... sempre pensei e ainda penso que o ser
humano tem um potencial muito grande, até posso dizer, uma arma que não sabe
usar: a mente, isso mesmo a mente, sou aficionado por histórias, filmes,
experimentos que usam a mente como forma de expressão ou poder, sempre
acreditei nisso, e no entanto não sabia como exercitar a mente, mas também,
confesso, sou um preguiçoso, nem uma vez fui a procura para saber se era
possível e muito menos praticar, e, até hoje a preguiça é tal ou falta de
prática ou costume, nem mesmo a meditação faço, então como se diz o velho
deitado, “não chore as pitangas”, não é, não choro as pitangas e muito menos
leite derramado ou o vaso quebrado, e, foi no carnaval desse ano que conheci o
Hélio, sambando alegremente no Facebook, rolando a tela para cima e para baixo
quando deparo com a figura do Hélio sorridente me convidando a sambar, e, entre
uma marchinha e outra, uma cervejinha aqui e outra ali, Hélio não aceitou
nenhuma, me disse da importância mental, do potencial que nós temos que vai
além de se conseguir uma vaga no estacionamento, que podemos pedir e ter o
incomensurável que quisermos, e explicando a Mecânica Quântica que já tinha
ouvido, lido, alguma coisa sobre, mas não sabia da sua intrínseca verdade,
daquele momento em diante passei a ouvir, assistir todos seus vídeos no
YouTube, como estava no litoral onde só se podia comer, beber e ir à praia,
isso se não chovesse, não tendo nada o que fazer, passe a “caçar” vídeos sobre
a mecânica quântica, principalmente os do Hélio, e, ao voltar para São Paulo,
fui com ansiedade, valsando, pois o carnaval se encerrara, portanto, valsando
no Facebook, numa virada de página ao mudar os pés na valsa de Strauss é que
deparei com a página: Águia – página oficial, tendo ouvido o Hélio sobre o
arquétipo da águia e sua importância e, também, de todas as aves acho de uma
beleza imensa a águia, e dos animais acho os felinos os mais bonitos, e, tanto
é que o Hélio mencionou num dos mais diversos vídeos, que a águia é o arquétipo
mais poderoso, mais importante de todos e que, logo abaixo dela vem os felinos,
precisamente o leão, portanto mais que depressa me associei à página oficial da
águia, e a minha primeira participação foi perguntar se conheciam algum grupo que
estudava a mecânica quântica, mas antes disso, fiz uma pesquisa, quer dizer
queria agregar várias pessoas para se encontrarem uma vez por mês, ou uma vez
por semana para falarmos, discutirmos, trocarmos figurinha como se diz no
jargão das redes, perguntei para um, perguntei para outro, perguntei para umas
cinco pessoas e todas elas pularam foram, ninguém quis dando as mais esdrúxulas
desculpas, e, não sei quem respondeu que o João Cásio tinha um grupo e assim
conheci a Expansão da Luz...
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico ou VI Encontro Quântico.
O frio bate na
parede e reverbera nos cantos da alma congelando o corpo numa frenética
urgência de viver.
Domingo frio, garoa.
Uma desesperança de última hora levanta questionamentos referentes ao processo
de aprendizado. Processo que desde o início do ano surge como negativo originando
em várias perguntas, mas deixando as dúvidas e vou passar outro domingo
agradável e conhecer novos e rever os antigos amigos.
Assim, como todos os
domingos dia dos encontros, nesse questionamento a ansiedade obsessiva de escapar
para dentro das possibilidades positivas se faz presente. Na morosidade dos
gestos, chego ao ponto do ônibus sem dificuldade e, em seguida, duas baldeações
de metrô me encontro no espaço Nis e, sou recebido com atenção e carinho. E
mais uma vez percebo o esmero e cuidado e amor na preparação e recepção aos que
chegam. Alguns a primeira vez, outros a segunda e, também os assíduos
frequentadores. Vejo que estou me encaixando nesse último item. Noto presenças
ausentes e ausentes presenças, não vou citar nomes para não cair em erro
desagradáveis. Com seu charme e beleza, na ausência de Mariane, Aline inicia o
encontro anunciando o quântico compositor e cantor João Cássio preparando o
ambiente e os presentes numa meditação proporcionando a todos a se conectar uns
aos outros e ao Todo. E é nesse momento que o eu se desloca do eu que sou se
unindo aos eus momentos de todos eus.
E assim que todos se
deixam unir num só, Aline anuncia o Estudo do livro Mentes in-formadas, do
Hélio Couto, que na voz suave da Coach Quântica Adriana Alves nos explica, numa
aula impecável, diversos itens esclarecendo ainda mais quem leu e incentivando quem
não leu a ler, e quando percebemos somos transportados para o intervalo para
café.
E é nessa hora que
notamos o esmero e cuidado do grupo em deixar todos a vontade e confortável,
pois é o momento descontraído do encontro, onde podemos interagir uns aos
outros, saboreando um delicioso café. Na minha inoportuna distração, noto
pessoas tomando café com leite e, quando vou a procura do café com leite já
tinha acabado e ao ouvir elogios sobre um chá, percebo, se não estou enganado
que o café com leite que eu procurava era o chá. Apesar do frio e garoa,
ninguém se importou com a temperatura.
Neste dizeres, em
que procurei, ou melhor, em que achei que deveria dar um enfoque diferente a
crônica, acho que pulei um item indo diretamente ao final.
