Vazia. A minha mente está
vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à mente.
Rodopia sobre os objetos, sobre os acontecimentos que volteia nesta manhã úmida
onde a Paulista cinza escura fere meus olhos mortiços de sono. Cadê minha
capacidade de escritor? Aquele escritor que consegue tirar poesia até do
asfalto preto e sujo. Aquele escritor onde sua sensibilidade afinada com os
tempos faz sua crônica, seu poema, seu texto embevecendo o leitor. Onde está
esse escritor que há em mim? Não o acho. Está escondido por baixo de muitas
camadas de leituras solitárias sem ter como extravasá-las. Minha mente parece
amassada por um espremedor retirando dela toda química necessária para combinar
as palavras que me azucrina em querer sair do anonimato. Palavras que
ricocheteiam na parede do cérebro transmitindo ordens aos dedos imóveis sobre o
teclado. Sim, há muita coisa ainda para ser escrita, e aos poucos serão extraídas
suavemente ou forçadas e serão impressas nessa tela hipnótica para o deleite de
quem gosta de ler. Agora, se o leitor gostar do que escrevo, bem... Isso é uma
outra história para quem sabe, uma outra crônica?
