domingo, 30 de junho de 2024

Uma semana depois

 Uma semana depois não se vê mais vestígios do Natal. Uma loja ou outra apresenta em suas vitrines enfeites, mas logo serão retirados e o Natal será esquecido, isto é, há muito tempo ele está esquecido nos corações dos consumistas inveterados que só lembram em comprar isto ou aquilo para ele ou para ela nessa época do ano.

 

O mundo gira em seu eixo sem se preocupar com a vida que gira em sua superfície onde o ser, que se diz humano, aos pouco vai deteriorando a própria casa egoisticamente ao seu bel prazer acumulando riquezas materiais infinitas que nada lhe dará o conforto necessário.

 

O conforto que todos lutam não está nos objetos que o rodeiam, não está na rotina alienando olhares sensíveis ansiosos de claridade, não está no teclar letras inofensivas, desde que sejam usadas para exprimir sentimentos e não para declarar o podre positivismo de uma sociedade política que só se preocupa com o próprio bolso. O conforto está num olhar que te olha com amor e satisfação por estar te olhando e sabendo que está sendo retribuido com o mesmo peso de igualdade. É uma mão reluzindo calor positivo em tua pele cansada sem nada pedir e somente querer estar ali pousada por se saber querida. É viver a vida como sempre se desejou viver: intensamente em todos os sentidos tendo conscientemente o poder de saber que há sempre alguma coisa para se fazer, para se criar...

sábado, 29 de junho de 2024

Uma sexta simplesmente.

 

Novamente o sol brilha o calor em sombras que delineiam vidas concretas e cinzentas de aço e ferro contrapondo com vidas amargas de carne e osso e músculos.

 

No ar empurrando moléculas de frio e poluição a música de Henry Mancini carrega saudades de tempos vividos agora só na lembrança do passo do elefante, de moon river e da pantera cor de rosa.

 

E lá fora roupas penduradas no varal carregam as preocupações de hoje em suas fibras de nylon sintético sintetizando amores perdidos nos escombros da alma angustiada de afeto e carinho.

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Uma tarde de março

  

Um poema lindo desliza no asfalto quente nesta tarde de março na Barra Funda.

Poema escrito pelos passos de pedestres das mais variadas condições físicas e socialmente falando.

Pessoas indo e vindo, conscientes da vida e atitudes que levam ou que, por algum motivo, são obrigadas a terem atitudes nem sempre condizentes com a vida que levam, mas nem por isso deixam de serem bonitas.

Algumas já têm seu caminho traçado e seguem como se estivessem encontrado a felicidade, outras traçam o seu caminho com orgulho e coragem e sem preconceito.

E eu? Que caminho traçarei ou já tenho o meu traçado e nem sei qual é ele...

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Uma vida sem razão.

O dia amanhecia, como sempre, anunciando a continuidade da vida numa sinfonia de sons infindáveis.

Lentamente, espreguiçou-se sem ter pressa alguma. Não tinha pressa, nunca tivera, porque só agora se preocuparia com a pressa? Depois de uma noite mal dormida, ora por causa do frio, ora por causa do gato. Não via motivo para se apressar.

Olhou as horas. Tinha mais uns instantes ainda de espera. Espera... Era só o que tivera na vida: espera. Aliás, era o que fazia a vida toda, esperar. Com seus trinta e poucos anos, só o que fazia era esperar, ou, melhor dizendo, tinha somente a espera como motivação. O que esperava? Vida melhor? A felicidade escorrendo pela calçada do infinito? Um novo amor? A satisfação de poder todas as manhãs, acordar para a vida sem razão?

Queria segurar o tempo. Mas não tinha como aprisionar o tempo. Precisaria primeiro aprisionar a espera. Talvez depois, aprisionar o tempo. O que lhe ensinaram não foi por ele aguardado como se deveria. Sempre fora um menino dispersivo, distraído, avoado, como dizia a mãe.

Aprendera quase tudo, leu vários e importantes livros, porém o essencial não foi captado, não sorveu o mecanismo essencial da lição. Não lhe ensinaram que o tempo é mera seqüência fútil de fatos irreversível.  Também buscava a prosperidade, não a prosperidade material, mas a prosperidade encravada na espera. O que não sabia era que não há prosperidade na inutilidade. Então, por que continuava esperando. Amor não era. Uma simples companhia? Quem sabe? Se tivesse aprendido a lição como todos aprenderam, saberia o momento certo para capturar a espera e, conseqüentemente o tempo. Se soubesse não estaria angustiado. Poderia ser livre novamente.

