domingo, 31 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.627(2021)

            Lecimar como vai? Vou bem, obrigado. Você não está estranhando nada? Deveria, por quê? É que você... Fui criada, que não existo, que sou uma imaginação sua? Sim. Tudo bem, sem grilo, sei que não posso ter uma vida só minha, que estou ligado a você, que nós somos dois e ao mesmo tempo somos um, é isso? Sim, pensei que  fosse do seu desagrado, que não gostasse. Olha, pombinho... Pombinho!? Sim, Pombinho, para mim você será sempre meu pombinho... Espera, vamos com calma, isso está muito gay... Ora, não me venha com preconceito. Não, não é preconceito, é ridículo, é esquisito. Ah! você conversar com você mesmo não é ridículo e nem esquisito e muito menos gay, não é? Espera não vamos nos exaltarmos, ok? Não estou exaltado, é você que não compreende. Compreender o que? Ora, bolas, vê se presta mais atenção no que fala e propõem. E o que eu falei e propus? De criar uma pessoa personagem que não fosse responder o que você gostaria de ouvir. É mesmo, e essa pessoa personagem é você, Lecimar? Sim, sou eu, até que me sai bem, não acha? Acho, desculpe não ter percebido, mas saiu melhor que a encomenda, prazer Lecimar. Prazer...? Pastor Elli. Prazer Pastor Elli, vamos ter longas e agradáveis conversas. Assim espero.

                                    É isso... ou, não é? 

sábado, 30 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.626(2021)

 

            Dia vinte e cinco de janeiro. Aniversário de São Paulo. Quantos anos? Sei lá. Deveria saber, não é? Para quem quer ser e se diz escritor tem que estar se informado de tudo, não é? Então! Então o que? E já vem você conversar comigo. Ué, não posso? Até pode, mas não quero ser taxado de louco que fala sozinho. Ah! meu amigo, isso não acontece somente com você, acontece com todos, principalmente os que moram sozinhos, conversam consigo próprio. O ruim é que você responde o que eu quero ouvir. Mas se esforça para que eu não responda ao que você quer ouvir, me coloca na pele de outra pessoa, de uma personagem que gostaria que eu fosse. Bem você já sabe qual seria essa pessoa personagem, né. Sim, sei, tudo bem, até pode ser, o único problema é que você terá que me por na pele, nos sentimentos dessa pessoa personagem, terá que responder imaginando-a a sua frente, como real, entende. Sim entendo. Espero que consiga. Poderei até dar um nome. Mas se você vai colocar essa pessoa personagem a quem imagino que seja, ela já tem nome. Sim, é verdade, não posso chamá-la pelo nome verdadeiro, entende? Não, não entendo, e por que não pode chamá-la pelo nome verdadeiro? Primeiramente ela não gostará, nem responde minhas mensagens e nem conversa comigo, então já viu né. Sei, inventa um nome então, faça uma epigrama, você é bom nisso. Deixe pensar...

É isso... ou, não é?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.625(2021)

 

            Eh! Doideira falar comigo mesmo, com o meu Eu como se ele fosse algo sensível, concreto, responde o que eu quero, bem... vamos que vamos que atrás vem gente. Ontem caiu um temporal de derrubar o mundo e, como consequência acabou a energia. Isso era mais ou menos umas quinze horas ou um pouco mais, e a energia voltou de madrugada, pois hoje quando acordei as luzes estavam todas as acesas. Foi um suplicio ficar na escuridão, apenas com celular, e com a bateria fraca. Foi um tal de deitar e levantar, rolar de um lado para o outro procurando aliviar o calor e se proteger dos malditos pernilongos, até que num momento, não sei quando, apaguei e só acordei hoje as oito horas e quinze minutos. Apaguei todas as luzes, tomei banho, acertei o celular no Metal Melódico e sai para mais uma caminhada. Caminhei quase que mais de uma hora, fui até o final da José Adorno, virei à esquerda, depois a direita, e sai na rua da feira de domingo, subi toda ela passando pela feira que de feira não é mais como antigamente, está bem reduzida, e cheguei na Avenida Cangaiba, e desci a Aliança até a José Adorno. Bom vamos ver se vou manter isso, né!

