quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.600(2020)

Como colocar em palavras uma parte importante da minha vida? Como? Talvez, escrevendo com o coração dirão alguns. Me colocando naquela época, retrocedendo até aquele dia fatídico. Difícil? Penso que não, o difícil é trazer o clima, o ambiente, a emoção, a agitação da noite, colocar o leitor dentro daquela noite, fazer com que ele sinta o que senti ao te ver, aos teus olhares, e depois a tua aproximação e tudo o mais. Estava uma noite agradável, o pequeno ambiente estava cheio de moças, rapazes, alguns idosos, que paqueravam, falavam, os mais ousados se beijavam, os produzidos com cabelos verdes, vermelhos, piercings nas orelhas, sobrancelhas, nariz, lábios, roupas coloridas, largas, ajustadas, mulher com aparência de homem e homem com aparência de mulher. Nada daquilo me chocou e nada daquilo me provocou preconceito, isto é, não tinha e não tenho preconceito, aceito e entendo tudo isso, apenas não esperava me apaixonar. É, me apaixonei. Naquela noite não tinha noção do que me ocorreria, não tinha noção de nada, apenas queria fugir de algo que não sabia. Sim, fugir, e eu sabia sim do que eu fugia.

É isso... ou, não é?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.599(2020)

                                        Caro primo Sérgio

 

                        Porra primo, quer dizer que você partiu, pegou o trem azul e nem se despediu da gente! Espero que me perdoe por não termos tido mais contato. Sabe, tenho apenas uma lembrança de você, quando trabalhava na Rua Boa Vista. Não sei por que eu você e sua irmã estávamos no escritório, o que me vem à lembrança é que almoçávamos, parece-me que vocês trabalhavam ali por perto e vinham almoçar comigo, ainda não existia os tickets restaurantes, levávamos marmitas. Foi na época dos festivais da Record quando da apresentação de Domingo no Parque e que você disse que gostava do arranjo dessa música. Sinceramente, me perdoe primo, essa é a única lembrança que tenho de você. Lembro de ter ido a sua casa, de outros momentos com seus pais, com suas irmãs, seu cunhado, mas com você não lembro. Aliás, sou imensamente grato a sua irmã por ter me arrumado os dois primeiros empregos que tive logo que cheguei do quartel.

        Hoje tenho uma outra visão a respeito da morte, talvez por ler muito, por estar estudando a Física Quântica, ouvir muito os vídeos no YouTube do Divaldo Franco, não tenho aquele medo de que muitos possam ter. Espero viver o máximo de tempo possível, apesar das muitas pedradas que levamos a vida é boa, mas o que me dá medo é deixar as pessoas que amo, deixar de existir, entende. É um processo que temos de passar, não com medo, temos que aceitar, pois poderemos ter outro corpo, outra residência. Voltaremos aqui quantas vezes necessário for até que nos iluminemos, até que nos tornemos mestres. E se nessa vida não tivemos contato que deveríamos ter, possivelmente na próxima teremos, até podemos ser irmãos, entende. Não devemos encarar a morte com temor, como perda, devemos encará-la como algo que estamos ganhando, como uma fase para o nosso crescimento. Bem, primo espero que tenha partido numa boa e que tua viagem seja a da mais confortável que possa ser. Bye e até a qualquer momento poderemos nos encontrar novamente.

            É isso... ou, não é?

 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.598(2020)

                        Leitura.

 

            Estou perdendo o pique para a leitura, quer dizer, acho que já perdi. Não tenho mais o afã em ler. A minha frente tem uma pilha de nove livros. Memórias de Adriano, de Marguerite Youcenar; um volume da coleção os Pensadores da Abril Cultural, onde há textos de Jean-Paul Sartre e de Martin Heidegger; A república, de Platão; Decamerão, de Giovanni Boccaccio; Viagem por um mar desconhecido, de Krishnamurti; Um reflexo na escuridão, de Philip K. Dick; A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson; 15 contos escolhidos, de Katherine Mansfield; Olhos de azeviche, coletânea de dez escritoras negras; e Eu sou a porta, de Bhagwan Shree Rajneesh.

            Esses são os livros que me propus a ler ou, alguns reler, mas estão aqui na mesa a minha frente mais de um ano onde, raramente pego um e passo os olhos sobre suas letras. Isso é normal? Vamos envelhecendo e perdemos o pique que tínhamos? Cheguei a devorar uns dez livros por mês. Eu que gosto, ainda, de escrever deveria manter a leitura, não acha? Tenho mais vontade de desenhar do que ler, talvez porque o ler tenho que focar no entender e, vou confessar algo desagradável, sou ruim para entender. Vejo não como defeito, mas por não ter durante toda a minha vida com quem discutir, filosofar, bater um papo, posto a mente em exercício, em desenvolvimento, entende? E hoje...

            É isso... ou, não é?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.597(2020)

 

                       Cinderelo.

