sábado, 17 de setembro de 2022

todas as manhãs

 

quando acordo

espanto-me

não tenho mais

vinte anos

 

tenho sempre respostas

as perguntas que não

sei como responder

 

nas minhas costas

cravaram-se as raízes

do meu futuro insólito

pregado nos muros

 

pelos furos do tempo

jorra o sangue veneno

pelas veias dos livros

que ainda não li

 

não quero a calma

quero a tempestade

que não inventei

 

quero as dores

os sacrifícios

os delírios

 

que me concretiza

todas as manhãs

quando acordo

e me espanto

não tenho mais

vinte anos

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