quarta-feira, 30 de abril de 2025

Filigrana por filigrana

 Filigrana por filigrana a noite se estampa no lusco fusco das calçadas iluminadas pela humanidade metálica com sua ferocidade deteriorada nos passos dolentes da caterva silenciosa.


Cada passada, meus pés congelados, protegidos por frágeis sapatos imitando couro, ao invés de me conduzir para frente como todo mundo faz, me conduzem para trás sem que entenda o porquê e para que.


Grito no estertor da luz dos carros que veloz passam. Grito um grito luzidio de terror imotivado pelo medo de compreender o sentido das coisas e me agarro na esperança de me lançar novamente à frente.


Porém, cansado, sento no meio fio da calçada, me encolho abatido pela pressão da vida trespassando a alma no bojo da ausência de que não estou onde deveria estar ou queria estar.


Assim penso prender a felicidade na palma da mão.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Final de dia


o final do dia
estende-se para lá do além
quando o sol no horizonte
ao movimento eterno
do planeta terra se esconde
entre montanhas e mares
e monumentos e a noite silenciosa
aproxima-se fazendo com que nos
- delicados e podres e fúteis mortais -
nos recolhemos ao escondido
das sombras e nos braços
do maligno Morfeu adormecemos

adormecemos profundamente
ou deveríamos profundamente
adormecer se não houvesse
o desequilíbrio emocional
proporcionado pelas pressões
sociais e financeiras e morais
se não houvesse que pensar
no amanhã para garantir
a mesquinha sobrevivência

e assim o sol com seu brilho
amarelo meio avermelhado
põe-se entre a beleza
de S.Pedro Moel
sem se importar
com este poema raivoso
espraiando em beleza
genialmente captado
pela lente fotográfica
o qual eu agradecido
deixo aqui o meu obrigado

segunda-feira, 28 de abril de 2025

girassol


flor que a caneta bic

no papel sulfite

sua forma criou

 

flor que as palavras

por vários poetas

será cantada

em verso e prosa

em teu louvor

domingo, 27 de abril de 2025

há dois pesos


na gangorra da sobrevivência:
um lado a vida gloriosa e bela
do outro a morte maligna e tétrica

as vezes a gangorra pende
para um lado com mais força
do que para o outro lado

vivemos na dualidade constante
de sermos apenas um ser
querendo ser o todo
que se destaca
para a vida esplendorosa

os fracos no anonimato
se alimentam de migalhas esquecidas
em calçadas esburacadas
revirando lixos ricos
de vitaminas putrescíveis

os fortes no luxo espezinham
quem pela frente encontram
sem se preocuparem com o amanhã
 
dois pesos duas medidas
desequilíbrio que como ferida
que nunca se cicatrizam
presenciamos por toda vida

sábado, 26 de abril de 2025

hoje não quero nenhum desejo


               
hoje não quero nenhum desejo
me dê um pedaço de queijo
nada de rock droga e sexo
apenas um gostoso amplexo

e um prolongado ósculo
cuidado com meus óculos
e na esquina do pecado
desfrutemos de braço dado

a vida que vai consumindo
a paz que vamos adquirindo
tendo no rosto a felicidade

que lenta vai emergindo
em nossos corpos distribuindo
 o calor de uma futura amizade

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Isto

  

não minto

não finjo

com o tato do coração

tudo o que sonho

ou realmente

em meu peito

possa sentir

 

nada me falha

nada me falta

escrevo livre

como livre deve

ser a vida

se realmente

for intensa vida

quinta-feira, 24 de abril de 2025

já não uso mais sapatos


descalços meus pés deixam
marcas do meu destino
que me levarão ao infinito

cada um tem o segmento
que lhe cabe
escolhido ao partir
o cristal da vida

você não vê
ou não quer acreditar
no que vê
mas os olhos não se enganam
vê o que está em cima
e o que está em baixo

já não uso sapatos
e posso palmilhar passo a passo
a saudade do teu corpo
que a mim em determinada hora
como fome que se aflora

mas não se engane
parto a qualquer hora
a todo instante faço
a mala e nem a tua fala
me impedirá de partir
muito menos o teu sorrir
me segurara aqui

parto para um futuro incerto
que não me preocupo
em pensar nele
pois ele está em mim
assim como eu estou nele

parto cada vez mais perto
do meu destino incerto
e que também
não me preocupo
se chegarei ou não

parto trilhando o medo
não o medo do desconhecido
mas o que há em mim
que poderá me deixar perdido
e por ser preciso desafiarei
o que não sei

