domingo, 3 de outubro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.738(2021)

             Passeavam alegres pelo shopping. A primeira coisa que fizeram assim que puseram os pés para dentro do shopping foi:

            --- Vó, to com fome.

            --- Ok, vamos comer então, disse o vô.

            E foram para a praça de alimentação. Não gostava muito de comer no shopping. É muito alvoroço, é os caras com os cardápios quase enfiando na sua goela abaixo, é uma vai e vem para achar um lugar, é uma variada opções que você não sabe o que escolher, um murmúrio, um zum zum infernal, mas tudo bem, apesar dos pesares a praça não estava tão cheia, talvez por ser meio da semana e, por causa da pandemia.

            --- O que vocês querem?

            --- Não sei.

            --- Não sei não tem.

            --- Não quero pizza, disse a menor...

            --- Pizza se come no domingo, replicou a maior.

            Com isso rodaram a praça toda e não tinham escolhido.

            --- MacDonald?

            --- Não, Burg King.

            --- Isso mesmo, respondeu a irmã.

            E lá foram. Pararam em frente aos painéis em que se pedem os lanches. O vô perdido, nunca tinha mexido num troço daqueles, olhou para a balconista:

            --- Precisando de ajuda, disse ela.

            --- Sim, por favor, respondeu o avô.

            --- Pois não, o que vocês querem.

            --- Meninas o que vocês querem, disse o avô para elas.

            --- Qualquer um que não tenha cheddar, disse a menor.

            --- Quero o mesmo dela, pediu a maior.

            --- E o senhor?

            --- Bem, sabe que não sei.

            --- Não sei não tem, replicou a maior.

            A balconista sorriu.

            --- Sugiro para o senhor esse triplo com...

            --- Trinta e dois reais! Está muito barato, disse o avô. Vou ficar com esse que é dezoito reais.

            Feito os pedidos, foram para a mesa a espera. Não demorou muito, logo foi chamado e o avô foi pegar os lanches e se deliciaram. E quando estavam indo embora a menor disse:

            --- Vô sabe o que vou querer?

            --- O que?

            --- Vou querer pentear meu cabelo para um lado só, o outro lado vou raspar, pintar o cabelo de roxo e usar um piercing no nariz.

            --- Vai mesmo, e você acha que vai ficar bonita?

            --- Sim, vô vou ficar bonita. Mas isso só quando eu for adolescente, não é, agora não posso, né com oito anos.

            --- É sim, só na sua adolescência, disse o avô rindo.

            É isso... ou, não é?

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