 

            Escuto um rock antigo, dos anos setenta, oitenta, mas não vejo de onde vem o som e, por outro lado, onde estou é impossível, não tem aparelho nenhum, apenas pessoas falando, gesticulando, bebendo, se beijando, garçons que passa de um lado para o outro, o bar é pequeno e, então, chego à conclusão que somente eu que escuto. Começo a sentir meus pés se movendo e logo em seguida estou no meio do bar dançando loucamente uma música que só eu escuto. Ninguém dá bola para o que me acontece, mas, de repente sinto um medo de altura. E me vejo querendo descer de uma árvore e lá embaixo ao pé da jabuticabeira um menino me incentivando a descer.

            — Vamos moleirão, desce.

            E em seguida ele começa a sacudir o galho em que estou. Grito:

            — Mãe, me ajuda.

            Aparece uma mulher de meia idade na porta da casa e brava diz:

            — Moleirão, subiu agora tem medo de descer. Desce logo medroso, se cair vai apanhar.

            Ai que o medo aumenta, pois o cair não era nada, mas apanhar é que era o terrível. Mudo meu pé direito, piso num galho e escuto o crack do galho quebrando e eu caindo. Não sinto o chão, pois uns braços fortes me seguram.

            — O que foi? Pergunto assustado.

            — Você estava caindo eu te segurei.

            Olho para ele, bonito, olhos azuis, cabelo preto e liso, com um sorriso branco...

            — Que hora são?

            — Meia-noite, me responde.

            — Desculpe, preciso ir.

            — Vai virar abobora é.

            — Sim, vou.

            Empurrando-o, saio correndo, quase derrubando o garçom e ainda escuto ele dizer:

            — Cinderelo...

            Desço as escadas apressado e consigo pegar o último metrô. Sento-me no primeiro banco e encosto a cabeça na janela e tiro uma cochilada.

            É isso... ou, não é?

domingo, 27 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.596(2020)

             O rádio começa a tocar um bolero antigo. Pego a vassoura e saio dançando com ela pela sala. E de repente, você se concretiza em meus braços. A música aumenta de intensidade. Dançamos loucamente. Você ri alegre. Puxo você mais para o meu corpo. A intensidade da música agora é alucinante e, não estamos mais na sala, estamos numa boate, onde todos os casais dançam freneticamente. Aos poucos percebo que os casais estão vestidos iguais a nós e, ao olhar atentamente são mais de vinte casais iguais, todos tem a nossa cara, e o mais engraçado é que, apesar do ritmo tresloucado, ninguém esbarra em ninguém. Não há mesas, não há garçons, olho para onde está a orquestra e os músicos tem a minha cara, se parecem comigo, assustado viro o meu rosto e vejo que você não é mais você, você sou eu, isto é, estou dançando comigo mesmo. Horrorizado te empurro e saio correndo e bato o pé no pé da mesa de centro e caio. Falo um puta de um palavrão. A vassoura foi parar longe. Estou no meio da sala da minha casa, com o dedo inchado. Levanto-me, desligo o rádio, sirvo-me de uma generosa dose de uísque e, sentado na poltrona penso no que vou escrever no Diário de um sentir.

            É isso... ou, não é?

sábado, 26 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.595(2020)

                   

                                    Consciência.

          

          Meus olhos tremem de terror, minha boca tenta expressar a dor, meus ouvidos se abrem aos gemidos e, numa comoção sem tamanho, se encolhe perdido, destroçado, angustiado sem acreditar no que aconteceu.

                        Meus olhos vibram de lágrimas, minha boca treme de raiva, meus ouvidos doem aos gritos e, clamam vingança e justiça onde justiça é brinquedo na mão de inúteis e incompetentes.

                        Meu corpo acuado chora feito poeta desnorteado nas palavras que lhe fogem, assim como morre o fraco imobilizado.

                        Minha alma morena dá as mãos aos desvalidos e numa só voz reza doçura e consola os que ficaram.

                        Minha dignidade se enegrece e beija o chão onde tu, meu amigo, caiu pela supremacia branca dos inúteis e fétidos humanos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.594(2020)

         

            Não estou onde poderia ou deveria estar

            Não estou não é porque não quero, talvez

            Não estou por algum fato desconhecido

            E que me leva a indagar se isso é valido

            Se é possível acontecer esse querer

            E esse viver na embriagues dos teus

Passos que me conduz apenas a ser

 

            Ah! essa enorme vontade em penetrar

            No seu cinza dos teus olhos fulgurantes

            Me perder no brilho do teu pardo olhar

            E os dedos em teus pelos eletrizantes

            Num ato de prazer e dor te acariciar

 

            Não estou onde deveria, no entanto,

            O estar ou não estar não é relevante

            O meu amor é sublime e constante

Sobrevivera à fúria e a paixão enquanto

Em meu coração houver a consciência

De que somos feitos um para o outro

Nesta luta pela eterna sobrevivência.

 

É isso... ou, não é?

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.593(2020)

          

            O que lhe dizer.

 

Tem cheiro de alegria a noite

De uma tristeza nostálgica onde

            O cinza dos seus olhos morenos

            Indagava de muitas coisas

            Que naquele momento não

            Sabia o que lhe dizer.

 

            Tem cheiro a noite de alegria

            Repleta de vozes ensurdecedoras

            Na busca de uma eterna felicidade

            Encravada nos poros e suores

            De cada pessoa sobrepondo

            Os batimentos de corações

            Que naquele momento não

            Sabia o que lhe dizer.

