na sua infinita pequena grandeza
a borboleta abre as asas
e beija a natureza
espalha o pólen da beleza
fecundando o ciclo da vida
com graça e leveza
na sua infinita pequena grandeza
a borboleta abre as asas
e beija a natureza
espalha o pólen da beleza
fecundando o ciclo da vida
com graça e leveza
na garganta da memória
o verso se impregna de palavras
forjadas ao sussurrar
na tarde que normalmente
avança
vozes se sentem crispadas
nos lábios trincando copos
enquanto embaçados olhos
pela rotineira vida
se entregam nos dizeres ávidos
e aleatórios
e se escondem nos recônditos
da mente pelo álcool adormecidos
o vento escorre friagem
entre copos e corpos
e garrafas
pois outra vez
a morte foi adiada
Agora que faço eu da vida sem você... Eu sei por que essa música
teima em permanecer em minha mente, eu sei, mas não sei se quero dizer por que
sei, pois se eu disser o que eu sei, talvez possa me tornar frágil diante de
algo que sei e que você, não sabe se sabe ou... Venha saber depois que eu
disser, nossa! Que confusão...! Sem dizer o que eu sei, já me torna um fraco,
mas um fraco que tem a força de realizar atos que me satisfaçam. Fraco por me
entregar a essa situação de amante perdido e fascinado pelo sabor dos teus
abraços e pelo fogo dos teus lábios. Pronto! Fui à beira do precipício.
Despojei-me da máscara e espero somente uma palavra pequena, uma mínima palavra
que esses lábios de fogo que queima mais que o Concerto de Arranjuez em noite
quentes de verão acompanhado de vinho gelado, venha proferir para que eu salte
nos meandros desse misterioso amor e me afogue no profundo poço de prazer e
felicidade. Pronto! Agora você sabe e, espero não venha tirar proveito dessa
fragilidade que essa confissão possa lhe transmitir. Fragilidade que venha
entender nas entrelinhas, mas que na verdade poderá se enganar. Pensando estar
diante de um homem frágil poderá estar diante de um homem que tendo a coragem
de assumir sua fragilidade torna-o forte...
01.12.05 - o primeiro dia do mês de mudanças e
esperanças que nunca se findam.
Dia vinte e oito de maio de dois mil...
Cheguei à conclusão, depois de
mais de cinco ou seis anos, que se eu quiser escrever, ou melhor dizendo,
voltar a escrever tenho que fazer como fazia quando trabalhava: antes de
começar o expediente escrevia os meus bons dias que depois passou a ser
rotineiro contar o que me acontecia durante o trajeto de casa ao serviço e vice
versa. Só que agora não tenho o trajeto de ir e vir do trabalho, mas tenho
pequenos ir e vir de um lugar ao outro que posso usar na minha escrita, não é
mesmo? Então devo sentar à frente do notebook antes de postar os meus textos ou
desenhos ou de fazer algo como desenhar e ouvir músicas, é isso? Sim, é isso.
Ok então a partir de hoje levantar-me-ei mais cedo o que já faço e me porei a
escrever direto no notebook. Será que conseguirei? Sim, consegue porque sei que
você já tem umas ideias na cachola pronta para escrever e, além do mais quer
uma prova disso? Olha o que já escreveu neste instante, então vai dar certo,
voltará a escrever, certo? Certo, valeu. Até amanhã então.
capta os elementos da vida
fundindo cenas e objetos
num único reflexo cristalino
fixando o pulsar no fotográfico
olhar do artista
vidas compõem a cena
fixadas no fotograma
alquimias de pulsões
revelando sensações
no suave deslizar
banhando a morosidade
que há na cidade
- Salou - Espanha -
onde deixei fenecer
a minha saudade
minha alma gêmea partiu
da minha desgraça riu
ela vivera eternamente
em meu peito descontente
sua memória persistirá
em mim que sobreviverá
lembrando nosso amor
esquecendo essa minha dor
em cada bar beberei
em cada abraço amarei
tua doce figura
que me deixou na amargura
reflete o sol o topo do edifício
entre os galhos da árvore
gorjeiam os pássaros simplesmente
a música desliza pela sala
ao comando da mente
a caneta rabisca somente
palavras que friamente
não consegue falar
sobre o amor no presente
aqui e agora
AS ASAS DAS LETRAS
cláudia villela de andrade
Para Osvaldo Pastorelli
Dentro daquela mochila em suas costas, poderia
ter muito treco diferente, mas não. Ali, ele guardava
suas asas. Normalmente andava a pé pelas matas do
interior. Subia e descia
montanhas, descobria cavernas, explorava florestas. As
asas eram só para burilar o mundo. Lá do alto, ele talhava,
letra por letra, a esperança. Escrevia mensagens que
amanheciam pregadas no céu. Gente havia que ao acordar,
corria lá fora para olhar a mensagem do dia. Igual como
consultar horóscopo. As janelas eram cedo escancaradas
e muitos sorrisos apareciam em caras amanhecidas e
inchadas. Olhava-se para o céu ainda com os olhos remelentos
e espremidos
por conta da claridade e os contornos brancos em forma de
pedaços de nuvens lá estavam a falarem coisas bonitas,
estímulos, conselhos, lembranças, ânimos infindos para o
povo lá debaixo.
