a
palavra que me diz
amo-te,
oh! língua portuguesa
quero
ter sempre em meu seio
a
portuguesa língua
que
sempre me alimentou
a
palavra que me diz
amo-te,
oh! língua portuguesa
quero
ter sempre em meu seio
a
portuguesa língua
que
sempre me alimentou
Três doces jovens conversavam animadas enquanto o ônibus no seu trajeto nos levava aos nossos destinos. Uma loira sorridente, uma nissei magra e uma morena conversadeira.
- Ontem disse para o meu namorado que quero presente no
dia das crianças. - disse a loira.
- Ué! Você não está namorando o Robson? – perguntou a
nissei.
- Você não sabia? Faz quinze dias...
- Pensei que fosse ficante.
- Também falei para o meu pai que quero presente no dia
das crianças. – falou a morena.
- Eu também pedi presente para o meu. – disse a loira.
- E o que ele respondeu. – falou a morena.
- Para quem tem treze anos e beija na boca já não é mais
criança. – respondeu a loira.
- Se ferrou. E o que você disse? – perguntou a nissei.
- Tive que ficar quieta, não tinha nada para falar para
ele, não é? – falou a loira.
Junto com uma moça, talvez com seus vinte e poucos anos,
sentada ao meu lado, rimos ou melhor sorrimos ao ouvir as meninas conversando.
- Essa juventude... disse ela para mim.
- Ficam velhas antes do tempo. – respondi.
- Com treze anos ainda brincava de boneca.
- É elas não sabem o que estão perdendo. Paciência.
- Não sabem mesmo.
O ocorrido foi em 2000.
O réu: morador de rua, 29 anos, amasiado com uma moradora de rua, tendo com ela
duas filhas, engraxate, carroceiro, vivia embriagado a maior parte do dia, ele
e o amigo, quase sempre juntos, às vezes passava uns tempos na casa da mãe.
Sua versão: o amigo chegou um dia
dizendo que queria furar um, estava com uma faca tipo serra na mão, e foi para
cima dele, dizendo: vou furar um hoje, o réu para se defender, tirou a faca da
mão do amigo, mesmo assim continuo sendo agredido, pegou um facão que estava no
chão da casa abandonada em que eles passavam a maior parte do tempo, e desferiu
vários golpes no amigo, atingindo-o na cabeça, no braço, no peito. Vendo o
amigo caído, jogou o facão no chão e foi embora. O amigo foi atendido logo,
porque uns meninos o encontraram e chamaram a polícia. O réu estava preso fazia
seis meses, portando fora preso esse ano. Isso porque ele foi ao Poupa Tempo
retirar um documento e foi preso lá. E ele só estava preso porque confessou o
crime. Depois que o amigo saiu do hospital, foi na casa dele onde conversaram
se perdoando um ao outro durante um almoço.
Um detalhe: nesse dia estavam os
dois, ele e o amigo, super embriagados.
A versão da vítima: a vítima chegando ao local viu um desconhecido mexendo nas
suas coisas, foi para cima do intruso que estava roubando-o. Embriagado o
desconhecido facilmente lhe tomou a faca tipo serra da mão passando a golpeá-lo
com um facão. Depois disso não se lembra de mais nada. Foi acordar no hospital
onde, por causa da interrupção instantânea do álcool, teve delírios trêmulos
várias vezes. Saindo do hospital fora procurar o amigo, sabendo por ele o que
ocorrera e, prometendo ao réu, retirar a queixa. A vítima só foi ouvida em dois
mil e um. Tempo depois veio a falecer atropelado por um ônibus, por estar totalmente
embriagado.
Os advogados: os advogados da acusação, como tanto o da defesa, não tiveram
muito trabalho. O da acusação assim mesmo fez uma bela preleção social
levantando a bola da justiça, pois só ela é que dava assistência a pessoas como
a que estava naquele momento sendo julgado. Falou bem, não bonito. No final
entendia que o caso não tinha muito que pretender e, esperava que a justiça
condenasse o réu pelo tempo de um a cinco anos. O réu sendo primário poderia
ainda ter a regalia que a lei estipulava.
O advogado de defesa também viu
que aquele caso era simples demais, portanto se apegou na falta de provas, pois
nem testemunha tinha porque ninguém viu o que ocorrera, os depoimentos que
constavam do processo, eram apenas dos policiais e dos enfermeiros. Pedia a
inocência pelo fato do réu ser primário e pela dúvida que havia do que
realmente ocorrerá, pois estando os dois totalmente bêbados, não se podia
confiar nos depoimentos deles.
