quinta-feira, 26 de junho de 2025

Vazia.

                                 

 


Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à mente. Rodopia sobre os objetos, sobre os acontecimentos que volteia nesta manhã úmida onde a Paulista cinza escura fere meus olhos mortiços de sono. Cadê minha capacidade de escritor? Aquele escritor que consegue tirar poesia até do asfalto preto e sujo. Aquele escritor onde sua sensibilidade afinada com os tempos faz sua crônica, seu poema, seu texto embevecendo o leitor. Onde está esse escritor que há em mim? Não o acho. Está escondido por baixo de muitas camadas de leituras solitárias sem ter como extravasá-las. Minha mente parece amassada por um espremedor retirando dela toda química necessária para combinar as palavras que me azucrina em querer sair do anonimato. Palavras que ricocheteiam na parede do cérebro transmitindo ordens aos dedos imóveis sobre o teclado. Sim, há muita coisa ainda para ser escrita, e aos poucos serão extraídas suavemente ou forçadas e serão impressas nessa tela hipnótica para o deleite de quem gosta de ler. Agora, se o leitor gostar do que escrevo, bem... Isso é uma outra história para quem sabe, uma outra crônica?


quarta-feira, 25 de junho de 2025

Vidas apressadas.


Na manhã calorenta as vidas apressadas buscam algo que muitos não sabem e nem porque vivem, outros, sem possibilidades de alçar vôos mais altos, sempre em vôos rasantes, sempre se acidentando, mas se todos se preocupassem menos com o que se passam como se fosse algo insolúvel, e percebessem que tudo é um fator predominante, uma quase necessidade para se viver, creio que não achariam seus problemas maiores como qualquer outro que pelo mundo rola.

Zanzando pelo teatro

 

 

Zanzando pelo teatro da vida, abro portas, atravesso corredores, me perco feito tolo — até que, por fim, encontro uma saída.

Se uma porta não cede, sigo para a próxima, e a próxima, e a próxima… até que alguma se abra e me lance a um prado límpido, cálido, perfumado de manhã.

Quase nunca fecho as portas. No máximo, deixo-as entreabertas — convite mudo a quem quiser me seguir. Fechá-las? Nunca. Porta fechada é coração parado.

Deixo, por hábito, uma fresta de luz atrás de mim — um rastro tênue para quem desejar seguir meus passos. Mas peço: não os repitam. Caminhem ao lado, se quiserem, até de mãos dadas, mas que os passos sejam seus, únicos, crescidos no espaço que é de cada um.


segunda-feira, 23 de junho de 2025

Sábado de junho

 

 



Chove. Ao entrar na farmácia, a chuva aumentou. Ainda bem que desistiu de tomar banho antes de sair. Se tivesse feito isso, não teria saído. Pelado no meio do banheiro, antes de abrir o chuveiro, foi que resolveu:

— Tomo banho depois que voltar.


E assim fez. Vestiu-se novamente. Ainda bem que não tomou banho antes de sair, pois havia decidido passar na farmácia para comprar os remédios e conhecer o novo bar inaugurado onde antes funcionava a padaria, perto da igreja. Aliás, já fazia tempo que planejava fazer isso, mas, por motivos que não lhe cabia expressar, só hoje conseguiu pôr em prática — e quase não conseguiu.

Lançando um olhar de cento e oitenta graus, constatou o ambiente: bom, legal, aconchegante, com bom atendimento. O único porém era a música alta — mas, às vezes, diminuía. A caipirinha estava saborosa, o chope, gelado. Gostei. Até porque consegui escrever, ler...


A chuva deu uma trégua. O trânsito não está caótico — intenso, mas fluindo no asfalto molhado. A Festa das Nações está, mais uma vez, enchendo o bolso do padre... Bem, é isso.


domingo, 22 de junho de 2025

Creio já ter escrito o suficiente

                                                         


Bloquinho Amarelo

Creio já ter escrito o suficiente. E ainda tenho o que escrever? Talvez sim, talvez não. Ou será que tenho praticado pouco, e por isso a sensibilidade não aflora com mais naturalidade?
Escrever o que se passa na alma é escrever o vazio.
Escrever o que se passa na vida é escrever baboseiras.
Escrever o que a mente dita é lixo — e de porcarias o mundo já está cheio.