Ele não era sagrado. Era apenas alguém que havia
descoberto a utilidade certa para as asas. Como ele não
queria se sentir um inventor de vôos, preferiu não revelar a
sua descoberta. Para muitos ele era um fantasma que escrevia
no céu coisas boas de se ler.
Quando amanhecia, ele abria sua mochila, retirava de lá
de dentro seu par de asas e subia. Assim o vento não
desmanchava rapidamente suas mensagens e o povo, ao
acordar, logo cedo, teria o que ler.
Tinha diversos apelidos: Mão de anjo, Vôo-esperto,
Pé de letra, Homem-pássaro, Poeta-voador, em cada lugar
uma alcunha diferente. Ele não ligava. Na verdade ninguém
sabia quem era ele, pois terminada a “escrevinhação”, descia
em campo deserto para ninguém saber sua identidade. Então,
guardava tudo bem direitinho na mochila surrada.
O que mais interessava era o estímulo doado. Podia ver
lá de cima os acenos e os gritos de bom-dia! Sentia-se muito
satisfeito ao ver o povo acordar bem-humorado!
Um dia, um jornal da cidade grande anunciou a existência
do homem que voava e escrevia pelos céus do interior. Veio
gente de longe para ver. Uns passaram a noite mirando em seus
binóculos e lunetas, procurando nas estrelas, nas nuvens, por todo
o espaço. Outros carregavam garruchas para acertar tiros no tal
extraterrestre. Havia criança com estilingue na mão e outras com
zarabatanas envenenadas. O povo simples, acostumado com
o feito, foi para as ruas em passeata dizer que o homem lá de
cima não era nenhum bandido, nem nada. Mas o mais forte
sempre vence e ninguém queria saber de nada. Queriam a cabeça
do homem e a fórmula da sua invenção. Onde já se viu? Uma
invenção dessas só podia ser coisa do primeiro mundo. Do inventor
do computador, de um árabe qualquer ou de um chinês.
O dia amanheceu igual. Era Primavera. Pólen no ar. Em
todas as casas a fumaça do fogão de lenha saia pela chaminé.
Cheiro de café coado no pano de saco. Pãozinho quente com
manteiga. A criançada se arrumando para a escola e as janelas se
abrindo para o sol. Pela clarabóia, muitos já liam os dizeres do
céu e os sorrisos se alargavam em bocas de todo
tamanho. As cabeças assentiam. Uns cumprimentavam os
outros numa eterna conformação de vida com muita alegria.
Mas um grande estrondo se ouviu e, rodando feito pião, a
caça caiu lá cima, estalando-se inteira no chão.
Era um homem como outro qualquer, sem asas, sem nada
que justificasse aquela agressão. Um homem e sua mochila
surrada. Naquela correria de descobrir-se o tal invento, alguém
abriu sua mochila e de dentro retirou um cotoco de sabonete,
uma escova de dente, um pente, três cuecas, dois pares
de meias furadas, uma camisa
velha desbotada,
uma pena dourada e... um livro de poesia. Mais nada.
ao abrir das cortinas
as manhãs azuis
se tornam mais azuis
quando a bailarina
começa a dançar
com suas pernas firmes
ao compasso da música
voa em movimentos
leves e ágeis e catalisa
olhares embevecidos
com tamanha agilidade
seu corpo delgado
se alça no espaço
desafia a gravidade
que por momentos
deixa a respiração
de quem a assiste
em suspenso com
o fácil desempenho
a bailarina azul
com seu balé azul
nos transporta
nos leva à lugares
nunca dantes
por nós caminhado
a bailarina azul
nas manhãs azuis
com seu balé azul
se fixa na nossa
retina graças
ao pincel mágico
da artista captando
assim o espetáculo
do movimento
que é a vida
Brasil, teu pendão é ainda esperança
apesar da bagunça política
que aprontam no teu céu
de puríssimo azul
Brasil, tuas verdes matas
são roubadas a luz do dia
enchendo os bolsos
dos grandes ladrões magnatas
Brasil, teu vulto amado nunca
será esquecido enquanto
houver teus filhos queridos
lutando para o povo ter
melhores condições de vida
Brasil, meu Brasil, nação imensa
que nos momentos de festa
ou de dor tem no sorriso
da fome e na palidez do humor
seus pequenos instantes
de felicidade
Bittar
Rosangele Aliberti
Osvaldo Pastorelli
batatas fritas
sobre a mesa
três poetas
junto com a Helena
conversam sobre
vários assuntos
a roda é a mesma
a rosa é o poema
grãos de sol...
