sábado, 31 de maio de 2025

abrir asas

 

 



 

na sua infinita pequena grandeza

a borboleta abre as asas

e beija a natureza

 

espalha o pólen da beleza

fecundando o ciclo da vida

com graça e leveza


sexta-feira, 30 de maio de 2025

adiamento

 

 

na garganta da memória

o verso se impregna de palavras

forjadas ao sussurrar

na tarde que normalmente

avança

 

vozes se sentem crispadas

nos lábios trincando copos

enquanto embaçados olhos

pela rotineira vida

 

se entregam nos dizeres ávidos

e aleatórios

e se escondem nos recônditos

da mente pelo álcool adormecidos

 

o vento escorre friagem

entre copos e corpos

e garrafas

pois outra vez

a morte foi adiada

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Agora que faço eu da vida sem você

 

Agora que faço eu da vida sem você... Eu sei por que essa música teima em permanecer em minha mente, eu sei, mas não sei se quero dizer por que sei, pois se eu disser o que eu sei, talvez possa me tornar frágil diante de algo que sei e que você, não sabe se sabe ou... Venha saber depois que eu disser, nossa! Que confusão...! Sem dizer o que eu sei, já me torna um fraco, mas um fraco que tem a força de realizar atos que me satisfaçam. Fraco por me entregar a essa situação de amante perdido e fascinado pelo sabor dos teus abraços e pelo fogo dos teus lábios. Pronto! Fui à beira do precipício. Despojei-me da máscara e espero somente uma palavra pequena, uma mínima palavra que esses lábios de fogo que queima mais que o Concerto de Arranjuez em noite quentes de verão acompanhado de vinho gelado, venha proferir para que eu salte nos meandros desse misterioso amor e me afogue no profundo poço de prazer e felicidade. Pronto! Agora você sabe e, espero não venha tirar proveito dessa fragilidade que essa confissão possa lhe transmitir. Fragilidade que venha entender nas entrelinhas, mas que na verdade poderá se enganar. Pensando estar diante de um homem frágil poderá estar diante de um homem que tendo a coragem de assumir sua fragilidade torna-o forte...

 

 

01.12.05 -  o primeiro dia do mês de mudanças e esperanças que nunca se findam.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Dia vinte e oito de maio de dois mil...

 Dia vinte e oito de maio de dois mil...

 

Cheguei à conclusão, depois de mais de cinco ou seis anos, que se eu quiser escrever, ou melhor dizendo, voltar a escrever tenho que fazer como fazia quando trabalhava: antes de começar o expediente escrevia os meus bons dias que depois passou a ser rotineiro contar o que me acontecia durante o trajeto de casa ao serviço e vice versa. Só que agora não tenho o trajeto de ir e vir do trabalho, mas tenho pequenos ir e vir de um lugar ao outro que posso usar na minha escrita, não é mesmo? Então devo sentar à frente do notebook antes de postar os meus textos ou desenhos ou de fazer algo como desenhar e ouvir músicas, é isso? Sim, é isso. Ok então a partir de hoje levantar-me-ei mais cedo o que já faço e me porei a escrever direto no notebook. Será que conseguirei? Sim, consegue porque sei que você já tem umas ideias na cachola pronta para escrever e, além do mais quer uma prova disso? Olha o que já escreveu neste instante, então vai dar certo, voltará a escrever, certo? Certo, valeu. Até amanhã então.

