixou que o sol expandisse em várias direções encaminhando-o ao seu destino.

Rasgou a fibra de só ser numa consistência ativa de passadas calcando uma por uma as pedras irregulares do calçamento.

Cruzou a Paulista na transversal mesmo que o tempo não fosse apropriado e saiu no colo de uma alegria que não era dele.

Sendo um estranho, compartilhou dessa alegria, compartilhou da música que naquele momento rolava sem mesmo entender o que o cantor em gritos histéricos cantava.

Compartilhou com tudo, pois sabia que compartilhando ou não você não estaria com ele e, mesmo que estivesse a música o tomaria por completo a ponto dele se desligar de tudo, até mesmo dele próprio.

E assim ele fez se desligou e voou por sobre tudo aquilo que representava a ele de negativo, voou e voou longe, tão longe que nem mesmo o teu olhar perspicaz como sempre foi, não conseguiu acompanhá-lo.

No seu voou encontrou a paz procurada encontrou outro eu que não era ele e ao mesmo tempo sentia-se ele a ponto de fechar as asas da liberdade e despencar num parafuso suicida.

Assim ele tornou-se presente em você e você se tornou nele presente em todos os instantes em que um viveu para o outro.

E a luz da manhã intensamente iluminou com candura o dia que nascia.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Com perseverança, devoção, paciência

 

Sexta-feira deixei anotado nesses papeis amarelos que servem de lembretes e, que em inglês é escrito assim: post it, e aportuguesado se lê postite, e ao consultar o dicionário verifiquei que postite é inflamação de prepúcio, portanto devo dizer que quando se pede um postite, lembre-se que está pedindo uma inflamação de prepúcio, e não um post it, esse papel amarelo para lembretes, certo? Então depois dessa pequena explicação que espero todos tenham compreendido, vamos ao assunto que me fez escrever essa croniqueta, como diz Hilda Hilst.

Como disse no começo, deixei anotado num post it o seguinte: “parou 30.10.06”. E ao chegar hoje, a primeira coisa com que deparei foi com esse lembrete. Mas o que parei em 30.10.06? Eu? O mundo? A vida? O que fazia eu na sexta? Será relacionado ao serviço? Mas o que? Será referente às músicas que estou abaixando? O que será? Algum relatório que eu consultava? Será que estava verificando as caixas no sistema? Não sei, realmente não lembro.

Ainda bem, pois o que eu faço não tem data para ser entregue e nem é serviço que necessite de urgência. Por que se fosse estaria perdido. Teria que botar a cachola para funcionar. E não adiantaria nada, não vou lembrar nem que a porca destorça o rabo. Que coisa!

A mente é traiçoeira. Guarda tudo no subconsciente. Quando queremos não lembramos. Para que ela fique nos “trinques” é preciso muito exercício, não deixá-la inativa, parada. Como sou preguiçoso nunca vou lembrar. Só espero que não seja um indicio de Mal de Alzhaeimer.  Sarava, mangalo, sai para lá, que isso, toc toc toc três vezes na madeira, Ossanha num vai me pega, não senhor, com o seu canto traidor.

Sempre disse: a mente é uma força assustadora. Aquele que souber usá-la tem não o mundo aos seus pés, mas a vida, o controle de quase tudo, principalmente ao controle do que se passa com ele e o que se passa ao redor dele.

Tudo nesta mecânica vida é um fator de exercício. Exercitando-se tudo se consegue. Com paciência e devoção aliada ao exercício, o homem consegue tudo e tudo terá em suas mãos. Acrescento mais um item: a perseverança. Com paciência, devoção, perseverança e exercício, tudo se consegue.

Eu é que sou preguiçoso.

domingo, 7 de abril de 2024

Consciência

 

...como posso dizer o que sinto se você não se entrega, ou melhor, não vejo  uma entrega fiel e correspondente aos meus desejos, e, por outro lado, acho que os meus desejos são reais e verdadeiros, cheios de intensidade que, você mesmo disse uma vez, insaciáveis e que você não conseguiria preencher o fluxo amoroso que nos direcionava ou, ainda nos direciona, portanto acho que devemos colocar em primeiro lugar nossas intenções, nossas atitudes, e nossos sentimentos e elaborarmos em pequenas frases o que devemos e o que queremos para nós dois, eu sei, sim eu sei, não posso inteiramente despejar toda a minha ansiedade em querer possuir freneticamente teu corpo e toda a tua alma, mas um pouco de consideração e amor acho que de você devo ter, agindo com sinceridade um com outro só temos a ganhar, só prolongará essa intimidade que ora inconscientemente, se faz consciente em nossas vidas...