Olhou ao redor demoradamente. Os objetos continuavam existindo sem a sua intromissão, do menor até ao maior, permaneciam em seus lugares. Explodia nele a vontade em destruir tudo que o rodeava.

Precisava tomar uma atitude. Talvez até radical. E a coragem? Tinha coragem para isso? Não tinha resposta. Então como deixaria de ser prisioneiro? Teria de quebrar as grades da prisão. Colocar-se em ação, criar, movimentar-se, desfazer a imagem de covarde, ressurgir do nada o eu não nascido, ficar livre da esperança e, prender o tempo.

Nisso cruzou com dois rapazes. Estavam alegres. Conversavam animadamente. Viu a felicidade pousada nos sorrisos dos rapazes. Sentiu inveja, um desejo de ser um deles. Ficou observando os dois se misturando a multidão tendo no peito a angústia de ser ele mesmo sozinho. Balançou a cabeça, deu de ombros. A sorte eram deles em ter um ao outro, pensou serenamente.

Doloroso era o processo de seguir, não parar, demonstrar otimismo sem ter doloroso caminhar sem uma direção certa. Sua vida não tinha razão nenhuma de ser. Estava sempre a espera, não aprisionava o tempo, só, sem companhia, vivia apenas covardemente, não sabia o que fazer.

Depois de caminhar quase o dia inteiro, sem saber, deparou com a água poluída do rio. E, sem razão nenhuma, seu corpo bateu na água imunda sumindo logo em seguida.

terça-feira, 25 de junho de 2024

valsinha

  

todo dia é dia de se chegar diferente

todo dia é dia de olhar menos sorrateiro

todo dia é dia de se falar com menos ostentação

 

há sempre um motivo para a ousadia

há sempre um gosto inusitado ao se esperar

há sempre braços dados apoiando um ao outro no cansaço da lida

há ternura e graça nos sorrisos livres na praça

 

e, assim, a cidade há de se iluminar com mais intensidade

e, assim, a felicidade será despertada entre beijos e abraços

e, assim, os gritos roucos se escondem quando o dia amanhece deixando todos em paz

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Vamos que vamos.

  

O sol bate na janela e vem iluminar minha camisa branca. Um sol pálido logo sendo encoberto pela nuvem, fazendo assim, pensar que o dia hoje será de pouco calor. Não chovendo e não fazendo frio tudo bem.

Terceiro dia, depois do longo e prolongado quatro meses, forçado pela cirurgia do joelho, foi buscar o resultado da ressonância magnética da coluna lombo-sacro. Passei na São Carlos do Pinhal, peguei o exame e, poderei vir a pé de lá até aqui, mas como a perna esquerda, devido ao problema da coluna estava doendo, tomei o metrô.

Foi melhor, pois evitei admirar a beleza das sujeiras que esse povo mal educado, sem consciência, deixa as calçadas e a cidade emporcalhada. Quando é que a caterva vai ter noção de que a cidade é quase sua casa. Nunca. O trecho do metrô Brigadeiro, a calçada da Paulista até a Rua Brigadeiro, estava numa imundície imensa de papeis de todo e qualquer tipo, entre outras coisas. Porque não se faz uma campanha maciça para abrir a cabeça desse pessoal, talvez, dê um resultado. É uma pena você ver uma avenida bonita, como é a Paulista, sendo transformada em deposito de lixo.

Mas vamos que vamos, seguindo a canção, braços dados ou não...

sábado, 22 de junho de 2024

várias formas

 várias formas

de sentir se escondem

na escura caverna mental

em eterno delir

 

formas eternizam

sua visão de voz

que suave rebrilham

no sussurro vivo

silencioso sono

ao bramir do mar

noturno e misterioso

 

formas de ser

permanente evoluem

e se retraem em revolução

apaziguando assim o coração

sexta-feira, 21 de junho de 2024

vem comigo

 vem comigo (vandré)

 

vem comigo, vem

vamos pelo mesmo caminho

vamos seguindo a canção

vamos todos irmãos

vamos pelos campos e matas

vamos matar a fome ingrata

vamos pelas ruas distribuir

flores e conquistar cada um

o seu derradeiro quinhão

 

vem comigo, vem

vamos desamar os soldados

vamos lutar pela igualdade social

vamos semear o amor e a amizade

vamos fazer desse pais uma grande nação

vamos com a certeza de vencermos a miséria

a ignorância e a fome desse nosso pais.

quinta-feira, 20 de junho de 2024

vencido

 

fui vencido por palavras infiltradas num grito de desprezo onde o que havia em mim se desfibrou ao tentar fingir que você ainda estava aqui

quarta-feira, 19 de junho de 2024

vida

 

vida

 

vida apressada

cheios de amigos

amores bem vindos

 

Pastorelli 

 

 

 

Vida

 

risco a correr

perigo constante

viver nessa vida.