 

            A alegria daquela noite

            Não foi embora como pensavas

            Não ficou no passado esquecido

            Não se apagou dos seus olhos cinzas

            Apenas se prolongou na saudade

            Que hoje sei o que lhe dizer

            O que aquela noite não sabia

            O que lhe dizer.

 

            É isso...ou, não é?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.592(2020)

 Diário de um sentir – Caderno número 7.592(2020)

 

           

            Ando no gozo de sentir-me tragado no vórtice supremo da vida e nada me fará sair dessa provação a não ser com a cabeça erguida mesmo que venha tropeçar nas calçadas esburacadas e me sinta como um peixe fora água que não possa fazer borbulhas de amor morrendo para viver nova vida até que compreenda o acima e embaixo vibrando nas ondas do universo.

            É isso..., ou não é

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.591(2020)

         

            Busco em cada objeto uma história, talvez a minha que encravada em cada molécula está à espera de ser contada.

            Em cada objeto há uma história para ser contada, talvez a minha que encravada em cada molécula espera ser retirada a fórceps numa gestação difícil e prolongada.

            Se em todos os objetos há uma história para ser contada, talvez não sei a minha não tenha tanta significância...

            Merda.

            É isso... ou, não é?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.590(2020)

          

            Ela preparava a janta quando deu um grito. Um grito ensurdecedor que até foi ouvido na portaria e pelos vizinhos. Todos queriam saber o que tinha acontecido e todos se decepcionaram ao souberem o motivo do grito estridente. O pai que estava perto foi quem socorreu a filha que tremia e gritava: “Mata” e petrificada não saia do lugar. Com dificuldade o pai empurrou a filha que quase cai e, assim conseguiu matar a pequena aranha que saia do maço de alface que ela limpava. Tremendo exigia ver o pequeno aracnídeo esmigalhado para ter a certeza de que estava morta. Depois de ter tomado uns três copos de água foi que se acalmou. Não quis mexer mais na alface, o pai que teve de limpar a verdura senão eles não teriam salada na janta. Por ela teria jogado fora todo o maço, vai que teria outro aracnídeo escondida nas folhas, não é?

            É isso... ou, não é?

domingo, 20 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.589(2020)

         

            — Alo!

           

            — Sim, tudo bem.

            — Ih já vem com reclamações.

           

            — Espera... sim ... é o que estou lhe dizendo.

           

            — É faz tempo, não é?

           

            — Por quê? Não sei... Saudades, talvez, ajuda...

           

            — Eu... espere, não fale assim...

             

            — Então... Outro dia vi um filme em que o cara, era escritor, tinha quarenta e nove anos de idade se apaixona por um rapaz dezenove...

           

            — Não, bem... lembranças apenas...

           

            — Não... quer diz o final é daqueles que você fica em dúvida, como se diz, ah! final aberto, você imagina o que você quer. 

           

            — Olha, se estou te dizendo, caralho você não entende...

           

            — Ahn! Não, você não está me entendendo, cara, por favor...

           

            — É abre a cabeça, expande essa mentalidade ...

           

            — Já vou desligar...

           

            — Me arrependo de falar com você, é difícil, essa sua cabeça...

           

            — O que tem ela? Só acha que estou com segundas intenções... sendo maldoso... que não estou nem aí com você, com o que você possa estar sentindo...

           

            — É sim, é o que você me acha, estou cansado, sabia?

           

            — Sim, talvez por que não, sempre foi uma alternativa.

           

            — Tanto faz, não é, sabia...

           

            — Te liguei... saudades... precisando de ajuda....

           

            — Puta que pariu, sei que você não é psicólogo, psi que merda for, vou... entende...

           

            — O que?! Você disse isso? Não acredito!

           

            — Ouviu o clic?

           

            — Então... vou sim...

           

            — Bang! .... tum... tum... tum...

 

            É isso... ou, não é?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Diário de um sentir - Caderno número 7.588(2020)

            

            Eu sei, e você pode pensar que isso seja o que você está pensando que seja: uma carta, não é, mas lhe digo que não é propriamente uma carta, embora possa parecer, é apenas uma digressão do acontecido com uma pequenina pessoa em que, você e seus irmãos penso não queriam assusta-la mas o foi que aconteceu, a assustou simplesmente porque por não conhece-los, e por não conhecer a história oficial, aliás, não conheço nenhuma história que se diz infantil a  oficial, tirando algumas mais simples e corriqueiras, mas a sua e de seus irmãos não a conheço, conheço apenas essa adulçorada como todas as histórias que a Disney se intromete, não é, e por outro lado que mania de e porque fazer suas casinhas numa floresta que vocês sabiam da existência de uma fera como aquela, credo, porque não foram fazer em outro lugar, toda essa minha indignação é por que essa pequena pessoa viu a história adulçorada e se impressionou com a bendita fera nos três momentos em que ela derruba as casas, ficou quase uma semana medrosa, não queria ficar sozinha a noite, foi preciso uma pessoa dormir com ela, entende, e também, como pode assim que as casas foram terminadas, sem mais e sem menos aparece a fera faminta, quer dizer nem espera a sua casa ficar totalmente pronta, firme, bom era uma metáfora representativa do bem e do mal, isso, e outra coisa, quer dizer que se você não se esforça não se consegue nada, até aí entende e concordo, mas mesmo os esforçados precisa de distração, diversão e você dá essa impressão que não tem diversão nenhuma, apenas voltado para o que quer, e mais uma coisa, como o caldeirão esquentou rápido né para queimar o rabo da fera, poxa... vou parar por aqui...

