Não sei. O cansaço me abate. Prende-me a cadeira. Sinto-a firme segurando
minhas carnes para não desabarem ao chão úmido da fraqueza. Os dedos lentos
procuram palavras em todos os lugares aos quais são possíveis de encontrarem.
Rasgo as possibilidades, crio enormes vazios para preencher a desilusão de não
ser encontrado, de não ser procurado. Disco o dial do celular, não há ninguém a
espera do meu telefonema, mesmo assim disco um número qualquer. A voz que
atende não é a voz a qual gostaria de ouvir, mesmo assim, por vários minutos
escuto essa voz gritando alô por segundos intermináveis. Isso acalma por
momentos minha angustia. Desfaz-me a mórbida ansiedade. Vibra os anéis de
saturno comandando meus gestos e passos.
Obedeço. O que mais posso fazer. Meu destino é
obedecer. Mesmo que eu crie meu destino, acabo obedecendo não só a ele como aos
fatores externos oprimindo e sufocando. Deslizo nas folhas da pele, o sumo da
carne enrijecida pelo cansaço. Obedeço meus passos trilhando caminhos desiguais
com a finalidade de me equilibrar nos abismos das emoções.
Assim entre os párias, alimento-me do saber.
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