autenticidade suficiente
tatuada em canções
abrindo e cicatrizando emoções
que ficam no tempo
e na memória das palavras
e nas entrelinhas da vida
vida que rola
como agora
calmamente
canetas deslizam em papéis
configurações existenciais
palhaços, luzes, suco de morangos [silvestres]
benditos frutos do passado e presente...
que nos alimentam
que nos elevam
na espiritualidade
da noite paulistana
Rosa Ângela Helena
enfeitam com feminilidade
a nossa mesa
repleta de cerveja
loiras somente a gelada [no balde]
mulheres de coração doce
garras e punhos fortes
estrelas na terra
predicados exaltados comovem
brindando nossas
vidas: as mulheres
quando misturam
os papéis
os que sobram
são os anéis
busco teus olhos na luz opaca da vida
busco o brilho do teu sorriso entre vozes desconhecidas
busco teu corpo entre estranhos corpos vazios
e a noite passa rápida ao compasso dos ponteiros
e meu coração se descontrola traiçoeiro
ao saber que não poderei ter a vida inteira
teu amor nessa vida louca e passageira
o relógio marca o momento da despedida
pago a conta e saio para a noite fria
silenciosamente apago a dor sombria
sabendo que há no túnel da vida
uma luz sempre refletida
iluminando meus passos
ao dobrar de cada esquina
todos os caminhos levam a Deus
mas todos os caminhos levam a felicidade eu pergunto
não sei - essa é a minha dúvida - não sei se Deus existe
não tenho competência religiosa para essa pergunta
minha religiosidade é pequena para abarcar a existência
de algo abstrato sem consistência física apenas verbal
a felicidade não está nos deuses e nem está na religião
ela está no caminho do mar fixada na tela por mão hábil
ela está onde você estiver fazendo aquilo que lhe aprouver
pode ser no meio dia escuro prometendo farta chuva
pode ser daqui a instante aonde a maioria vai para casa
ou pode ser daqui a instante aonde outros vão passear
para que todos os caminhos levam a felicidade é preciso
que todos estejam sujeitos a ter competência pra enfrentar
obstáculos e nunca venha fraquejar durante a caminhada
e nunca desanimar por eventualidades que venha acontecer
nada nesta vida é desprovida de acontecimentos inúteis
basta você saber transformar a inutilidade em utilidade
basta você saber ministrar a negatividade transformando-a
em positividade em todos sentidos e direção da sua vida
dessa maneira sua caminhada cheia de percalços
tornar-se-á numa caminhada mais amena e mais tranqüila
quando isso acontecer então poderei dizer:
todos os caminhos levam a Deus
carrego na sola dos pés
a poeira dos caminhos
que me levam
sem eira e nem beira
a errar desde menino
carrego na sola dos pés
as marcas do destino
que me indicam
por onde deverei seguir
ignorando as feridas
pois conheço a estrada
cheia de chacais famintos
a espreita para devorar
os desprevenidos
às vezes a sombra
da grande árvore
num repouso forçado
refaço os passos
impondo o ritmo
outras vezes a beira
do riacho cauteloso
encho o cantil
de esperança
pois sei que a vida
não é uma festa
de constante bonança
é um labirinto
onde cada um
cabe encontrar
o seu precioso
e único destino
estampa da vitrine
a roupa cor de rosa
toda a feminilidade
que a mulher
apaixonada admira
os acordes soam
por todos os lados
para a continuidade
do ciclo da vida
da churrasqueira
estala do espetinho
cheiro e sabor
exalando o suor
da agitada avenida
dos olhares tristes
furtam-se fracos
e disfarçados sorrisos
as dores de uma vida
suicida
eu sou água
sou carne
sou músculo e veias
e sangue e osso
sou pessoa
um ponto
cheio de mistérios
revolta e rancor
sou passos
caminhante
em busca de algo
no emaranhado
de nós e cipós
sou vida
resumida
sou vidas passadas
em busca nessa
vida de ser feliz
não me importo como vivo
realmente não me importo como vivo
mas você me deixou vivendo
uma vida irreal cheia de fantasia
onde impera saudade
a água escorre para o mar
meus olhos secos
escorre para o abismo
ao me deixar
na estrada sem destino
realmente não me importo como vivo
e muito menos como poderá
você estar vivendo
não me importo como vivo
o sol sempre brilhará
a música eternizará
meus passos no meio
dos espinhos
coração de pedra
o mar
língua da mãe natureza
lambe a terra numa morosidade
despertando a libido da areia
que se enrijece de prazer
beijando nossos pés
o mar a pedra o coração
criam uma uniformidade
que se não fosse o olhar
perspicaz do fotografo
sua essência no tempo
estaria desconhecida
o mar
língua da mãe natureza
revela sua procedência
constatando a magnificência
do conjunto belo e uniforme
enquadrado na lente artística
transmitindo paz beleza
e serenidade
Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...