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Joe Cooker

 

no balanço da voz de Joe Cooker
o brilho dos teus olhos dança
no balcão provocando meus desejos

acompanho a dança
e me inebrio com a voz nasalada
de Joe Cooker desejando
que a noite
seja para nós dois

eterna

terça-feira, 22 de abril de 2025

segunda-feira, 21 de abril de 2025

margaridas

  

anunciam a primavera

em profusão de cores

ofertando aos campos

imensidão de odores

 

alegria das abelhas

que espalham o pólen

para a perpetuação

da espécie e da vida

 

preferida pelas apaixonadas

que maldosamente no jogo

do bem me quer e mal me quer

procuram saber se são amadas

 

no esconderijo da alma

perguntam em suplicio:

“serei eu amada?”

e pétalas uma a uma

são arrancadas

e se a última cair

no bem me quer

regozijam de felicidade

e se cair mal me quer

atiram longe despeitadas

a pobre flor coitada

 

pintam os campos

ornam os vasos

deliciam os olhares

e a cada estação

do ano embelezam

e dão mais vida

a vida

domingo, 20 de abril de 2025

mesmo que você me diga

 


falso foi o nosso romance

eu respondo: não me importo

bonito foi nossa intimidade

enquanto nela a paixão durou

 

mesmo que você grite

reclamando de tudo

eu alegremente lhe digo

fiz da tripa coração

realmente

você nunca me amou

 

mesmo que você vá embora

mesmo que as janelas se fechem

mesmo que grego seja esse meu falar

mesmo que eu ande por labirintos

mesmo que eu seja levado por instintos

mesmo que falso tenha sido nossa relação

 

saiba que como poeta não minto

refaço sempre meu caminho

sem mágoa e sem dor

logo após um gole de absinto

sábado, 19 de abril de 2025

meus passos


meus passos se encravam na carne
ao perfurar espaços levando-me a viajar
no álcool etílico onde desvaneço as
palavras de fel as quais sou obrigado
a ouvir e ao passar levemente os dedos
na afiada lâmina do teu profundo olhar
que me aquece e me corta em postas de carne

onde mato minha sede e alimento
meus desejos para me livrar da morte

desejo-te no fragor dos lençóis suados
cujo brilho dos nossos corpos acendem
em ondas tempestuosas arrebentando
nos rochedos da praia a solidificação
do nosso mundo de beijos e abraços

desejo-te no fio da tua pele amorenada
o sabor dos teus lábios que ansiosos
escala a alta e perigosa montanha
para depois num vôo longo e rasante
pousar em meu sexo seu saciado
sexo de desejo molhado e satisfeito

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Mini

 Mini

Fala

Ção

Enr

Rola

   R

 

Ola

Ago

Raa

A do

Osv

Aldo

    O

 

Tudo

Bem

Falo

E ao

Mês

Mo

Tem

Me

Ca

Lo

 

12.11.05

Donny/ Bittar/ Pastorel

quinta-feira, 17 de abril de 2025

mistério

 mistério

 

a força da humanidade
está nos quadris
no entre pernas
na braguilha

arma que descontrola
homens e mulheres
levando-os à guerra
onde quem manda
é o ardil do prazer
é a garra das pernas
numa chave felina
pondo prisioneiro
o faminto parceiro
 
aventura em montanhas
protuberâncias e matas
exploradas a dedo
minuciosamente
regalando o desejo
ao jorrar da fonte
o liquido prazeroso
que dá vida a vida

e o mundo sucumbe
diante desse mistério
chamado sexo

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Moda


 

P alavras são inscritas

O nde há amor e liberdade

E sta nas ruas da cidade

T raduz o sentir irmanado

A través do símbolo moda

S eremos assim imortalizados

terça-feira, 15 de abril de 2025

Na alça do vento

 Na alça do vento


trepidam silenciosas idéias
onde ensurdecedoras vozes
se calam na marquise negra
dos edifícios de granito branco

a vontade de fazer algo
tropeça na tristeza
dos movimentos lentos
recheados de segredos
onde o que eu sou
se estilhaça como vidro
no que eu não sou

as fibras nebulosas
da noite se esgarçam
em filamentos tensos
de angústias saudosas

aplaco as dores
no fundo do copo

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Na Casa das Rosas


 