O que me resta, então? Escrever o quê?
Sobre este bloquinho amarelo de papéis auto-adesivos, onde se anotam pequenas lembranças, obrigações, recados efêmeros?
Quem teve a ideia de criá-lo?
Talvez alguém que vivia esquecendo das coisas — e começou a rabiscar lembretes em pedaços soltos de papel, largados sobre a mesa ou colados com fita adesiva, o bom e velho durex.
É sobre isso que devo escrever?
Talvez seja um bom exercício.

Quantas árvores foram derrubadas para fabricar esse pequeno bloco?
Não sei.
Espero, sinceramente, que tantas quanto foram derrubadas, tenham sido também plantadas.

Há bloquinhos de várias cores — por que não são feitos de papel reciclado?
Será que não sairia mais barato?
Assim, talvez, pouparíamos algumas árvores.
Mas... será que as pessoas gostariam de manusear um bloquinho de papel reciclado?

Ah, já sei a resposta:
É CLARO QUE NÃO.
O que querem é papel “de qualidade” — e, se vier em cores variadas, melhor ainda.
Mas o que realmente importa não é a qualidade do papel, e sim o que está escrito nele.
— Embora isso também seja discutível.

Agora, me perguntariam:
— E para você, que desenha, pode ser papel reciclado?
Claro que sim — desde que o desenho saia bom.
Aliás, o artista deve ser capaz de usar todo e qualquer tipo de material para expressar sua obra. Bom, está aí.
Poderia escrever mais. Quem sabe até um conto sobre isso.
Mas o expediente começou — e não quero caras feias, muito menos reprimendas por estar escrevendo quando deveria estar... trabalhando.

Bom, está aí.
Poderia escrever mais. Quem sabe até um conto sobre isso.
Mas o expediente começou — e não quero caras feias, muito menos reprimendas por estar escrevendo quando deveria estar... trabalhando.

sábado, 21 de junho de 2025

Criar o gesto, acompanhado

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Criar o gesto, acompanhado da fala — oral ou escrita — é pulsar vibrações ao redor, orientando ou manipulando quem está por perto. Ao entrar em contato com outros pulsos — mais intensos ou mais sutis — é possível que algo se mova dentro de nós, conduzindo-nos a agir de determinada maneira.

O essencial, porém, é deixar esse pulsar livre: solto, leve, percorrendo os espaços ao seu redor sem se preocupar com o que possa acontecer. E, se algo acontecer por causa do seu pulsar, aprenda a lidar com esse acontecer. Aprenda a contê-lo, se for ele a oportunidade tão esperada — e, se não for, se for apenas mais um acaso, não se deixe abater. Siga vivendo, sem cair na armadilha da mortificação, sem se julgar um frustrado ou fracassado.

Nessas ocasiões, erga a cabeça. Pise firme, decidido a seguir em frente — mesmo que, por isso, venham a te chamar de orgulhoso, metido ou convencido.


 

sexta-feira, 20 de junho de 2025

O sol delineia figuras

 O sol delineia figuras esparsas na dança ritmada de braços e pernas que volteia no ar sua concreta existência de ser tão somente ser.

O amarelo tinge a água do mar calmamente num findar do dia criando um clima de tristeza morna representada no dançar de forma e geometria alucinada.

Corpos providos de resistência física e mental, desafiando a lei da gravidade, se jogam no espaço curto do flash aprisionando-os para sempre no papel Kodak.

Observados pelo olhar fotográfico permanecerão ao findar a resistência material do papel como prova de que ali – onde? – algo aconteceu para ser, até o findar a existência do papel admirado como proeza artística de uma sensibilidade poética inigualável e bonita.

Surdos ao poder de exclamações positivas permanecerão em nossas mentes burguesas apodrecidas pelo cansaço da sobrevivência, como um ato infindável e imorredouro de uma proeza humana, não extrema, mas de possível desconhecimento das figuras fotografadas.

E o sol, o mar e as figuras se integram harmoniosamente num único e selado beijo.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

A água, num vai e vem

 

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A água, num vai e vem, molda as pedras da praia. O infinito se funde com o céu, formando uma só figura. À esquerda, a terra invade o mar, impondo sua magnitude de elemento natural, brigando para ocupar seu espaço. Mais à esquerda, acima desse braço de terra, o céu vermelho traz a presença de mais um elemento para completar a cena fotográfica: o fogo.

Assim temos a terra, o fogo, a água e o ar. Quatro elementos necessários para a vida. Quatro elementos fixados num papel, revelando a sensibilidade do artista.