É isso... ou, não é?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.624(2021)

 

Dia vinte e três de janeiro de dois mil e vinte e um continuando a usar máscara. Merda. No entanto hoje tomei uma decisão e pus em prática. Coloquei o celular no modo dados móveis, sintonizei no YouTube metal melódico, coloquei o celular no bolso, coloquei a máscara, e sai, fui andar. Caminhei ... deixe eu pensar... andei oito quarteirões ouvindo metal melódico. Foi... o que foi mesmo? É já vi que você não sabe mesmo expressar seus sentimentos, não é? É verdade, mas o mais importante é que fui caminhar. E amanhã? O que tem amanhã? Vai caminhar? Pretendo. Ih! Já vi que não vamos, não é? Bem, é preciso e vou. Assim espero, porque eu gostei. Eu também. Então até amanhã. Até então.

É isso... ou, não é?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.623(2021)

 

Silêncio, silêncio aflige o ambiente... Merda o que escrever? Essa pergunta explode no branco da tela e volta sem uma resposta convincente. O que escrever? Escrevo isso, escrevo aquilo e, no entanto, o aquilo não corresponde com isso e muito menos com isto. Penso descartando palavras corriqueiras já muitas vezes ditas e repetidas, palavras sem conteúdos expressivos que possam alegrar os olhos do leitor. Onde o leitor extasiado sem entrega sofregamente à leitura e volte sempre a ler. Silêncio, silêncio que aflige o dia a dia de uma merda de escritor.

É isso... ou, não é?

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.622(2021)

 

            Invadiu privacidades sem se importar com as consequências, e no afã da vitória não contou com as adversidades. Caiu nas labaredas asfixiantes de sua pequenez e lutou sem conseguir uma plena vitória. Lutou, sim, e continuará a lutar, mesmo que com isso não venha significar nada no momento, no entanto no futuro saberá da sua recompensa seja onde estiver, saberá.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.621(2021)

  

Manhã de sete de janeiro de dois mil e vinte e um.

Mais um dia de recomeço.

Mais um dia de alegria.

Mais um dia em que o apreço

Não é um preço de mercadoria

Mas sim um fato que no dia a dia

Nos leva sempre adiante

Querendo ou não seguimos

Com o poder confiante

Nos corpos que desfilamos

Na grande passarela

Que é a vida, a nossa vida

Que merda, isso é poema

Isso é poesia

Talvez seja

Talvez não seja

Bosta...

É isso... ou, não é?

domingo, 24 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.620(2021)

 

Manhã de seis de Janeiro de dois mil e vinte e um.

Manhã tão bonita manhã... Que merda! Barulhos concretizam o dia, concretizam vidas que se movimentam para uma finalidade necessária ou apenas para viverem uma vida apenas de vulgaridade consumista e concreta. Vidas que se apagam e nada mais... Vidas vegetativas ou vidas produtivas? Sei lá... É isso... ou, não é?

sábado, 23 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.619(2021)

 

Manhã de quatro de janeiro de dois mil e vinte e um

Eu não sei. O que você não sabe? Escrever. Então não escreva. É preciso para aperfeiçoar o que escrevo. Então escreva. Mas acontece que se eu escrever vou escrever besteira como estou escrevendo nesse momento. Olha, eu acho que você é um cara complicado, desencana disso e solte as palavras nessa tela branca. Soltar fácil falar né, soltar isso, soltar aquilo, soltar, soltar, soltar, só se fala nisso. E o que queria que se falasse? Não sei, um encorajamento, uma palavra de incentivo... Vá a merda, está bom, você sabe que estou sempre te encorajando, te incentivando e você faz o que, fica se lastimando isso e aquilo, fulano não te ama, não te escreve, etecetera, vá plantar macaco, se pudesse eu iria embora, mas infelizmente esse cargo de subconsciente é uma bosta, onde eu for você me acompanha, onde você se vai tenho que ir junto, que raiva. Ok, prometo vou me comportar, certo? Vamos ligar o som e dançarmos no meio da sala. Argh tá bem...