Este item foi a
atividade proposta pela Adriana, entregando um papel e uma caneta a todos para
que escrevessem, como se fosse uma carta à uma pessoa querida, relatando seus
desejos futuros. Foi nesse momento em que constatei a força negativa que me
dominou a parte da manhã. Com a caneta e o papel a mão, não consegui escrever
nada. Meus desejos? Não sei, será que não tenho? Por exemplo, viajar. Não me
preocupo em viajar, conhecer lugares, Paris, Luxemburgo, Alemanha ou Itália ou
mesmo Índia ou Japão. Não tenho curiosidade. Casa, carro, apartamento também
não me interessa, não necessito de nenhum deles. Cheguei à conclusão que o que
tenho já me satisfaz, me contenta, não sou um cara luxuoso, que gosta de roupas
de marca, sapatos bonitos, tendo uma roupa e um sapato confortável já me basta.
Talvez, o que pudesse desejar seria dinheiro, mas não para mim, para ajudar
outros, os necessitados. Mas para isso terei que quebrar meus paradigmas, sair
dessa zona em que estou, é o que negatividade me mostrou ao acordar. Não estou
preparado para a ser um iluminado, não estou preparado a expandir meus
conhecimentos e muito menos a consciência, se acontecer será um ato
involuntário, será um ápice de um dia para outro e, não lentamente, isto
porque, parece-me que continuo e continuarei sempre o mesmo. Creio que depois
de muitas reencarnações alcançarei algo. Não sei.
Na segunda parte,
depois do delicioso café, aconteceu o esperado, creio que pela maioria dos
presentes a palestra da Olene Vilela (Maat Menkeru) sobre O que são Arquétipos
e sua fascinante influência em nossas vidas. É um assunto muito abrangente para
ser dito em poucas horas que tínhamos. Mesmo assim com um vasto material Maat
conseguiu revelar e apresentar vários arquétipos que influencia nossas vidas. Olene
na sua sagacidade suave, com voz amena respondeu às perguntas que, mesmo assim,
muitos ficaram com dúvidas que Maat se disponibilizou a responder via WhatsApp.
E como acontece em
todos os encontros, o término é fechado com chave de ouro musical que, nesse
teve a participação do conhecido compositor quântico poeta cantor João Cássio,
brindando com sua voz várias composições suas e inclusive a famosa Rosas do
Deserto.
E assim foi mais um
encontro. Grato a todos.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico ou VII Encontro Quântico.
Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico
O inverno foi embora
e a primavera esparrama raios de sol na área florida derramando luz e calor. Muitas
palavras povoam a minha mente e muitas são descartadas sem responder à
pergunta:
- Como começarei a
crônica para o sétimo encontro?
- Começando do
começo, respondem os dedos.
Acontece que crônica
descritiva acaba sendo repetitiva e sem conteúdo, entendem? Não sei se
entendem. Mas vamos lá.
- Mas espere.
- Esperar o que.
- Por favor, faça
com que digitamos palavras com conteúdo...
- É claro, não sou
provido de palavras somente por palavras.
- Assim espero.
- E além do mais
descobri algo que me fascinou por completo.
- O que foi?
- Descobri Amnésia
Quântica.
- O que???????
- É Amnésia
Quântica.
- Pronto lá vem ele
com essa... como se diz... bobagem... não, ah lembrei: esquisitice quântica.
- É não deixa de
ser, mas vou explicar.
- Por favor, os seus
dedos estão prontos para ouvir ou, melhor, para digitar.
- Então existe
Amnésia alcoólica, Amnésia amorosa e agora Amnésia quântica.
- Senta que lá vem
história.
- Então a alcoólica
quase todo mundo conhece ou já passou por uma.
- Lembra quando você
ou nós, não sei como dizer, vou optar por você. Então lembra aquela vez que
você chegou todo urinado...
- Por favor, não
vamos entrar em detalhes, ok?
- Está bem, mas que
foi engraçado foi.
- Dedos bestas.
- Somos parte de
você.
- Então a alcoólica
é terrível, você não lembra de nada, como chegou em casa, como pegou a
condução, dá um branco total, um vazio de besteiras de arrependimento.
- Principalmente
quando se acorda no dia seguinte e vê uma pessoa desconhecida ao seu lado na
cama, argh!
- Pedi para não
entrar em detalhes sórdidos, por favor.
- Não estou falando
mentira, imagina, você acorda e dá de cara com tribufu ao seu lado, hein, nós
já passamos muito por isso, não é.
- Se vocês não
ficarem quietos vou esganar vocês.
- Essa eu quero ver,
dedos não tem pescoço...
- Então
prosseguindo. A amnesia amorosa é linda e prazerosa.
- Principalmente
quando nós, dedos, passamos as pontas bem de leve sobre uma pela lisa e suave e
doce como maçã...
- Maçã!? Não seria
pêssego.
- Poderia, mas
pêssego virou clichê demais, optamos por maçã.
- Ah tá.
- E aí nós, os
dedos, devagarinho vamos descendo por entre os seios, chegando ao umbigo e
lentamente nos introduzimos por entre a calcinha rendada... é claro, se for
mulher...
- Pera aí, porque se
for mulher? Logicamente que será mulher.
- Nós, os dedos,
obedecemos, não sabemos a preferência...
- Escuta vamos parar
de besteira...
- Ok.
- Essa amnesia é
deslumbrante porque se houver alquimia entre os corpos, tudo o que está a volta
some, desaparece, você flutua, vai ao nirvana...
- Ih! Esse negócio
de nirvana vou te contar. Está bem, essa também conhecemos muito bem, né.
Estamos curiosos pela Quântica e, posso imaginar que nós, os dedos, não tivemos
participação...
- Pensando bem, creio que não.
- Então devemos
ficar quietos, mesmo, droga!
- Até que enfim caiu
a ficha.
- Bobo.
- Antes de continuar
quero pedir algo.
- O que?
- Não levem muito a
sério minhas palavras.
- Porque?
- Porque nem mesmo eu
tenho tanta certeza do que aconteceu.
- Ok, vamos ouvir
sem questionamento.
- Então, até chegar
ao espaço Nis foi cruelmente normal, não ocorreu nada.