Na Casa das Rosas

A festa da poesia começou

E minha caneta no caderno

As letras poéticas anotaram

O poema que a inspirou

 

Ai, ela cansada para

E ao lado do caderno

O resto da vida descansou

domingo, 13 de abril de 2025

nada compra teus brincos

nem teu olhar

 

teus brincos tem

um valor preciso

teu olhar tem

um preço impreciso

teus brincos posso comprar

mas o teu olhar

apenas posso conquistar

e esse não tem preço

sábado, 12 de abril de 2025

Não ouço mais música

  I don't listen music

                  pastorelli

                  

 

                                                           But you can't help, this is the end
                                                           Of a tale that wasn't right
                                                                           (Helloween)

I don't listen music as I used to do
I pass through almost lost in the middle of the musician's sounds and the light in the hot mornings carries me when I get off at Consolação Metro Station.
It looks like the whole world came to the same place.
Lots of steps, feet, arms, blouses, pants, voices, and look forward every mornings to the same place searching the financial God's protection.
Brush against the bright skins and soften by the sleepy of the sexual flesh, tired or frustrated.

The stones for a long time still go rolling and everything will be the same and nothing will change cause of them.
The arrow goes quickly as a melodic guitar pulling of your lonely scream deep in the constellation of living a space life.
I don't listen music as I've done before
But I was rescued from the hell.

Tradução: Luiz Bertaggia Júnior


Não ouço mais música


                                                  Mas você não pode me ajudar, esse é o fim
                                                  De um conto que não estava certo
                                                                            (Helloween)



Transito quase perdido no meio dos sons musicais que a luz das manhãs cálidas me carrega ao descer na estação do metrô Consolação

Parece que o mundo todo veio para o mesmo lugar

Enxurradas de passos, pés, braços, blusas, calças, vozes, olhares que convergem todas as manhãs para o mesmo lugar em busca da proteção dos deuses financeiros
Roça-se fulgores em peles amaciadas pelo sono de carnes sexualmente cansadas ou frustradas


As pedras por muito tempo ainda continuarão rolando e tudo vai ser o mesmo e  nada vai mudar por causa delas

A flecha parte ligeira como a guitarra melódica arranca seu grito de solidão engolfado na constelação de viver a vida espacial

Não ouço mais música como antigamente ouvia

Mas fui resgatado do inferno

 

sexta-feira, 11 de abril de 2025

não tenho figura


para ilustrar meu poema

o que eu tenho

é o alegre sorriso franco

e que enxuga o meu pranto

toda vez que dele preciso

um sorriso meigo de olhar intenso

que me deixa mais propenso

a amar esse  amor

louco e verdadeiro

um sorriso de mãos

que revelam segredos

muito tempo no peito guardado

e no lapidar de almas cansadas

são espontaneamente revelados

 

é o que eu tenho

para ilustrar meu poema

quinta-feira, 10 de abril de 2025

neve, neve


sinto-me cansado
como se estivesse dentro da gota d´água
a cair sobre a terra que futuramente cobrirá meu corpo

sinto-me embaixo dos flocos de neves trespassados
pelos raios da luz sem conseguir movimentar-me como desejaria
desorientado, não perdido, encontro-me sem saber qual caminho seguir
sei que seguirei sozinho
sei que você não me acompanhará
mas não me importo
sentirei a pressão da tua ausência
tenho que passar por tudo que a mim foi destinado
e sei que passarei facilmente

e a cada passo será uma etapa vencida
não vou sentir você junto a mim
minha consciência me diz
terei tudo o que quero

e a cada passo que dou
será mais uma etapa longe de você
poderei fracassar mas serei eu somente
sinto-me cansado com se estivesse
com a neve dentro do meu corpo

quarta-feira, 9 de abril de 2025

no espocar do champanhe



no espocar do champanhe
leve e solto o sorriso escorre maroto
em cascatas pelos edifícios mortos

brindemos a euforia
nos falsos rostos de alegria
sufoquemos as esperanças solitárias
na multidão embevecida
sem nos preocuparmos
com a ressaca que no carnaval
certamente será curada