Retificando: cinco elementos. Se não fosse o papel, não estaria eu, neste momento, admirando essa obra fotográfica.

Talvez alguém ponderasse: “Mas e a máquina – digital ou analógica? O filme usado, a lente, a revelação? Esses elementos não contam?” Claro que contam, e muito. Mas são elementos secundários. Foram apenas meios necessários para a criação da obra — assim como o papel, a caneta, o computador, o teclado, e até eu, que aqui escrevo, sou apenas parte do processo para a criação literária. Para a criação deste texto.


quarta-feira, 18 de junho de 2025

a avenida qu é...

 

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                                                                    Bittar

Osvaldo Pastorelli

 

feche a conta, garçom

a Rosangela vai embora

amanhã ela tem um bacalhoada

e eu e o Bittar continuamos

no Arcadas a poetar

 

falar de coisas banais

da vida do dia a dia

poetar a poesia

que dá gosto

de poetar

 

desenvolver um tema

mesmo que seja

um tema que tenha

um verso de pé quebrado

 

um verso de pé

engessado

mas que tenha

a sonoridade

do verso de um Caetano Veloso

irmão da Bethânia

filho de Dona Cano

 

que desvendou o encanto

da Ipiranga com Rio Branco

e os irmãos Campos homenageou

 

mesmo não sendo poeta

e nem gostando de

poesia concreta

a Helena admite

que é gamada

em um poeta

 


terça-feira, 17 de junho de 2025

a bela e a fera

 

minha bela

não tenho declaração

não sou um titã

sou apenas um poeta

 

no brilho

das estrelas

corre veloz

a noite

como uma gazela

 

queima meu corpo

a centelha da saudade

e impresso fica o sangue

neste poema sem inspiração

 

minha bela

gira a primavera

seus testículos de pólen

numa louca festa

onde a besta e a fera

ao clarão da lua

entra pela janela aberta

despertando-me longe dela

segunda-feira, 16 de junho de 2025

a dor

 

 
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a dor é um punhal

crava fundo no peito

deixa marca tão somente

que me faz escrever

sobre essa dor

que realmente

penso ter


domingo, 15 de junho de 2025

a estrada

 

 



 

o amarelo predomina

divide a cena

em primeiro plano

a estrada sem destino

revela na curva

a profundidade

do olhar artístico

quebra a linha

do horizonte

onde as árvores

proporcionam profundidade

 

na poeira da estrada

seguindo destinos

marcas de pés invisíveis

imprimiram sua existência

vidas ecoam no azul

de nuvens passageiras

gritos risadas vozes

sons de carros

máquinas agrícolas

sussurram entre

as folhas amarelas

que o tempo químico

guardará por determinado

tempo


sábado, 14 de junho de 2025

a felicidade

 


é uma caipirinha caprichada

é um churrasco no espeto

é uma cerveja meio gelada

com tudo o que tenho de direito

 

é ouvir conversas generalizadas

é o temporal que desaba repentino

é o cheiro de calçada molhada

é o sorriso no rosto do menino

 

é teu beijo lascivo e gostoso

onde nossas línguas ardentes

tocam-se num prolongado gozo

 

e num ápice sentir realmente

flutuando no espaço gasoso

nossos corpos eternamente

sexta-feira, 13 de junho de 2025

com um dente só


Ele sorria — autêntico, sempre. Sorria com um único dente.

Não era louco. Não havia tristeza no rosto que revelasse loucura. Era fiel a si mesmo, e disso tinha plena consciência. Talvez, no passado, tenha sido outro. Mas agora, com a expressão impregnada de silêncio, o rosto nada dizia. Apenas existia.

E existir, por si, já era um espanto.

Sorriu com aquele dente solitário ao ver o mar pela primeira vez. Encantou-se com o som das ondas, o cheiro da areia, a brisa salgada que lhe umedecia os lábios. Passou as mãos nos cabelos ralos. Um sorriso nasceu ali — úmido, salgado, cheio de infância esquecida.

Então, apertou-lhe o peito a saudade do pai.

Morrera no mesmo dia em que perdera o dente. Simplesmente caiu. O dente e o pai.

Naquela noite, após o enterro, tomou uma dose dupla de uísque com café e dois cubos de gelo. A culpa arranhou-lhe os olhos. Respirou fundo, puxando o ar como quem tenta arrancar o peso do peito. Mas seguiu. Não parou.

Descobriu, nesse dia, que a morte não o assustava.