terça-feira, 27 de maio de 2025

água

  

capta os elementos da vida

fundindo cenas e objetos

num único reflexo cristalino

fixando o pulsar no fotográfico

olhar do artista

 

vidas compõem a cena

fixadas no fotograma

alquimias de pulsões

revelando sensações

no suave deslizar

banhando a morosidade

que há na cidade

- Salou - Espanha -

onde deixei fenecer

a minha saudade

segunda-feira, 26 de maio de 2025

alma gêmea

 

minha alma gêmea partiu

da minha desgraça riu

 

ela vivera eternamente

em meu peito descontente

 

sua memória persistirá

em mim que sobreviverá

 

lembrando nosso amor

esquecendo essa minha dor

 

em cada bar beberei

em cada abraço amarei

 

tua doce figura

que me deixou na amargura

domingo, 25 de maio de 2025

aqui e agora

  

reflete o sol o topo do edifício

entre os galhos da árvore

gorjeiam os pássaros simplesmente

 

a música desliza pela sala

 

ao comando da mente

a caneta rabisca somente

palavras que friamente

não consegue falar

sobre o amor no presente

aqui e agora

sábado, 24 de maio de 2025

AS ASAS DAS LETRAS

 AS ASAS DAS LETRAS

 

cláudia villela de andrade

 

 

Para Osvaldo Pastorelli

 

 

 

Dentro daquela mochila em suas costas, poderia

ter muito treco diferente, mas não. Ali, ele guardava

suas asas. Normalmente andava a pé pelas matas do

interior. Subia e descia

montanhas, descobria cavernas, explorava florestas. As

asas eram só para burilar o mundo. Lá do alto, ele talhava,

letra por letra, a esperança. Escrevia mensagens que

amanheciam pregadas no céu. Gente havia que ao acordar,

corria lá fora para olhar a mensagem do dia. Igual como

consultar horóscopo. As janelas eram cedo escancaradas

e muitos sorrisos apareciam em caras amanhecidas e

inchadas. Olhava-se para o céu ainda com os olhos remelentos

e espremidos

por conta da claridade e os contornos brancos em forma de

pedaços de nuvens lá estavam a falarem coisas bonitas,

estímulos, conselhos, lembranças, ânimos infindos para o

povo lá debaixo.

                 

Ele não era sagrado. Era apenas alguém que havia

descoberto a utilidade certa para as asas. Como ele não

queria se sentir um inventor de vôos, preferiu não revelar a

sua descoberta. Para muitos ele era um fantasma que escrevia

no céu coisas boas de se ler.

                 

Quando amanhecia, ele abria sua mochila, retirava de lá

de dentro seu par de asas e subia. Assim o vento não

desmanchava rapidamente suas mensagens e o povo, ao

acordar, logo cedo, teria o que ler.

                  

Tinha diversos apelidos: Mão de anjo, Vôo-esperto,

Pé de letra, Homem-pássaro, Poeta-voador, em cada lugar

uma alcunha diferente. Ele não ligava. Na verdade ninguém

sabia quem era ele, pois terminada a “escrevinhação”, descia

em campo deserto para ninguém saber sua identidade. Então,

guardava tudo bem direitinho na mochila surrada.

                 

O que mais interessava era o estímulo doado. Podia ver

lá de cima os acenos e os gritos de bom-dia! Sentia-se muito

satisfeito ao ver o povo acordar bem-humorado!

 

                 

Um dia, um jornal da cidade grande anunciou a existência

do homem que voava e escrevia pelos céus do interior. Veio

gente de longe para ver. Uns passaram a noite mirando em seus

binóculos e lunetas, procurando nas estrelas, nas nuvens, por todo

o espaço. Outros carregavam garruchas para acertar tiros no tal

extraterrestre. Havia criança com estilingue na mão e outras com

zarabatanas envenenadas. O povo simples, acostumado com

o feito, foi para as ruas em passeata dizer que o homem lá de

cima não era nenhum bandido, nem nada. Mas o mais forte

sempre vence e ninguém queria saber de nada. Queriam a cabeça

do homem e a fórmula da sua invenção. Onde já se viu? Uma

invenção dessas só podia ser coisa do primeiro mundo. Do inventor

do computador, de um árabe qualquer ou de um chinês.

                 

O dia amanheceu igual. Era Primavera. Pólen no ar.  Em

todas as casas a fumaça do fogão de lenha saia pela chaminé.