enquanto isso vamos ensaiando
o samba enredo da nossa escola
para não fazermos feio na passarela
onde a vida se alimenta
de pandeiro e tamborim
pois o que o que tem valor
é a cabrocha com samba no pé
é a bola consagrada por Pelé

terça-feira, 8 de abril de 2025

nossos corpos


se juntam

num só

 

nossas mãos

se deliciam

em prazeres

inenarráveis

 

tua pele

beija a minha

 

nossos suores

se misturam

num só odor

 

respiro teu desejo

beijo os teus beijos

 

e em teu peito

adormeço

meus sonhos

me alimentando

de você

segunda-feira, 7 de abril de 2025

o abismo

 

sempre andarei medindo os passos à beira do abismo cuja consciência contorna os limites entre a loucura e a fantasia,

entre a lucidez e o desvario,

pergunto-me uma vez ou outra: o que me faz ainda permanecer nesse entremeio paranóico sem ter uma distinção certa do que é melhor

ou, do que devo aceitar,

claro que a resposta é uma incógnita,

nunca a saberei,

se soubesse ou se algum dia venha saber,

estarei no fim da linha,

estarei completando meu destino,

poderei me considerar um homem pleno

e, sendo assim não terei mais nada a dizer

e não tendo mais nada a dizer,

serei um morto à espera da morte,  

portanto nunca quero saber as respostas dos meus porquês,

devo aceitá-los como parte integrante do meu viver,

faz parte do meu aprendizado

domingo, 6 de abril de 2025

o amor da minha vida



o amor da minha vida
o amor... da... minha... vida...
pois é... o amor da minha vida
fiquei um tempo pensando:
o amor da minha vida
e cheguei à conclusão:
não tenho e nunca tive
um amor na minha vida
talvez poderia ser você
mas onde você está
que como fumaça de cigarro
que se funde no ar viciado da cidade

evaporou-se
dilui-se nos copos
de chopes bebidos
em noites solitárias
pelos bares da saudade
não ficou nem as lembranças
poucas que tivemos
talvez apenas ficou
um leve fluir de que você
por aqui passou
mas o que é isso diante
dos meus passos
meio que incertos
a procura do amor certo
nada em relação
do que pensei realmente
ser você o amor
da minha vida

sábado, 5 de abril de 2025

o amor na toada da vida tem

querelas onde amantes

vivem no esquecimento

em alimentar briga

e perdão e choro

sem saber que

o prazer dessa vida

é o amor que proporciona

felicidade sendo levado

ao infinito de nós dois

sexta-feira, 4 de abril de 2025

o beco

 

beco sem saída

onde a pouca luz

se confunde e reluz

com a paisagem

da minha alma

 

beco sem saída

não sei como sair

desse beco

e nem como continuar

esse poema do beco

quinta-feira, 3 de abril de 2025

o grito da rocha

 

o grito da rocha imperceptivelmente

molda sua forma e comprime

os músculos da memória

e aperta a garganta empurrando

o ar para dentro do corpo

 

sinal de dor física ou abstrata

sinal de mudança levando os passos

a procurarem novos caminhos

a trilhar desconhecidas estradas

vontade de se libertar

soltar os grilhões

 

o grito cria novas formas

de vez em quando é preciso

formular o grito bem sonoro

e sentir-se livre das angústias

depressão e amar livremente

a vida em primeiro lugar

e não ser uma pedra

presa pelo grito

quarta-feira, 2 de abril de 2025

o equilíbrio


se faz presente na massa de luz que ilumina o meio da cena
sua estrutura luminosa vai perdendo o impacto
ao se estender a esquerda e a direita e ao fundo
criando profundidade a cena
os riscos horizontais do campo onde predomina o verde e o amarelo
cria um contraste com os riscos verticais sendo aí o amarelo predominante
e em seguida se evidencia uma fenda ou abertura visualizado logo após
o verde na semi escuridão emoldurado pelas nuvens
além surge a parte sombria da cena representada pela mata e numa elevação, um morro
onde se nota uma habitação, uma casa
um equilíbrio artístico conseguido pela sensibilidade do fotográfico
equilíbrio que só existe na arte
pois o equilíbrio na vida de todos os dias
é precário ou praticamente não existe
e ao meu ver, não deve existir
isto porque o equilíbrio deve pender
mais para um lado do que para o outro
obrigando-nos a pensar nisto ou naquilo

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...