Paulinho da viola e seus sambas. O que
escrever? Desenhar. Ler. Limpar a casa. Fazer comida. Geladeira quebrada.
Cansaço de não ter canseira. Tirar outra selfie. Ligar para os amigos. Dançar
no meio da sala. Tomar outro banho. Ver um filme. Comédia. Drama. Terror.
Postar no Face. No Instagram. No story. No blog. Continuar o conto. Iniciar
outro. Lavar roupa. Lixar os vasinhos. Pintar os que estão prontos. Estudar
mecânica quântica. Ouvir os vídeos do Youtube. Ouvir o Professor Hélio Couto. Bom vamos fazer com que essa carcaça reage e
se envolva em alguma coisa para não ficar pensando em besteira. E fazer
besteira sozinho não tem graça. Risos.
domingo, 31 de maio de 2020
sábado, 30 de maio de 2020
dados
para o amigo Osvaldo Pastorelli
é suposto que voe
o que é alado.
é suposto ser poema
o que é rimado.
e cada um ao seu modo
constrói sua fantasia
erige a sua verdade
por dicotomias:
se não é noite... é dia
se não é alegre... é triste
se não é campo... cidade.
aqui da minha janela
aberto a qualquer melodia
decido-me pelos dados
que mesmo tendo seis lados
não tem nenhum errado
ou que se preste a teorias.
Fred Matos
quinta-feira, 28 de maio de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.435(2020)
O “Eu” está chateado. Lembram que ele propusera
de sairmos e pegar o metrô para escrever? Então, agora como temos que ficar
confinados nessa quarentena ele me cutuca para fazer algo semelhante, mas
“preso” dentro da nossa própria casa não há muito o que fazer no sentindo de
escrever como me propusera, entende. Até parece que quem está doente somos
nós. Né não?
quarta-feira, 27 de maio de 2020
A borboleta.
O domingo amanhecera frio. Tinha
aberto as portas e a janela da sala, mas resolveu fechá-las por causa do vento
frio. Ligou o som e deixou se levar pela música. Em passadas curtas ia e vinha
de uma parede a outra deixando a melodia invadir a alma, quando ao chegar perto
da janela viu uma borboleta voando de uma flor a outra no jardim. Dali a pouco
ela pousou no vidro fechado. Devagar abriu a janela e a borboleta invadiu a
sala dando um giro de reconhecimento. Chegou perto dele, e pousou em seu ombro
esquerdo. Por uns minutos ficou quieta. Ele prendeu a respiração, queria
prolongar os instantes mágicos, mas como tudo não pode ser para sempre, a
borboleta levantou voo e saiu pela janela aberta. Vendo-a desaparecer entre as
flores, fechou a janela e se deitou na poltrona adormecendo logo em seguida.
Do aparelho de som a música suave completou a
cena.
terça-feira, 26 de maio de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.446(2020)
As
seis regras do O milagre da manhã.
Vamos
lá, mais um dia de regras. Mais um dia de frio. Um frio maior que o de ontem?
Não, talvez não. Ontem praticamente não fiz nada. Por ser domingo? Não, pois
para mim, aposentado se o dia é domingo, segunda, terça ou o dia que seja, não
tem fundamento nenhum, pouco me importa, principalmente neste confinamento. Se
não houvesse o confinamento, talvez me importasse mais, isto porque, eu
desejaria estar em casa, desejaria e lutaria para estar domingo e sábado em
casa. Não ficaria muito tempo sem ouvir música, sem desenhar, se fazer coisas
que para mim, pode não ser urgência, e não é, mas que me faz seguir adiante, um
passo de cada vez, um instante após o outro me imprimindo na vida, no mundo,
nas pessoas que a mim se sentem queridas. Nesses minutos marcados pelo relógio
do celular é impossível conectar as ideias no sentimento de capturar e sentir
as palavras. No entanto os dedos ao comando da mente, digitam palavras
seguidamente como seguidamente é um dia atrás do outro. Mecanicamente, isso é o
que os dedos fazem, agem mecanicamente. Não sei em que sentido isso me levará,
em que proporção caminharei...
É
isso aí.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Os amantes.
