- E aí, Eduarda, como foi a aula hoje?
- Chata vô.
- Por que chata?
- Ah, a Pro fez a gente escrever duas folhas de
lição.
- Foi é? É para você aprender a ler e escrever.
- Queria ser um cachorro ou gato.
- Por quê?
- Cachorro ou gato não precisam aprender, eles
já sabem.
- Já nascem sabendo, é isso?
- É, vô.
- Só que você esquece de uma coisa, Eduarda.
- O que, vô.
- Cachorro e gato vivem dezoitos ou quinze
anos, morrem cedo.
- Mesmo assim, queria ser um deles só para não
precisar aprender.
- Eu não queria não, eu gosto de ser gente, de
ser eu, de ser humano, de aprender, quanto mais a gente aprende mais a gente
ganha, sabia?
- Tá bom, vô.
- Não está esquecendo nada?
- Não, vô. Te amo, disse abraçando o vô.
- Vô, seu cabelo está ficando branco, disse a
Manoela.
- É está, Manoela.
- Por quê?
- Porque vamos ficando velho o cabelo vai
branqueando.
- Eu não quero o meu branco.
- Você não tem de querer, tomara que fique
branco. Quando você tiver a idade do vô, e eu desejo que você chegue a essa
idade, até mais ainda, seu cabelo vai ficar branco.
- Que chato envelhecer, vô.
- Chato nada, Manoela, é gostoso,
principalmente quando se tem netos ou netas.
- Vô, não está esquecendo nada?
- Não, não estou. Me dê um abraço.
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