sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Variações de um aprendiz no aprendizado da Mecânica Quântica, opus 28.112018


... sempre pensei e ainda penso que o ser humano tem um potencial muito grande, até posso dizer, uma arma que não sabe usar: a mente, isso mesmo a mente, sou aficionado por histórias, filmes, experimentos que usam a mente como forma de expressão ou poder, sempre acreditei nisso, e no entanto não sabia como exercitar a mente, mas também, confesso, sou um preguiçoso, nem uma vez fui a procura para saber se era possível e muito menos praticar, e, até hoje a preguiça é tal ou falta de prática ou costume, nem mesmo a meditação faço, então como se diz o velho deitado, “não chore as pitangas”, não é, não choro as pitangas e muito menos leite derramado ou o vaso quebrado, e, foi no carnaval desse ano que conheci o Hélio, sambando alegremente no Facebook, rolando a tela para cima e para baixo quando deparo com a figura do Hélio sorridente me convidando a sambar, e, entre uma marchinha e outra, uma cervejinha aqui e outra ali, Hélio não aceitou nenhuma, me disse da importância mental, do potencial que nós temos que vai além de se conseguir uma vaga no estacionamento, que podemos pedir e ter o incomensurável que quisermos, e explicando a Mecânica Quântica que já tinha ouvido, lido, alguma coisa sobre, mas não sabia da sua intrínseca verdade, daquele momento em diante passei a ouvir, assistir todos seus vídeos no YouTube, como estava no litoral onde só se podia comer, beber e ir à praia, isso se não chovesse, não tendo nada o que fazer, passe a “caçar” vídeos sobre a mecânica quântica, principalmente os do Hélio, e, ao voltar para São Paulo, fui com ansiedade, valsando, pois o carnaval se encerrara, portanto, valsando no Facebook, numa virada de página ao mudar os pés na valsa de Strauss é que deparei com a página: Águia – página oficial, tendo ouvido o Hélio sobre o arquétipo da águia e sua importância e, também, de todas as aves acho de uma beleza imensa a águia, e dos animais acho os felinos os mais bonitos, e, tanto é que o Hélio mencionou num dos mais diversos vídeos, que a águia é o arquétipo mais poderoso, mais importante de todos e que, logo abaixo dela vem os felinos, precisamente o leão, portanto mais que depressa me associei à página oficial da águia, e a minha primeira participação foi perguntar se conheciam algum grupo que estudava a mecânica quântica, mas antes disso, fiz uma pesquisa, quer dizer queria agregar várias pessoas para se encontrarem uma vez por mês, ou uma vez por semana para falarmos, discutirmos, trocarmos figurinha como se diz no jargão das redes, perguntei para um, perguntei para outro, perguntei para umas cinco pessoas e todas elas pularam foram, ninguém quis dando as mais esdrúxulas desculpas, e, não sei quem respondeu que o João Cásio tinha um grupo e assim conheci a Expansão da Luz...


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico ou VI Encontro Quântico.


O frio bate na parede e reverbera nos cantos da alma congelando o corpo numa frenética urgência de viver.

Domingo frio, garoa. Uma desesperança de última hora levanta questionamentos referentes ao processo de aprendizado. Processo que desde o início do ano surge como negativo originando em várias perguntas, mas deixando as dúvidas e vou passar outro domingo agradável e conhecer novos e rever os antigos amigos.  

Assim, como todos os domingos dia dos encontros, nesse questionamento a ansiedade obsessiva de escapar para dentro das possibilidades positivas se faz presente. Na morosidade dos gestos, chego ao ponto do ônibus sem dificuldade e, em seguida, duas baldeações de metrô me encontro no espaço Nis e, sou recebido com atenção e carinho. E mais uma vez percebo o esmero e cuidado e amor na preparação e recepção aos que chegam. Alguns a primeira vez, outros a segunda e, também os assíduos frequentadores. Vejo que estou me encaixando nesse último item. Noto presenças ausentes e ausentes presenças, não vou citar nomes para não cair em erro desagradáveis. Com seu charme e beleza, na ausência de Mariane, Aline inicia o encontro anunciando o quântico compositor e cantor João Cássio preparando o ambiente e os presentes numa meditação proporcionando a todos a se conectar uns aos outros e ao Todo. E é nesse momento que o eu se desloca do eu que sou se unindo aos eus momentos de todos eus.

E assim que todos se deixam unir num só, Aline anuncia o Estudo do livro Mentes in-formadas, do Hélio Couto, que na voz suave da Coach Quântica Adriana Alves nos explica, numa aula impecável, diversos itens esclarecendo ainda mais quem leu e incentivando quem não leu a ler, e quando percebemos somos transportados para o intervalo para café.

E é nessa hora que notamos o esmero e cuidado do grupo em deixar todos a vontade e confortável, pois é o momento descontraído do encontro, onde podemos interagir uns aos outros, saboreando um delicioso café. Na minha inoportuna distração, noto pessoas tomando café com leite e, quando vou a procura do café com leite já tinha acabado e ao ouvir elogios sobre um chá, percebo, se não estou enganado que o café com leite que eu procurava era o chá. Apesar do frio e garoa, ninguém se importou com a temperatura.

Neste dizeres, em que procurei, ou melhor, em que achei que deveria dar um enfoque diferente a crônica, acho que pulei um item indo diretamente ao final.