Saíram os dois do box. Cada um pegou a sua
toalha e começaram a se enxugar um ao outro. Começaram carinhosamente pelos
cabelos, lentamente passaram para a testa, os olhos suaves nos gestos, primeiro
o direito e depois o esquerdo, em seguida o nariz, e ao chegarem aos lábios
entrou uma borboleta pelo pequeno vitrô e pousou nas duas mãos que estavam
juntas. O momento se congelou, ninguém se mexia, sorriam com os olhos, nisso um
bando delas pousaram cobrindo os dois. E assim ficaram por instantes e
instantes depois voaram todas juntas e as duas toalhas caíram ao chão vazias
dos corpos. Uma retardatária num esforço que suas asas conseguiam saiu de uma
das dobras da toalha e voando foi ao alcance das amigas.
Lá fora o sol surgiu timidamente nesse
domingo que amanhecera frio.
domingo, 24 de maio de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.445(2020)
As
seis regras do O milagre da manhã.
A
primeira vez que soube sobre esse livro, O milagre da manhã foi no canal O
conselho, de John Felix e, ao me deparar com o audiolivro no YouTube passei a
me considerar em praticá-lo. E aqui estou no último exercício que é o do
escrever. Portanto vou tentar transmitir em letras os atos que me levaram a tal
prática. O primeiro exercício que é o silencio foi-me um pouco, como posso
dizer, maçante, não sei se é para ficar sem se mexer e, isto é, se ao meditar
há a necessidade em ficar imóvel e, uns segundos depois, precisei me mexer, as
pernas passaram a irritar, alonguei os braços, passei as mãos no rosto, bem
fiquei os minutos seguintes me mexendo, mas creio que seja a falta de costume.
As
regras seguintes foram fáceis, talvez o que posso dizer que foi maçante, foram
os exercícios, como não estou acostumado senti certa dificuldade que,
contornado com movimentos lentos e sem muita flexibilidade, consegui realizá-los.
Portanto, vamos encarar essas regras daqui para frente, esperando dar resultado
satisfatório. E creio que já posso considerar como tal, isto porque, estou
escrevendo como as palavras me vem à mente, sem me preocupar com o que estou
escrevendo.
É
isso.
sábado, 23 de maio de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.444(2020)
O
que fazer?
Deito-me
e me levanto. Deito-me e me levanto. Deito-me e me levanto. Deito-me e me
levanto. Deito-me e me levanto. Deito-me e me levanto. Deito-me e me levanto.
Deito-me e me levanto. Deito-me e me levanto. Deito-me e me levanto.
Três horas da
madrugada. Vou ao banheiro.
Deito-me e me levanto.
Deito-me e me levanto. Deito-me e me levanto. Deito-me e me levanto. Deito-me e
me levanto. Deito-me e me levanto.
Quatro horas da
madrugada. Bebo um gole de água.
Deito-me e me levanto.
Deito-me e me levanto. Deito-me e me levanto. Deito-me e me levanto. Deito-me e
me levanto. Deito-me e me levanto.
Quatro e meia da
madrugada. Levanto-me. Sento-me na cama. Os pés dentro chinelo. Olho o vazio do
quarto. O guarda-roupa a minha frente. Levanto-me da cama. Na cozinha abro a
geladeira. Fecho a geladeira. Bebo água. Encho o filtro. No banheiro dou uma
mijada. Olho no espelho.
— Bonitão, digo ao eu
que vejo e faço uma careta.
Penso em deitar-me,
desisto, sei que ficarei rolando na cama. Desisto. Vou prá sala. Ligo o
notebook lerdo que é preciso deixar carregador ligada constantemente, pois a
bateria está cansada, preciso trocar. Enquanto o note abre, vou na cozinha pego
um pacote de bolacha e, ao abrir, ao tentar puxar aquela tirinha vermelha o
papel rasga e as bolachas se esparramam na mesa sujando de migalhas. Olho para
aquilo enfastiado. Pego um punhado e volto a sala. O note ainda não abriu.
Enquanto espero jogo um joguinho bobo no celular. Dali vários minutos o note
abriu, até que hoje foi rápido. Abro o Word e estou aqui escrevendo essas
palavras vazias de conteúdo, elas não traduzem realmente todo o sentimento
deste que vos escreve.
Sabe o que ocorre? É
preciso fazer tal coisa. Ah! Tenho bastante tempo, deixo para depois. Ou então,
você começa a procurar coisas para fazer, pois você já desenhou hoje, já
escreveu hoje, já ouviu música hoje, - aliás música ouço todos os dias, menos a
parte da manhã para não acordar a vizinha , - aí você começa inventar coisas
para fazer nesse tempo bastante que tenho. Olho as fotos das netas, os vídeos
que fiz, invento novos vídeos, vejo vídeos pornôs, revejo filmes antigos,
procuro os novos, mas devido o conteúdo pobre dos filmes de hoje desisto...
bocejo... ahn! Bocejo? São seis horas e quinze. O dia está raiando.
