terça-feira, 2 de maio de 2023

Pequenas histórias 88

 

Desarrumei o cenário do desejo alimentando o corpo a ilusão.

Deixei escorrer o amor entre os dedos na concreta vida.

Emoldurarei os passos indecisos numa procura desiludida.

Esfolei nas paredes da carne o sexo dolorido sem paixão

.

E afundei dia-a-dia no copo o vicio tolamente obsessivo.

Não te encontrar cavou a tristeza no brilho cinza das manhãs.

Morri aos poucos nos cantos e vãos da alma em tentativas vãs

No chão as ilusões marcaram meu desígnio de tolo emotivo

 

Desgastado feito um tapete surrado no meio da grande sala

Cultivo o sentimento alinhavado como desgastante lenitivo

Postei-me à janela colhendo da sombria noite a noturna fala

 

Saudade vem me buscar no parapeito do tempo corrosivo

Leva-me ao finito contorno onde possa me esquecer dela

E descansar no profundo abismo que me puxa compulsivo

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