É isso...ou, não é?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.618(2021)

  

Manhã de três de janeiro de dois mil e vinte e um

Oremos palavras de fé e humildade nesta manhã

Oremos nossas aflições e angústias mal resolvidas

Oremos nossos movimentos onde o destino será a morte

Oremos nossos olhares aflito ao alto na esperança

De que o invisível nos venha acolher em seus braços

Oremos nossas mãos calejadas ou não acalentando

Os acalentados de precisão de calor e carinho

Oremos nossas bocas murchas por beijos destruídos

De paixão e amor avidas de ouvir a benção de todos

Oremos nossos pés cansados pelos caminhos da vida

Cuja busca não se cansa nunca de procurar o amor

Oremos nossos joelhos machucados nas pedras

Onde oramos aos santos e deuses nossa rendição

Oremos apenas por orarmos na cantilena de todos os dias

Amem.

 

É isso... ou, não é

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.617(2021)

  

Manhã de dois de janeiro de dois mil e vinte e um

Manhã que guarda os blas blas corriqueiros de fim de ano

Manhã do segundo dia do ano que inicia na esperança mórbida

De sermos o que somos apenas ser nesse mundo falido

E vamos caminhar os caminhos das nossas vidas

E vamos dar continuidade ao ciclo da vida

Ora com alegria ora com tristeza ou com apatia

Parados não podemos ficar

Disse o poeta medíocre um dia:

--- Quem para é por que morreu e não sabe

Vamos seguir adiante aprendendo nossa lição

Covardemente na gloria dos aflitos e esquecidos

Sequemos as lágrimas das adversidades

E abracemos os infelizes os podres mal vividos

E sorrimos alegria disfarçada no champanhe envelhecido

E cantemos salmos odes mantras e outras vulgaridades

Para entrarmos em contacto com divino e quem sabe um dia

Divino seremos para o conforto dos necessitados

Oremos...

É isso... ou, não?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Sempre sentirei saudades

 

Escreveu na branca laje do tumulo do namorado morto por homofóbicos. Em seguida se deitou sobre a lápide e se fundiu a ela. Dos seus olhos começaram a verter lágrimas milagrosas que diziam curavam paralíticos, cegos, cancerosos, aidéticos, até que as autoridades precisaram controlar a caterva ensandecida. Dois anos depois as lágrimas secaram e, quem passava pelo túmulo, viam uns olhos que sorriam espalhando luz.

Volta e meia alguém acendia uma vela no Cantinho da Saudades como ficou conhecido aquele lugar.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Os botões.

 

Tenho cinco calças jeans apenas e um terno. Uma das calças jeans é de botões ao invés de zíper. Quando a comprei achei bacana, bonita, mas todas vezes me engano pensando que é zíper e acabo fazendo uma cagada.

Há uns trinta ou quarenta anos atrás, na minha juventude comprei uma calça de botões ao invés de zíper. Era bonita, boca de sino, não era jeans, uma cor mel meio sarja, pano grosso, bonita, pois além da boca de sino, moda na época, os botões realçavam o escondido se é que me entendem. Todos achavam-na bonita, sexy, principalmente as mulheres. Um dia ao cruzar com um rapaz na Paulista, ele disse:

— Bela mala.

Bela mala! Creio que pensei meio alto, pois uma senhora que estava perto começou a rir. Achei esquisito, não estava com mala nenhuma, e mais estranho ainda o rapaz ainda se virou e deu uma piscada. Senti meu rosto queimar, a mulher gargalhou. Tempo depois vim a saber a mala que ele estava se referindo.