- Cruelmente!?
- Por favor, posso
usar a licença poética?
- Claro, claro.
- Obrigado. Chegando,
cumprimentei o pessoal, subi, troquei umas palavras com o Marco...
- Trocou palavras? Palavras
se veste? Gostaríamos de saber com que palavras estava vestido...
- Já mencionei que
vocês são bestas?
- E nós já respondemos:
somos parte de você.
- Bem em seguida a
nossa querida e meiga Mariane deu início ao espetáculo. Como sempre ocorre,
João Cássio, mestre iluminado, se posicionou para a meditação. Nesse momento é
que senti, não sei se estranho, só sei que entrei num estado de transe ou tenha
mesmo caído num pequeno cochilo, pois não lembro, quando percebi a mestra
Adriana já estava nos ensinamentos do livro Mente in-formada e, a partir daí
uma impaciência me dominou. Esticava as pernas, dobrava a direita, a esquerda,
uma formicação queimava a perna de cima a baixo, não conseguia ficar acomodado
de jeito nenhum. A boca seca pedia água, pensei quinhentas mil vezes em tomar e
desisti quinhentas mil vezes, não ia atravessar toda a sala, atrapalhar a
Adriana, olhei outras quinhentas mil para o relógio, jogava o corpo para um
lado e para o outro, foi um sufoco. No depoimento do Alexandre – espero que
seja esse o nome, e me desculpe se não for – parece que a impaciência tinha me
deixado, consegui ouvir um pouco. Desci para o intervalo do café com a
convicção de que melhoria. Pensei, vou tomar o famoso chá da Nani e espantar o
mal-estar. Mas, desculpe Nani o chá não me conquistou, estava saboroso, talvez
por não gostar ou por não ter o costume de tomar chá, mesmo assim tomei dois
copos. Quando André Santos começou a palestra sobre Prosperidade o poder do
observador, fiquei abismado com sua magreza que parecia transmitir fragilidade
onde pude notar o meu engano, com voz firme transmitiu muito bem a palestra da
qual puder absorver o final. Sim, o final, não sei o do porquê, não lembro o
início e nem o meio, apenas o final quando a amiga da Nani estava dando o seu
depoimento, – desculpe ainda não guardei o teu nome - isto é, parece que
acordei naquele instante e mesmo assim, pouco entendi ou ouvi o que ela dizia. Senti-me
horrível, a sensação que tinha que não devia estar ali, e sim, em outro lugar,
bateu uma angustia, uma ansiedade, que só melhorou com o sapateado do Marcelo
que, com desenvoltura e arte mostrou toda a beleza do sapateado dando comichão
nos pés da gente.
- Só isso?
- Sim.
- Amnesia Quântica?
- Sim.
- Conta outra meu.
Você dormiu mesmo essa é que é a verdade.
- Não... Sim...
- Você tem é uma
criatividade muito boa.
- Obrigado.
- Amnesia Quântica
vamos acreditar para não perder a amizade.
- Não acreditam
mesmo...
- Cê dormiu isso
sim.
- Será?!
terça-feira, 28 de janeiro de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.431(2020)
Ando seriamente preocupado. Estou em estado de
alucinação ou, melhor dizendo, estou tendo alucinação. Outro dia ao virar a
cabeça para direita levei um tremendo susto ao sentir sua presença ao meu lado
que me levou a exclamar:
- Filho da puta, vá assustar tua mãe.
Que eu saiba você ainda não morreu e eu moro sozinho.
O susto foi tão grande que o celular que estava na minha mão caiu em cima da
mesa de vidro. Me vi tremendo até. Outro dia, sem perceber comecei a escrever a
letra inicial do teu nome com caroços de azeitona e, pensei:
- Vou comprar macarrão de letrinha, faço uma
sopa e escrevo a letra do teu nome e fotografo e envio a você.
Comecei a rir que nem bobo no meio da cozinha.
Isso não é nada. O pior é que fico dialogando mentalmente com você e,
paranoicamente você me responde. Crio cenas surreais onde somos os personagens
principais. É o fim da picada. Não é não?
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico ou VIII Encontro Quântico.
... cá estava
pensando, quer dizer, ainda estou pensando, realmente depois que deixei o
espaço Niss é que comecei a pensar, se é que o pensamento tem começo, meio e
fim, não, não tem, ele é um continuo fio condutor que não para nenhuma vez, não
se consegue ficar sem pensar, talvez se consiga, eu não consigo, preciso
aprender muito para conseguir tal façanha, mas voltemos ao que estava pensando,
quer dizer ainda não disse, portanto direi agora, quando Adriana iniciou a
atividade de cada um escrever o que sentia negativamente, descobri que não sei
definir o que sinto, precisamente naquele momento não estava sentindo nada,
quer dizer, não me passou pela mente sentir tudo aquilo que foi escrito,
pensado e falado, ciúmes, inveja, orgulho, egoísmo, apesar que já fui muito
vezes chamado de egoísta, raiva, ódio, falta de confiança, esse tenho um pouco,
não sei porque não mencionei, sei sim, foi o acanhamento que me impediu, humildade,
isso sei que tenho, acho até que muito, creio que não devemos ser humildes
demasiado, aliás, não devemos ser nada em demasia, devemos ter um equilíbrio em
tudo, as vezes, em certos momentos devemos pender um pouco para o lado
negativo, para que as pessoas saibam que
não somos idiotas a ponto de sermos enganados, era o que pensava antes de
encontrar o mundo quântico, agora tenho a certeza de que não devemos sentir
nada, principalmente negatividade, e, engraçado, na troca dos sentimentos, isto
é, oferecer a pessoa ao lado o orgulho recebo humildade, e nessas de oferecer e
receber, recebi cinco vezes a humildade e, no termino da atividade acabei
ficando com a humildade, depois de um mês ressonante, vejo que há muitos
paradigmas incrustados nesse monte de carne, nervos, ossos, pele, moléculas,
órgãos, veias, músculos e tudo o mais, principalmente se a mente que não para,
há alguma maneira de fazer ela parar, não sei, começar a lembrar dos ditos
maternos, “dinheiro é sujo, passa por diversas mãos” , “ antes pouco do
que nada”, “ antes só do que mal
acompanhado”, e outros que no momento não me vem à mente...