Cheiro de café coado no pano de saco. Pãozinho quente com

manteiga. A criançada se arrumando para a escola e as janelas se

abrindo para o sol. Pela clarabóia, muitos já liam os dizeres do

céu e os sorrisos se alargavam em bocas de todo

tamanho. As cabeças assentiam. Uns cumprimentavam os

outros numa eterna conformação de vida com muita alegria.

Mas um grande estrondo se ouviu e, rodando feito pião, a

caça caiu lá cima, estalando-se inteira no chão.

                 

Era um homem como outro qualquer, sem asas, sem nada

que justificasse aquela agressão. Um homem e sua mochila

surrada. Naquela correria de descobrir-se o tal invento, alguém

abriu sua mochila e de dentro retirou um cotoco de sabonete,

uma escova de dente, um pente, três cuecas, dois pares

de meias furadas,  uma camisa velha desbotada,

uma pena dourada e... um livro de poesia.  Mais nada.

 

 

sexta-feira, 23 de maio de 2025

balé azul

 

ao abrir das cortinas

as manhãs azuis

se tornam mais azuis

quando a bailarina

começa a dançar

 

com suas pernas firmes

ao compasso da música

voa em movimentos

leves e ágeis e catalisa

olhares embevecidos

com tamanha agilidade

 

seu corpo delgado

se alça no espaço

desafia a gravidade

que por momentos

deixa a respiração

de quem a assiste

em suspenso com

o fácil desempenho

 

a bailarina azul

com seu balé azul

nos transporta

nos leva à lugares

nunca dantes

por nós caminhado

 

a bailarina azul

nas manhãs azuis

com seu balé azul

se fixa na nossa

retina graças

ao pincel mágico

da artista captando

assim o espetáculo

do movimento

que é a vida

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Brasil

 

Brasil, teu pendão é ainda esperança

apesar da bagunça política

que aprontam no teu céu

de puríssimo azul

 

Brasil, tuas verdes matas

são roubadas a luz do dia

enchendo os bolsos

dos grandes ladrões magnatas

 

Brasil, teu vulto amado nunca

será esquecido enquanto

houver teus filhos queridos

lutando para o povo ter

melhores condições de vida

 

Brasil, meu Brasil, nação imensa

que nos momentos de festa

ou de dor tem no sorriso

da fome e na palidez do humor

seus pequenos instantes

de felicidade

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Brinde a mulher

 

Bittar

Rosangele Aliberti

Osvaldo Pastorelli

 

 

batatas fritas

sobre a mesa

três poetas

junto com a Helena

conversam sobre

vários assuntos

 

a roda é a mesma

a rosa é o poema

grãos de sol...

autenticidade suficiente

tatuada em canções

abrindo e cicatrizando emoções

 

que ficam no tempo

e na memória das palavras

e nas entrelinhas da vida

 

vida que rola

como agora

calmamente

canetas deslizam em papéis

configurações existenciais

palhaços, luzes, suco de morangos [silvestres]

benditos frutos do passado e presente...

 

que nos alimentam

que nos elevam

na espiritualidade

da noite paulistana

 

Rosa Ângela Helena

enfeitam com feminilidade

a nossa mesa

repleta de cerveja

loiras somente a gelada [no balde]

mulheres de coração doce

garras e punhos fortes

estrelas na terra

predicados exaltados comovem

 

brindando nossas

vidas: as mulheres

 

quando misturam

os papéis

os que sobram

são os anéis

terça-feira, 20 de maio de 2025

busco

 

busco teus olhos na luz opaca da vida 
busco o brilho do teu sorriso entre vozes desconhecidas
busco teu corpo entre estranhos corpos vazios
e a noite passa rápida ao compasso dos ponteiros
e meu coração se descontrola traiçoeiro
ao saber que não poderei ter a vida inteira
teu amor nessa vida louca e passageira

o relógio marca o momento da despedida
pago a conta e saio para a noite fria
silenciosamente apago a dor sombria
sabendo que há no túnel da vida

