terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Trinta anos depois.


- OI, tudo bem?
- Oi, você por aqui?
- Sim, e você?
- O que tem eu?
- Tudo bem?
- Sim... quer dizer... não sei...
- O que...
- Para ser franco, não.
- Não o que?
- Não estou bem.
- Porque?
- Porque ainda te amo.
- Como?
- É o que você ouviu.
- Sim, eu ouvi, mas não acredito.
- Porque, acha impossível.
- Não impossível, tudo é possível.
- Então, porque a estranheza.
- Depois de todos esses anos?
- Oras bolas, antes tarde do que nunca.
- Prosaico e sem sentido isso, não acha?
- Até pode ser, mas real.
- Tenho minhas dúvidas.
- Continuas o mesmo, não é?
- E deveria ser diferente?
- Ceio que sim, pois nós mudamos.
- E você acha que não mudei?
- Penso que não, isto é, fisicamente você mudou...
- E por dentro não.
- É o que deixa transparecer.
- E você, mudou?
- Sim, mudei...
- E no que implica nisso?
- Ao dizer, mesmo muito anos depois, que ainda te amo.
- Difícil acreditar.
- É verdade! Acredite.
- Depois de trinta anos?
- Sim, é sério.
- E porque não disse antes?
- Sei lá, sou lastimável em expressar sentimentos, principalmente os meus.
- Sei.
- Sinto muito...
- Sente muito?!
- Sim.
- Só porque mudou tem o direito em dizer que ainda me ama.
- Direito acho que não tenho, por outro lado, não poderia deixar de lhe dizer, já que apareceu a oportunidade.
- Quer dizer que se nós não nos encontrássemos, nunca iria dizer que me ama?
- Olha... não sei o que poderia acontecer... ou se lhe diria ou não...
- Como sempre contraditório, não dá para acreditar numa pessoa assim.
- Você também nunca me disse que me amava.
- E precisava?
- Sim, precisava ou sempre achou que os encontros bastavam, era o suficiente?
- Não sei.
- Ah! Não sabe.
- Não, não sei, você deveria ter me dito...
- Engraçado...
- O que engraçado...
- Eu que deveria ter lhe dito?
- É.
- Também você poderia ter me dito.
- Na verdade nós nunca falamos o que sentíamos um pelo outro, não é mesmo?
- Então não há um culpado, somos dois culpados.
- Acredito.

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