terça-feira, 19 de setembro de 2023

Viva Portugal! Viva! – uma cena podre de um surrealismo fútil.

 

Chegando em casa, como sempre faz, ligou o aparelho de som, colocou o cd de Mahler, a Sinfonia número três, e no último volume se preparou para tomar o seu banho.  Passava a camisa ao mesmo tempo saboreando um bom vinho que abrira naquele momento, quando ela entrou em casa, como sempre, achando-se dona da situação.
Ele, pouco se importou com a chegada dela, continuou passando a camisa e degustando o delicioso vinho e se embriagando com a bela música de Mahler. 
Nisso, saindo do quarto, ela liga a tv no futebol, seleção brasileira, esses pernas de paus endinheirados, com a seleção de Portugal, bem alto.
O engraçado é que ela se achando a dona de tudo nem lhe perguntou se podia ou não assistir a merda do futebol, sem mais e nem menos, ligou a tv e ficou assistindo os pernetas que só joga por dinheiro perder para Portugal. Bem feito. Viva Portugal.
Ele acabou de passar a camisa, pegou suas roupas e a toalha, aumentou o volume do som e, entrou no banheiro para tomar banho. Saindo vinte minutos depois, a tv continuava ligada, agora na novela das seis, coisa que ela nunca ligou e o som inebriante de Mahler. 
E assim ficou por mais de duas horas, ele querendo ouvir Malher, e ela com a tv ligada.
Até que com certa raiva, aumentou quase no último o som, voltou à faixa que apreciava e ouviu nitidamente toda a complexidade bonita da música.
Dando-se por contente, desligou o som, retirou o cd, guardou-o na caixinha junto com os outros, passou por ela sentada no sofá demonstrando que não se preocupava um pingo com ela.
Viva Portugal, parabéns.

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