Finalizando: o réu deveria
cumprir pena de um ano de prisão liberdade.
Enquanto ouvia os advogados,
pensava: isso daria um belo conto.
ao mundo gritou
love love
love
e o
mundo
a
ele respondeu
love love
love
assim
com habilidade
nos
pés ele
fez-se
rei
Entraram no carro falando alto, gesticulando, com seus cabelos espetados e duros, calças largas com o cós da cueca aparecendo, mostravam a alegria que a juventude depositou neles.
Entraram por duas portas e se juntaram conversando
assuntos corriqueiros.
Com suas
calças largas, colares de contas, uns atravessados, outros apenas pendurados no
pescoço denotavam despreocupação com qualquer coisa.
Em pé,
encostado na porta, com o olhar sério, vestindo jeans, camiseta por baixo da
blusa aberta, com seus bíceps de academia, entrara na mesma estação que eu,
observava os rapazes,
Em frente ao banco cinza, estava uma senhora, baixa, já
de idade, talvez com seus cinqüentas anos, miúda, feições sérias, parecia se
aborrecer com a alegria dos rapazes.
Ao lado dela se portando com tremenda delicadeza, um
rapaz magro, moreno, também de jeans meio desbotada, de pernas cruzadas, com as
mãos postas uma em cima da outra no joelho, também observava com os olhos sem
virar a cabeça o grupo descontraído.
- Alo, cambio, Juliano onde você está, responde, disse
um deles num intercomunicador.
- Desligue isso, vai acabar
com a bateria, falou outro dos rapazes sentando ao meu lado.
Nisso a porta do trem abriu e entrou um casal com
crianças no colo.
O que estava ao meu lado se levantou para a mulher com
a criança no colo sentar.
Uma hora
soltaram um dito espirituoso e percebi que fora endereçado ao rapaz sentado ao lado da senhora.
O que não foi notado, ou o rapaz não percebeu ou não
deu bola, pois deveria já ter passado por momentos iguais a esse.
Levantei-me, pois estávamos chegando à Estação Sé e, ao
meu lado a senhora resmungou para que eu ouvisse:
- Que barbaridade! Como pode um pai deixar seu filho se
vestir dessa maneira, andar como se fosse mulher. São todos depravados,
bagunceiros. Que perdição.
E desceu do
metrô. Atrás dela também desci. E não entendi o do porque de sua revolta, se é
que era revolta.
Parei na plataforma e olhei para os rapazes, o que
estava encostado na porta, os que estavam em pé com sua alegria e, o que estava
delicadamente, sentado. Todos eles continuaram viagem e todos olharam para mim
como se dissessem:
- A vida
é para ser vivida como cada um quer, sem se importar com o que possam dizer
Sorri mentalmente e concordei.
Presenciar um atropelamento não é nada agradável.
Ainda não presenciei um, isto é,
até quarta-feira passada. Mas não considero um atropelamento na amplitude que a
palavra sugere. O que não deixa de ser um atropelamento. Foi uma cena nada boa
para ser vista.
Tinha saído da academia e estava
no ponto do ônibus quando o carro bateu de lado nele e jogou-o ao chão. Foi uma
batida de raspão, porém de conseqüência mortal. Pois como caiu ele ficou. Nem
se mexeu. O carro creio, daria tempo de frear ou desviar. Não sei por que carga
dáguas não fez nada disso. Ele também, indeciso, ficou naquele de atravessar ou
voltar acabou sendo atropelado.
A rua é uma ladeira não muito
íngreme. É o começo da rua, onde os motoristas aproveitavam para dar embalo e
subirem a ladeira do Cangaiba e conseguirem subir o viaduto que passa por cima
do Tiquatira. A prefeitura colocou perto do Terminal de ônibus da Penha um
radar para evitar os abusos. No entanto assim que passam pelo radar, os caras
pisam fundo.
O motorista do carro preto não
estava correndo exageradamente, o que não se explica o do porque ter
atropelado, talvez estivesse distraído ou conversando, vai se saber. O pior foi
que logo depois passou um micro ônibus por cima do coitado arrastando-o mais
para frente. No momento não pensei em nada, minha mente ficou em branco, acho
que foi o único instante em que não pensei em nada. Logo da passagem do micro
ônibus foi que me veio à mente:
- Pronto, agora ele vai ficar aí
jogado, os veículos vão passar por cima dele até que vire uma massa de carne,
ossos e pelos amassados no asfalto.