Acho que devo me desfazer dessa calça. Além dos botões sempre me deixar no ridículo, principalmente em público, já não tenho mais conteúdo para uma bela mala.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Oferenda

             Medo não tinha, principalmente do escuro. Tinha medo dela mesmo, pois, ela era o escuro. Assim sendo, numa revelação, se enrodilhou feito casulo e se ofereceu ao ventre de Gaia numa bela manhã de sol.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.616(2020)

  

Manhã de trinta e um de dezembro de dois mil e vinte

A vila silenciosa guarda os rumores do ano que se finda

Do ano que o calendário com seus números e meses

Diz para nos alegrarmos que o próximo será melhor que esse

Sim, será, claro a esperança é a última que morre não é

E é somente a esperança que conduz pés aos seus destinos

Aos seus caminhos as vezes sombrio as vezes claros

Ou cheios de pedras pontiagudas avermelhadas pelo sangue

Dos caminhantes perdidos em seus próprios devaneios

É isso... ou, não é?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.615(2020)

                         Segunda vinte e oito de Dezembro

 

 

Silencio como todas as manhãs dessa minha vida

Silencio emperra a velocidade da alma em pensar

Em repensar no que devo ou deverei fazer

No que devo ou no que deverei escrever

E palavras soltas aparecem querendo existir

E palavras soltas surgem como provocação em ferir

E palavras soltas se deslocam de um lado para o outro

No significado de seus significantes em paralelo

Aos sentimentos do mundo abarrotado sufocado

De inercia e de inúteis vagalumes derrotados

E assim a humanidade continua na letargia

Da virada do ano... Feliz ano novo grita a caterva

E champanhes estouram festejando a morte.

É isso... ou, não é?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.614(2020)

                                         Não sou mais o que eu era.

 

Não sou o silencio da vida e muito menos da alma

Não sou o que sou nesse dia vinte e sete de dezembro

A ansiedade natalina passou na rapidez dos festejos

Dos abraços virtuais e no brindar do champanhe em copos descartáveis

Vou caminhando para o findar de dois mil e vinte no silencio dessa manhã de domingo

Uma vez ou outra um som corta a manhã sem o sol para esquentá-la

Acho que devo é ligar o som e dançar no meio da sala que ganho muito mais, viu...

É isso... ou, não é?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.613(2020)

                         Crença.

 

Quando o Uber fez a curva no viaduto uma onda de nostalgia queimou meu peito e uma explosão de saudade inundou meus olhos de alegria. Pensei:

--- Porra! Não vou te esquecer jamais.

E naquele momento fui cada luz que dos prédios iluminava a noite, e naquele momento fui cada carro que veloz cruzávamos na busca ou fuga de alguma coisa sem sabermos o motivo, e naquele momento fui a felicidade de nós dois mesmo separados, e naquele momento fui a certeza da minha vida ligada a sua nos confins do destino, e naquele momento fui a lágrima que enxuguei e acreditei mais uma vez no nosso amor.

É isso... ou, não é?

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.612(2020)

                                     Cena 02

 

                        Falecimentos, doenças, luto, angústias... Vivia essas angústias e não reclamava. Por todos os lados o negativismo a açulava a vida a lhe dar sempre prazer nos passos do dia a dia. Se ressentia nada lhe indicava a isso, pois trazia a chama transmudada em sorriso alimentando o corpo viril. As vezes se sentia frágil, outras forte, no entanto isso sempre ocorria quando houvesse o desaparecer de algo ou alguém. Se era importante para ela se enfraquecia e, se não era importante se fortalecia, mas esses atos não lhe davam o alimento de amor que lhe deveria. Eram apenas atos nada mais. Ele faleceu e daí? Fez a pergunta no seu íntimo e ao mesmo tempo respondeu:

                        --- Morreu e eu com isso.