            É isso...ou, não é?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.587(2020)

          

            Estou com o corpo pesado, as mãos enormes, parece que há um peso me puxando para baixo, me provocando, me arrastando nas ondas melódicas da música, que me deixa extático com o olhar perdido na aragem da tarde, são quinze horas e vinte minutos, o sol está a pino, dia até que bom, no entanto o tanto não me encanta e muito menos o canto que há no contracanto não provoca nem a mínima satisfação de ser ou estar mesmo porque sendo deverei estar ocupando o espaço que me é proposto quando fui no posto e não pude satisfazer o meu gosto pois você não estava lá para aquele abraço e assim voltei e tive que voltar pensando te encontrar no lar de pedras silenciosas e frias que não respondem minhas perguntas mesmo que as pronuncie constantemente todos os dias...

            É isso... ou, não é?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.586(2020)

        

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

           

            Vou deixar de lado esse projeto cinematográfico em que rememoro os filmes em que vi na minha infância e adolescência, isto porque, não estou vendo uma necessidade razoável e necessária, a não ser, exercitar essa porcaria de dedos e essa droga de cérebro que parada só pensa merda. Sei que não vou abandonar, mas no momento bateu... como se falava... ah! uma bad trip... não é isso... bem, uma bad qualquer, entende. Até tenho um exercício que uma amiga me enviou por e-mail que, por sinal é excelente, mas que também não vou fazer no momento. Bem, são seis horas e dez minutos de uma manhã que surge clara na promessa de um sol gostoso, chega de chuva e frio em plena primavera ou não é primavera...

            É isso... ou, não é?

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.585(2020)

          

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

           

            Voltando ao mundo cinematográfico.

            Quando da estreia do Os Cafajestes foi um fuzuê tremendo. Eram comentários nos jornais, revistas, rádios metendo o pau no filme. Chamaram de tudo quanto é nome, tanto o diretor quantos a atriz, principalmente ela, pois aparecia nua com nudez frontal, imagina a balburdia que foi. Não recordo em ter lido alguma coisa, mas creio que li sim, como era um fanático em leitura, lia de tudo, chegando até ler um livro sobre mecânica de automóvel, portanto devo ter lido alguma coisa sobre o filme. Sei que os marmanjos dominavam as filas que se fez todos os dias em que passou. Hoje não vejo o do porque de tanto fuzuê, na época achava que estava perdendo de ver um puta de um filmaço, pois era proibido para menores de dezoito anos, e nos dias de hoje não acho tanto assim importante em matéria de história, como cinematograficamente é um filmaço pela ousadia, pela técnica e outros itens que nos anos sessenta nem se pensava nessas coisas. Os Cafajestes, não sou um estudioso e muito menos entendo de cinema, deixou sua marca, talvez ultrapassado, como se diz, ficou datado, mas ele está aí para quem deve e pretende estudar cinema e principalmente o cinema brasileiro.

            É isso... ou, não é?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.584(2020)

        

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

            Vou fazer um parêntesis nesse histórico cinematográfico para contar o ocorrido ontem. Como bom idoso que sou e, por prezar a saúde que por sinal anda muito boa, fui ao laboratório para a coleta de sangue com a finalidade de fazer exame afim de controlar o maldito PSA, isto porque tive câncer de próstata precisando retirá-la. Mas como diria aquele personagem de um filme com a Shirley Maclaine e Jack Lemmom:

            — Bom, mas isso é uma outra história.

            Peguei o primeiro micro ônibus, passei a catraca, não é porque sou idoso – velho é trapo como dizia a grande pensadora minha mãe – vou ficar na frente para descer pela porta dianteira se tem lugar atrás. Digo isso porque tem velhos, digo velhos sim, porque tem alguns que valha meu Deus, insistem em descer pela porta da frente mesmo que tenha lugares depois da catraca, mesmo com o ônibus vazio.

            — É meu direito dizem.

            Dá vontade de dizer:

            — Peguem esse seu direito e...

            Passei a catraca e me sentei ao lado de um senhor, creio de seus quarenta e poucos anos. Nisso, o veículo nem tinha andado cinco metros, sinto que me tocavam o ombro, me viro para ver o que era, vejo um rapaz, moreno, magro passando tendo um mal súbito. Claro, o pessoal, eu, e mais alguns, com cuidado colocamos o rapaz deitado no chão. Ele se estrebuchava, com os olhos vidrados que logo depois fechou como se estivesse desmaiado.

            — Moto – que mania de abreviar palavras, moto! É motorista e não moto. Minhas netas toda a hora falam Pro eu pergunto para elas quem é Pro, e elas dizem:

            — Professora vô.