Duas moças que estavam comigo no
ponto do ônibus e que presenciaram também a cena, tiveram pena e puxaram pelo
rabo o pobre coitado colocando-o na calçada.
Agora, talvez em algum lugar
dessa imensa cidade, haverá uma menina triste que não verá mais o seu cachorro
de estimação, fazendo com que seus pais saiam à procura dele.
pelo mundo do seu corpo deflorando seus costumes.
Aconchegou-se
no canto da sua voz e dormiu um sono sossegado.
Sonhou.
Sonhou
com um mundo diferente onde tudo valia nada e o nada continuava valendo o mesmo
nada de sempre.
Sonhou.
Sonhou
com os olhos da amada acariciando-a docemente ao som da noite estrelada.
Sonhou.
Sonhou
com os lábios sedentos beijando-a levemente até o nascer do sol.
Sonhou.
Sonhou
com a história que ele em teu corpo deixou para sempre
Hoje
vive lembrando os momentos que não voltam mais.
Hoje
vive apenas alimentando a saudade.
o ambiente num solo de guitarra.
Meus olhos choram lágrimas secas de melodia triste.
Deposito no fundo do copo a esperança em tê-la novamente.
Saio do bar flutuando no acorde da canção e beijo as
estrelas que iluminam a poça de água.
Meus pés quebram a harmonia dos meus sonhos.
Por Carlos Eduardo Savasini Ferreira
Osvaldo Pastorelli Luzes tijolosAmenidadesParede abstrataPassantesCruzam vidasAtenuantesVersos buscam prosasColóquioDiscurso heróicoAo pé do ouvidoAh ... que assunto eróticoLíngua no lóbulo do ouvidoSaturno em Áries, LibraGêmeos de faces, sorrisosLábios virginaisAbrem-se aosPrazeres divinais.
Chegando em casa, como sempre faz, ligou o aparelho de som, colocou o cd de Mahler, a Sinfonia número três, e no último volume se preparou para tomar o seu banho. Passava a camisa ao mesmo tempo saboreando um bom vinho que abrira naquele momento, quando ela entrou em casa, como sempre, achando-se dona da situação.Ele, pouco se importou com a chegada dela, continuou passando a camisa e degustando o delicioso vinho e se embriagando com a bela música de Mahler. Nisso, saindo do quarto, ela liga a tv no futebol, seleção brasileira, esses pernas de paus endinheirados, com a seleção de Portugal, bem alto.O engraçado é que ela se achando a dona de tudo nem lhe perguntou se podia ou não assistir a merda do futebol, sem mais e nem menos, ligou a tv e ficou assistindo os pernetas que só joga por dinheiro perder para Portugal. Bem feito. Viva Portugal.Ele acabou de passar a camisa, pegou suas roupas e a toalha, aumentou o volume do som e, entrou no banheiro para tomar banho. Saindo vinte minutos depois, a tv continuava ligada, agora na novela das seis, coisa que ela nunca ligou e o som inebriante de Mahler. E assim ficou por mais de duas horas, ele querendo ouvir Malher, e ela com a tv ligada.Até que com certa raiva, aumentou quase no último o som, voltou à faixa que apreciava e ouviu nitidamente toda a complexidade bonita da música.Dando-se por contente, desligou o som, retirou o cd, guardou-o na caixinha junto com os outros, passou por ela sentada no sofá demonstrando que não se preocupava um pingo com ela.Viva Portugal, parabéns.
corroendo a carne da cidade
onde o sangue lava a Paulista
de vermelho azul e amarelo
em cada semáforo
a vida vale um limão
dos sentimentos querendo se suicidar nos portais da imbecilidade humana.
Navega seu cansaço nos sombrios
cantos dos rios rasgando o decalque de estrutura metálica ecoando ao bater no
chão de concreto.
A lágrima escorre umedecendo a
face da lua artificial refletida nos vitrais da humanidade apodrecida.
O manto da noite encobre o corpo
que se estende ao longo da avenida silenciosa realizando assim, mais uma rotina
de vida na cidade adormecida.
colher as ondas de pequenas gotas de saudades.
Fujo
das armadilhas rápido como peixe foge da maldita rede.
E na
lentidão do tempo me entrego aos prazeres da minha paixão.