... com referência a
Akira, bela animação japonesa, fanático por cinema como sou, quer dizer, hoje
não sou tanto como antigamente, lia de tudo sobre cinema, critica, fofocas,
noticias, quase tudo que sai na mídia, principalmente na jornalística, e na
Folha de São Paulo tinha bons críticos de cinema, e na época Akira foi um
estardalhaço, tanto no sentido técnico de animação como de trilha sonora, e
realmente a animação é uma obra prima em todos os níveis, não lembro se na tv
ou no cinema qual dos dois vi primeiro, sei que comprei o dvd e baixei a trilha
sonora, o diretor quis que a trilha fosse composta por um grupo
experimentalista em tecnologia e música eletrônica, cujo nome é a primeira
letra de cada um dos componentes do grupo, não sei de quantas pessoas, para
mim, leigo do mundo quântico, não supunha uma ligação do mangá com o universo
quântico, coisa que tão bem o Eldy na sua simplicidade magnificamente expôs e,
no trecho que ele apresentou, mesmo sabendo que a espada não iria cortar o
braço do herói, fiquei na expectativa de que seria decepado, foi um momento
digno de suspense, e aqui parabenizo o palestrante e escritor pelas explanações
revelando para nós o mundo anime e mangá dentro da mecânica quântica,
principalmente Akira, fiquei abismado por sua percepção em, não sei se posso
dizer descoberta dessa ligação, só mesmo uma pessoa intelectual e amante dos
animes e mangá e da mecânica quântica consegue tal façanha e que deixou,
principalmente para mim, com vontade de ver os animes e mangás que o levou a
escrever o livro, parabéns Eldy...
domingo, 26 de janeiro de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.430(2020)
Doze horas e cinquenta e três minutos. O sono
me pega. Os olhos cheios de lágrimas dão impressão de que estou chorando. Rua
Vergueiro. Prevent Senior a espera da doutora. Foi almoçar. Esta para chegar.
Como sempre o vai e vem é intenso, corpos decrépitos em busca de salvação,
doentes idosos acompanhados ou não na espera de algo. Milagre? Já foi o tempo
deles, agora é encarar a realidade. Querem prolongar em mais uns dias, meses ou
anos, a vida. Querem vencer o tédio da velhice, querem esquecer o que os
atormenta, sem saber que a cura não está na matéria, nos remédios, no aval
médico, mas sim, na mente, doença não existe acreditem nisso. Precisam expulsar
sentimentos, pensamentos negativos da vida. Extirpar a negatividade dos olhos
que projetam isto ou aquilo que os incomoda. Treze horas e vinte minutos. A
doutora talvez esteja chegando. Cada cabeça, cada olhar traz em uma história,
uma dúvida, uma pergunta: até quando ficarei aqui? Todas têm seu caminho
traçado, todos personagens do imenso teatro da vida. Uns pequenos nos seus
papéis, outros insignificantes, outros ainda meros coadjuvantes, mas todos
compenetrados em seus papéis prisão. É isso, não é?
sábado, 25 de janeiro de 2020
Amor
- Será que não pode entender? É tudo o que peço
de ti. – disse Alex esbravejando.
- É tudo o que peço de ti, só isso que sabe
falar. – retrucou Antony debochando.
- Claro, você não entende ou não quer entender,
né.
- Vai tomar no teu cu.
- Dói.
- Entende, né.
- Não entende é que amor não pede, apenas se
aceita o amor como é, nada mais. Assim que se deve ser.
- Cuidado seu merda, olha o ônibus.
Ao puxar Alex os dois ficaram cara a cara,
quase se beijando. Nisso alguém gritou:
- Cuidado.
Não houve tempo. O veículo imprensou-os na
parede. O letreiro acima de suas cabeças, dizia:
“Padaria Amor Eterno”.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.429(2020)
Treze horas e cinco minutos do dia vinte de
janeiro de dois mil e vinte. Penha. Plataforma do metrô. Não, não, ainda não é
o que pensei em fazer, quer dizer, o que o meu eu me propôs, ainda não é.
Aliás, isso até pode se dizer que seja uma prévia, um esboço coisa que não gosto
de fazer, então vamos dizer, um rascunho. Pois é. Estação com pouco movimento.
Ar abafado, prenuncio de chuva, quente, sem vento... é um vai e vem que não tem
fim, é um chegar ao destino... se necessário não sei... para alguns sim, para
outros não, e alguns nem tanto, para mim não penso em destino, penso em viver o
agora, aqui nesse instante. E, talvez nem para o rapaz sentado ao meu lado,
marreteiro, forte, saudável, vive de trem em trem, de vagão em vagão vendendo
suas porcarias que acabou de vender dois bombons para a moça sentada atrás de
mim. Treze horas e quinze minutos, bem vamos se locomover, se mexer. Texto
pobre... é estou enferrujado. Pois é...
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Conversa entre neta e avô.
Estavam atravessando o farol quando a neta
virou para o avô e disse:
- Vô, você viu?
- Viu o que?
- Aquele homem de unha pintada.
- Onde?
- No carro, não viu?
- Não vi.
- Homem pinta a unha, vô?
- Claro, porque, não pode?
- Esquisito, vô.
- Não acho, se ele quer pintar o que que tem.
- Só mulher é que pinta a unha, vô.
- Os homens também pintam a unha, o vô já viu
muitos com a unha pintada.