Deito-me e só vou
acordar... quando acordar venho aqui para lhes dizer, está bem. Até...
sexta-feira, 22 de maio de 2020
Série desenho 71
Coração olhos
Coração olhos que tudo vê
Que se entrega e se integra
Ao paradoxo das imagens
Em movimento ou abstratas
Coração aflito chora silêncio
Diante da violência desenfreada
Da fome nas esquinas enraizada
No sorrir mudo da ressequida pele
Coração olhos pulsa o sangue
Empedrado nas veias da cidade
Cateter da sobrevivência exigida
Que no aconchego do sofrimento
Serve-se da fria bebida ansiedade
Nos braços do sombrio tormento
desenho: pastorelli
quinta-feira, 21 de maio de 2020
Série desenho 74
D
De Denise
Aliás, duas Denise
A Denise do Junior
E a Denise do Kuka
Duas queridas amigas
Duas belas mulheres
Fortes, valentes, lutadoras
Sabem o que querem
Sabem o que desejam
Sabem o que amam
A vocês duas deixo
Com essas palavras
O meu obrigado
De coração
Por cruzarem
O meu caminho
desenho: pastorelli
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Série desenho 75
D amarrado
Amarrado
Destroçado
Amordaçado
Derrubado
Nunca
Vencido
Nunca
Perdido
Sempre
Lutando
Amando
Vivendo
Um dia
Poderei
Tê-la em
Meus braços
Quem sabe?
desenho: pastorelli
terça-feira, 19 de maio de 2020
Série desenho 76
De olho no esperma
Estava de olho. Não devia perder nada, nem um segundo,
os olhos não possuíam os momentos precisos, fazia o possível, esperava que seu
desempenho fosse, pelo menos, razoável. Já estava mais de vinte minutos no vai
e vem. A pele do prepúcio começava a irritar. Diminuiu a intensidade dos
movimentos. O suor escorria pelas costas, ensopava os pelos do corpo.
Preocupado perguntava-se: “Será que broxei?” Não, gritou a mente, essas coisas
acontecem com os outros não comigo. Recorreu às revistas, nada. Ligou o
televisor, nada. “Sou macho, sou potente, caralho.” Nisso, sem ter muita
certeza, sentiu o clímax se aproximando. O que precisava fazer era segurar um
pouco, infelizmente não deu tempo. O jato saiu com força e grudou no azulejo
branco. Numa agilidade impressionante conseguiu que o segundo jato se alojasse
no fundo do copinho. Suspirou aliviado. Missão cumprida. Tampou o copinho, se
limpou, entregou a ficha e a coleta no balcão que lhe fora indicado. Saiu do
laboratório recebendo a alegria do sol achando-se o homem perfeito.
desenho: pastorelli
segunda-feira, 18 de maio de 2020
Série desenho 77
De
Demais a mais
Dentre as coisas que eu quero
Dentre as coisas que não quero
Decifrarei o certo do errado
Demonstrando sabedoria
De poeta medíocre
De ínfima inspiração
Demais a mais
Dentre do que eu digo
Dentre do que eu não digo
De repente surgem palavras
Desmistificando o aprendiz
Destruindo o poema
De maneira que nada digo
Deu para sacar?
desenho: pastorelli
sábado, 16 de maio de 2020
Série desenho 78
De Ce
Dezesseis tinha quando casou
Dezessete quando nasceu a filha
Dezoito quando ficou viúva
Dezenove quando se juntou com
Decemais e felizes foram para sempre
desenho pastorelli
quinta-feira, 14 de maio de 2020
Série desenho 79
Dedo na chupeta
Todo o dia entre os dedos da filha estava a chupeta.
Vício horrível diziam. A mãe já fizera
de tudo, mas não tinha jeito. O pai prometera brinquedos, doces, passeios e nada
adiantou. Resignaram-se.
