sexta-feira, 29 de novembro de 2019
domingo, 17 de novembro de 2019
Trato.
Quando Ricardo chegou Lucio estava com a cabeça
inclinada nos braços e apoiado na beira do caixão. Tocou no ombro do amigo.
Lucio ergueu a cabeça e sorriu:
- Você veio.
- Sim. Meus sentimentos.
- Obrigado.
- Não me dá um abraço?
- Desculpe, disse Lucio se levantando.
Se abraçaram e de repente Ricardo o largou e
foi para fora. Puxou um cigarro e acendeu.
- Está chorando?
- Quem é você?
- Não lembra de mim?
- Ah! Sobrinho do Lucio.
- Sim, sou o Alberto.
- Oi como vai.
- O que acha?
- O que?
- De mim, o que acha?
- Não entendi.
- Não sou bonito, gostoso...
- O meu que é isso? Se ponha no seu lugar.
- Não sou do teu tipo?
- Olha por favor, vá procurar sua turma, está
bem.
- Do meu tio você gostou, não é, e ele tinha a
minha idade quando se conheceram, pedófilo.
- Olha aqui pirralho se manda, onde está o teu
pai?
Dando as costas para Alberto foi sentar-se no
banco em baixo da árvore. Instantes depois, um senhor apareceu a sua frente
dizendo:
- Levante velho.
- O que?
- O que ouviu, levante.
- Para que, me diga?
- Para apanhar, velho pedófilo.
- Velho sim, pedófilo não, respondeu Ricardo
levantando-se.
Nem bem se pôs em pé recebeu um soco jogando-o
de volta ao banco.
- Suma daqui antes que eu chame a polícia.
- O que foi?
Perguntou Lucio se aproximando.
- Esse velho pedófilo cantou o teu sobrinho.
- É verdade Ricardo?
- Claro que não.
- Ele até me beijou no pescoço, falou Alberto.
Olha o chupão que ele me deu.
- Mentira.
Retrucou Ricardo.
- Esperava tudo de você, e eu te amei, mas não
isso.
- Você vai acreditar nele, Lucio?
- É meu sobrinho como não vou acreditar?
- Ele está mentindo...
- Vai se refugiar no álcool e faça mais um
poema como sempre fez ou melhor um conto porque para romance é um inútil.
- Ingrato... Espere...
- Deixe-o ir. Não ligue.
- E quem é você?
- Igor.
- Foi por você que ele me deixou?
- Sim, mas não se grile.
Ricardo segurou uma lágrima.
- Você ainda o ama.
Ricardo virou o rosto.
- Vamos sair nosso lugar não é mais aqui.
De longe Lucio viu os dois saírem e virando
para o sobrinho, disse:
- Toma cem pila, como combinamos.
- Obrigado, tio.
PasorElli
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
Triste sorriso.
Meia noite e quarenta e cinco minutos marcava o
relógio do micro-ondas ao passar pela cozinha e pegar uma cerveja gelada e
abrir a porta do quintal. Amena e bonita, a madrugada estampava claridade cuja
luz inundava a pequena área vinda da lua cheia. Deitou-se na rede deixando as
pernas para fora com a ponta dos dedos tocando o chão e com isso iniciou um
lento vai e vem expulsando o tédio. E por que esse sentimento invadiu o peito
que arfava em cadência descontrolada? O que o levou a isso? Não saberia dizer, apenas deixou e, tinha
consciência, portanto não lutou, apenas deixou-se invadir pelo sentimento e
criava um círculo talvez vicioso arrastando-o naquele momento. Nisso lentamente
a lata de cerveja escorregou de seus dedos e bateu no chão produzindo um som
seco e umido. Olhou o instante, sorriu, não um sorriso triste, mas melancólico
e se viu pequeno no meio do líquido amarelo da cerveja. Não se preocupou e nem
ficou com medo, sabia que não se afogaria, isto porque, o pouco de cerveja
encheu um buraco que existia no chão e onde ele havia caído... caído! Melhor
dizendo, onde foi parar, e a profundidade do buraco não era tanta, pois o
líquido batia na altura da barriga, só se escorregasse e batesse a cabeça na
borda do buraco e desmaiasse, o que era impossível. Assim, aproveitou para
relaxar o máximo que pudesse. Nisso, escutou um som ensurdecedor e apavorou-se
ao ver um gigantesco pássaro bicar a cerveja. Encolheu-se o tanto quanto podia
na expectativa em ficar longe do bico da ave. Esperava que fosse sede que a ave
estivesse sentindo, mas para sua desgraça foi pego pelo cabelo e alçado num voo
rasante e se viu jogado no ninho cheio de filhotes. Então, reconheceu o seu
fim, cobriu os olhos, deixou-se ser bicado, e soltou o medo que o conduziu ao
pavoroso sentimento de paz. A última coisa que viu foi um enorme sorriso alegre
estampado no firmamento profundo da alma. E renasceu mais uma vez para sua
satisfação.
Pastorelli
Assinar:
Comentários (Atom)
Vazia.
Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...
-
Bloquinho Amarelo Creio já ter escrito o suficiente. E ainda tenho...
-
chtgpt Criar o gesto, acompanhado da fala — oral ou escrita — é pulsar vibrações ao redor, orientando ou manipulando quem está por perto. A...
-
na sua infinita pequena grandeza a borboleta abre as asas e beija a natureza espalha o pólen da beleza fecundando o ci...