quinta-feira, 24 de abril de 2025

já não uso mais sapatos


descalços meus pés deixam
marcas do meu destino
que me levarão ao infinito

cada um tem o segmento
que lhe cabe
escolhido ao partir
o cristal da vida

você não vê
ou não quer acreditar
no que vê
mas os olhos não se enganam
vê o que está em cima
e o que está em baixo

já não uso sapatos
e posso palmilhar passo a passo
a saudade do teu corpo
que a mim em determinada hora
como fome que se aflora

mas não se engane
parto a qualquer hora
a todo instante faço
a mala e nem a tua fala
me impedirá de partir
muito menos o teu sorrir
me segurara aqui

parto para um futuro incerto
que não me preocupo
em pensar nele
pois ele está em mim
assim como eu estou nele

parto cada vez mais perto
do meu destino incerto
e que também
não me preocupo
se chegarei ou não

parto trilhando o medo
não o medo do desconhecido
mas o que há em mim
que poderá me deixar perdido
e por ser preciso desafiarei
o que não sei

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