quinta-feira, 26 de junho de 2025

Vazia.

                                 

 


Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à mente. Rodopia sobre os objetos, sobre os acontecimentos que volteia nesta manhã úmida onde a Paulista cinza escura fere meus olhos mortiços de sono. Cadê minha capacidade de escritor? Aquele escritor que consegue tirar poesia até do asfalto preto e sujo. Aquele escritor onde sua sensibilidade afinada com os tempos faz sua crônica, seu poema, seu texto embevecendo o leitor. Onde está esse escritor que há em mim? Não o acho. Está escondido por baixo de muitas camadas de leituras solitárias sem ter como extravasá-las. Minha mente parece amassada por um espremedor retirando dela toda química necessária para combinar as palavras que me azucrina em querer sair do anonimato. Palavras que ricocheteiam na parede do cérebro transmitindo ordens aos dedos imóveis sobre o teclado. Sim, há muita coisa ainda para ser escrita, e aos poucos serão extraídas suavemente ou forçadas e serão impressas nessa tela hipnótica para o deleite de quem gosta de ler. Agora, se o leitor gostar do que escrevo, bem... Isso é uma outra história para quem sabe, uma outra crônica?


quarta-feira, 25 de junho de 2025

Vidas apressadas.


Na manhã calorenta as vidas apressadas buscam algo que muitos não sabem e nem porque vivem, outros, sem possibilidades de alçar vôos mais altos, sempre em vôos rasantes, sempre se acidentando, mas se todos se preocupassem menos com o que se passam como se fosse algo insolúvel, e percebessem que tudo é um fator predominante, uma quase necessidade para se viver, creio que não achariam seus problemas maiores como qualquer outro que pelo mundo rola.

Zanzando pelo teatro

 

 

Zanzando pelo teatro da vida, abro portas, atravesso corredores, me perco feito tolo — até que, por fim, encontro uma saída.

Se uma porta não cede, sigo para a próxima, e a próxima, e a próxima… até que alguma se abra e me lance a um prado límpido, cálido, perfumado de manhã.

Quase nunca fecho as portas. No máximo, deixo-as entreabertas — convite mudo a quem quiser me seguir. Fechá-las? Nunca. Porta fechada é coração parado.

Deixo, por hábito, uma fresta de luz atrás de mim — um rastro tênue para quem desejar seguir meus passos. Mas peço: não os repitam. Caminhem ao lado, se quiserem, até de mãos dadas, mas que os passos sejam seus, únicos, crescidos no espaço que é de cada um.


segunda-feira, 23 de junho de 2025

Sábado de junho

 

 



Chove. Ao entrar na farmácia, a chuva aumentou. Ainda bem que desistiu de tomar banho antes de sair. Se tivesse feito isso, não teria saído. Pelado no meio do banheiro, antes de abrir o chuveiro, foi que resolveu:

— Tomo banho depois que voltar.


E assim fez. Vestiu-se novamente. Ainda bem que não tomou banho antes de sair, pois havia decidido passar na farmácia para comprar os remédios e conhecer o novo bar inaugurado onde antes funcionava a padaria, perto da igreja. Aliás, já fazia tempo que planejava fazer isso, mas, por motivos que não lhe cabia expressar, só hoje conseguiu pôr em prática — e quase não conseguiu.

Lançando um olhar de cento e oitenta graus, constatou o ambiente: bom, legal, aconchegante, com bom atendimento. O único porém era a música alta — mas, às vezes, diminuía. A caipirinha estava saborosa, o chope, gelado. Gostei. Até porque consegui escrever, ler...


A chuva deu uma trégua. O trânsito não está caótico — intenso, mas fluindo no asfalto molhado. A Festa das Nações está, mais uma vez, enchendo o bolso do padre... Bem, é isso.


domingo, 22 de junho de 2025

Creio já ter escrito o suficiente

                                                         


Bloquinho Amarelo

Creio já ter escrito o suficiente. E ainda tenho o que escrever? Talvez sim, talvez não. Ou será que tenho praticado pouco, e por isso a sensibilidade não aflora com mais naturalidade?
Escrever o que se passa na alma é escrever o vazio.
Escrever o que se passa na vida é escrever baboseiras.
Escrever o que a mente dita é lixo — e de porcarias o mundo já está cheio.

