quinta-feira, 31 de março de 2022

Erotismo surreal

 Sentado perto da janela, enquanto o garfo e faca destrinchavam o pedaço suculento de picanha, uma vez ou outra seus olhos caiam em cima da morena que a sua frente, encostada a parede também lutava com seu suculento pedaço de picanha. Ela parecia uma cópia, tudo o que ele fazia ela o imitava, nos gestos, no segurar os talhares, na bebida, parecia que adivinhava até quando ele erguia os olhos em direção a ela. Seus olhos se cruzavam deflagrando chispa intensa de brilho desejoso.

Nisso ela levantou-se e, com o prato e o copo de caipirinha, veio até a sua mesa. Numa atitude desprevenida, sentou no colo dele.

- Olá, gato.

Disse numa voz aveludada de arrepiar até defunto morto há duzentos anos.

- Oi, gata.

Respondeu acentuando a voz sua característica masculina.

Ofereceu um trago da caipirinha que ele não recusou. Em seguida, enfiou a mão por entre a camisa e começou alisar os pelos pretos manchados de pequenos fios brancos. Nesse momento o garçom trouxe o pedido deles.

- Por favor, aqui não é lugar para se gozar. Se quiserem gozar vão para o hotel em frente. O dono não quer manchar de nódoa o nome do restaurante.

- Pode ficar sossegado, amigo, não estamos aqui para transar, apenas para saborearmos esse delicioso pedaço de picanha mal passada.

Respondeu beijando os lábios finos e sedutores dela. Em seguida, esticou o corpo dela em cima da mesa e desnudou-a com gosto e prazer. Depois pegou duas fatias de tomate e coloco uma em cada bico dos seios eriçados. Com o dedo molhou a alface crespa no molho inglês saboreando cada gota na avidez dos lábios intumescidos.

Ela para provar a satisfação sentida e, para dar a ele o sentir satisfeito, pegou um pepino e dois tomates, equilibrando-os entre as pernas. Num avanço e recuou estava ele, quando voltou o garçom.

- Por favor, o que foi o que eu disse?

- Mas não estamos gozando, respondeu ele.

- Como não? Veja a cabeça do pepino!

E ao mesmo tempo passou o dedo na ponta do legume.

- Veja ta melando, e olhe essa salada crespa que está se tornando branca! Por favor, tem gente a espera da mesa. Aqui está a comanda de vocês e obrigado.

Ele pegou a comanda e dirigiram-se ao caixa. Pagou a conta e saíram. Ao pisar no calçamento, distraído guardando o dinheiro na carteira e a carteira no bolso, percebeu que a garota tinha sumido. Olhou para os lados, e perguntava-se.

- Caralho, onde foi essa menina?

Nisso sentiu que cutucavam seu ombro.

- Ei, pivete, acorde, aqui não é lugar de dormir, que coisa dormir no serviço, ta querendo ser mandado embora, é?

 Escondendo o acanhamento entre as pernas, correu ao banheiro para lavar o rosto de sono.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...