- De rosa, vô?
- Ele estava com a unha pintada de rosa?
- Estava, vô.
- Você foi perspicaz em ver até a cor do
esmalte.
- Vi, vô, era rosa.
- Está bem, minha neta.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.429(2020)
Treze horas e cinco minutos do dia vinte de
janeiro de dois mil e vinte. Penha. Plataforma do metrô. Não, não, ainda não é
o que pensei em fazer, quer dizer, o que o meu eu me propôs, ainda não é.
Aliás, isso até pode se dizer que seja uma prévia, um esboço coisa que não gosto
de fazer, então vamos dizer, um rascunho. Pois é. Estação com pouco movimento.
Ar abafado, prenuncio de chuva, quente, sem vento... é um vai e vem que não tem
fim, é um chegar ao destino... se necessário não sei... para alguns sim, para
outros não, e alguns nem tanto, para mim não penso em destino, penso em viver o
agora, aqui nesse instante. E, talvez nem para o rapaz sentado ao meu lado,
marreteiro, forte, saudável, vive de trem em trem, de vagão em vagão vendendo
suas porcarias que acabou de vender dois bombons para a moça sentada atrás de
mim. Treze horas e quinze minutos, bem vamos se locomover, se mexer. Texto
pobre... é estou enferrujado. Pois é...
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
Dan
Todos os dias eles se encontravam na quitanda.
Escondidos no vão da porta se beijavam. Nos primeiros dias, timidamente, com o
passar do tempo os beijos e as caricias se tornarem mais audaciosos. Dan já
deixava Marcos alisar por cima da roupa seus seios que emergiam firmes. Um dia,
atrevidamente a mão de Marcos procurou o meio das pernas de Dan. Assustado
retirou abruptamente com os olhos arregalados.
- Daniela, disse gaguejando.
- Sim, Marcos.
- Você...
- Sim, sou...
Marcos saiu correndo e ficou vários dias sem
aparecer. Daniela sabia que isso aconteceria, era sempre assim. Porém, para sua
surpresa, numa tarde ensolarada Marcos apareceu e, sem dizer uma palavra
retomaram os beijos no vão da porta. Dan percebeu que Marcos a tocava da
cintura para cima, não perguntou o porquê, sabia a resposta. Assim passaram
dias felizes até que numa manhã, o pai de Dan apareceu de surpresa.
- Dona Genoveva tinha razão. Os veadinhos se
escondem na minha quitanda.
E puxou Dan pelo cabelo.
- Já te falei, Daniel, você é um monstro, não
merece nem viver.
- Meu nome é Daniela, gritou ao pai.
- Ah! Quer ser mulher.
E dizendo isso, ergueu o vestido e baixou a
calcinha.
- Vejam, disse para as pessoas que entraram na
quitanda, essa merdinha não é nem homem e nem mulher...
Dos olhos de Dan escorriam grossas lágrimas.
Nisso, Marcos empurra o pai da amada que desaba sobre as verduras.
- Corre, Dan, corre.
********
- Marcos... Marcos...
- O que foi Dona Eulália.
- Está escondido, não foi se despedir de
Daniel?
- Daniela, Dona Eulália.
- Ele deixou esse bilhete para você.
- Como ela teve a coragem de se suicidar!
- Ele não teve, eu que o ajudei...
- O que?!
- É. O encontrei na cozinha com a faca no
pescoço, mas não teve coragem. Então o ajudei...
- Mas poderia fazer uma operação...
- Aqui nesse mundo sem fim, meu filho, iriam só
zombar do coitado como vinham fazendo. E onde iriamos arrumar dinheiro...
Aliás, só você o entendia. Gostava muito de você, foi o único que o aceitou
como ele era.
Ao ficar sozinho abriu o bilhete:
Querido Marcos.
Obrigado pelos bons momentos que passamos
juntos.
Você foi o único que me fez feliz.
Desculpe, não aguento mais viver.
Te amo.
Sua Dan.
*************
- Pai, que cheiro de papel queimado...
- Oi, Daniela, está preparada?
- Daniel, pai, já te falei.
- Sei, para mim você ainda é Daniela, a partir
de amanhã, aí sim, te chamarei de Daniel. Onde está o Guilherme?
- Chamando um Uber.
- Pegou os documentos?
- Sim.
- Não sei por que precisam dos papéis de
adoção.
- Talvez, para confirmar que vocês me adotaram
mesmo.
- É pode ser. Guilherme querido, já chegou o
Uber?
- Sim Marcos, vamos?
- Vamos amor.
E no cinzeiro ficou um pedaço de papel onde se
podia ler: “Dan”.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
São Sá Longuinho
Estávamos no teatro. Eu e minha filha. Queria
ver Os Saltimbancos. O teatro parecia cinema do que propriamente teatro. Era ao
ar livre. O estranho que seu aspecto era de ruína, isto é, estava em ruína com
pilares cheios de musgo, paredes caídas, pela metade, tinha a aparência dos
monumentos romanos em ruína. Mas para minha filha isso pouco importava. Procurava
um lugar legal para ficarmos, mas as únicas cadeiras vazias ficavam atrás de
pilares e arbustos. De repente um sujeito falou:
- Se pedir cachaça é homem.
Olhei para ele e mentalmente disse:
- Idiota.
Nisso, olho para os lados não vejo minha filha.
Desesperado chamei:
- Caroline!
Gritei mais alto
- Caroline!
Nada. Não me respondeu. Andei para um lado, fui
para outro e nada da minha filha. Berrei.
- Caroline!
Aí eu disse:
- São Sá Longuinho, ajude a achar minha filha
que dou três pulinhos.
Acordei dando os três pulinhos no meio do
quarto.
domingo, 19 de janeiro de 2020
Descartado
Feliz aniversário, envelheço na cidade.