Este item foi a atividade proposta pela Adriana, entregando um papel e uma caneta a todos para que escrevessem, como se fosse uma carta à uma pessoa querida, relatando seus desejos futuros. Foi nesse momento em que constatei a força negativa que me dominou a parte da manhã. Com a caneta e o papel a mão, não consegui escrever nada. Meus desejos? Não sei, será que não tenho? Por exemplo, viajar. Não me preocupo em viajar, conhecer lugares, Paris, Luxemburgo, Alemanha ou Itália ou mesmo Índia ou Japão. Não tenho curiosidade. Casa, carro, apartamento também não me interessa, não necessito de nenhum deles. Cheguei à conclusão que o que tenho já me satisfaz, me contenta, não sou um cara luxuoso, que gosta de roupas de marca, sapatos bonitos, tendo uma roupa e um sapato confortável já me basta. Talvez, o que pudesse desejar seria dinheiro, mas não para mim, para ajudar outros, os necessitados. Mas para isso terei que quebrar meus paradigmas, sair dessa zona em que estou, é o que negatividade me mostrou ao acordar. Não estou preparado para a ser um iluminado, não estou preparado a expandir meus conhecimentos e muito menos a consciência, se acontecer será um ato involuntário, será um ápice de um dia para outro e, não lentamente, isto porque, parece-me que continuo e continuarei sempre o mesmo. Creio que depois de muitas reencarnações alcançarei algo. Não sei.

Na segunda parte, depois do delicioso café, aconteceu o esperado, creio que pela maioria dos presentes a palestra da Olene Vilela (Maat Menkeru) sobre O que são Arquétipos e sua fascinante influência em nossas vidas. É um assunto muito abrangente para ser dito em poucas horas que tínhamos. Mesmo assim com um vasto material Maat conseguiu revelar e apresentar vários arquétipos que influencia nossas vidas. Olene na sua sagacidade suave, com voz amena respondeu às perguntas que, mesmo assim, muitos ficaram com dúvidas que Maat se disponibilizou a responder via WhatsApp.

E como acontece em todos os encontros, o término é fechado com chave de ouro musical que, nesse teve a participação do conhecido compositor quântico poeta cantor João Cássio, brindando com sua voz várias composições suas e inclusive a famosa Rosas do Deserto.

E assim foi mais um encontro. Grato a todos.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico ou VII Encontro Quântico.

Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico
O inverno foi embora e a primavera esparrama raios de sol na área florida derramando luz e calor. Muitas palavras povoam a minha mente e muitas são descartadas sem responder à pergunta:

- Como começarei a crônica para o sétimo encontro?
- Começando do começo, respondem os dedos.
Acontece que crônica descritiva acaba sendo repetitiva e sem conteúdo, entendem? Não sei se entendem. Mas vamos lá.  
- Mas espere.
- Esperar o que.
- Por favor, faça com que digitamos palavras com conteúdo...
- É claro, não sou provido de palavras somente por palavras.
- Assim espero.
- E além do mais descobri algo que me fascinou por completo.
- O que foi?
- Descobri Amnésia Quântica.
- O que???????
- É Amnésia Quântica.
- Pronto lá vem ele com essa... como se diz... bobagem... não, ah lembrei: esquisitice quântica.
- É não deixa de ser, mas vou explicar.
- Por favor, os seus dedos estão prontos para ouvir ou, melhor, para digitar.
- Então existe Amnésia alcoólica, Amnésia amorosa e agora Amnésia quântica.
- Senta que lá vem história.
- Então a alcoólica quase todo mundo conhece ou já passou por uma.
- Lembra quando você ou nós, não sei como dizer, vou optar por você. Então lembra aquela vez que você chegou todo urinado...
- Por favor, não vamos entrar em detalhes, ok?
- Está bem, mas que foi engraçado foi.
- Dedos bestas.
- Somos parte de você.
- Então a alcoólica é terrível, você não lembra de nada, como chegou em casa, como pegou a condução, dá um branco total, um vazio de besteiras de arrependimento.
- Principalmente quando se acorda no dia seguinte e vê uma pessoa desconhecida ao seu lado na cama, argh!
- Pedi para não entrar em detalhes sórdidos, por favor.
- Não estou falando mentira, imagina, você acorda e dá de cara com tribufu ao seu lado, hein, nós já passamos muito por isso, não é.    
- Se vocês não ficarem quietos vou esganar vocês.
- Essa eu quero ver, dedos não tem pescoço...
- Então prosseguindo. A amnesia amorosa é linda e prazerosa.
- Principalmente quando nós, dedos, passamos as pontas bem de leve sobre uma pela lisa e suave e doce como maçã...
- Maçã!? Não seria pêssego.
- Poderia, mas pêssego virou clichê demais, optamos por maçã.
- Ah tá.
- E aí nós, os dedos, devagarinho vamos descendo por entre os seios, chegando ao umbigo e lentamente nos introduzimos por entre a calcinha rendada... é claro, se for mulher...
- Pera aí, porque se for mulher? Logicamente que será mulher.
- Nós, os dedos, obedecemos, não sabemos a preferência...
- Escuta vamos parar de besteira...
- Ok.
- Essa amnesia é deslumbrante porque se houver alquimia entre os corpos, tudo o que está a volta some, desaparece, você flutua, vai ao nirvana...
- Ih! Esse negócio de nirvana vou te contar. Está bem, essa também conhecemos muito bem, né. Estamos curiosos pela Quântica e, posso imaginar que nós, os dedos, não tivemos participação...
 - Pensando bem, creio que não.
- Então devemos ficar quietos, mesmo, droga!
- Até que enfim caiu a ficha.
- Bobo.
- Antes de continuar quero pedir algo.
- O que?
- Não levem muito a sério minhas palavras.
- Porque?
- Porque nem mesmo eu tenho tanta certeza do que aconteceu.
- Ok, vamos ouvir sem questionamento.
- Então, até chegar ao espaço Nis foi cruelmente normal, não ocorreu nada.
- Cruelmente!?
- Por favor, posso usar a licença poética?
- Claro, claro.
- Obrigado. Chegando, cumprimentei o pessoal, subi, troquei umas palavras com o Marco...
- Trocou palavras? Palavras se veste? Gostaríamos de saber com que palavras estava vestido...
- Já mencionei que vocês são bestas?
- E nós já respondemos: somos parte de você.
- Bem em seguida a nossa querida e meiga Mariane deu início ao espetáculo. Como sempre ocorre, João Cássio, mestre iluminado, se posicionou para a meditação. Nesse momento é que senti, não sei se estranho, só sei que entrei num estado de transe ou tenha mesmo caído num pequeno cochilo, pois não lembro, quando percebi a mestra Adriana já estava nos ensinamentos do livro Mente in-formada e, a partir daí uma impaciência me dominou. Esticava as pernas, dobrava a direita, a esquerda, uma formicação queimava a perna de cima a baixo, não conseguia ficar acomodado de jeito nenhum. A boca seca pedia água, pensei quinhentas mil vezes em tomar e desisti quinhentas mil vezes, não ia atravessar toda a sala, atrapalhar a Adriana, olhei outras quinhentas mil para o relógio, jogava o corpo para um lado e para o outro, foi um sufoco. No depoimento do Alexandre – espero que seja esse o nome, e me desculpe se não for – parece que a impaciência tinha me deixado, consegui ouvir um pouco. Desci para o intervalo do café com a convicção de que melhoria. Pensei, vou tomar o famoso chá da Nani e espantar o mal-estar. Mas, desculpe Nani o chá não me conquistou, estava saboroso, talvez por não gostar ou por não ter o costume de tomar chá, mesmo assim tomei dois copos. Quando André Santos começou a palestra sobre Prosperidade o poder do observador, fiquei abismado com sua magreza que parecia transmitir fragilidade onde pude notar o meu engano, com voz firme transmitiu muito bem a palestra da qual puder absorver o final. Sim, o final, não sei o do porquê, não lembro o início e nem o meio, apenas o final quando a amiga da Nani estava dando o seu depoimento, – desculpe ainda não guardei o teu nome - isto é, parece que acordei naquele instante e mesmo assim, pouco entendi ou ouvi o que ela dizia. Senti-me horrível, a sensação que tinha que não devia estar ali, e sim, em outro lugar, bateu uma angustia, uma ansiedade, que só melhorou com o sapateado do Marcelo que, com desenvoltura e arte mostrou toda a beleza do sapateado dando comichão nos pés da gente.          
- Só isso?
- Sim.
- Amnesia Quântica?
- Sim.
- Conta outra meu. Você dormiu mesmo essa é que é a verdade.
- Não... Sim...
- Você tem é uma criatividade muito boa.
- Obrigado.
- Amnesia Quântica vamos acreditar para não perder a amizade.
- Não acreditam mesmo...
- Cê dormiu isso sim.
- Será?!

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.431(2020)


Ando seriamente preocupado. Estou em estado de alucinação ou, melhor dizendo, estou tendo alucinação. Outro dia ao virar a cabeça para direita levei um tremendo susto ao sentir sua presença ao meu lado que me levou a exclamar:
- Filho da puta, vá assustar tua mãe.
Que eu saiba você ainda não morreu e eu moro sozinho. O susto foi tão grande que o celular que estava na minha mão caiu em cima da mesa de vidro. Me vi tremendo até. Outro dia, sem perceber comecei a escrever a letra inicial do teu nome com caroços de azeitona e, pensei:
- Vou comprar macarrão de letrinha, faço uma sopa e escrevo a letra do teu nome e fotografo e envio a você.
Comecei a rir que nem bobo no meio da cozinha. Isso não é nada. O pior é que fico dialogando mentalmente com você e, paranoicamente você me responde. Crio cenas surreais onde somos os personagens principais. É o fim da picada. Não é não?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico ou VIII Encontro Quântico.


... cá estava pensando, quer dizer, ainda estou pensando, realmente depois que deixei o espaço Niss é que comecei a pensar, se é que o pensamento tem começo, meio e fim, não, não tem, ele é um continuo fio condutor que não para nenhuma vez, não se consegue ficar sem pensar, talvez se consiga, eu não consigo, preciso aprender muito para conseguir tal façanha, mas voltemos ao que estava pensando, quer dizer ainda não disse, portanto direi agora, quando Adriana iniciou a atividade de cada um escrever o que sentia negativamente, descobri que não sei definir o que sinto, precisamente naquele momento não estava sentindo nada, quer dizer, não me passou pela mente sentir tudo aquilo que foi escrito, pensado e falado, ciúmes, inveja, orgulho, egoísmo, apesar que já fui muito vezes chamado de egoísta, raiva, ódio, falta de confiança, esse tenho um pouco, não sei porque não mencionei, sei sim, foi o acanhamento que me impediu, humildade, isso sei que tenho, acho até que muito, creio que não devemos ser humildes demasiado, aliás, não devemos ser nada em demasia, devemos ter um equilíbrio em tudo, as vezes, em certos momentos devemos pender um pouco para o lado negativo,  para que as pessoas saibam que não somos idiotas a ponto de sermos enganados, era o que pensava antes de encontrar o mundo quântico, agora tenho a certeza de que não devemos sentir nada, principalmente negatividade, e, engraçado, na troca dos sentimentos, isto é, oferecer a pessoa ao lado o orgulho recebo humildade, e nessas de oferecer e receber, recebi cinco vezes a humildade e, no termino da atividade acabei ficando com a humildade, depois de um mês ressonante, vejo que há muitos paradigmas incrustados nesse monte de carne, nervos, ossos, pele, moléculas, órgãos, veias, músculos e tudo o mais, principalmente se a mente que não para, há alguma maneira de fazer ela parar, não sei, começar a lembrar dos ditos maternos, “dinheiro é sujo, passa por diversas mãos” , “ antes pouco do que  nada”, “ antes só do que mal acompanhado”, e outros que no momento não me vem à mente...