            Voltando ao rapaz. O motorista para o ônibus e sem saber o que fazer ficava perguntando se ele estava melhor. Até que alguém disse:

            — Vamos levar ele no Posto de Saúde e lá chamamos alguém.

            E assim foi feito. No Posto de Saúde foi chamado uma enfermeira que veio com a cadeira de rodas, colocaram ele e o levaram para dentro. E seguimos viagem. Então, dizendo um ditado clichê:

            — Saímos de casa e não sabemos o que nos pode acontecer ou, mesmo voltar, não é?

            Abraço amigo cinéfilo, amanhã continuou com o diálogo cinematográfico.

            É isso...ou, não é?

domingo, 13 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.583(2020)

        

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

            Continuando com essas reminiscências cinematográficas espero que esteja na santa Paz do confinamento e já tenha se acostumado com a máscara. Eu confesso que o confinamento não me atrapalhou em quase nada, gosto do meu sossego, de ficar comigo mesmo, já a máscara ainda não acostumei, mas vamos que vamos e nesse vamos que vamos, não consigo relembrar mais nenhum filme que possa  ter assistido no Cine Teatro Variedades, a não ser um pequeno acidente, não desastroso, mas aconteceu. A minha prima que não vou citar o nome, pois se esta chegar a suas mãos não quero que ela venha a me aporrinhar, entende. Ela me reconheceu na escuridão do cinema pela minha risada. Até aí nada demais, mas acontece que o seu comentário é que foi por um certo tempo gracejo entre os familiares.

            — Domingo passado descobri o Vardinho, no cinema pela risada. Estava sentado atrás de mim. Não sei o que ele achou de engraçado num filme ruim demais, não sai no meio do filme não sei por quê.

            Esse foi o seu comentário. O pior é que alguém, não lembro quem foi, penso que tenha sido minha mãe, retrucou.

            — O Vardinho ri por qualquer coisa, parece um bobo.

            E bobo fui chamado por muito tempo. Na hora fiquei indignado, mas depois não dei bola, e você sabe, se te colocam um apelido e você fica bravo aí que o apelido pega, e se você não dá bola eles acabam esquecendo, e foi o que fiz. Realmente, eu ria mesmo por qualquer coisa. E não deveria? Moleque, saindo da infância entrando na pré-adolescência não queria de saber de nada, queria apenas viver. Tanto é que ao servir o governo, servi no 17º Regimento da Cavalaria do Exército em Pirassununga, estava sempre pegando serviço por rir muito, isso nos três primeiros meses. Por causa das minhas risadas quase fui preso. Mas isso é uma outra história que não cabe aqui, apesar que daria um bom curta. Ah! o filme em questão era felliniano 8 ½.

            Abraço amigo cinéfilo.

            É isso... ou, não é?

sábado, 12 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.582(2020)

          

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

            Terça feira, feriado, frio, estamos na primavera, talvez esse ano tenhamos neve no Natal. Não gosto de frio, quero sol. Esse meu cérebro está pensando em abordar esse projeto pela dificuldade em trazer a tona os acontecimentos cinematográficos de sua infância, não sei, talvez aos tropeções como foram as anteriores, sim, foram aos tropeções pois, ao reler as duas ou três cartas anteriores vejo quão fracas estão, e também não sei se estas chegarão aos seus olhos. No entanto vamos continuando, os dedos precisam se exercitar assim, como o cérebro tenho que colocá-lo em movimento, cérebro parado é sinal de pensamentos negativos, não é. Na anterior, na carta de sete mil e quinhentos e oitenta e um descrevi, tentei né, descrever como era o Cine Teatro Variedades, não sei se a empreitada foi sucesso. Assisti muito filmes nesse cinema, mas o que me vem a mente são apenas três clássicos da filmografia italiana: A Doce Vita, 8 ½ e Os Irmãos Roccos. Evidentemente que não entendi nada do conteúdo e não estava interessado nessas questões, somente a história que me interessava, um pouco dos atores e atrizes pois, eram eles que levavam o público ao cinema. “Hoje vai passar um filme com tal ator, vamos?” “Ah! com esse ator? Então o filme deve ser bom” esses eram os comentários, para nós pouco interessava o diretor, a fotografia, a música, coadjuvantes, e outras características, entende. E ao passar pelos enormes cartazes de Os Irmão Roccos ficava imaginando como seria o filme, para mim tinha a impressão de que era um filme de ação, de mafiosos, de bandidos, pois era proibido para menores de dezoito anos, foi uma das minhas frustrações cinematográficas. Nem sabia que era de Luchino Visconti, apenas sabia que era estrelato pelo Alain Delon, e isso para mim significa que o filme era bom. Só mais tarde, na febre dos DVDs pude me inteirar totalmente das características gerais da película. Mas, nos meus dez ou doze anos apenas queria diversão e o cinema era a minha diversão. Não sei se também, se foi nesse cinema que vi pela primeira vez O Leopardo, com a bela Claudia Cardinale, Burt Lancaser e outra vez, Alain Delon, só esses três nomes já dizia que o filme era bom e, no entanto, para um pré-adolescente que nada entendeu, saiu do cinema um pouco decepcionado. Bom é isso amigo.