                        E seguia em frente sem se preocupar com o fato. Possuía uma fibra indesculpável de existir nada mais, e os sons que ouvia que de longe lhe chegava aos ouvidos eram apenas sons provando que a vida continuava e tinha que continuar apesar dos fatos. Assim era ela.

                        É isso... ou, não era?

 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.611(2020)

                                     Cena 01

 

                        Podia vê-la em pé olhando a rua pela janela. Contemplava as suas costas largas, um pouco vergada para a frente, mesmo assim, bonita, alta, sentia sua respiração lenta debaixo da roupa. Vagarosamente ela se virou e veio sentar-se na beira da cama e pegou a sua mão.

                        --- Espero que tenha passado esses anos feliz. – disse acariciando as costas da mão dele.

                        Olhando para ela, respondeu devagar.

                        --- Por favor, pode chamar a enfermeira.

                        Ela pressiona um botão na parede ao lado da cama. Segundos depois entram duas enfermeiras.

                        --- Pois não.

                        --- Preciso...

                        Uma das enfermeiras dirigindo-se a ela, pede:

                        --- Por favor, pode esperar uns instantes lá fora?

                        Silenciosa ela sai do quarto. Aproveita para fumar vai para o pátio do hospital. Há uma quietude ensurdecedora entre as paredes brancas dos corredores. Parece ouvir gritos e gemidos silenciosos pedindo para viver. Não gosta de hospitais, não sabe como podem as pessoas trabalharem num ambiente como esse. Ao término do cigarro, volta para o quarto. Ao chegar encontra ele sentado almoçando.

                        --- Como é ruim essa comida.

                        --- Ninguém gosta.

                        Nota que ele respira entrecortado, puxando com força o ar para dentro, com dificuldade leva a colher a boca.

                        --- Posso?

                        Pergunta na tentativa em ajudá-lo. Ele larga a colher no prato e duas lágrimas silenciosas rolam dos seus olhos apagados. Sem se falarem, ela pega a colher e devagar leva à boca dele. Não se olham nos olhos, apenas pensamentos se ouve no espaço do quarto. No silencio da fala por instantes sequem os movimentos da vida. Pouco depois ouvem baterem na porta.

                        --- Entre.

                        A porta se abre e entra um home dos seus quarenta anos, alto, moreno, corpo largo, sorriso de tristeza.

                        --- Boa tarde. Como está?

                        Ele olha para o rapaz e estende a mão para ele. Não é preciso palavras, apenas os olhares dizem o que os lábios não querem dizer. O rapaz olha para ela e a cumprimenta.

                        --- Boa tarde.

                        Ela responde:

                        --- Boa tarde.

                        E sai do quarto, sua presença não é mais necessária. Dois dias depois recebe a notícia do seu falecimento.

                        É isso... ou, não é?

 

domingo, 10 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.610(2020)

 

Três, quatro, cinco ou seis dias que a tela do notebook está aberta no world e não escrevo nada de nada e nada me veem a mente para escrever, tenho e devo ter muitas coisas para dizer no entanto como devo dizer se o que tenho para dizer me faz ou me torna difícil expressar além dessas bostas que ora você, se é que você irá ler ou deverá ler e portanto ou devo dizer no entanto ou para tanto me pergunto o do porque continuar escrevendo se você não me lê, portanto ou no entanto ou ainda para tanto escrevo e devo lhe dizer que pararei por aqui pois isso parece... ah não sei o que parece é melhor fechar o world e o notebook ir dançar no meio da sala que ganho mais, by my Darling....

