segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Um aprendiz no mundo Quântico – II Piquenique Quântico.


O João me disse:
- O próximo piquenique vai ser dia oito de julho.
- Oito de julho?
- Sim.
- Mas é inverno, João.
Que inverno o que. Dia oito de julho amanheceu com um dia lindo, sol a pleno pulmões arrebentando a cachola dos desprevenidos. Como sempre, seguindo o roteiro de todo ansioso, levantei cedo e a primeira coisa que fiz, como todos os dias faço, liguei o som e coloquei um dos meus mais de dois mil cds, e, fui me providenciar para ir ao piquenique. A primeira preocupação foi como levar o vaso que prometera para o pessoal. Não era algo muito preocupante, mas como resolverá não aceitar a carona que a querida Adriana tinha me oferecido, pelo motivo da minha ansiedade, vai que chego muito cedo ou muito tarde ao ponto marcado, resolvi ir no meu ritmo, sem culpa de que pudesse acontecer. Depois de muito estudo, coloquei o vasinho numa caixa de papelão, o acomodei ponto pedaços de papel a sua volta para que não balançasse e me trotei a caminho. Antes passei no supermercado e comprei uns biscoitos para levar. No ponto do ônibus me pus a pensar na vida, no movimento da vida, no vai e vem da vida, uns vão para aqui, outros vão para lá, cada um com uma história que se tivéssemos poder, seria interessante conhecer. Acabei concordando que não seria interessante coisa nenhuma, pois iriamos ter conhecimento de histórias desagradáveis e que nos deixaríamos para baixo, depressivos e outros coisas nada boa. E isso me passou pela minha mente quando estávamos no piquenique o que foi dito por todos, isto é, uma parte. Peguei o ônibus – eu franzino como peguei um trambolho como é o ônibus? – e desci no metrô Penha e tomei – como tomar uma composição daquele tamanho que é o trem – bem, entrei no trem e sentei no banco dos velhos, ou melhor dizendo, das pessoas com cabelo branco. Três estações depois entrou uma senhora com uma menina de seus quatro anos e, é claro, o educado aqui levantou e ofereceu o lugar para a mulher e sua filha. E ao olhar a menina que parecia ter idade da minha neta, meu coração se apertou ao lembrar dela que ao busca-la na escola queria passear no metrô e, logicamente proporcionei várias vezes esse prazer a ela. E quando percebi descia na República, me dirigi à linha amarela e logo mais descia na Brigadeiro. E mais uma vez, o franzino aqui, pegou o ônibus e num vat vupt entrava pelo portão nove no Parque do Ibirapuera, se não me engano, projetado pelo Oscar Niemeyer. E instantes depois estava atrás do banheiro azul. Vou acabar escrevendo um conto com esse título: Atrás do banheiro azul. E descubro que cheguei cedo. Cadê o pessoal? Bom como todo ansioso comecei a pensar: é aqui mesmo? Ou será que mudaram o local e por algum motivo não fiquei sabendo. Se não chegarem até as duas vou embora. Para tirar a dúvida mandei uma mensagem para a Adriana.
- Já chegaram? Onde estão.
Dali n nano segundo recebo a resposta.
- To chegando. É atrás do banheiro.
Respirei aliviado. Como a fome apertava, abri um dos pacotes de bolacha e passei – passei? Como? Passar a bolacha! – a comer. No terceiro biscoito vejo a bela Ariadne chegando. Nos cumprimentamos, estiquemos o lençol e começamos a conversar à espera do pessoal. Vocês me desculpem, não lembro quem foi chegando depois, se a caravana da zona leste, se a Adriana, ou o João, só sei que ao perceber estávamos todos transmitindo energias, frequências boas, num papo agradável e descontraído. Em seguida foi proposto uma meditação e uma dança em que dávamos três passos e erguíamos os braços elevando nosso potencial ao universo. Foi um processo reconfortante. Ao término da dança, sentamos no chão numa roda e cada um declarava o do que porquê e qual o objetivo de estarem ali. Bem, comecei a suar frio, ainda bem que começaram pelo lado esquerdo, isto é, não sei se era bom ou não, pois acabei ficando para o final, fui o último e, aos trambolhões disse o do porque e o meu objetivo. Em seguida partimos para a seção comer e fotos. E ficamos conversando aqui, ali, acolá trocando impressões e conhecimentos. E para finalizar a agradável tarde e na voz suave da meiga Nina ouvimos duas canções, ou três, de seu repertório. E logicamente João com seu violão nos presentou com duas canções muito bonitas. E eu durante o lanche e a apresentação da Nina e do João, procurava uma maneira de abordar a caravana da zona leste afim de pedir uma carona até o metrô. Até que criei coragem e pedi e, felizmente... disseram sim. Aí só foi juntar o que sobrou, despedir daqui e dali, sossegados dirigimos à saída do parque. A noite estava bonita, as luzes refletindo na água proporcionava uma beleza refrescante de calma e conforto. No portão um grupo foi para um lado e outro para o outro lado. E mais uma vez peço desculpas para as meninas, não lembro os nomes, só da Aline porque foi a pessoa com quem mais falei, antes, durante e depois do piquenique, e fico imensamente grato pela carona.
E assim foi mais uma aventura de um aprendiz no mundo quântico. Grato a todos. Que a luz de Akhenaton ilumine vocês.

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