            Abraço amigo cinéfilo.

            É isso ... ou, não é?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.581(2020)

    

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

            Neste domingo feio, temperatura baixa, primavera, vejo que a empreitada vai ser trabalhosa, isto porque, depois desses dois lances da igreja que, penso eu, foram os meus primeiros contatos com a telona, não consigo lembrar na ordem qual foi o primeiro filme longo que tenha visto. Na minha cidade natal havia três cinemas que, creio que em todas as cidades foram engolidos pelo progresso das merdas dos shoppings, praga para alimentar os consumistas desvariados que não tem nada o que fazer. Vou tentar descrever esses três antros de diversão das molecadas do meu tempo, digo antro positivamente, entende. O Cine Teatro Variedades ficava de esquina, um prédio bonito com seus traços, não sei se barrocos ou modernos, não entendo, quer dizer não fiz uma pesquisa. A bilheteria ficava bem na esquina, pois nessa parte era arredonda, na era uma esquina com as paredes retas, acho que compreende, né, aos sábados tinha espetáculos ao vivo com apresentação de artistas de variados performances, cantores, mágicos, contorcionistas, palhaços e a rádio local apresentava os programas de calouros. Não cheguei ver nenhum, pois quando morei lá já não tinha mais esses espetáculos. Na entrada, sua porta era de vidro com desenhos rebuscados, o hall tinha balcões que se podia comprar balas, doces, pipoca e poltronas, engraçado, não lembro dos banheiros onde eram, e quando se passava a porta do hall para a sala de espetáculo era uma coisa sem explicação, imenso, as poltronas com seus estofados azuis... não lembro, mas, penso que eram de couro que ao se levantar elas se fechavam, a tela hipnótica imensa com sua cortina escura ou vermelha, sentávamos quase como se estivéssemos em frente a algo estupendo, entende, e quando soava o sinal de que o espetáculo logo começaria era um corre-corre para sentar, o silêncio imperava, primeiro era os trailers, depois vinha o tele jornal de Jean Manzzon, nessa altura a plateia começava a ficar inquieta, não queria saber nada do que se passava na alta sociedade da metrópole, mas quando a notícia era futebol... ai a zoeira era enorme, xingavam, gritavam, e no final do jornal tinha sempre alguém que gritava:

            — Até que enfim, começa logo essa merda.

            E extáticos ficávamos com os olhos grudados na tela, eram momentos mágicos.

            Abraço amigo cinéfilo.

            É isso... ou, não é?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.580(2020)

     

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

            Caro amigo para dar continuidade, precisarei mencionar duas igrejas da minha cidade natal. Creio que espantado você dirá: Igreja! O que a igreja tem com o cinema. Espera que explicarei neste dia de primavera chuvoso e meio frio. Não sei se reparou, em todas as igrejas, isso no interior, na cidade grande não, apesar que no começo poderia ter existido, em todas elas há um belo jardim a sua frente ou um quarteirão arborizado com bancos e em algumas com coreto que chamamos de Praça. Então, exatamente nessas duas igrejas que mencionarei aqui, havia praça ou jardim a sua frente. Na primeira que abordarei era o Jardim da Matriz por ter a Igreja da Matriz onde, creio que surgiu a minha cidade natal e, uns dez quarteirões depois o bairro da Boa Morte com sua igreja e seu jardim da Boa Morte, esse mais bonito que o da Matriz, porque nele havia, é havia uma bela e enorme árvore secular bem no meio, me disseram que foram obrigado a arrancar a coitada por estarem suas enormes raízes abalando as casas ao redor. Ora, deveriam era tirar as casas abaladas do que a árvore, não acha? E o que pior, hoje elas devem estar cercadas por causa de vândalos e moradores de rua. Triste, né! Mas é o preço do progresso. É nessas duas igrejas, creio, tive meu primeiro contato com o cinema, no salão da Igreja da Boa Morte vi, penso eu, muitos filmes mudos, principalmente do Gordo e o Magro, e me vem a mente senhoras rindo desbragadamente sem pudor. Na Igreja da Matriz depois da missa corríamos para o cinema que ficava perto para assistirmos a sessão Zig Zag e não perdermos o seriado que passava todas as semanas. Assistíamos a missa com o olho no relógio ou quando o padre dizia: seculorem amém, pois sabíamos que era o fim da missa. Saímos antes de todo mundo e as vezes empurrando as pessoas. O ato religioso terminava sempre as nove horas e o início da sessão era as noves, então saímos cinco minutos antes, chegávamos sempre no começo quando as cortinas do cine Teatro Variedades se abriam e os letreiros anunciava o seriado. Sentávamo-nos no primeiro banco desocupado que encontrávamos. E por quase uma hora nos desligávamos da vida real e entravamos na vida fictícia torcendo para o mocinho vencer...

            Abraço desse amigo cinéfilo.