... com referência a Akira, bela animação japonesa, fanático por cinema como sou, quer dizer, hoje não sou tanto como antigamente, lia de tudo sobre cinema, critica, fofocas, noticias, quase tudo que sai na mídia, principalmente na jornalística, e na Folha de São Paulo tinha bons críticos de cinema, e na época Akira foi um estardalhaço, tanto no sentido técnico de animação como de trilha sonora, e realmente a animação é uma obra prima em todos os níveis, não lembro se na tv ou no cinema qual dos dois vi primeiro, sei que comprei o dvd e baixei a trilha sonora, o diretor quis que a trilha fosse composta por um grupo experimentalista em tecnologia e música eletrônica, cujo nome é a primeira letra de cada um dos componentes do grupo, não sei de quantas pessoas, para mim, leigo do mundo quântico, não supunha uma ligação do mangá com o universo quântico, coisa que tão bem o Eldy na sua simplicidade magnificamente expôs e, no trecho que ele apresentou, mesmo sabendo que a espada não iria cortar o braço do herói, fiquei na expectativa de que seria decepado, foi um momento digno de suspense, e aqui parabenizo o palestrante e escritor pelas explanações revelando para nós o mundo anime e mangá dentro da mecânica quântica, principalmente Akira, fiquei abismado por sua percepção em, não sei se posso dizer descoberta dessa ligação, só mesmo uma pessoa intelectual e amante dos animes e mangá e da mecânica quântica consegue tal façanha e que deixou, principalmente para mim, com vontade de ver os animes e mangás que o levou a escrever o livro, parabéns Eldy...

domingo, 26 de janeiro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.430(2020)


Doze horas e cinquenta e três minutos. O sono me pega. Os olhos cheios de lágrimas dão impressão de que estou chorando. Rua Vergueiro. Prevent Senior a espera da doutora. Foi almoçar. Esta para chegar. Como sempre o vai e vem é intenso, corpos decrépitos em busca de salvação, doentes idosos acompanhados ou não na espera de algo. Milagre? Já foi o tempo deles, agora é encarar a realidade. Querem prolongar em mais uns dias, meses ou anos, a vida. Querem vencer o tédio da velhice, querem esquecer o que os atormenta, sem saber que a cura não está na matéria, nos remédios, no aval médico, mas sim, na mente, doença não existe acreditem nisso. Precisam expulsar sentimentos, pensamentos negativos da vida. Extirpar a negatividade dos olhos que projetam isto ou aquilo que os incomoda. Treze horas e vinte minutos. A doutora talvez esteja chegando. Cada cabeça, cada olhar traz em uma história, uma dúvida, uma pergunta: até quando ficarei aqui? Todas têm seu caminho traçado, todos personagens do imenso teatro da vida. Uns pequenos nos seus papéis, outros insignificantes, outros ainda meros coadjuvantes, mas todos compenetrados em seus papéis prisão. É isso, não é?

sábado, 25 de janeiro de 2020

Amor


- Será que não pode entender? É tudo o que peço de ti. – disse Alex esbravejando.
- É tudo o que peço de ti, só isso que sabe falar. – retrucou Antony debochando.
- Claro, você não entende ou não quer entender, né.
- Vai tomar no teu cu.
- Dói.
- Entende, né.
- Não entende é que amor não pede, apenas se aceita o amor como é, nada mais. Assim que se deve ser.
- Cuidado seu merda, olha o ônibus.
Ao puxar Alex os dois ficaram cara a cara, quase se beijando. Nisso alguém gritou:
- Cuidado.
Não houve tempo. O veículo imprensou-os na parede. O letreiro acima de suas cabeças, dizia:
“Padaria Amor Eterno”.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.429(2020)


Treze horas e cinco minutos do dia vinte de janeiro de dois mil e vinte. Penha. Plataforma do metrô. Não, não, ainda não é o que pensei em fazer, quer dizer, o que o meu eu me propôs, ainda não é. Aliás, isso até pode se dizer que seja uma prévia, um esboço coisa que não gosto de fazer, então vamos dizer, um rascunho. Pois é. Estação com pouco movimento. Ar abafado, prenuncio de chuva, quente, sem vento... é um vai e vem que não tem fim, é um chegar ao destino... se necessário não sei... para alguns sim, para outros não, e alguns nem tanto, para mim não penso em destino, penso em viver o agora, aqui nesse instante. E, talvez nem para o rapaz sentado ao meu lado, marreteiro, forte, saudável, vive de trem em trem, de vagão em vagão vendendo suas porcarias que acabou de vender dois bombons para a moça sentada atrás de mim. Treze horas e quinze minutos, bem vamos se locomover, se mexer. Texto pobre... é estou enferrujado. Pois é...