 

TecaMiranda

 

...

 

terça-feira, 18 de junho de 2024

Vinis e Cds.

  

Como que é a vida ou, deverei dizer como somos nós, ou ainda, como sou eu, mas isso não importa de como deverá ser isso ou aquilo ou aquilo outro.

 O caso é o seguinte: desde criança que uma das minhas paixões sempre e sempre será a música, claro que em primeiro lugar vem a vida, minha filha e, depois sim, a música.

 Não tenho lembrança de quando comecei a prestar atenção, de quando comecei a gostar propriamente de música.

 Sei que desde que me conheço por gente, minha mãe estava o dia inteiro com o rádio ligado, ouvindo aqueles programas de auditório ou novelas.

 À noite meu pai com o ouvido colado no rádio recebendo calorosamente os abraços do Moraes Sarnento ou Sarmento, não lembro o nome do apresentador do programa.

 Lembro que aos sábados ouvia a Mayrink Veiga com seus programas de dubladores onde desfilavam rocks, sambas, música brasileira – a MPB, essa sigla chegou muito tempo depois.

 Do rádio passei para os programas da televisão, onde os dois que mais se destacavam eram a Jovem Guarda e o Fino da Bossa, esse então não perdia um, pois com o Fino fui conhecendo compositores que nunca tinha ouvido falar.

 Quando comecei a trabalhar e que consegui comprar discos, os bolachões, os vinis, os Lps, qual não foi a minha alegria em ouvir a hora que quisesse a música preferida. Cheguei a ter quase mil Lps, hoje se eu for contar tenho apenas uns quinhentos, pois por falta de espaço fui me desfazendo dos que menos gostava.

 Com advento do Cd fui procurando substituir os vinis pelo Cd, -  não vou comparar as qualidades do cd com os vinis -, mas uma coisa que acho falta e que o cd nunca vai suprir, eram as capas, as vezes passava horas e horas só “folheando” os vinis por causa das capas.

 Para encurtar o caso, tenho mais de quinhentos Cds, e a causa desse meu escrever verborrágico é que descobri que tenho dois The final cut, do Pink Floyd, coisa que nunca me aconteceu nos tempos dos vinis.

 Agora não me perguntem como isso aconteceu, de comprar dois cds iguais,  pois veja no final a foto que tirei dos meus cds e aí compreenderam porque do meu engano.

 Abraços

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Viver é sempre gratificante

  

Correu o dedo pela folha amarela. Dobrou o canto da folha e guardou o livro na mochila. Em seguida, despretensioso, ajeitou o olhar castanho claro quase verde, como dizia sua mãe, num longo demorado desejo de observar o que se passava ao redor do corpo. Quieto viu o som irritante da geladeira; a voz de Luciano do Vale berrando o jogo na televisão podre de imagens esfaceladas; a estridente voz da Denise conversando; os passos esquecidos transitando na calçada banhada pela luz da tarde que aos poucos se aproximava; os carros, complemento humano, rasgando o ar cheio de indecisões. Observava quieto tomando à caipirinha e escrevendo palavras tortas no correr da caneta sobre as folhas da ensebada agenda velha. De repente... Gostava dessa palavra: De repente... De repente sua atenção foi desviada. O ar da estreita lanchonete se impregnou de um forte perfume sufocando-o. Era o freguês de todas as tardes, veio tomar seu quinhão de veneno com água gasosa. Apressado tomou de um gole só saindo logo em seguida. Vestia a camisa preta e branca do Corinthians talvez, foi à procura de emoções mais fortes. Em frente, no Amor aos Pedaços, famintos de açúcar saboreavam outro tipo de veneno servido ora pela bela moça morena, ora pelo esquálido rapaz.

Cena cotidiana salpicada de movimentos que se fixam no papel do tempo irrecuperável. Cena que se repete todas as tarde, mas com intensidades diferentes. São conseqüências diversas onde nada sendo o que na tarde anterior era. Posso todos os dias sentar neste banquinho e observar o que na aparência parecerá tudo igual um dia após o outro, contudo observando no concreto dos atos, das ações, nos rostos de cada um, nada será igual, nada será como antes... Porém, ah! Porém... Viver sempre é gratificante...      

domingo, 16 de junho de 2024

Vivo consumindo-me

 Vivo consumindo-me nos olhos negros onde o fogo se revela nos teus seios queimando-me o ano inteiro.

sábado, 15 de junho de 2024

Vivo os dias

 Vivo os dias ansiando a beleza da caótica cidade e a beleza pacifica do campo onde chego a conclusão que alimento o deus e o diabo que lentamente me devoram.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Você é gay?