            É isso... ou, não é?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.579(2020)

    

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

                       

            Olá como vai, meu amigo? Espero que tudo bem. Bom como disse anteriormente, o segundo motivo em escrever em forma de diário missivista ou, missivista diário, é que tenciono, claro que minha mente não é das melhores, descobrir quando tive pela primeira vez contato com a telona, isto é, quando ou que idade, o que é difícil, vi meu primeiro filme. Evidente que será divagações do que provavelmente poderia ter sido. Assim como, não tenho noção do porquê ou o que me fez me conectar com você. Posso afirmar ao ler uma crítica sua sobre algum filme que eu tenha assistido e, por outro lado, ter-me deslumbrado com sua idade e inteligência. Além da minha admiração, fiquei com ciúme ou inveja, pois na sua idade morando no interior, apesar de ler muito, não tinha ambição literariamente falando na espera de algo que pudesse mudar minha vida. Infelizmente, como nada fiz em relação a isso, minha vida continuou na rotina de sempre e nada me aconteceu. E o que me vem à mente são pequenos flashes do que poderia ser, portanto não se pode confiar plenamente no que direi, não é? Há pessoas que lembram de acontecimentos ocorridos em pequena idade, aos três, quatro ou mesmo cinco anos, infelizmente não tive esse dom. Também não sei se você lembra quando teve contato pela primeira vez com a telona. Minha infância, pré-adolescência e adolescência foi no interior onde tínhamos como laser o cinema. E pelo que me lembro desde tenra idade, talvez, aos sete anos ia sozinho ou com meus primos aos sábados à noite onde assistíamos dois filmes que seriam reprisados aos domingos à tarde na matiné, e aos domingos à noite, isso quando não era proibido para maiores de dezoito anos. Vou parando por aqui para que está não fique longa e possamos termos assuntos para as futuras, não é mesmo?

            Abraço desse amigo cinéfilo.

            É isso... ou, não é?

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.578(2020)

      

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

            Permita-me primeiramente em chamá-lo dessa maneira? Isso cria uma intimidante mais abrangente, já que nós dois gostamos de filmes, claro, você mais que eu. E o outro motivo dessa em forma de missiva, é que antigamente fui um grande missivista, gostava de escrever longas cartas, envelopá-las, fechar, selar e enviá-las pelo correio. Era fascinante com a caneta bic, numa letra miúda preencher as vezes duas ou três folhas. Sabe que cheguei a escrever mais de dez cartas em um dia? E as correntes, com cinco nomes e endereços, você escrevia para o primeiro nome da lista, apagava e colocava o seu no fim e, com isso se esperava receber uma infindável de cartas, o mesmo se acontecia com cartões postais, coisa que fiz e nunca recebi nada. Gostava de escrever, de receber, o olhar o remetente:

            — Poxa! Que legal, até que enfim fulano respondeu.

            E sofregamente abrir a carta e deparar com a letra do remetente. Era prazeroso. Escrevíamos sobre todos os assuntos, com missivista de todos os lugares do país. E a ansiedade era tanta a espera de uma resposta, num tempo que os correios demoravam para entregar as correspondências, quase sempre extraviava uma ou outra.

            E a internet chegou e com ela veio o ICQ, Messenger, Skype, E-mails – chegava a receber mais de quinhentos por dia – Sites, Orkut, Facebook e por fim o maldito WhatsApp e com isso acabou-se o romantismo de escrever longos textos, ninguém tem mais paciência em escrever e ler conteúdos bons, positivos, hoje o que manda é a rapidez, abreviações mantando a ortografia, a gramática.

            Assim demonstrei em rápidas palavras o primeiro motivo dessa ser nesse formato como uma carta. Amanhã lhe direi o segundo motivo que espero venha me entender.

            Com abraço desse seu amigo cinéfilo.

            É isso... ou, não é?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.577(2020)

             Bom dia. Inicia-se a semana na promessa de correr bem, nos trinques como se diz na gíria, e assim os passos dessa vida comprida e só me levará a ermos caminhos conhecidos e desconhecidos, mas é preciso lembrar que nas esquinas não estamos mais com os nossos cabelos jovens, pois aqueles jovens hoje estão com cinquenta ou mais até, mesmo assim, não podemos esquecer as intrigas, as histórias do passado para que possamos lembrar do futuro e entende-lo e não perdermos a nossa cultura, a nossa propriedade como um pais, a nossa dignidade, vamos preservar o que é nosso, cultuar o que é nosso e não cultuar estrangeirismo babaca de sustos e medos, vamos ser livre nada de seguir a cartilha do servilismos, fazer isso ou aquilo porque eles querem, tem que ser como a gente quer, soltar o medo, soltar a angustia, a dúvida, expandir a consciência na busca de conhecimento para termos poder e não ser preso nas aberrações do cotidiano, dos paradigmas inúteis, das autos sabotagens que nos mantem presos nessa rotina do dia a dia vigente, vamos criar o nosso dia a dia pulsante, vivo, como queremos e não como eles querem, vamos viver a nossa vida...