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Conversa entre neta e avô.


Estavam atravessando o farol quando a neta virou para o avô e disse:
- Vô, você viu?
- Viu o que?
- Aquele homem de unha pintada.
- Onde?
- No carro, não viu?
- Não vi.
- Homem pinta a unha, vô?
- Claro, porque, não pode?
- Esquisito, vô.
- Não acho, se ele quer pintar o que que tem.
- Só mulher é que pinta a unha, vô.
- Os homens também pintam a unha, o vô já viu muitos com a unha pintada.
- De rosa, vô?
- Ele estava com a unha pintada de rosa?
- Estava, vô.
- Você foi perspicaz em ver até a cor do esmalte.
- Vi, vô, era rosa.
- Está bem, minha neta.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.429(2020)


Treze horas e cinco minutos do dia vinte de janeiro de dois mil e vinte. Penha. Plataforma do metrô. Não, não, ainda não é o que pensei em fazer, quer dizer, o que o meu eu me propôs, ainda não é. Aliás, isso até pode se dizer que seja uma prévia, um esboço coisa que não gosto de fazer, então vamos dizer, um rascunho. Pois é. Estação com pouco movimento. Ar abafado, prenuncio de chuva, quente, sem vento... é um vai e vem que não tem fim, é um chegar ao destino... se necessário não sei... para alguns sim, para outros não, e alguns nem tanto, para mim não penso em destino, penso em viver o agora, aqui nesse instante. E, talvez nem para o rapaz sentado ao meu lado, marreteiro, forte, saudável, vive de trem em trem, de vagão em vagão vendendo suas porcarias que acabou de vender dois bombons para a moça sentada atrás de mim. Treze horas e quinze minutos, bem vamos se locomover, se mexer. Texto pobre... é estou enferrujado. Pois é...

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Dan

Todos os dias eles se encontravam na quitanda. Escondidos no vão da porta se beijavam. Nos primeiros dias, timidamente, com o passar do tempo os beijos e as caricias se tornarem mais audaciosos. Dan já deixava Marcos alisar por cima da roupa seus seios que emergiam firmes. Um dia, atrevidamente a mão de Marcos procurou o meio das pernas de Dan. Assustado retirou abruptamente com os olhos arregalados.
- Daniela, disse gaguejando.
- Sim, Marcos.
- Você...
- Sim, sou...
Marcos saiu correndo e ficou vários dias sem aparecer. Daniela sabia que isso aconteceria, era sempre assim. Porém, para sua surpresa, numa tarde ensolarada Marcos apareceu e, sem dizer uma palavra retomaram os beijos no vão da porta. Dan percebeu que Marcos a tocava da cintura para cima, não perguntou o porquê, sabia a resposta. Assim passaram dias felizes até que numa manhã, o pai de Dan apareceu de surpresa.
- Dona Genoveva tinha razão. Os veadinhos se escondem na minha quitanda.
E puxou Dan pelo cabelo.
- Já te falei, Daniel, você é um monstro, não merece nem viver.
- Meu nome é Daniela, gritou ao pai.
- Ah! Quer ser mulher.
E dizendo isso, ergueu o vestido e baixou a calcinha.
- Vejam, disse para as pessoas que entraram na quitanda, essa merdinha não é nem homem e nem mulher...
Dos olhos de Dan escorriam grossas lágrimas. Nisso, Marcos empurra o pai da amada que desaba sobre as verduras.
- Corre, Dan, corre.

********

- Marcos... Marcos...
- O que foi Dona Eulália.
- Está escondido, não foi se despedir de Daniel?
- Daniela, Dona Eulália.
- Ele deixou esse bilhete para você.
- Como ela teve a coragem de se suicidar!
- Ele não teve, eu que o ajudei...
- O que?!
- É. O encontrei na cozinha com a faca no pescoço, mas não teve coragem. Então o ajudei...
- Mas poderia fazer uma operação...
- Aqui nesse mundo sem fim, meu filho, iriam só zombar do coitado como vinham fazendo. E onde iriamos arrumar dinheiro... Aliás, só você o entendia. Gostava muito de você, foi o único que o aceitou como ele era.
Ao ficar sozinho abriu o bilhete:

Querido Marcos.

Obrigado pelos bons momentos que passamos juntos.
Você foi o único que me fez feliz.
Desculpe, não aguento mais viver.
Te amo.

Sua Dan.

*************

- Pai, que cheiro de papel queimado...
- Oi, Daniela, está preparada?
- Daniel, pai, já te falei.
- Sei, para mim você ainda é Daniela, a partir de amanhã, aí sim, te chamarei de Daniel. Onde está o Guilherme?
- Chamando um Uber.
- Pegou os documentos?
- Sim.
- Não sei por que precisam dos papéis de adoção.
- Talvez, para confirmar que vocês me adotaram mesmo.
- É pode ser. Guilherme querido, já chegou o Uber?
- Sim Marcos, vamos?
- Vamos amor.
E no cinzeiro ficou um pedaço de papel onde se podia ler: “Dan”.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