Correu para o banheiro, excitado, como quem reencontra a vida no impulso. O som do chuveiro preencheu a casa vazia. Enrolado numa toalha, jogou-se na cama ainda molhado. Dormiu a noite, a madrugada e o dia inteiro.

Ao acordar, foi ao espelho.

Estava sem o dente.

Não acreditou.

— Porra. — murmurou.

— Merda. — disse mais alto.

A ausência do dente era mais profunda que a do pai. O dente estivera sempre com ele. O pai, não.

Mesmo presente, o pai era ausência. Era dos outros — das viagens, dos negócios, das pescarias, do futebol, das amantes. Nunca dele.

Eram só os dois. Depois da partida da mãe e dos irmãos, restaram ele e o pai.

Foi então que percebeu: estava ficando sem dentes.

Não se importava. Não.

Caíam, e ele mal notava.

Solteiro por necessidade, não se constrangia. A timidez o protegia das complicações — sobretudo as matrimoniais. Fazia o essencial. Para o resto, contratara uma empregada.

Vinha uma vez por mês. Saciava as necessidades em geral.

Ela ganhava por isso. Não reclamava.

Assim se desenrolava sua vida — pacífica, contida, um fio de água entre pedras.

Até que o pai se foi.

E lhe restou apenas um dente.

quinta-feira, 12 de junho de 2025

a flor docemente pousada

 

no seio da amada

revela paixão deslavada


e os dedos tímidos passeia pelas pétalas cuja cadencia de movimentos, suaviza o ar com aroma adocicado a escorrer úmidos anseios, num devagar quase lento, desce por entre os seios túrgidos saboreando a aspereza de peles arrepiadas e contorna o umbigo beijando cada milímetro a textura de sua forma, e num apreciar maligno continua a descida se arrepiando pela quentura da virilha indo se afogar na grande gruta coberta pela mata que acolhe em seu seio o que eu sou: múltiplos pedaços  de desejos

quarta-feira, 11 de junho de 2025

a folha

 

 

 


a folha ao findar a primavera deposita as fibras no chão arenoso da vida

em sua essência táctil se entrega passível colocando-se à deriva

fundindo-se com outros elementos necessário ao alimento á terra mãe

tem a nítida certeza de como é importante ao ciclo da vida

e ao ser captada pelo olho fotográfico da câmera humana

saberá que sua forma, por um bom espaço tempo

em arte permanecerá


terça-feira, 10 de junho de 2025

Sete de junho, novamente.

 

Abri a porta e me senti feliz por estar de volta. Aliás, toda vez que saio e retorno, ao girar a chave e ver minhas coisas em seus lugares, agradeço. Hoje não foi diferente. Nada como estar no próprio cubículo — por menor que seja, é meu. Você concorda, não é? Tem que concordar, afinal, você é eu, e eu sou você.

E ainda assim, isso não deixa de ser fundamental, não é mesmo? Estar aqui, fazendo o que o meu eu interior deseja — não há preço. Ainda mais com você como companhia.

Sim, eu posso até concordar com você. Mas, se você fosse outro eu, diferente de mim — de mim que aqui escreve — talvez fosse ainda melhor. Eu diria até que seria excelente. Mas há algo que você não considerou.

— O quê?

— Se você tivesse outro como companhia, e esse outro não fosse o seu eu, talvez eu nem existisse.

— Sim, entendo. Mas você existiria, apenas não com essa presença constante.

— Compreendo. Eu seria relegado ao segundo plano.

— Mas não leve isso tão a sério. Em algum momento da vida, estarei sempre em busca de mim mesmo — de você.

— Tá certo. Então, se algo acontecer com esse "outro eu", eu estarei aqui, conversando com você de novo, certo?

— Exato. Nada de segundo plano por enquanto. Não sabemos como será a convivência com esse outro. Se for amigável, quem sabe... você pode descansar um pouco. Mas se for turbulenta, então você, meu caro, volta ao centro do palco.

— Isso me anima. Mas, por favor, nada de precipitar as coisas. Deixemos o barco correr. Veremos o que acontece.

— Combinado.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

A janela do meu quarto

 

 


Se você não tem coragem de abrir a porta,
abra a janela. Não olhe pela fresta.
Deixe o ar entrar livremente, arejando
o quarto da escura mente.

Sinta o frescor das manhãs úmidas,
orvalhadas nas longas madrugadas.
Ouça o canto alegre dos passarinhos,
anunciando um novo dia.