Passados vinte
anos, Dorotéia conheceu Joãozinho. Perdeu o vício da chupeta entre os dedos. E
com isso viveram felizes para sempre.
desenho: pastorelli.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
Série desenho 80
Dedos e bicos
Dedos arrepiam a pele adormecida
Bicos se elevam por baixo da camiseta
E sonhos libertam desejos
No dia a dia da vida
desenho: pastorelli.
terça-feira, 12 de maio de 2020
Série desenho 81
Dedo no olho
Dedo no olho
Dedo na boca
Dedo na toca
Dedo no repolho
Dedo no nariz
Dedo no pé
Dedo no café
Dedo no juiz
Dedo pentelho
Dedo inquisidor
Dedo bedelho
Dedo provocador
Dedo carvalho
Dedo devastador
desenho: pastorelli
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Série desenho 82
Dedos
Dedos da mão
Dedos do pé
Dedos de chulé
Dedos e dedão
Dedo moleque
Dedo fura bolo
Dedo de tolo
Dedo serelepe
Dedo indicador
Dedo mindinho
Dedo provocador
Dedo de mansinho
Dedo aliciador
Propicia carinho
desenho: pastorelli
domingo, 10 de maio de 2020
Série desenho 83
Defunto
Um silêncio de ruídos abafados, vozes sussurradas ao
pé do ouvido, passos leves no assoalho antigo, aroma de café requentado, reza a
meia voz, reinava em volta do caixão colocado no centro da sala. Esposa,
filhos, parentes, amigos, conhecidos e curiosos, numa referência à morte,
permaneciam cabisbaixos em respeito ao defunto.
Apenas uma criança de seus oitos anos, sentada no colo
da mãe, olhos arregalados sem entender o que se passava, por mais que
explicassem, permanecia impassível a tudo aquilo. Tagarelava com a mãe, com as
pessoas ao lado, impaciente queria descer, andar, não sabia o do porque que o
prendiam ali, num lugar sombrio onde as pessoas choravam e falavam baixinho.
- Fique quieto, João Cláudio Jr, respeite o vovô que
morreu.
Nisso, vindo do caixão, ouviu-se um som como se fosse
flatulência sem que alguém pudesse explicar. Talvez, por estar horas deitado,
os gases que davam a aparência de inchado ao defunto, naquele momento foi expelido.
Ninguém ousou se pronunciar, todos ficaram quietos como se nada ouviram. João
Cláudio Jr. safou-se do colo da mãe e, chegando bem perto do caixão, disse com
uma dignidade autoritária:
- Oh! Vô não tem respeito não, peidar na frente de
todo mundo.
E com toda a ingenuidade, para o espanto da mãe e dos
presentes, voltou para o colo materno e ficou quieto o velório todo.
desenho: pastorelli
sábado, 9 de maio de 2020
Série desenho 84
Deitado
O domingo tinha amanhecido claro, poucas nuvens, com
um sol tímido, mas que prometia. Lá pelo meio dia, manchas escuras começaram a
se formar para, logo em seguida, cair pequenos e longos fios de água que aos
poucos foram se engrossando num temporal ensurdecedor de vento e granizo.
Janelas e portas rapidamente foram fechadas. Trovões e relâmpagos encheram o
domingo de medo e terror.
Apenas dois olhinhos castanhos escuros permaneciam
fixos no vidro da janela, observando a enxurrada levar tudo o que encontrava de
roldão. Até um corpo deitado numa tábua engolido pelo bueiro. A dona dos
olhinhos castanhos escuros brilhou contente ao mesmo tempo em que um relâmpago
cruzou o céu escurecendo o dia.
desenho: pastorelli
sexta-feira, 8 de maio de 2020
Série desenho 85
Devaneio surrealista
Deitado na cama me vejo no berço da humanidade, onde o
individuo deixa de ser individuo para se tornar pó na multidão de desvalidos.
Arregaço as mangas e jogo o caroço no lixo das memórias abortadas pelo egoísmo
de ser somente ser e nada mais. Carrego a estrutura evitando a queda do
alicerce da história e assim, fixar a minha história na história de alguém.
desenho: pastorelli.
quinta-feira, 7 de maio de 2020
Série desenho 87
Dois olhos
O esquerdo
E o direito
Entre eles
O feio nariz
Mais abaixo
A boca
E o queixo
E completando
As orelhas
Pronto: temos
Um rosto
Uma face
Uma máscara
Para uso
De todos
Os dias
desenho: pastorelli.
quarta-feira, 6 de maio de 2020
Série desenho 89
Duas irmãs
As duas irmãs conversam na esquina da Avenida São João
com a Ipiranga. Distraídas não percebem o carro que passa por elas e,
desgovernado, entra pela porta de vidro do banco. Um corre-corre, vidros
estilhaçados, gritos, polícia, correria, tiros e o corpo das duas irmãs
estiradas na calçada em meio a uma poça de sangue.