São Sá Longuinho


Estávamos no teatro. Eu e minha filha. Queria ver Os Saltimbancos. O teatro parecia cinema do que propriamente teatro. Era ao ar livre. O estranho que seu aspecto era de ruína, isto é, estava em ruína com pilares cheios de musgo, paredes caídas, pela metade, tinha a aparência dos monumentos romanos em ruína. Mas para minha filha isso pouco importava. Procurava um lugar legal para ficarmos, mas as únicas cadeiras vazias ficavam atrás de pilares e arbustos. De repente um sujeito falou:
- Se pedir cachaça é homem.
Olhei para ele e mentalmente disse:
- Idiota.
Nisso, olho para os lados não vejo minha filha. Desesperado chamei:
- Caroline!
Gritei mais alto
- Caroline!
Nada. Não me respondeu. Andei para um lado, fui para outro e nada da minha filha. Berrei.
- Caroline!
Aí eu disse:
- São Sá Longuinho, ajude a achar minha filha que dou três pulinhos.
Acordei dando os três pulinhos no meio do quarto.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Descartado


Feliz aniversário, envelheço na cidade.
Tocava a música.
Sentou-se na poltrona.
Apareceu um homem de preto e dois de branco.
- Chegou tua vez?
- Sim, respondeu.
- Apronte ele.
Abriu a maleta e começou a mexer nos frascos.
- Vamos começar.
- Sim, responderam.
Aplicou um líquido no braço dele e segundos depois não existia mais ele.
Fechando a maleta disse:
- Vamos. O que foi?
Perguntou o assistente.
- E quando for a nossa vez?
- O que que tem?
- Como vamos reagir?
- Não sofram com antecedência, quando chegar a hora veremos.
Saíram fechando a porta ao mesmo tempo que tudo se desmanchou em vários pixels, e num instante não existia mais nada.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Diálogo entre netas e avô.


- E aí, Eduarda, como foi a aula hoje?
- Chata vô.
- Por que chata?
- Ah, a Pro fez a gente escrever duas folhas de lição.
- Foi é? É para você aprender a ler e escrever.
- Queria ser um cachorro ou gato.
- Por quê?
- Cachorro ou gato não precisam aprender, eles já sabem.
- Já nascem sabendo, é isso?
- É, vô.
- Só que você esquece de uma coisa, Eduarda.
- O que, vô.
- Cachorro e gato vivem dezoitos ou quinze anos, morrem cedo.
- Mesmo assim, queria ser um deles só para não precisar aprender.
- Eu não queria não, eu gosto de ser gente, de ser eu, de ser humano, de aprender, quanto mais a gente aprende mais a gente ganha, sabia?
- Tá bom, vô.
- Não está esquecendo nada?
- Não, vô. Te amo, disse abraçando o vô.

- Vô, seu cabelo está ficando branco, disse a Manoela.
- É está, Manoela.
- Por quê?
- Porque vamos ficando velho o cabelo vai branqueando.
- Eu não quero o meu branco.
- Você não tem de querer, tomara que fique branco. Quando você tiver a idade do vô, e eu desejo que você chegue a essa idade, até mais ainda, seu cabelo vai ficar branco.
- Que chato envelhecer, vô.
- Chato nada, Manoela, é gostoso, principalmente quando se tem netos ou netas.
- Vô, não está esquecendo nada?
- Não, não estou. Me dê um abraço.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.428(2020)


Vou acabar aceitando a ideia do eu. Ele tem me feito pensar, nesses dias, numa coisa. Até achei fenomenal, mas acontece que não vou colocar em prática o que o eu me peço. Ele fica pulsando em minha mente o seguinte: pegar o metrô e ir de ponta a ponta, isto é, de Itaquera até Barra Funda e vice-versa e escrever durante o trajeto, como fazíamos antigamente no ônibus, mas naquela época não tinha consciência desse eu meu, entende? Hoje eu tenho. Ou então descer em Itaquera e no shopping tomar um chopinho e escrever. Não sei. Teve uma manhã quase que fui. Acontece que não sei se dará certo, pois se eu não for ele ficará me azucrinando e, eu sei, se ele for vou ter que ir junto. Droga, as vezes é um saco ter eu como companhia, mas nada de reclamar. Vou pensar mais um pouco no assunto. Quem sabe o resultado seja bom. Veremos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Dúvida

- Trouxe a camisinha?
- Sim, claro.
- É bom mesmo, evitar acidentes.
- Ué! Mudou? Não é desastre?
- É a mesma coisa.
- Não é.
- Veja pra começar: os dois são substantivo masculino; acidente é acontecimento casual, inesperado, desagradável ou infeliz. Já desastre é evento, acontecimento que causa sofrimento e grande prejuízo tanto moral, físico, material e emocional ou ainda, desgraça.
- Tem diferença por pequena que seja e os dois provoca sofrimento e prejuízo.
- Bom acidente ou desastre vamos nos prevenir, não é.
- Claro, toda prevenção é válida.
- Aquele que não se previne fica grávido.
- O que?
- É gravido ou melhor, gravida, pois minha vizinha ficou gravida quatro vezes e está na quinta gravidez.
- Essa é maluca mesma.