A janela do meu quarto fica
no décimo quinto andar,
entre roseiras e mangueiras,
onde pássaros de cimento,
de gasolina e álcool cantam
à noite e o dia inteiro.

Ouço o rugir de bichos entregues
aos afazeres despreocupados,
se engalfinhando no mar de asfalto,
sobrevivendo por descuido
da natureza.

Mesmo assim, não tenho medo.
Abro a janela do meu quarto
e, despreocupado, olho para o céu
escuro — e ainda consigo ver
o brilho das estrelas.

Da janela do meu quarto não dá
para ver a imensidão da natureza,
mas, da janela do meu quarto,
vejo a imensidão das proezas
de cada ser, realizando cada ato.


domingo, 8 de junho de 2025

Sete de junho

 

 

Ele tinha andado a manhã toda, já estava cansado de tanto andar. Porque ele tinha que andar e estava cansado? Bem, é que eu queria escrever uma história meio absurda, ridícula até, mas aí a mente bloqueou, bloqueou não é a palavra certa para isso, não lembro qual, vamos dizer censurou, isso mesmo, censurou e não dei continuidade a história. Mas qual seria? Um senhor de idade, sai com a intenção de comprar um cinto e como não acha entra numa sapataria, melhor dizer numa loja de sapatos e senta num dos bancos para descansar. E o que acontece? Aí vem o vendedor saber o que ele quer, e ele diz que só quer sentar para descansar, mas senhor aqui não é lugar para descansar, para isso tem os bancos da praça, eu sei, responde ele, é que sai para compra algo que não me lembro e como estava cansado entrei aqui para descansar. Parece interessante, é estranho mesmo alguém entrar numa loja só para descansar, e depois. Depois o gerente se aproxima e interroga o personagem caindo na mesma ladainha, o mesmo falatório que ele teve com o vendedor, e recomenda ao funcionário para ficar de olho no fulano, e o funcionário como estava para ser promovido a gerente quer fazer tudo direitinho e assim não desprega o olho no fulano. É absurdo tal coisa acontecer, mas estou gostando. O senhor de idade fica um tempo sentado quieto, uns cinco minutos vamos dizer, dai, de repente ele se levanta e vai até o bebedouro tomar agua, e no momento em que vai levar o copo aos lábio ele grita, deixando o copo cair, cinto. Cinto? Sim, cinto, com o grito dele o vendedor se aproxima, descobri o que procurava, o que procurava senhor, cinto, cinto? O que o senhor sente, alguma dor? Não, nada disso, é cinto de calça, isso que preciso comprar. O vendedor solta um suspiro de alívio, pois pensou que fosse outra coisa. Entendo, até aqui está razoável. Então, o fim ficou meio complicado e desenxabido. E como pensou o final. Bem, quando fosse pagar ele descobriria que estava sem dinheiro e aparecia a filha dele dando bronca por ter fugido de casa e que ele já tinha vários cinto não precisaria comprar mais, então o vendedor ou o gerente pergunta porquê de tudo isso ter ocorrido, a filha explica que depois que filho mais velho se enforcara com o cinto que o pai lhe dera de aniversário ele ficou com essa mania. Fim trágico. Pois é. Não tem outro fim? Já escreveu? Escrevi e rasguei. Coloca no papel novamente, lê em voz alta, talvez você consegue. Para falar a verdade, acho que já consegui. Conseguiu? Ótimo, que legal, gostaria de ler. Bem, creio que você já sabe como consegui, não é mesmo leitor.

sábado, 7 de junho de 2025

a lanterna dos afogados

 

 


 

nem sempre o escuro é sinal de desespero

nem sempre o perder uma vida é o fim do mundo

a natureza sabe o que faz

se há algum problema ela coloca no lugar

 

catástrofe é fato terrível de se equilibrar

mas sempre há uma luz

sempre há um cais

onde podemos ancorar

 

se a noite é longa

saiba que não é para se desesperar

 

as marcas sejam quais forem

sempre há de ficar

devemos ser forte

cabeça erguida

olhar para frente

positivamente

tudo há de melhorar

 

lembre que sempre podemos

na Lanterna dos Afogados

para uma conversa

um bom chope

 

amigos eu espero vocês lá


sexta-feira, 6 de junho de 2025

a letra da minha vida

 

