Sentado perto da janela, enquanto o garfo e faca destrinchavam o pedaço suculento de picanha, uma vez ou outra seus olhos caiam em cima da morena que a sua frente, encostada a parede também lutava com seu suculento pedaço de picanha. Ela parecia uma cópia, tudo o que ele fazia ela o imitava, nos gestos, no segurar os talhares, na bebida, parecia que adivinhava até quando ele erguia os olhos em direção a ela. Seus olhos se cruzavam deflagrando chispa intensa de brilho desejoso.
Nisso
ela levantou-se e, com o prato e o copo de caipirinha, veio até a sua mesa.
Numa atitude desprevenida, sentou no colo dele.
- Olá,
gato.
Disse
numa voz aveludada de arrepiar até defunto morto há duzentos anos.
- Oi,
gata.
Respondeu
acentuando a voz sua característica masculina.
Ofereceu
um trago da caipirinha que ele não recusou. Em seguida, enfiou a mão por entre
a camisa e começou alisar os pelos pretos manchados de pequenos fios brancos.
Nesse momento o garçom trouxe o pedido deles.
- Por
favor, aqui não é lugar para se gozar. Se quiserem gozar vão para o hotel em
frente. O dono não quer manchar de nódoa o nome do restaurante.
- Pode
ficar sossegado, amigo, não estamos aqui para transar, apenas para saborearmos
esse delicioso pedaço de picanha mal passada.
Respondeu
beijando os lábios finos e sedutores dela. Em seguida, esticou o corpo dela em
cima da mesa e desnudou-a com gosto e prazer. Depois pegou duas fatias de
tomate e coloco uma em cada bico dos seios eriçados. Com o dedo molhou a alface
crespa no molho inglês saboreando cada gota na avidez dos lábios intumescidos.
Ela
para provar a satisfação sentida e, para dar a ele o sentir satisfeito, pegou
um pepino e dois tomates, equilibrando-os entre as pernas. Num avanço e recuou
estava ele, quando voltou o garçom.
- Por
favor, o que foi o que eu disse?
- Mas
não estamos gozando, respondeu ele.
- Como
não? Veja a cabeça do pepino!
E ao
mesmo tempo passou o dedo na ponta do legume.
- Veja
ta melando, e olhe essa salada crespa que está se tornando branca! Por favor,
tem gente a espera da mesa. Aqui está a comanda de vocês e obrigado.
Ele
pegou a comanda e dirigiram-se ao caixa. Pagou a conta e saíram. Ao pisar no
calçamento, distraído guardando o dinheiro na carteira e a carteira no bolso,
percebeu que a garota tinha sumido. Olhou para os lados, e perguntava-se.
-
Caralho, onde foi essa menina?
Nisso
sentiu que cutucavam seu ombro.
- Ei,
pivete, acorde, aqui não é lugar de dormir, que coisa dormir no serviço, ta
querendo ser mandado embora, é?
Escondendo o acanhamento entre as pernas, correu ao banheiro para lavar o rosto de sono.