desenho: pastorelli
terça-feira, 5 de maio de 2020
Série desenho 90
E
E vamos que vamos
E cai não cai
E sobe e desce
E chora e ri
E que porcaria
É a vida
Uma hora alegre
Outra hora triste
E vamos que vamos
Num sobe e desce
Na corrida ou na preguiça
Caminhamos a ladeira
Cantando ou chorando
E cai não cai
O balão aqui
Na minha mão
E viva São João
Viva!
desenho: pastorelli.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Série desenho 91
Ele e Ela
Ele olhou para ela
Ela sorriu para ele
Ele deu uma bofetada nela
Ela sorriu para ele
Ele enfiou o dedo nos olhos dela
Ela sorriu para ele
Ele quebrou o nariz dela
Ela sorriu para ele
Ele puxou o cabelo dela
Ela sorriu para ele
Ele deu várias facadas nela
Ela sorriu para ele
Ele foi embora sem entender nada
Ela sorriu para ele
Ele cego não viu o amor dela
desenho: pastorelli.
domingo, 3 de maio de 2020
Série desenho 92
Ela e ele
Ela o traiu
Ele o suicídio
Ela não se importou
Ele se recuperou
Ela esquecera o que fez
Ele não a perdoou
Eles nasceram
Um para o outro
desenho: pastorelli
sábado, 2 de maio de 2020
Série desenho 93
Fratricídio
Fratricídio Feitosa da Fonseca ao chegar, depois de um
dia estafante, em casa, estranhou o silêncio. Quer dizer, a casa sempre foi
silenciosa, mesmo nos fins de semana, só que aquele dia parecia mais que nunca,
um silêncio pesado, sufocante, como se estivesse ou já estivesse acontecendo
algum fato que marcaria o dia inteiro e, talvez, a vida toda. Fratricídio
depois que fechou a porta, jogou as chaves na mesinha, colocou a pasta no sofá,
e na cozinha tomou um gole de água gelada.
Através de meia fresta da porta, inspecionou o pequeno
quintal e viu que ali não tinha ninguém. Passou pela sala, subiu o pequeno
lance de escadas e, ao chegar ao topo, foi que notou uma espécie de gemido,
talvez dor, ou outro tipo de gemido que não conseguia definir. Pisando em ovos,
abriu à porta do quarto de Frederik, vazio, o filho não estava. Em seguida
abriu a porta do quarto da Frederika, vazio, à filha também não estava.
Angustiado e apreensivo se dirigiu à porta do seu
quarto. Com a respiração suspensa, imóvel permaneceu na expectativa em
confirmar se os gemidos vinham dali. Com a inquietude a flor da pele, não
acreditou, ao abrir devagarzinho a porta, o que via. Primeiramente distinguiu
dois corpos, depois reconheceu um dos corpos: Fatrícia, sua mulher, em seguida,
segurando os nervos, reconheceu o outro corpo: era ele. O que mais o deixou
desconcertado é que os dois olharam para ele como se não fosse ninguém, não se
sobressaltaram, nem tentaram se esconder. Nus como estavam, ele por cima dela,
continuaram no ato que, para ele presenciava, era indecente e escandaloso.
Fatricidio fechou a porta lentamente. Desceu as
escadas, se serviu de uma boa dose de uísque e se sentou no sofá. Seis minutos
depois, o copo escorregou de sua mão e rolou pelo tapete manchando de uísque. No
dia seguinte, de manhã, a empregada o encontrou na mesma posição, com um
pequeno sorriso que, concluíram, fosse de satisfação, mas o médico diagnosticou
foi contração de dor. Sofrera um enfarto fulminante.
desenho: Pastorelli
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Série desenho 94
Cesárea e Laurindo
Laurindo não imaginava a reviravolta que a vida lhe
daria. Desde que seus olhos depararam com os olhos de sua mulher nos idos anos
de caos quando a ditadura impunha força, achou que a felicidade tinha chegado.
Ledo engano.
Trinta anos depois, estava sem mulher e na cadeia.
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Vazia.
Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...
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Bloquinho Amarelo Creio já ter escrito o suficiente. E ainda tenho...
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chtgpt Criar o gesto, acompanhado da fala — oral ou escrita — é pulsar vibrações ao redor, orientando ou manipulando quem está por perto. A...
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na sua infinita pequena grandeza a borboleta abre as asas e beija a natureza espalha o pólen da beleza fecundando o ci...



















