Os acontecimentos se sucedem sem que tenhamos dele previsão. Surgem
repentinamente e, assim como surgem desaparecem na momentaneidade do tempo.
A noite estava
tranquila. A temperatura nem quente e nem fria, no meio termo, deixava mais a
vontade o pessoal que lotava o Clube Caiuby. O Sopa de Letrinhas, mais uma vez
dava inicio com uma banda, precisamente, um trio, três rapazes competentes, com
letras humorísticas, esquentava o pessoal dando o seu recado.
Sentado a mesa, no
canto apertado, pois como sendo o último Sopa naquele endereço, a partir do mês
seguinte estará em outro local, além do que, era aniversário de quatro anos do
grupo Rascunhos Poéticos, o Caiuby estava lotado. À mesa estava uns dez
componentes do Rascunhos, quando ouviu seu nome sendo pronunciado num tom baixo
que depois ficou se perguntando como conseguira ouvir. Num movimento instintivo
ergueu a cabeça num ângulo torcido para a esquerda e reparou no rapaz que o
chamava. Não reconheceu, e achou meio que impertinente, pois o rapaz insistia
que fosse até ele que, em pé, o esperava para cumprimentá-lo.
Sem saber se o rapaz notara ou não, fez um gesto, sem ser maldoso e muito menos
impertinente, de que ele, o rapaz, estava exigindo demais. Mesmo assim, com
dificuldade, passando entre as cadeiras quase juntas umas a outras, se deslocou
até onde ele estava.
Não o cumprimentou esfuziantemente, pois seu cérebro computava o
subconsciente com o consciente, tentando lembrar quem era e onde o tinha visto.
O rapaz magro,
talvez, no peso normal, médio de altura, com um bigode fino e uma barbicha que
descia de um lado para o outro do cavanhaque, com um olhar firme de quem sabe o
quer, decidido, percebeu que não sairia dali até que ele fosse cumprimentá-lo.
O que o deixou mais intrigado, não foi o fato de se locomover para
cumprimentá-lo, mas pelo fato de não estar reconhecendo-o. Depois saber quem
ele era e não ter lhe dado à atenção merecida, e, pela a insistência em que ele
deu à Escrita, reforçando a ausência dele, uma das primeiras listas em que ele
se inscreveu, e, que não podia desprezar
também, o fato de ter recebido, um pouco antes do termino do expediente, um
daqueles e-mails tipo corrente.
Procurando-o no meio do pessoal, verificou que, assim como ele surgira, ele
sumira, e, foi então que lhe veio à mente o e-mail. Era uma mensagem dessas que
procura elevar o ego da pessoa, e no final, dizia para enviar as sete pessoas
que no horário tal e tal algo de extraordinário lhe acontecerá. Como não dava
pelota para essas drogas de correntes e, sem atinar o porquê, resolveu repassar
para sete pessoas, talvez mais até. Claro que por momentos, relembrou de mil
fatores que se encaixasse dentro do que propunha a corrente. Logo depois a
esqueceu.
Só foi atinar com tudo isso, depois que o rapaz o cumprimentara e, depois, claro um bom tempo depois, reconheceu quem era o rapaz. O restante da noite, apesar de ter sido maravilhosa, se amaldiçoava, não pelo o ocorrido, mas para o fato de não ter dado a atenção devida ao rapaz.
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