Tocava a música.
Sentou-se na poltrona.
Apareceu um homem de preto e dois de branco.
- Chegou tua vez?
- Sim, respondeu.
- Apronte ele.
Abriu a maleta e começou a mexer nos frascos.
- Vamos começar.
- Sim, responderam.
Aplicou um líquido no braço dele e segundos
depois não existia mais ele.
Fechando a maleta disse:
- Vamos. O que foi?
Perguntou o assistente.
- E quando for a nossa vez?
- O que que tem?
- Como vamos reagir?
- Não sofram com antecedência, quando chegar a
hora veremos.
Saíram fechando a porta ao mesmo tempo que tudo
se desmanchou em vários pixels, e num instante não existia mais nada.
sábado, 18 de janeiro de 2020
Diálogo entre netas e avô.
- E aí, Eduarda, como foi a aula hoje?
- Chata vô.
- Por que chata?
- Ah, a Pro fez a gente escrever duas folhas de
lição.
- Foi é? É para você aprender a ler e escrever.
- Queria ser um cachorro ou gato.
- Por quê?
- Cachorro ou gato não precisam aprender, eles
já sabem.
- Já nascem sabendo, é isso?
- É, vô.
- Só que você esquece de uma coisa, Eduarda.
- O que, vô.
- Cachorro e gato vivem dezoitos ou quinze
anos, morrem cedo.
- Mesmo assim, queria ser um deles só para não
precisar aprender.
- Eu não queria não, eu gosto de ser gente, de
ser eu, de ser humano, de aprender, quanto mais a gente aprende mais a gente
ganha, sabia?
- Tá bom, vô.
- Não está esquecendo nada?
- Não, vô. Te amo, disse abraçando o vô.
- Vô, seu cabelo está ficando branco, disse a
Manoela.
- É está, Manoela.
- Por quê?
- Porque vamos ficando velho o cabelo vai
branqueando.
- Eu não quero o meu branco.
- Você não tem de querer, tomara que fique
branco. Quando você tiver a idade do vô, e eu desejo que você chegue a essa
idade, até mais ainda, seu cabelo vai ficar branco.
- Que chato envelhecer, vô.
- Chato nada, Manoela, é gostoso,
principalmente quando se tem netos ou netas.
- Vô, não está esquecendo nada?
- Não, não estou. Me dê um abraço.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.428(2020)
Vou acabar aceitando a ideia do eu. Ele tem me
feito pensar, nesses dias, numa coisa. Até achei fenomenal, mas acontece que
não vou colocar em prática o que o eu me peço. Ele fica pulsando em minha mente
o seguinte: pegar o metrô e ir de ponta a ponta, isto é, de Itaquera até Barra
Funda e vice-versa e escrever durante o trajeto, como fazíamos antigamente no
ônibus, mas naquela época não tinha consciência desse eu meu, entende? Hoje eu
tenho. Ou então descer em Itaquera e no shopping tomar um chopinho e escrever.
Não sei. Teve uma manhã quase que fui. Acontece que não sei se dará certo, pois
se eu não for ele ficará me azucrinando e, eu sei, se ele for vou ter que ir
junto. Droga, as vezes é um saco ter eu como companhia, mas nada de reclamar.
Vou pensar mais um pouco no assunto. Quem sabe o resultado seja bom. Veremos.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
Dúvida
- Trouxe a camisinha?
- Sim, claro.
- É bom mesmo, evitar acidentes.
- Ué! Mudou? Não é desastre?
- É a mesma coisa.
- Não é.
- Veja pra começar: os dois são substantivo
masculino; acidente é acontecimento casual, inesperado, desagradável ou
infeliz. Já desastre é evento, acontecimento que causa sofrimento e grande
prejuízo tanto moral, físico, material e emocional ou ainda, desgraça.
- Tem diferença por pequena que seja e os dois
provoca sofrimento e prejuízo.
- Bom acidente ou desastre vamos nos prevenir,
não é.
- Claro, toda prevenção é válida.
- Aquele que não se previne fica grávido.
- O que?
- É gravido ou melhor, gravida, pois minha
vizinha ficou gravida quatro vezes e está na quinta gravidez.
- Essa é maluca mesma.
Acidente
uma determinação ou qualidade casual
ou fortuita que pode pertencer ou não a determinado
sujeito, sendo completamente estranha
à essência necessária (ou substância) deste;
ou fortuita que pode pertencer ou não a determinado
sujeito, sendo completamente estranha
à essência necessária (ou substância) deste;
2 uma determinação ou qualidade que, embora
não pertencendo à essência necessária
(ou substância) de determinado sujeito e estando,
portanto, fora de sua definição, está vinculada
à sua essência e deriva necessariamente
da sua definição;
não pertencendo à essência necessária
(ou substância) de determinado sujeito e estando,
portanto, fora de sua definição, está vinculada
à sua essência e deriva necessariamente
da sua definição;
3 uma determinação ou qualidade qualquer
de um sujeito, que pertença ou não à sua essência
necessária.
de um sujeito, que pertença ou não à sua essência
necessária.