É isso... ou, não é?

sábado, 9 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.609(2020)

                             Caro e prezado amigo cinéfilo

 

Não sei se você sabe que estou falando com você, e, espero que não seja necessário citá-lo explicitamente, não é? Portanto continuando essa minha explanação cinematográfica digo-lhe que os outros dois cinemas da minha cidade natal Rio Claro onde de dia falta água e de noite falta luz ou, como é mais comumente chamada: A cidade azul – não sei por que, mas ainda vou procurar saber – eram o cine Excelsior e o cine Tabajara. Falarei do Excelsior. Esse cinema ficava em frente a praça da Liberdade bem no centro. E essa praça é enorme, pega dois quarteirões cortada pela avenida um que hoje foi, vamos dizer, emendada, isto é, a avenida que a cortava virou um calçadão, não sou bom em descrever, mas espero que tenha entendido. O hall do Excelsior era grande, de um lado ficava a bilheteria e alguns balcões de bugigangas e do outro lado uma lanchonete e no meio placas com os cartazes dos filmes. Na porta de entrada se postavam dois funcionários para a receber os tickets ou bilhetes. Nos dias de semana por essa porta entravam e saiam os espectadores, nos fins de semana, principalmente aos sábados, a fila para a entrada se formava do lado de fora ao lado do portão grande e a saída era feita pela porta do hall, isto porque, havia duas sessões ou três, não me lembro direito, portanto era uma fila para se comprar o ingresso e uma fila para a entrada. Saudades desses dias, era um alvoroço, era uma angústia enfrentar a fila para comprar os ingressos e depois a da entrada. Era um tal de pedir um para outro guardar lugar na fila de entrada enquanto uma só comprava os ingressos as vezes para cinco, seis, dez pessoas, era um frenesi de risos, vozes, falatórios, ainda as moças não usavam calças compridas, as paqueras, os olhares, uma vez ou outra surgia uma briga, discussões que no final era apaziguada. Assisti nesse cinema muitos filmes de terror, ficção cientifica, comédias, dramas, Bem-Hur, Os dez mandamentos, Gigi, e muitos outros que na maioria das vezes ficava boiando, não conseguia entender nos meus treze ou quatorze anos. Me disseram que o prédio foi tombado, tanto o do Excelsior como o do Variedades, não podem ser derrubados. Saudades de vocês meus cinemas queridos...

É isso... ou, não é?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.608(2020)

  

Suave é o dia na sua tranquila intensidade de movimentos e sentimos. Na característica de onda e matéria ou, matéria onda, vamos avançando passo a passo como o livre arbítrio nos leva. Hoje sou paz, amanhã sou amor, no dia seguinte sou felicidade e, assim positivamente sigo o que diz meu coração, se errado ou certo estou isso não vem ao acaso, o que importa é minhas ações, o que importa é o que eu faço para mim e para os que de mim precisam, o que você, você e você acha, isso não me importa. O que importa é a aceleração do meu coração transmitindo amor, e nesse amor que um dia será incondicional, vou evoluindo como humano responsável e digno de ser o que eu sou.

É isso... ou, não?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.607(2020)

 

Ontem meu amigo Fabricio Viana postou um fato triste, um amigo dele tinha cometido suicídio. Não conhecia esse amigo dele, mesmo assim fiquei triste e várias reflexões me passou pela mente. Vou deixar aqui um conselho a vocês futuros suicidas. Antes de pensar em tirar a vida, tente pelo menos te dar uma chance de viver e acesse o site do Professor Hélio Couto, veja os vídeos grátis e, escreva para ele e diga-lhe o que se passa com você, por favor se de essa chance, certo?

Como uma pessoa poder ser tão covarde em tirar a própria vida? E por outro lado: Como ela pode ser corajosa? Isso uma vez discutíamos com vários amigos Rascunheiros – saudades de vocês – quando uma delas defendia calorosamente a ação covarde, não admitia o ato, e, outra rebatia que não havia covardia nenhuma, era um ato de supremo sofrimento, um ato doloroso em que o suicida não vê outra saída, ele se sente inútil, ninguém o ama e então o que lhe resta é a morte. E por aí a fora, a discussão, ou melhor dizendo, o bate papo foi tremendamente caloroso que duas amigas foram quase aos tapas, precisando da intervenção do pessoal.

