segunda-feira, 27 de julho de 2020

Contos surrealistas 123


Jovens

Rubens pegou as folhas, os palitos que sobrara, as pequenas circunferências coladas uma a uma e presas aos palitos, às cerejas como lhe dissera Margôt, o que para ele não se parecia com nada. Como tinha aceitado participar da festa, ficou encarregado da parte de cortar e colar, agora estava levando tudo para Neide, a coordenadora da festa. Abriu a porta devagar, não tinha ninguém no corredor, saiu rapidamente. Precisava ter cuidado não dar na vista, agir normalmente, evitar os atendentes, principalmente os enfermeiros.
Ao entrar no quarto, encontrou com Margôt e Neide caprichando nos últimos arranjos.
- Aqui está às cerejas, Neide.
- Coloque-as nessas caixinhas de madeira, Rubens.
Neide apreensiva olhava a todo o momento as horas. Não tinha certeza se Zeca, Rosália e Augusto veriam. Achou muito chocho o sim deles, mas o que podemos saber o que se passa na mente de cada um, não é, disse fechando a cortina da janela:
- Lembre-se, tudo a meia luz, cortinhas fechadas, som baixo, e nada de parabéns eufórico, ok?
Nisso a porta se abre e, furtivamente entram Zeca, Rosália e Augusto.
- Ainda bem que chegaram. Pensávamos que tinham desistido, disse Margôt.

Arlete, profissional de enfermagem há dez anos, achava o serviço moleza, além do que, tinha afeição em cuidar dos necessitados. Seu primeiro emprego foi cuidar de crianças doentes por dois anos, depois de pessoas com câncer, só após quase seis anos é que foi prestar atendimento a idosos. Portanto estava a quatros anos, seis horas por dia, prestando atendimento aos idosos na Casa de Repouso de Nossa Senhora dos Necessitados.
E naquela manhã, Arlete satisfeita consigo mesma, começava mais um dia inspecionando o asilo, desde a entrada, passando pelos quartos até o quintal ao fundo da casa. Com seus passos firmes, corpo ereto, olhos brilhantes, ao virar a cabeça para dentro do quarto de Neide, Arlete parou estarrecida. Deu meia volta e pressionou o alarme.

Rosália não podia acreditar. Dobrou o jornal, em seguida leu a carta que recebera da Casa de Repouso de Nossa Senhora dos Necessitados:

Prezada Senhorita Rosália

Pedimos que venha buscar o seu avô, o Senhor Augusto, que por práticas indecorosas, ele e mais cinco idosos, estão sendo expulsos dessa instituição.

Atenciosamente
Antonio Ricardo Luz
Diretor

Rosália sorriu. Voltou a ler a reportagem no jornal:
Seis idosos, entre 70 a 95 anos, foram expulsos da Casa de Repouso de Nossa Senhora dos Necessitados por participarem de orgia.
- Imbecis, não sabem a diferença entre nudismo e orgia, disse com raiva.
Resignada, engrenou a marcha, quinze minutos depois estava em frente ao asilo.

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