Os dois primeiros significados do termo foram
elaborados por Aristóteles. "Acidente", diz
ele (Top., I, 5, 102 b 3), "não é nem a definição
nem o caráter nem o gênero, mas, apesar disso,
pertence ao objeto; ou também, é o que
pode pertencer e não pertencer a um só e mesmo
objeto, qualquer que seja ele." Como essa
elaborados por Aristóteles. "Acidente", diz
ele (Top., I, 5, 102 b 3), "não é nem a definição
nem o caráter nem o gênero, mas, apesar disso,
pertence ao objeto; ou também, é o que
pode pertencer e não pertencer a um só e mesmo
objeto, qualquer que seja ele." Como essa
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.427(2020)
Aqui estou, depois de duas horas, ao ligar o
note, e esperar a lentidão dele, digitar senha, aparecer os ícones e tudo mais,
estou aqui e aqui ficarei, quer dizer, estou aqui numa tentativa em continuar
uma coisa que acho que já está esgotado, mas meus dedos sentem comichão e
então, por isso estou aqui e aqui... para com isso, escrevendo, continuando o
meu diário de um sentir, diário que escrevia no ônibus, no trajeto de casa até
o trabalho e do trabalho até em casa, numa agenda e depois reescrevendo,
aparando, acrescentando, tirando as arestas passava para um caderno e do
caderno para o Word, e o que vou escrever aqui agora, bom, talvez dizendo que
são precisamente quatro horas e trinta do dia nove de janeiro de dois mil e
vinte, caralho, dois mil e vinte, vinte e vinte, passa o tempo, clichê idiota
dizer isso, e que estou com fones de ouvidos, aqueles minúsculos que mais
parecem azeitonas pretas e ouvindo Philiph Glass, Akenathen, primeira obra que
me levou a gostar da música minimalista, e, o que mais, não sei, vamos deixar
para outro dia...
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
Diário de um sentir – Caderno número 7.426(2020)
Final de ano. Últimos dias do ano, até que bom,
cheio de vai e vem e nada de incertezas, algumas dúvidas, isso talvez, até
esperado, no geral, bom. E o que posso dizer em que fiquei todos esses anos sem
escrever o meu diário? Ou será que tenho ainda algo a dizer? Sim, enquanto
estou vivo, o coração pulsando amor, tenho sim, e por que não? Por você não dar
pelota por isso, pelo o que sinto? Por transmitir uma apatia que para mim
parece bronca, raiva por não ter sido o que você esperava que eu fosse?
Desculpe, é o que apenas, no momento, lhe posso dizer. Amanhã viajarei. Não
posso dizer que seja motivado a ir, mas vou para não passar mais uma virada de
ano sozinho. Esperava certo convite que não veio. Mas, será legal, estarei com
pessoas queridas, que de uma maneira ou outra me amam assim como a elas eu amo.
Portanto fica aqui essas palavras como começo ou retorno ao meu diário do
sentir parado em um mil novecentos e noventa e cinco.
domingo, 12 de janeiro de 2020
Éramos oito
Todos os dias os sete irmãos entravam, um por
vez, no quarto da mãe.
Por ser o mais novo ele era o último.
A progenitora ao vê-lo, sempre dizia numa voz
cansada:
- Meu bom filho.
Isso deixava-o desgostoso. Queria a mãe só para
ele. O que era impossível.
Um dia o inesperado aconteceu.
Os seis irmãos sofreram um acidente de carro e
morreram.
A polícia constatou que o freio fora adulterado,
mas nada ficou provado.
Todo contente, esfregando as mãos uma na outra,
entrou no quarto.
- Meu bom filho, disse a mãe, agora somos nós
dois.
E com a cabeça no peito da mãe disse:
- Sim.
Os olhos brilharam enigmáticos acompanhados de
um sorriso feliz.
sábado, 11 de janeiro de 2020
Está me machucando.
Estou!? Como se estávamos numa
posição agradável, oferecendo prazer um ao outro! O que ele queria dizer?
Talvez, eu precisasse ter falado algo naquele momento, o que não me ocorreu
nada, fiquei com a mente vazia, que merda, não ter nada para falar na hora, só
depois fico pensando: poderia ter dito isto ou aquilo e, além do mais, seus
olhos, ah! seus olhos azuis claros que me olhavam de baixo para cima
interrompendo o vai e vem da cabeça, me deixou em pânico, seus olhos azuis que
sempre me fascinou, que sempre me amou...
Ou só eu que amei esses pavorosos e belos olhos azuis que naquele
momento lançaram faíscas de reprovação? Sim, reprovação não tem outra lógica,
isto porque de azul claro tornaram-se azul escuro. Foi então que se ergueu me
beijando rapidamente dizendo: vamos embora. Como?! Ir embora!? Nem bem chegamos
já quer ir embora?! Rapidamente se vestiu e saiu, tive que correr. Porra meu, o
que foi, disse mentalmente. Não fizemos nada, acho que nem cinco minutos
ficamos naquele quarto mambembe, e agora sai como se fosse tirar o pai da
forca. É claro, fiz a pergunta e não a verbalizei do porquê e logo em seguida
envolvido por outros problemas, por outras coisas esqueci o incidente. Hoje por
uma, como dizer, consequência do destino ou por algo maior que nos envolve
deparo com uma foto dele esquecida no canto dos arquivos da galeria que me
remeteu àquela noite no quarto de hotel de segunda. A garganta se encheu de
angustia misturada com ansiedade torpe por não ter entendido o significado da
frase: Está me machucando. Ao expressá-la proferia a terrível sentença que o
nosso relacionamento estava no fim e, idiota, não tive a percepção que os olhos
azuis não me amavam mais, que era somente eu que o amava. Mesmo assim, insisti
em marcar passeios, encontros e outros momentos que achava serem do nosso
agrado, mas que não era. No entanto, ainda ficamos mais um ano num rola e
desenrola até que me desencanei e não mais o procurei. Olhei mais uma vez para
aqueles olhos azuis e pressionei o deleta. Virei mais uma página do livro da
minha vida.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
Eu nunca me deixarei.
Como pode uma pessoa estar deprimida por estar
sozinha!
Para começar, ela não está sozinha, ela está
com ela mesma, nunca sozinha.
Eu estou comigo vinte e quatro horas, nunca me
deixo.
As vezes esse estar comigo mesmo me sufoca que,
chego para mim e falo:
- Osvaldo, vai para o bar tomar umas e me deixa
sossegado.
Ele não vai, claro, pois se ele for terá que me
levar, esse grude as vezes é insuportável.