Acidente
uma determinação ou qualidade casual
ou fortuita que pode pertencer ou não a determinado
sujeito, sendo completamente estranha
à essência necessária (ou substância) deste;
2 uma determinação ou qualidade que, embora
não pertencendo à essência necessária
(ou substância) de determinado sujeito e estando,
portanto, fora de sua definição, está vinculada
à sua essência e deriva necessariamente
da sua definição;
3 uma determinação ou qualidade qualquer
de um sujeito, que pertença ou não à sua essência
necessária.
Os dois primeiros significados do termo foram
elaborados por Aristóteles. "Acidente", diz
ele (Top., I, 5, 102 b 3), "não é nem a definição
nem o caráter nem o gênero, mas, apesar disso,
pertence ao objeto; ou também, é o que
pode pertencer e não pertencer a um só e mesmo
objeto, qualquer que seja ele." Como essa

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.427(2020)


Aqui estou, depois de duas horas, ao ligar o note, e esperar a lentidão dele, digitar senha, aparecer os ícones e tudo mais, estou aqui e aqui ficarei, quer dizer, estou aqui numa tentativa em continuar uma coisa que acho que já está esgotado, mas meus dedos sentem comichão e então, por isso estou aqui e aqui... para com isso, escrevendo, continuando o meu diário de um sentir, diário que escrevia no ônibus, no trajeto de casa até o trabalho e do trabalho até em casa, numa agenda e depois reescrevendo, aparando, acrescentando, tirando as arestas passava para um caderno e do caderno para o Word, e o que vou escrever aqui agora, bom, talvez dizendo que são precisamente quatro horas e trinta do dia nove de janeiro de dois mil e vinte, caralho, dois mil e vinte, vinte e vinte, passa o tempo, clichê idiota dizer isso, e que estou com fones de ouvidos, aqueles minúsculos que mais parecem azeitonas pretas e ouvindo Philiph Glass, Akenathen, primeira obra que me levou a gostar da música minimalista, e, o que mais, não sei, vamos deixar para outro dia...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.426(2020)


Final de ano. Últimos dias do ano, até que bom, cheio de vai e vem e nada de incertezas, algumas dúvidas, isso talvez, até esperado, no geral, bom. E o que posso dizer em que fiquei todos esses anos sem escrever o meu diário? Ou será que tenho ainda algo a dizer? Sim, enquanto estou vivo, o coração pulsando amor, tenho sim, e por que não? Por você não dar pelota por isso, pelo o que sinto? Por transmitir uma apatia que para mim parece bronca, raiva por não ter sido o que você esperava que eu fosse? Desculpe, é o que apenas, no momento, lhe posso dizer. Amanhã viajarei. Não posso dizer que seja motivado a ir, mas vou para não passar mais uma virada de ano sozinho. Esperava certo convite que não veio. Mas, será legal, estarei com pessoas queridas, que de uma maneira ou outra me amam assim como a elas eu amo. Portanto fica aqui essas palavras como começo ou retorno ao meu diário do sentir parado em um mil novecentos e noventa e cinco.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Éramos oito


Todos os dias os sete irmãos entravam, um por vez, no quarto da mãe.
Por ser o mais novo ele era o último.
A progenitora ao vê-lo, sempre dizia numa voz cansada:
- Meu bom filho.
Isso deixava-o desgostoso. Queria a mãe só para ele. O que era impossível.
Um dia o inesperado aconteceu.
Os seis irmãos sofreram um acidente de carro e morreram.
A polícia constatou que o freio fora adulterado, mas nada ficou provado.
Todo contente, esfregando as mãos uma na outra, entrou no quarto.
- Meu bom filho, disse a mãe, agora somos nós dois.
E com a cabeça no peito da mãe disse:
- Sim.
Os olhos brilharam enigmáticos acompanhados de um sorriso feliz.

sábado, 11 de janeiro de 2020

Está me machucando.


Estou!? Como se estávamos numa posição agradável, oferecendo prazer um ao outro! O que ele queria dizer? Talvez, eu precisasse ter falado algo naquele momento, o que não me ocorreu nada, fiquei com a mente vazia, que merda, não ter nada para falar na hora, só depois fico pensando: poderia ter dito isto ou aquilo e, além do mais, seus olhos, ah! seus olhos azuis claros que me olhavam de baixo para cima interrompendo o vai e vem da cabeça, me deixou em pânico, seus olhos azuis que sempre me fascinou, que sempre me amou...  Ou só eu que amei esses pavorosos e belos olhos azuis que naquele momento lançaram faíscas de reprovação? Sim, reprovação não tem outra lógica, isto porque de azul claro tornaram-se azul escuro. Foi então que se ergueu me beijando rapidamente dizendo: vamos embora. Como?! Ir embora!? Nem bem chegamos já quer ir embora?! Rapidamente se vestiu e saiu, tive que correr. Porra meu, o que foi, disse mentalmente. Não fizemos nada, acho que nem cinco minutos ficamos naquele quarto mambembe, e agora sai como se fosse tirar o pai da forca. É claro, fiz a pergunta e não a verbalizei do porquê e logo em seguida envolvido por outros problemas, por outras coisas esqueci o incidente. Hoje por uma, como dizer, consequência do destino ou por algo maior que nos envolve deparo com uma foto dele esquecida no canto dos arquivos da galeria que me remeteu àquela noite no quarto de hotel de segunda. A garganta se encheu de angustia misturada com ansiedade torpe por não ter entendido o significado da frase: Está me machucando. Ao expressá-la proferia a terrível sentença que o nosso relacionamento estava no fim e, idiota, não tive a percepção que os olhos azuis não me amavam mais, que era somente eu que o amava. Mesmo assim, insisti em marcar passeios, encontros e outros momentos que achava serem do nosso agrado, mas que não era. No entanto, ainda ficamos mais um ano num rola e desenrola até que me desencanei e não mais o procurei. Olhei mais uma vez para aqueles olhos azuis e pressionei o deleta. Virei mais uma página do livro da minha vida.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020


Eu nunca me deixarei.