Sinceramente, mesmo que a Mecânica Quântica diga que não há morte, que ela não existe, e eu acredito, não deixo de ficar triste com tal fato e, se antes não pensava na morte, hoje penso, mas não com sofrimento, com o fato de perda, entende, sei que isso vai acontecer, talvez essa compreensão que tenho seja pelo fato de acreditar na reencarnação, que voltarei várias vezes a esse mundo. Bom, é isso, fico por aqui, pois esse assunto rende uma boa discussão saudável, só deixo aqui um segredo: já pensei em me suicidar duas vezes.

É isso... ou, não é?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.606(2020)

                 Seus olhos azuis cravados nos meus deixava escorrer duas lágrimas que lentamente descia pela sua fase. Seu queixo proeminente tremia querendo segurar a emoção, o que parecia ser difícil. Por momentos angustiantes pensei em puxá-lo num abraço dando-lhe um pouco de conforto, no entanto não deveria, pois, se o fizesse me arrependeria por toda minha vida. Eu não partiria e ficaria onde não queria ou não deveria ficar. Sei que estou sendo maldoso, até um pouco frio, o que não transparece é que estou sofrendo também. E como fomos chegar a essa angustiante situação? Rememorando os acontecimentos, não vejo quando, onde e porque nossas vidas se desmoronaram. E, também não é o momento, a hora para se pensar nisso. Vamos deixar a poeira baixar para depois conversarmos sobre o que nos levou a separação. Bem, preciso, ir, se cuide e até breve, meu amigo. Abraço.

É isso... ou, não é?

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.605(2020)

                     Domingo. Primavera. Frio. Seis de dezembro de dois mil e vinte. Ano porreta. Pandemia. Mortes. Cuidados extremos. Usar máscaras. Nada de aglomeração. E o povo tem consciência disso? Não tem, deveria, só querem saber de baladas, bebidas, transar e que se foda o mundo, não é? Casamentos cancelados, aniversários cancelados, festas canceladas, nada de comemorações natalinas, nada de virada de ano, nada de carnaval, nada de nada. O mundo precisa parar mais uma vez, pelo menos o Brasil parar um mês ou dois, mas e a economia, as lojas, as indústrias, as escolas... Povo, povão tem que ficar em casa, sei que é difícil, principalmente a periferia, o povo da favela. Quem venha logo essa vacina.

É ou... não é?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.604(2020)

                                 A temperatura caiu. Está frio, não muito, o ar parado, silencio, tudo quieto, as vezes um carro, buzina, acho que o mundo parou. Bem, o que faremos hoje. Olha não sei, somente sei de uma coisa. Qual? Vamos fazer o que fizemos ontem. E o que fizemos ontem? Vivemos, preenchemos o espaço que nos é reservado para compor nosso papel nesse imenso teatro as vezes chato, as vezes mórbido, mas sempre necessário, principalmente se nos engajarmos no script da alegria, do positivo, entende. Sim, entendo, mas nem sempre é possível ter nas vinte e quatro horas a alegria, não é. É, mas precisamos da alegria assim como precisamos do ar, dos alimentos, da água, da terra e, quem sabe, até do fogo, não o fogo na concepção da palavra, e sim, do fogo que nos queima por dentro no incentivando a continuar, a mudar um pé depois do outro fazendo palpitar o coração com novas iniciativas ou, mesmo, alimentando as antigas.

É isso... ou, não é?

domingo, 3 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.603(2020)

                                 Fale uma palavra. Falar uma palavra? É uma apenas. Não posso falar uma palavra. Por que não? Por que eu sou o teu eu e ao dizer ou somente em pensar numa palavra já te influenciarei àquela palavra, entende? Sim, acho que entendo, no entanto, preciso de estímulo para escrever. Primeiramente o que acho importante é você não se policiar tanto como vem fazendo, se solta, receba a consciência das palavras, até mesmo, a consciência das letras e escreva sem pudor e sem se envergonhar do que escreve, compreende? Sim, compreendo, para isso terei que não dar ouvidos a você destruindo o ego e compartilhar com o todo para fazer com que a centelha divina fique cada vez mais forte. Isso mesmo, estou com você. O pior é que sempre estará comigo, não conseguirei me livrar de você, meu “eu” querido. Porra, não é que é verdade mesmo, bom como vamos fazer então? Sinceridade? Sim, sempre. Não sei, merda.