Todos
os dias fazemos as mesmas coisas e ao colocarmos a coleira no pescoço e
ficarmos oito horas, preso nesse canil, não quer dizer que seja uma luta para a
sobrevivência, mas sim, é um desgarrado culto para alimentar o consumismo.
Onde
as repetições dos mesmos atos, dos mesmos pensamentos, das mesmas conversas
fúteis cheias de futricagem moldam monstros alimentadores dos oprimidos em
esquinas da fome e da ambulante morte.
Mas
sendo nós parte dessa engrenagem mundial, raramente podemos escapar do seu
mecanismo e assim, queremos ou não, cultuamos o ídolo consumista no altar da
hipocrisia glorificando nossa mecânica vida.
as linhas imaginárias delimitando os olhos à matéria fria.
As moléculas perfuram a
sensibilidade criativa ferindo de beleza a vida.
A concretude de esfinge sinuosa
que permanecera no espaço tempo da matéria vida.
No caixão de madeira
Ressaltou a duvida
Quando o rebento
Num conflito
Surtou deixando-o
Como estátua
Foi então
Que se imaginou
Como criança
Cheia de ingenuidade
Cheia de mistérios
Claro sem revelar seu sexo
Propôs conquistar
O mundo ao tomar gardenal
Onde viu o eclipse da lua
Caindo na solidão
Sem pensar no tempo
Consultou o caleidoscópio
Revelando a ele
A beleza da vida
do corpo em movimentos sonoros.
As pernas traçam volteios no
ritmo sentimental.
Os parceiros percorrem o salão
graciosos distribuindo harmonia e alegria.
No canto com seu copo solitário
ouve-se o tilintar da paixão desencontrada.
- Garçom, mais uma garrafa de
vinho, faz favor.
E outra vez mais a música invade
os espaços do corpo na dança solitário de si mesmo.
No embalo do sono
Nossos braços enlaçados
Lava nossa paixão
O rio que brilha
Dos teus olhos negros
Consola-me tua voz
Envolvendo nossos corpos
Numa só correnteza
E como raio misterioso
Unimos nosso amor
Ao brilho das estrelas
De palavras que concretizam
Na existência do ser
O poema lambe invisível
Contornos da carne
Em delírios dos passos
Cadenciados na paz
Dos gritos esfacelados
A poesia se sucede
Em espasmos lingüísticos
Ao sabor da vida palavra
Que translúcida
Estampa a carência
Dos sonhos não concretizados
O poema adormece
Aconchegam-se os dedos
À espera de palavras
Que em retângulos
Concretize um novo ser
A batalha se inflama
Preparando o ataque
Não ligarei os motores
Não removerei os freios
Não determinarei a velocidade
Pode até ser tarde
Não correrei em disputa
Não rolarei no chão
Não girarei meu corpo
E também não mergulharei no espaço
Apenas viverei intensamente
Os segundos em teus braços
Gozarei de todos os prazeres
E nas ondas suaves
Do teu corpo
Descansarei minha alma
Cansada
Tudo corre translúcido na avenida
Nisso, ouve-se um grito
Um corre-corre aflito
Mais uma namorada
Que cometeu o suicídio
A morte da flor
Esquecida no canto
Do jardim
Onde o pássaro
Já não canta
Mais o canto
Da vida
a única certeza que ela me dá
é a
morte certa
procuro
com o elixir
da
juventude me iludir
prolongando
a vida
de
tédio pecaminoso
onde
caminho por labirinto
de
emoção e sentimento perigoso
A vida são passos
Pisando na claridade
Do sol
Instantes marcados
Nas sombras dos edifícios
Da alma humana
Olhares que se olham
Na casualidade
Entre desafio e caça
Ao cruzar
Na escada rolante
É grito mudo
De indigente dormindo
Ao relento da paz
Da avenida
É ir e vir
De nós mesmos
Perdidos de emoções
Caçando amores
E sexo de esperança
Em cada caneca
De chope saboreado
Com sofreguidão
A vida sou eu que escrevo
A vida é você que me lê
É um tudo insuportável
É um nada inesquecível
A vida...
São passos
Que me levam
Ao desconhecido
Que há em você
Dentro de mim
que você respira
acreditei no caminhar
que você caminhava
acreditei na morte
companheira eterna
que me persegue
a vida inteira
só não acreditei
viver a vida
sem você
como minha
eterna companheira
Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...