Como pode uma pessoa estar deprimida por estar sozinha!
Para começar, ela não está sozinha, ela está com ela mesma, nunca sozinha.
Eu estou comigo vinte e quatro horas, nunca me deixo.
As vezes esse estar comigo mesmo me sufoca que, chego para mim e falo:
- Osvaldo, vai para o bar tomar umas e me deixa sossegado.
Ele não vai, claro, pois se ele for terá que me levar, esse grude as vezes é insuportável.
Tem momentos, a maioria deles eu gosto.
Alguns, o que são poucos, não gosto, mas suporto.
As vezes quero fazer algo diferente ele me fala:
- Vamos desenhar, hoje não desenhamos nada.
Pronto, lá vou eu desenhar.
- Vamos fazer papel machê.
E lá vou eu fazer papel machê.
- Vamos pintar os vasos.
E lá vou eu pintar os vasos.
É um tal de fazer isso e aquilo que vou te contar.
E quando toca uma música bonita!
Ele me pega, me arrasta para o meio da sala e ficamos os dois dançando.
E quando é a música que nós gostamos, meus olhos se enchem de lágrimas.
Fico meio que envergonhado, tamanho marmanjão chorando.
- Que isso, é normal, essa atitude confirma quanta sensibilidade você tem.
Ele me diz.
- Você tem o coração de ouro.
Todas as vezes que olho no espelho, ele está lá, sorrindo, os olhos brilhando contente.
- Te amo.
Me diz todas as noites.
E vou dizer uma coisa, nunca ficarei deprimido por estar sozinho, pois nunca estarei sozinho.
Eu tenho eu para me fazer companhia.
E eu nunca me deixarei.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020


Foi assim


então que ele morreu. Dirigia e viu o corpo pender para a frente, a testa bater no volante, acionar a buzina ensurdecedora quebrando o silêncio da vida. Morreu no meio da estrada. Soube na hora. O carro caiu na ribanceira. E ali na imensidão do nada, perguntou:
- Onde estou?
Caminhou um pouco para frente. Um pouco para traz. Um pouco para a esquerda. Outro pouco para a direita. Onde estou? Em cima ou embaixo? Berrou para o alto:
- Universo onde estou? Dê-me uma dica. Que dimensão?
Silêncio mais alto do que o nada.
- Onde estou Universo?
Nisso, arrastado, jogado de um lado para o outro, imagens passaram a sua frente, de repente, estagnado, sentiu-se gosma querendo penetrar algo, quebrado a resistência, perdeu completamente a noção, e no escuro ficou nove meses.



imagem: http://condominiosc.com.br/jornal-dos-condominios/infraestrutura/2111-nove-meses-no-escuro

terça-feira, 7 de janeiro de 2020


Francisco Petrônio


Estava no estúdio para gravar uma música. Ia fazer um dueto não sei com quem. Não lembro.
- Se tiver acetado vamos ter que marcar para outro dia a gravação.
Pensei:
- Que chato. Quero que seja hoje, outro dia não venho.
Dali a pouco me disseram:
- Você está com sorte. Não tem acetado, então podemos gravar hoje mesmo.
E assim foi. Fizemos a gravação. Correu tudo bem.
- Você tem uma boa voz, quem sabe fazendo umas aulas de canto não se torne um Francisco Petrônio.
Pensei:
- Vá a ... que Francisco Petrônio o que, meu...
Acordei no meio do quarto com o sapato como microfone e cantando uma valsa.



imagem: https://br.depositphotos.com/254460484/stock-video-the-shadow-of-a-man.html

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020


Gato


Estava perdido andando por uma planície. Coçou o queixo, era uma planície? Achava que não, pois agora pouco passou por dois montes não muito grandes. Deserto não era, sentia a maciez do solo, estava mais parecendo pele humana, enfim, seja o que for continuou andando. Nisso, escorregou por entre galhos pretos. Conseguiu se segurar em um e, num vai e vem, soltou o galho e caiu numa caverna escura, macia, suave, quente, com odor de urina e outro odor que não sabia explicar o que era. Foi quando ouviu sons de algo escorrendo. Água? Talvez, virou-se e foi atingido por um líquido escuro que o expeliu para fora da caverna.

- Você sempre faz dessa maneira?
- Só quando transo.
- E para que isso?
- Evitar desastre maiores.
- Como ficar grávida.
- Isso mesmo.
- Não sei como permito essas coisas.
- Já conversamos sobre esse assunto, não foi.
- Foi, mas temos pênis de borracha e outras tralhas...
- Sabe que não tenho tesão por pênis de borracha, o que eu quero é um de verdade pulsando forte e gostoso dentro de mim.
- Não sei se me sinto traída, corneada ou não.
- Será corneada se eu transar com outra mulher, aí sim.
- O que eu sei é que você é uma puta de uma tarada isso sim.
- Puta não, tarada sim.
- Olha que é isso?
- Não sei...
- Parece um feto, veja tem pernas, braços e se mexe, está tentando se levantar e não consegue por causa do sangue.
- Argh, credo, que nojo.
- Saiu de dentro de você.

Viu dois dedos enormes se aproximar dele e, antes que pudesse dizer alguma coisa, foi jogado longe por um piparote. Caiu bem em frente ao gato que, assustado, cheirou-o, lambeu e num formidável bote o engoliu.

- Gato porco, não vou mais te beijar.
- Vamos tomar banho e limpar essa sujeira e sair.
- Certo, mas se acontecer como da última vez, me deixar sozinha não falarei mais com você...

E tagarelando entraram no banheiro.



imagem: https://igay.ig.com.br/2014-08-11/como-sera-que-um-gay-ve-uma-vagina-um-desenho-fala-mais-do-que-mil-palavras.html

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...