É isso... ou, não é?

sábado, 2 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.602(2020)

 

To na preguiça. A manhã está bonita, latidos, maritacas, vozes, carros, motos anunciam que o dia será estupendo, no entanto, na preguiça meu corpo não quer nada com nada. Se ele se movimenta, talvez, por algum indício de ser preciso, de que deve ser para ser e não ser o que deveria ser, entende? Ser!? O que é necessário para ser? Sou apenas isso o que eu sou: “ser”. Quem ou o que designa o que eu seja para ser? O Todo, essa força que conjunta ao meu eu, que em conjunto com a minha força me faz ser. Mas simplesmente ser, nada mais. É, somente ser e nada mais. Penso que é daí que vem a minha preguiça, ser nada mais. E o que é preciso para ser além de ser? Virar a barraca, chutar o balde, sair do estado de autossabotagem, clicar no delete? Nada se resolverá se você não quiser, e querer requer atos além dos atos normais que fazemos todos os dias. Requer desobediência as regras, ir aonde ninguém foi, onde o desconhecido terá que ser conhecido, onde está o além do além, as vezes saltar obstáculos que ferem, machuca, sangra, no entanto necessário. Entende? E me pergunto: e você está preparado para isso? Olho no espelho, dou risada, e me acho bonito.

É isso... ou, não é?

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.601(2020)

 

Estavam deitados na cama quando B disse:

— Nossa como sou branco.

Olhando nos olhos do amante, A retrucou:

— Está me chamando de negro, e?

— Não, apenas estou comparando nossas peles e, de mais a mais, você nunca se importou com essas coisas.

— Que coisas?

— De chamar você de nego, neguinho ou negão, para mim é uma forma de carinho que tenho por você.

— Entendo.

E levantando-se foi até a janela abrindo-a.

— Mas gostaria que em público não fosse tão carinhoso comigo.

— O que?

— É, não me tratasse assim.

— Como é?

— O que você ouviu.

— Sim, ouvi, mas não entendi. Quer dizer que não devo tratá-lo carinhosamente em público?

— Isso mesmo.

— Ah! entendi neguinho, você vai se sentir rebaixado, estarei demonstrando a superioridade branca. É isso?

— Isso mesmo. É que podem interpretarem erroneamente.

— Não acredito, no que estou ouvindo C. Então vocês acham que não devo tratar quem amo com palavras amorosas, isto é, com apelidos carinhosos?

Estavam no bar de sempre, onde se encontravam todas as noites.

— Eu entendo o que A está falando e ao mesmo tempo não acho justo, como ele te disse, pode haver alguma interpretação errada e, você B, pode se dar mal.

— Sinceramente não aceito o que estão falando.

Nisso chega até eles um policial e indicando B diz:

— Por favor, o senhor poderia me acompanhar?

B se espanta e pergunta:

— Por que devo acompanhá-lo?

O policial polidamente diz o porquê.

— O senhor desrespeitou este senhor – apontando para A – chamando-o de Neguinho.

— Mas acontece, senhor policial, somos casados e se o chamo de neguinho é uma forma de carinho.

— Sim, até posso concordar, mas as respeitáveis pessoas que estão aqui não concordam e acham que o senhor foi preconceituoso.

Na delegacia. B foi obrigado a responder um questionário, assinar e se prometer a não chamar o amante de apelidos preconceituosos.

— Se houver reincidência o senhor poderá pegar de três a seis anos de prisão.

— Esse é o mundo atualmente, meu amor, disse A ao saírem da delegacia.

É isso... ou, não é?

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...