O que me resta, então? Escrever o quê?
Sobre este bloquinho amarelo de papéis auto-adesivos, onde se anotam pequenas lembranças, obrigações, recados efêmeros?
Quem teve a ideia de criá-lo?
Talvez alguém que vivia esquecendo das coisas — e começou a rabiscar lembretes em pedaços soltos de papel, largados sobre a mesa ou colados com fita adesiva, o bom e velho durex.
É sobre isso que devo escrever?
Talvez seja um bom exercício.

Quantas árvores foram derrubadas para fabricar esse pequeno bloco?
Não sei.
Espero, sinceramente, que tantas quanto foram derrubadas, tenham sido também plantadas.

Há bloquinhos de várias cores — por que não são feitos de papel reciclado?
Será que não sairia mais barato?
Assim, talvez, pouparíamos algumas árvores.
Mas... será que as pessoas gostariam de manusear um bloquinho de papel reciclado?

Ah, já sei a resposta:
É CLARO QUE NÃO.
O que querem é papel “de qualidade” — e, se vier em cores variadas, melhor ainda.
Mas o que realmente importa não é a qualidade do papel, e sim o que está escrito nele.
— Embora isso também seja discutível.

Agora, me perguntariam:
— E para você, que desenha, pode ser papel reciclado?
Claro que sim — desde que o desenho saia bom.
Aliás, o artista deve ser capaz de usar todo e qualquer tipo de material para expressar sua obra. Bom, está aí.
Poderia escrever mais. Quem sabe até um conto sobre isso.
Mas o expediente começou — e não quero caras feias, muito menos reprimendas por estar escrevendo quando deveria estar... trabalhando.

Bom, está aí.
Poderia escrever mais. Quem sabe até um conto sobre isso.
Mas o expediente começou — e não quero caras feias, muito menos reprimendas por estar escrevendo quando deveria estar... trabalhando.

sábado, 21 de junho de 2025

Criar o gesto, acompanhado

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Criar o gesto, acompanhado da fala — oral ou escrita — é pulsar vibrações ao redor, orientando ou manipulando quem está por perto. Ao entrar em contato com outros pulsos — mais intensos ou mais sutis — é possível que algo se mova dentro de nós, conduzindo-nos a agir de determinada maneira.

O essencial, porém, é deixar esse pulsar livre: solto, leve, percorrendo os espaços ao seu redor sem se preocupar com o que possa acontecer. E, se algo acontecer por causa do seu pulsar, aprenda a lidar com esse acontecer. Aprenda a contê-lo, se for ele a oportunidade tão esperada — e, se não for, se for apenas mais um acaso, não se deixe abater. Siga vivendo, sem cair na armadilha da mortificação, sem se julgar um frustrado ou fracassado.

Nessas ocasiões, erga a cabeça. Pise firme, decidido a seguir em frente — mesmo que, por isso, venham a te chamar de orgulhoso, metido ou convencido.


 

sexta-feira, 20 de junho de 2025

O sol delineia figuras

 O sol delineia figuras esparsas na dança ritmada de braços e pernas que volteia no ar sua concreta existência de ser tão somente ser.

O amarelo tinge a água do mar calmamente num findar do dia criando um clima de tristeza morna representada no dançar de forma e geometria alucinada.

Corpos providos de resistência física e mental, desafiando a lei da gravidade, se jogam no espaço curto do flash aprisionando-os para sempre no papel Kodak.

Observados pelo olhar fotográfico permanecerão ao findar a resistência material do papel como prova de que ali – onde? – algo aconteceu para ser, até o findar a existência do papel admirado como proeza artística de uma sensibilidade poética inigualável e bonita.

Surdos ao poder de exclamações positivas permanecerão em nossas mentes burguesas apodrecidas pelo cansaço da sobrevivência, como um ato infindável e imorredouro de uma proeza humana, não extrema, mas de possível desconhecimento das figuras fotografadas.

E o sol, o mar e as figuras se integram harmoniosamente num único e selado beijo.

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...