domingo, 22 de junho de 2025

Creio já ter escrito o suficiente

                                                         


Bloquinho Amarelo

Creio já ter escrito o suficiente. E ainda tenho o que escrever? Talvez sim, talvez não. Ou será que tenho praticado pouco, e por isso a sensibilidade não aflora com mais naturalidade?
Escrever o que se passa na alma é escrever o vazio.
Escrever o que se passa na vida é escrever baboseiras.
Escrever o que a mente dita é lixo — e de porcarias o mundo já está cheio.

O que me resta, então? Escrever o quê?
Sobre este bloquinho amarelo de papéis auto-adesivos, onde se anotam pequenas lembranças, obrigações, recados efêmeros?
Quem teve a ideia de criá-lo?
Talvez alguém que vivia esquecendo das coisas — e começou a rabiscar lembretes em pedaços soltos de papel, largados sobre a mesa ou colados com fita adesiva, o bom e velho durex.
É sobre isso que devo escrever?
Talvez seja um bom exercício.

Quantas árvores foram derrubadas para fabricar esse pequeno bloco?
Não sei.
Espero, sinceramente, que tantas quanto foram derrubadas, tenham sido também plantadas.

Há bloquinhos de várias cores — por que não são feitos de papel reciclado?
Será que não sairia mais barato?
Assim, talvez, pouparíamos algumas árvores.
Mas... será que as pessoas gostariam de manusear um bloquinho de papel reciclado?

Ah, já sei a resposta:
É CLARO QUE NÃO.
O que querem é papel “de qualidade” — e, se vier em cores variadas, melhor ainda.
Mas o que realmente importa não é a qualidade do papel, e sim o que está escrito nele.
— Embora isso também seja discutível.

Agora, me perguntariam:
— E para você, que desenha, pode ser papel reciclado?
Claro que sim — desde que o desenho saia bom.
Aliás, o artista deve ser capaz de usar todo e qualquer tipo de material para expressar sua obra. Bom, está aí.
Poderia escrever mais. Quem sabe até um conto sobre isso.
Mas o expediente começou — e não quero caras feias, muito menos reprimendas por estar escrevendo quando deveria estar... trabalhando.

Bom, está aí.
Poderia escrever mais. Quem sabe até um conto sobre isso.
Mas o expediente começou — e não quero caras feias, muito menos reprimendas por estar escrevendo quando deveria estar... trabalhando.

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