não se compõe de palavras mas de emoções melódicas que rasgam a noite ao

som da guitarra onde a deusa do fogo me atrai com seu encanto


e a esse encanto me entrego

debilitado sem forças para reagir pois o meu destino é deitar na enseada do teu

peito sentindo a evanescente brisa salgada do mar a espera do guardião cego que

me conduzirá ao topo da montanha

quinta-feira, 5 de junho de 2025

A luz que vem da janela

 MOTE 1



Osvaldo Pastorelli

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VOLTA - AMÉRICO BITTAR

A luz
Que vem
Da janela
Olho pra ela
Penso
Ela olha pra mim
Porque
Sou assim
Tudo tem
Que girar
Em volta
De
mim
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VOLTA - CARLOS SAVASINI - MIRIADE

Luz sim
Luz não
Luz sim
Luz não
Lusco-fusco
Confusão
Urbanidade
Ofusco
Confundo meu olhar
Miragem de estrelas do mar
Sonar
Confundo-me nos prédios
Mar de prédios
Estrelas do mar
Flutuando nas janelas
Luz sim
Luz não.
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VOLTA - OSVALDO PASTORELLI

ilumina o espaço
dos teus olhos
que num abraço
meu corpo te deseja
iluminando teu corpo
ao som do balanço
da bossa nova
e abraçados contemplamos
a luz que vem da janela

lamber teu corpo nu

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VOLTA CONJUNTA - SAUDADE DE VOCÊ

Por Américo Bittar
      Carlos Eduardo Savasini Ferreira
      Osvaldo Pastorelli

Janela aberta
Luz acesa
Teu corpo na varanda
Bailando
Luz sim
Luz não
O brilho do olhar
Que saudade me dá,
Você, onde andará ?
Tua ausência presente
Queima tanto
Que a luz que vem
Da janela aberta
Confunde
Na sombra da luz
Misturando saudade
Na falta passada
O trânsito não ouço
O olhar não vejo
O brilho no olhar
No lusco-fusco congelou
Meu corpo
Meus dedos
Não minha mente
Que sempre pressente
Na luz que vem da janela
O sonho que não te vê
A janela fechou
A luz apagou
Findou meu sonho
Meus olhos fecharam
Olhando para dentro
Eu vejo agora
Você, só você toda minha
Abraçada ao meu corpo
Dormimos banhados
Pela luz da janela
Que se apagou
Ao ser fechada.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

a luz que vem da janela

 

 

ilumina o espaço

dos teus olhos

que num abraço

meu corpo te deseja

iluminando teu corpo

ao som do balanço

da bossa nova

e abraçados contemplamos

a luz que vem da janela

lambendo teu corpo nu

terça-feira, 3 de junho de 2025

a pizza

  

Bittar

Osvaldo Pastorelli

 

esperança cadê você

será que o medo venceu

ou será que você vai aparecer

 

esperança...

palavra cantada

em verso e prosa

que se encontra

em cada coração

pobre ou rico

mas coração brasileiro

 

meu medo é que tudo

de repente vire pizza

 

isso é mais que natural

a pizza pelos corredores

vai correr

e nos lábios safados

de sorrisos sem vergonha

o molho vai escorrer

 

esse é o medo

mas acho que a justiça

vai prevalecer

 

assim esperamos

e a cadeia vai

finalmente encher

segunda-feira, 2 de junho de 2025

a praia

 

 


 

elemento natural que acaricia o mar

fundindo-se com o céu formando a cena

no instante artístico do sentimento

elaborado no olhar sensível fotográfico

 

a casa único elemento plausível revela

presença humana compondo o quadro

acima disso nuvens moldam formas

disparatadas das mais inverossímeis

brotada na mente criativa de quem olha

 

deserta a praia cultiva sombria solidão

prisioneira das vozes fantasmagóricas

dos inesquecíveis e prazerosos verões

 

fecho os olhos e sua esguia presença

se faz sentir a minha frente cujo poetar

é trazer ao meu peito sofrido e cansado

tua figura que sempre irei te amar


domingo, 1 de junho de 2025

a volta do boêmio

 a volta do boêmio

 

a boemia sempre estará inscrito

nas paredes da cidade

na alma dos bares

na vida dos violões

que em acordes

ora alegre

ora triste

revelam o mundo

do boêmio que nunca parte

nunca partirá

com seu violão cantará

seus sonhos

seus montes

suas cascatas

sua amada

que por ele estará

todas as noites

ansiosa esperando

a volta do boêmio

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...