Passeavam alegres pelo shopping. A primeira coisa que fizeram assim que puseram os pés para dentro do shopping foi:
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Vó, to com fome.
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Ok, vamos comer então, disse o vô.
E
foram para a praça de alimentação. Não gostava muito de comer no shopping. É muito
alvoroço, é os caras com os cardápios quase enfiando na sua goela abaixo, é uma
vai e vem para achar um lugar, é uma variada opções que você não sabe o que
escolher, um murmúrio, um zum zum infernal, mas tudo bem, apesar dos pesares a
praça não estava tão cheia, talvez por ser meio da semana e, por causa da
pandemia.
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O que vocês querem?
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Não sei.
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Não sei não tem.
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Não quero pizza, disse a menor...
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Pizza se come no domingo, replicou a maior.
Com
isso rodaram a praça toda e não tinham escolhido.
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MacDonald?
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Não, Burg King.
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Isso mesmo, respondeu a irmã.
E
lá foram. Pararam em frente aos painéis em que se pedem os lanches. O vô
perdido, nunca tinha mexido num troço daqueles, olhou para a balconista:
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Precisando de ajuda, disse ela.
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Sim, por favor, respondeu o avô.
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Pois não, o que vocês querem.
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Meninas o que vocês querem, disse o avô para elas.
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Qualquer um que não tenha cheddar, disse a menor.
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Quero o mesmo dela, pediu a maior.
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E o senhor?
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Bem, sabe que não sei.
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Não sei não tem, replicou a maior.
A
balconista sorriu.
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Sugiro para o senhor esse triplo com...
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Trinta e dois reais! Está muito barato, disse o avô. Vou ficar com esse que é
dezoito reais.
Feito
os pedidos, foram para a mesa a espera. Não demorou muito, logo foi chamado e o
avô foi pegar os lanches e se deliciaram. E quando estavam indo embora a menor
disse:
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Vô sabe o que vou querer?
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O que?
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Vou querer pentear meu cabelo para um lado só, o outro lado vou raspar, pintar
o cabelo de roxo e usar um piercing no nariz.
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Vai mesmo, e você acha que vai ficar bonita?
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Sim, vô vou ficar bonita. Mas isso só quando eu for adolescente, não é, agora
não posso, né com oito anos.
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É sim, só na sua adolescência, disse o avô rindo.
É
isso... ou, não é?
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