            É isso... ou, não é?

domingo, 6 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.576(2020)

             Mais um dia. Mais um sábado. Mais uma semana. Mais uma vida que segue. Vamos soltar palavras aleatórias neste papel tela, vamos deixar a mente correr solta por meandros da escrita e ver se alguma coisa de útil sai e que se possa aproveitar, vamos dedos trabalhem, não sejam molengas, mas para os dedos se movimentarem precisam receber ordens da mente ou do subconsciente ou mesmo do consciente, entendem, sim entendo, mesmo assim é preciso que se navegue por palavras nunca dantes navegadas, não é, e você tem essa capacidade de caminhar em palavras desconhecidas nunca pronunciadas, nunca escrita, tenho um pouco de praticidade, ainda não sou um exímio explorador, mas aos poucos vou aprendendo, sei...

            É isso... ou, não é?

sábado, 5 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.575(2020)

             Olhou a volta. O que tinha? Bugigangas e mais bugigangas. Celular, caderno, folhas soltas, chaveiro, fones de ouvidos, caixa de som, controle remoto do aparelho de som, dinheiro, máscara, livros e mais livros, impressora, porta lápis ou canetas, HD externo, anéis, cortador de unha, alicate, canetas, bugigangas que faziam com que ele vivesse, que seguisse em frente. E nos afazeres do dia a dia monótono seguia com passos firmes, decididos, pois tinha querendo ou não completar o seu ciclo de vida.

            É isso... ou, não é?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.574(2020)

            Feliz ano novo.

 

            Dona Amélia acendeu as duas velas, fez o sinal da cruz e se levantou agradecendo a santa de sua fé por mais um ano que todos estavam juntos, filhos, genros, noras, netos e a caminho o primeiro bisneto, até o namorado do seu filho estava com eles. Com o peito leve saiu do quarto. Ao chegar na sala ouviu o primogênito dizer:

            — Quem vai discursar esse ano?

            Todos olharam um para o outro quietos. E logo seguida sem esperar resposta disse:

            — O Norberto.

            Na mesma hora Norberto retrucou:

            — Não, eu não, sou tímido, não sei falar em público, passo a minha vez.

            — É né, tímido, sei, mas para...

            — Cala essa boca Francisco, retrucou Dona Amélia.

            — Isso mesmo irmão, não fale besteira, falou Fabio abraçando Norberto

            — Não ia dizer nada, eita gente desconfiada.

            — Te conheço, irmão.

            — Isso mesmo, Francisco fecha essa boca pecadora.

E virando-se para o namorado do seu filho Dona Amélia perguntou:

— Norberto vai fazer o discurso ou não?

            Todo envergonhado Norberto se levantou e de leve com a colher bateu no copo.

            — Ok, pessoal. Por favor a atenção. Apesar desse ano ruim com a pandemia que passamos, temos sorte de todos estarmos aqui. Quero agradecer a todos o carinho por me aceitarem, sei que fiquei faltando com vocês, principalmente com Norberto que ficamos todos esses anos separados. Te amo, Norberto. E espero ver em todos os rostos a satisfação e alegria nesse dia, agradecermos a Deus e mais uma vez obrigado.

            E ao som de viva e aplausos, Norberto beijou Fábio.

            De repente se fez um enorme silencio. Na porta da sala apareceu um casal jovem com os olhos assustados como se descobrissem algo extraordinário.

            — Rodrigo, Gisele o que vocês estão fazendo aqui?

            — Recebemos um telefonema de Dona Amélia nos convidando.

            — Filho deixe te explicar...

            — Pai, não precisa explicar nada, entendemos, Dona Amélia conversou com a gente por muito tempo e concluímos que cada um deve viver a sua vida.

            — É o que sempre tentei te explicar, mas parecia que vocês não entendiam isso.

            — Sim, Senhor Norberto, desculpe o que falamos outro dia, queremos que o Senhor seja feliz.

            — Obrigado, meus filhos, me deem um abraço, e desculpe também pelo transtorno que causei a vocês e aquele bate boca que tivemos, também quero que sejam felizes.

            Nisso Fabio chegou perto e se apresentou:

            — Prazer, Fabio. Quantos meses?

            — Desculpe, Fabio meus filhos Rodrigo e Gisele e meu futuro neto.

            — Prazer Rodrigo.

            — Já escolheram o nome?

            — Sim, Fabricio.

            — Bonito nome.

            — Venham, vamos comer, se acheguem, disse Dona Amélia para Rodrigo.

            — Desculpe, Dona Amélia, não vamos ficar, só passamos porque a senhora nos convidou e para ver e me desculpar com o meu pai. Agradeço por essa ajuda, tirou um peso dos nossos ombros. E ao senhor, meu pai, mais uma vez seja feliz, não estamos mais magoados com o senhor, entendemos que cada um tem que ter a sua própria vida seja ela qual for.

            — Obrigado, meu filho. Não querem ficar mesmo?

            — Não, combinamos com os pais da Gisele...

            — Entendo. Vão em paz, então.

            Pouco tempo depois.

            — Fabio.

            — Desculpe, fuçar o seu celular. Vi que você estava meio triste, peguei o número do seu filho, aliás tem por quem puxar, bonito como o pai, e pedi para minha mãe ligar para ele.

            — Está desculpado, foi por uma boa causa.

            — Que foi, querido, está chorando?

            — Não, estou emocionado.

            — Bobo. Vamos nos alegrar.

            — Estou alegre.      

            E erguendo os copos.

            — Feliz ano novo.

 

            É isso... ou, não é?

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...