  

Parado com o corpo encostado na porta ao lado dele, que avidamente lia o livro: Caio em 3D, se surpreendeu com a pergunta feita de supetão, assim sem mais e nem menos, demonstrando uma intimidade de longa data, coisa que não tinham. Estava vendo pela primeira vez o sujeito, portanto ficou com um pé atrás ao ouvir a pergunta dele:

- Você é gay?

- O quê?!

- É. Você é gay?

- Não... E o que o leva a pensar que sou gay?

- Diga-me o que lê que eu direi quem tu és.

- Espera aí, minha avó já dizia isso há cinqüenta anos: Diga-me com andas que eu direi quem tu és.

- As máximas também progridem se transformam como a gente...

- Ta, conta outra...

- Mas...

- Mas o que?

- Não me respondeu.

- Ah! Entendi. Só porque estou lendo Caio Fernando Abreu não quer dizer que seja gay.

- Diga-me o que lê...

- Ta pelo menos ele se assumiu e não é como alguns caras enrustidos que não saem do armário e ficam abordando os outros com babaquice. Idiota isso que você é.

- Não sou não...

- Vai me dizer que nunca leu um escritor gay?

- Não.

- Preconceituoso. Preconceito dá cadeia, sabia?

- Mas vamos e venhamos, o que um gay tem para dizer.

-Tem uma imensa carga de arte e sensibilidade que muitos que se dizem escritor não passam de meros falsificadores.

- Não sei não.

- Ora, vá engolir sapo na ponte que partiu...

- Não precisa ser grosso, mal educado.

Aliviado viu chegar à estação do seu destino. Sem se preocupar desceu, o sujeito desceu atrás dele.

- E então! Não vai me responder?

Fuzilando o cara, deu meia volta bem no momento que o sinal sonoro anunciava o fechamento das portas, entrou novamente no trem.

O sujeito berrou bem alto da plataforma:

- Você é gay ou não?

Deu tempo de fazer o gesto obsceno colocando o dedo médio em riste enquanto a porta do trem fechava.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

volto

 volto

 

volto porque te quero

 

volto porque me quer

 

volto e sempre voltáramos

pois não sabemos viver

longe de quem nos faz feliz

quarta-feira, 12 de junho de 2024

vou dizer para você

 

vou dizer para você

vou viver só de sacanagem todas as provas que ainda tenho que passar

vou viver com a máxima confiança esse dia a dia monótono faça chuva ou faça sol

vou viver com a eterna esperança para poder aperfeiçoar o meu pobre cantar

vou viver com o maltratado coração cheio de luz só para iluminar o meu caminhar

vou viver a vida mais prosaica possível

 

só para sacanear quem me diz que não vou ser feliz

terça-feira, 11 de junho de 2024

18:20

 Por Carlos Savasini

       Luciana do Vale

       Marisa del Santo

       Osvaldo Pastorelli

       Rosangela Aliberti

 

Cerveja estúpida_mente gelada

Cereja comum_mente escancarada

Abre às idéias que poluem

No vozerio da chuva temporal

Chuva negra – cerveja gelada

Conversa que se inicia

No jornaleiro as letras dançam aos olhos

O vento revira sombrinhas, mastigamos prosas

As últimas águas de março

Deixam o verão e anunciam o

Outono aquecido pelo globo

Globo bobo – bobo globo

O mundo invertido, inversão

Voluntariamente atravessado

Travado, invertido, adulterado

No vem e vai de todos os dias

Nos olhares que se cruzam entre

Copos e garrafas

Há pessoas que bebem para amortizar a realidade

Há pessoas que não percebem os símbolos de status

Saltando das garrafas construindo aventuras radicais

Sem tirar a bunda do sofá

E há pessoas que bebem moderadamente ...

 

(31/03/2007)

segunda-feira, 10 de junho de 2024

A - tentado

  

Por Carlos Savasini

       Luciana do Vale

       Osvaldo Pastorelli

       Rosangela Aliberti

 

Insulto é ver as torres gêmeas (duas ?)

Edificando sua calça

Tornando um mala sem alça como você

Alguém para minha alçada ...

Duplas torres, duplas carnes, monte duplo

Par de montes seios, alças, busto

Tronco em par com calças justas

Montes somam malas de calcinhas e cuecas

O monstro fica em evidência

Mostra o prazer de todos,

O olhar belisca cenas

O olfato arranha a pele

A boca soletra momentos românticos

O mesmo sol toca tantos corpos

O presente não destrói os sonhos do amanhã

Que prevalece sempre

Haja o terrorismo que houver.