sábado, 6 de abril de 2024

corre o menino na estrada

 

levantando poeira

 

canta o pássaro na árvore

o canto da vida verdadeira

 

quando o menino percebeu

a vida passou ligeira

 

tornou-se homem feito

na há mais tempo para brincadeira

 

seu filho corre na estrada

levantando poeira

 

fria e cinzenta

entre escombros e sujeira

sexta-feira, 5 de abril de 2024

criando figuras

 

com palavras

o amor em cascata

derruba paradigmas

que deságua no moinho

das paixões envolvendo

o caos do sentimento

no surrealismo

da vida persistente

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Cruzam os mares

 

 de asfalto ruidosas baleias metálicas que com seus faróis de arpões caçam os desvalidos sanguinários humanos.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Descrever, como me é difícil

  

Quero descrever os raios que banham teus cabelos após uma noite de suave e gostoso amor.

Descrever como as gotas deslizam pelo teu corpo com cheiro almíscar de deusa satisfeita pelo intenso ardor que fluiu entre nós intensamente.

Descrever o instante surreal que elevou teu corpo acima do êxtase atingindo o ponto máximo do prazer.

Descrever, ah! Como gostaria, se os deuses mo permitissem, escrever palavras divinas que viessem às pontas desses dedos longos pressionando essas teclas pretas e, alcançassem seu objetivo.

Descrever, ah! Como me é difícil, descrever o que deveria ter sido e ao mesmo tempo não foi.

Vivo me dilacerando nos porquês sem ter a certeza de que seja o que penso ser realmente verdadeiro ou não.

Nesse dilacerar, cato os pedaços do dia numa bandeja de dúvidas e angustia, ajeitando as dores nos seus lugares em todas as manhãs.

Assim, num catar, emendar, costurar os sentimentos bi partidos pela incerteza, vou reconstruindo o destruído que em mim viceja como parasita se alimentando da seiva alheia.

Descrever!... Descrever é ótimo quanto se tem à força do mundo em suas veias envenenadas.

Depois do recital dos Rascunhos Poéticos.

 

Eles se beijavam longamente. Ele não queria largar dela e, ela também parecia não querer largar dele, mas precisavam. Ela na plataforma, ele segurando a porta com as duas mãos, beijava-a com gosto sendo, é claro, retribuído. Ele não dava pelota para o aviso do alto falante de não segurar a porta do trem. Nisso vendo um segurança se dirigindo a eles, foi obrigado a largar a porta que se fechou com estrondo, deixando-a na plataforma dando-lhe adeus. Exultante por ser correspondido, deu uns três pulos, se pendurou nos ferros e gritou feliz da vida.

Os amigos, duas moças e um rapaz riam felizes junto com ele.  Moreno cabelo em pequenas tranças que balançava de um lado para o outro conforme sua cabeça se movimentava. Seu amigo, sentado ao lado da Safira, ficou em pé junto a ele e, os dois começaram a brincar, rindo e fazendo acrobacias nos ferros do trem. O amigo dele se pendurou de ponta cabeça, chegando a colocar as mãos no chão. Ele por sua vez, ficou também de cabeça para baixo, suas tranças tocavam o chão. Safira ria com as brincadeiras deles. De onde eu estava não dava para entender o que diziam, apenas apreciava as acrobacias, pensei em puxar o celular e tirar umas fotos, mas fiquei com medo que não gostassem.  
Chegando na estação Sé, onde todos se encontram e onde todos partem ou se perdem, nos perdemos uns dos outros. Eu e Safira nos dirigimos à plataforma da linha vermelha, zona leste, e eles sumiram na poeira da felicidade juvenil e nós, na poeira da poética felicidade de apreciarmos a vida em toda a sua beleza.
Ainda bem que o metrô da zona leste não demorou muito para chegar. Até a estação Belém onde a Safira desce e, até o Tatuapé onde eu desci, a viagem transcorreu na maior tranqüilidade, apenas quebrada pela nossa conversa sobre o recital que tínhamos participado na Casa das Rosas.
Por sorte não precisei esperar por muito tempo o ônibus. A fila estava mais ou menos comprida, achava que não encontraria um lugar para sentar, mas por felicidade consegui um banco quase no fundo do ônibus. A viagem transcorria normalmente, sem acidentes nenhum, apenas umas moças, moças...! Isto é, umas meninas entre dezesseis anos a vinte anos, sentadas no último banco, durante a viagem toda conversavam suas banalidades juvenis. Contando uma para outra as aventuras amorosas, o que ganharam dos namorados, rindo, falando alto, nada demais, apenas entre elas, não envolviam quem estava por perto. Não importunavam ninguém. Mas um cara meio embriagado parado nos degraus do ônibus, atrapalhando os que desciam, achou-se importunado pela conversa delas, e num dado momento falou alto:

- Puta merda, como vocês falam? Caralho parem de falar. – disse para as meninas.
- Oh boca suja.

E aí começou entre as meninas e o embriagado um bate boca surrealista.
- Não cansam a língua não? Vou mostrar onde vocês podem colocar essa língua e ficarem quietas.

- Não ligam não, é um frustrado, seu problema é sexual, não tem capacidade de arrumar mulher e fica enchendo o saco.

O pessoal ouvindo isso, de que o cara era um frustrado sexual, irrompeu numa gritaria, chamando o sujeito de covarde, veado, é melhor descer e outros comentários.
- Vou mostrar para você onde devem enfiar essa língua...

- Cala boca, seu filha da puta, vou enfiar a língua no cu da tua mãe. - falou rispidamente uma das meninas.

Aí a gritaria foi geral, sai dessa, por essa não esperava, um a zero para as meninas, foi o comentário.

Infelizmente não puder ver o desfecho da briga, estava chegando no meu ponto e tive que descer. E enquanto me dirigia para minha casa, pensei:
- Cena igual a essa não presenciarei no fretado.

Chegando a casa, ainda pude saborear um quentão, pipoca, paçoca, pé de moleque, pois encontrei o pessoal em volta da fogueira.

Assim o sábado foi fechado com chave de ouro.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Despedida.

 

No asfalto o sol brilhava beijando os contornos das coisas que, ao evaporar-se em bolhas de suores, destilava os sentimentos partidos e repartidos.

Sentia-se abatida no desencontro das linhas, cuja direção se propusera seguir.

Ludmila sabia o que não poderia negar o que sempre soubera, que seu eu é que não admitia que, entre os dois, havia um amor forte demais.

Ludmila, a esquiva Ludmila, como a chamavam, se rendeu ao inevitável, simplesmente se rendeu, não tinha força suficiente para segurar o sentimento dos dois. Não conseguia nem segurar os seus...

Na verdade, ela se equilibrava nos sentimentos deles, ora num ora no outro, mantendo assim a balança no centro, nunca deixando pender mais para um do que para outro.

Renegada se colocou em segundo plano confiante de que fazia o melhor tanto para ela como para eles.

Satisfeita não estava é claro, no entanto fazia de tudo para demonstrar. O que poderia fazer?

A voz pousada do alto falante anunciou a hora do vôo. Aproximava o momento da despedida.

- Vamos Pedro – disse Armando.

- Vamos – respondeu Pedro.

- Ludmila tem certeza que é isso que você quer?

- Sim, é isso mesmo – disse meio nervosa com a carta na mão.

- Agora você está sozinha...

- Sozinha sempre estive.

 - Tinha sua mãe.

- A mãe coitada, doente não era companhia, não acha?

- Venha com a gente.

- Não, pai, impossível. Não quero ser empecilhos entre vocês.

- Que isso, Ludmila. Amamos você.

- Eu sei, precisou depois de dez anos para me dizer isso, não é?

- Olha como fala com o pai – ameaçou Armando.

- Ela esta com razão.

Mais uma vez o alto falante anunciou a hora do vôo.

 - Adeus, filha se cuida.

- Cuida-se o senhor também.

- By mana.

- By mano, cuida do pai e se cuida também.

- Falou.

Beijaram-se rapidamente. Ludmila não esperou que eles sumissem na poeira de multidão. Apressada saiu do aeroporto. Quando estava na calçada é que lembrou a carta. Esquecera de lhes entregar a carta.  Que droga!

Jogou-se para dentro de um táxi e recolheu a teimosa lágrima que tentava escorrer na palma dos seus sentimentos.

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...