Tem momentos, a maioria deles eu gosto.
Alguns, o que são poucos, não gosto, mas
suporto.
As vezes quero fazer algo diferente ele me
fala:
- Vamos desenhar, hoje não desenhamos nada.
Pronto, lá vou eu desenhar.
- Vamos fazer papel machê.
E lá vou eu fazer papel machê.
- Vamos pintar os vasos.
E lá vou eu pintar os vasos.
É um tal de fazer isso e aquilo que vou te
contar.
E quando toca uma música bonita!
Ele me pega, me arrasta para o meio da sala e
ficamos os dois dançando.
E quando é a música que nós gostamos, meus
olhos se enchem de lágrimas.
Fico meio que envergonhado, tamanho marmanjão
chorando.
- Que isso, é normal, essa atitude confirma
quanta sensibilidade você tem.
Ele me diz.
- Você tem o coração de ouro.
Todas as vezes que olho no espelho, ele está
lá, sorrindo, os olhos brilhando contente.
- Te amo.
Me diz todas as noites.
E vou dizer uma coisa, nunca ficarei deprimido
por estar sozinho, pois nunca estarei sozinho.
Eu tenho eu para me fazer companhia.
E eu nunca me deixarei.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
Foi assim
então que ele morreu. Dirigia e viu o corpo
pender para a frente, a testa bater no volante, acionar a buzina ensurdecedora
quebrando o silêncio da vida. Morreu no meio da estrada. Soube na hora. O carro
caiu na ribanceira. E ali na imensidão do nada, perguntou:
- Onde estou?
Caminhou um pouco para frente. Um pouco para
traz. Um pouco para a esquerda. Outro pouco para a direita. Onde estou? Em cima
ou embaixo? Berrou para o alto:
- Universo onde estou? Dê-me uma dica. Que
dimensão?
Silêncio mais alto do que o nada.
- Onde estou Universo?
Nisso, arrastado, jogado de um lado para o
outro, imagens passaram a sua frente, de repente, estagnado, sentiu-se gosma
querendo penetrar algo, quebrado a resistência, perdeu completamente a noção, e
no escuro ficou nove meses.
imagem: http://condominiosc.com.br/jornal-dos-condominios/infraestrutura/2111-nove-meses-no-escuro
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
Francisco Petrônio
Estava no estúdio para gravar uma música. Ia
fazer um dueto não sei com quem. Não lembro.
- Se tiver acetado vamos ter que marcar para
outro dia a gravação.
Pensei:
- Que chato. Quero que seja hoje, outro dia não
venho.
Dali a pouco me disseram:
- Você está com sorte. Não tem acetado, então
podemos gravar hoje mesmo.
E assim foi. Fizemos a gravação. Correu tudo
bem.
- Você tem uma boa voz, quem sabe fazendo umas
aulas de canto não se torne um Francisco Petrônio.
Pensei:
- Vá a ... que Francisco Petrônio o que, meu...
Acordei no meio do quarto com o sapato como
microfone e cantando uma valsa.
imagem: https://br.depositphotos.com/254460484/stock-video-the-shadow-of-a-man.html
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
Gato
Estava perdido andando por uma planície. Coçou
o queixo, era uma planície? Achava que não, pois agora pouco passou por dois
montes não muito grandes. Deserto não era, sentia a maciez do solo, estava mais
parecendo pele humana, enfim, seja o que for continuou andando. Nisso,
escorregou por entre galhos pretos. Conseguiu se segurar em um e, num vai e
vem, soltou o galho e caiu numa caverna escura, macia, suave, quente, com odor
de urina e outro odor que não sabia explicar o que era. Foi quando ouviu sons
de algo escorrendo. Água? Talvez, virou-se e foi atingido por um líquido escuro
que o expeliu para fora da caverna.
- Você sempre faz dessa maneira?
- Só quando transo.
- E para que isso?
- Evitar desastre maiores.
- Como ficar grávida.
- Isso mesmo.
- Não sei como permito essas coisas.
- Já conversamos sobre esse assunto, não foi.
- Foi, mas temos pênis de borracha e outras
tralhas...
- Sabe que não tenho tesão por pênis de
borracha, o que eu quero é um de verdade pulsando forte e gostoso dentro de
mim.
- Não sei se me sinto traída, corneada ou não.
- Será corneada se eu transar com outra mulher,
aí sim.
- O que eu sei é que você é uma puta de uma
tarada isso sim.
- Puta não, tarada sim.
- Olha que é isso?
- Não sei...
- Parece um feto, veja tem pernas, braços e se
mexe, está tentando se levantar e não consegue por causa do sangue.
- Argh, credo, que nojo.
- Saiu de dentro de você.
Viu dois dedos enormes se aproximar dele e,
antes que pudesse dizer alguma coisa, foi jogado longe por um piparote. Caiu
bem em frente ao gato que, assustado, cheirou-o, lambeu e num formidável bote o
engoliu.
- Gato porco, não vou mais te beijar.
- Vamos tomar banho e limpar essa sujeira e
sair.
- Certo, mas se acontecer como da última vez,
me deixar sozinha não falarei mais com você...
E tagarelando entraram no banheiro.
imagem: https://igay.ig.com.br/2014-08-11/como-sera-que-um-gay-ve-uma-vagina-um-desenho-fala-mais-do-que-mil-palavras.html
Assinar:
Comentários (Atom)
Vazia.
Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...
-
Bloquinho Amarelo Creio já ter escrito o suficiente. E ainda tenho...
-
chtgpt Criar o gesto, acompanhado da fala — oral ou escrita — é pulsar vibrações ao redor, orientando ou manipulando quem está por perto. A...
-
na sua infinita pequena grandeza a borboleta abre as asas e beija a natureza espalha o pólen da beleza fecundando o ci...