uma luz sempre refletida
iluminando meus passos
ao dobrar de cada esquina

segunda-feira, 19 de maio de 2025

caminho do mar



todos os caminhos levam a Deus

mas todos os caminhos levam a felicidade eu pergunto

não sei - essa é a minha dúvida - não sei se Deus existe

não tenho competência religiosa para essa pergunta

minha religiosidade é pequena para abarcar a existência

de algo abstrato sem consistência física apenas verbal

a felicidade não está nos deuses e nem está na religião

ela está no caminho do mar fixada na tela por mão hábil

ela está onde você estiver fazendo aquilo que lhe aprouver

pode ser no meio dia escuro prometendo farta chuva

pode ser daqui a instante aonde a maioria vai para casa

ou pode ser daqui a instante aonde outros vão passear


para que todos os caminhos levam a felicidade é preciso

que todos estejam sujeitos a ter competência pra enfrentar

obstáculos e nunca venha fraquejar durante a caminhada

e nunca desanimar por eventualidades que venha acontecer

nada nesta vida é desprovida de acontecimentos inúteis

basta você saber transformar a inutilidade em utilidade

basta você saber ministrar a negatividade transformando-a

em positividade em todos sentidos e direção da sua vida

dessa maneira sua caminhada cheia de percalços

tornar-se-á numa caminhada mais amena e mais tranqüila


quando isso acontecer então poderei dizer:

todos os caminhos levam a Deus

domingo, 18 de maio de 2025

caminhos

 

carrego na sola dos pés

a poeira dos caminhos

 

que me levam

sem eira e nem beira

a errar desde menino

 

carrego na sola dos pés

as marcas do destino

 

que me indicam

por onde deverei seguir

ignorando as feridas

 

pois conheço a estrada

cheia de chacais famintos

a espreita para devorar

os desprevenidos

 

às vezes a sombra

da grande árvore

num repouso forçado

refaço os passos

impondo o ritmo

 

outras vezes a beira

do riacho cauteloso

encho o cantil

de esperança

pois sei que a vida

não é uma festa

de constante bonança

 

é um labirinto

onde  cada um

cabe encontrar

o seu precioso

e único destino

sábado, 17 de maio de 2025

cena de uma sexta-feira

 

estampa da vitrine

a roupa cor de rosa

toda a feminilidade

que a mulher

apaixonada admira

 

os acordes soam

por todos os lados

para a continuidade

do ciclo da vida

 

da churrasqueira

estala do espetinho

cheiro e sabor

exalando o suor

da agitada avenida

 

dos olhares tristes

furtam-se fracos

e disfarçados sorrisos

as dores de uma vida

suicida 

sexta-feira, 16 de maio de 2025

cogito

 

eu sou água

sou carne

sou músculo e veias

e sangue e osso

 

sou pessoa

um ponto

cheio de mistérios

revolta e rancor

 

sou passos

caminhante

em busca de algo

no emaranhado

de nós e cipós

 

sou vida

resumida

sou vidas passadas

em busca nessa

vida de ser feliz

quinta-feira, 15 de maio de 2025

como eu vivo? não me importo



não me importo como vivo
realmente não me importo como vivo
mas você me deixou vivendo
uma vida irreal cheia de fantasia
onde impera saudade

a água escorre para o mar
meus olhos secos
escorre para o abismo
ao me deixar
na estrada sem destino

realmente não me importo como vivo
e muito menos como poderá
você estar vivendo
não me importo como vivo
o sol sempre brilhará
a música eternizará
meus passos no meio
dos espinhos

quarta-feira, 14 de maio de 2025

coração de pedra

 coração de pedra


o mar
língua da mãe natureza
lambe a terra numa morosidade
despertando a libido da areia
que se enrijece de prazer
beijando nossos pés

o mar a pedra o coração
criam uma uniformidade
que se não fosse o olhar
perspicaz do fotografo
sua essência no tempo
estaria desconhecida

o mar
língua da mãe natureza
revela sua procedência
constatando a magnificência
do conjunto belo e uniforme
enquadrado na lente artística
transmitindo paz beleza
e serenidade

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...