 

(31/03/2007)

domingo, 9 de junho de 2024

A amizade é azul.

(A liberdade é azul)


Se a vontade é branca, a amizade é azul. Nesta primavera de inverno, o colorido se torna encruado pelo frio inesperado. A vida corre no passo umedecido em busca do destino certo e correto na esperança que, no final, a felicidade seja completa. No filete de sangue há sempre uma lágrima por alguma coisa. Não a sentimos por que o sangue seco não umedece a vida, em alguns casos a transforma, em outros, transtorna ofuscando o azul.  

Mesquinhos, frágeis narcisistas perambulam na ociosidade mendigando comida. Ninguém lhe dá atenção, cada um na sua e todos, um pouco por dia, morrem com a sensação de não sentir dor. E todos caminham por seu destino julgando-se felizes por fazer o que desejam ou, talvez, por fazerem o que julgam ser sua liberdade de expressão e movimento. Hipocrisia pensar que estamos certo, quando nossos movimentos dependem da liberdade expressa na liberdade dos outros.

Se azul é a amizade, onde estão os amigos que se diziam amigos? Onde estão à amizade recíproca que esquecidas morreram no empobrecimento dos afazeres burguês constituindo cada um a sua família? E no azul sombrio, cada um percorre seu caminho se libertando dos grilhões paternais e, construindo seus próprios grilhões falsos liberais.

Liberdade que prende, subjuga o ócio pelo proibido sempre excitado pela liberalidade que se pretendia enraizada nos bons costumes da família e prosperidade.

Acorrentado, envolve-me no cobertor e procuro dormir sossegado sem pensar no que pode ou no que poderia acontecer.
Apago a luz e deixo a escuridão do quarto cobrir as pudendas partes da imaginação que se aflora em sonhos nunca realizados.

sábado, 8 de junho de 2024

a ave caça seu alimento

a ave caça seu alimento

o felino caça sua presa

 

não sou ave

não sou felino

 

mas o meu alimento caço

nos bares que freqüento

quinta-feira, 6 de junho de 2024

A criação do mundo

 O sol com sua luz ilumina as pedras onde os deuses marcaram o nascimento da vida.

 

E das pedras surgiram as rosas cujos espinhos dividiram o tempo em dia e noite e passado e futuro.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

a garrafa de coca-cola

 a garrafa de coca-cola

proclama a existência

de vida e alegria

enquanto que na esquina

o faminto de vida

proclama sua fome

de simplesmente viver

sem regalia

terça-feira, 4 de junho de 2024

A guitarra rasga

 A guitarra rasga em som dissonante a vida que em preâmbulos existe em mim.

 

Vivencio na busca a não existência navegando em palavras que transcendem  tudo quando eu lhe digo: eu te amo.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

a história da minha casa

 

é sua parede

seus cantos

sala

quartos

e cozinha

 

muda ela fala

nos corredores da vida

nas escadas escorregadias

nos tapetes emoldurando

minha a sua a nossa vida

 

os móveis

revelam segredos

expresso nas tabuas

na água

no cimento

na argamassa

onde mãos sofridas

dia após dias

solidificaram

vidas após vidas

A luz que a esperança anima

  

A luz que a esperança anima meus passos é fraca, como é fraca a pulsação do amor.
Palavra que deveria bater em meu peito como fonte de mel que, outrora, jorrava dos seus lábios.

Desliza por um fio tênue gotas de salivas ácidas umedecida no pano da insatisfação.
Poreja ao sol do meio dia o suor da calçada que do meu corpo absorve lacerando a carne.

Os sons que meus ouvidos não distinguem como real é apenas o futuro se projetando a minha frente.

Vejo, ouço, sinto, e ao mesmo tempo, vejo músicas difusas, e ao mesmo tempo, ouço as imagens abstratas, e ao mesmo tempo, sinto o que nada sinto por causa da tormenta rasgando minha pele em mil pedaços de sombras espalhadas ao vento da saudade.

sábado, 1 de junho de 2024

A mente escorrega

 A mente escorrega, como bêbado em dia de chuva, realizando proezas levianas, cujas lembranças fogem cada vez que abro o coração ao mundo de prazeres nunca dantes navegado.

 

Caminho entre sombras perigosas ao som do piano martelando notas absurdas, aonde vou compondo a trilha sonora que, no dia a dia, filme em três dimensões no celulóide podre da vida, cujo compasso, se reveste com a tênue sonata lúgubres de acordes de lembranças.

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...