O João me disse:
- O próximo
piquenique vai ser dia oito de julho.
- Oito de julho?
- Sim.
- Mas é inverno,
João.
Que inverno o que.
Dia oito de julho amanheceu com um dia lindo, sol a pleno pulmões arrebentando
a cachola dos desprevenidos. Como sempre, seguindo o roteiro de todo ansioso,
levantei cedo e a primeira coisa que fiz, como todos os dias faço, liguei o som
e coloquei um dos meus mais de dois mil cds, e, fui me providenciar para ir ao
piquenique. A primeira preocupação foi como levar o vaso que prometera para o
pessoal. Não era algo muito preocupante, mas como resolverá não aceitar a
carona que a querida Adriana tinha me oferecido, pelo motivo da minha
ansiedade, vai que chego muito cedo ou muito tarde ao ponto marcado, resolvi ir
no meu ritmo, sem culpa de que pudesse acontecer. Depois de muito estudo,
coloquei o vasinho numa caixa de papelão, o acomodei ponto pedaços de papel a
sua volta para que não balançasse e me trotei a caminho. Antes passei no
supermercado e comprei uns biscoitos para levar. No ponto do ônibus me pus a
pensar na vida, no movimento da vida, no vai e vem da vida, uns vão para aqui,
outros vão para lá, cada um com uma história que se tivéssemos poder, seria
interessante conhecer. Acabei concordando que não seria interessante coisa
nenhuma, pois iriamos ter conhecimento de histórias desagradáveis e que nos
deixaríamos para baixo, depressivos e outros coisas nada boa. E isso me passou
pela minha mente quando estávamos no piquenique o que foi dito por todos, isto
é, uma parte. Peguei o ônibus – eu franzino como peguei um trambolho como é o
ônibus? – e desci no metrô Penha e tomei – como tomar uma composição daquele
tamanho que é o trem – bem, entrei no trem e sentei no banco dos velhos, ou
melhor dizendo, das pessoas com cabelo branco. Três estações depois entrou uma
senhora com uma menina de seus quatro anos e, é claro, o educado aqui levantou
e ofereceu o lugar para a mulher e sua filha. E ao olhar a menina que parecia
ter idade da minha neta, meu coração se apertou ao lembrar dela que ao busca-la
na escola queria passear no metrô e, logicamente proporcionei várias vezes esse
prazer a ela. E quando percebi descia na República, me dirigi à linha amarela e
logo mais descia na Brigadeiro. E mais uma vez, o franzino aqui, pegou o ônibus
e num vat vupt entrava pelo portão nove no Parque do Ibirapuera, se não me
engano, projetado pelo Oscar Niemeyer. E instantes depois estava atrás do
banheiro azul. Vou acabar escrevendo um conto com esse título: Atrás do
banheiro azul. E descubro que cheguei cedo. Cadê o pessoal? Bom como todo
ansioso comecei a pensar: é aqui mesmo? Ou será que mudaram o local e por algum
motivo não fiquei sabendo. Se não chegarem até as duas vou embora. Para tirar a
dúvida mandei uma mensagem para a Adriana.
- Já chegaram? Onde
estão.
Dali n nano segundo
recebo a resposta.
- To chegando. É
atrás do banheiro.
Respirei aliviado.
Como a fome apertava, abri um dos pacotes de bolacha e passei – passei? Como? Passar
a bolacha! – a comer. No terceiro biscoito vejo a bela Ariadne chegando. Nos
cumprimentamos, estiquemos o lençol e começamos a conversar à espera do
pessoal. Vocês me desculpem, não lembro quem foi chegando depois, se a caravana
da zona leste, se a Adriana, ou o João, só sei que ao perceber estávamos todos
transmitindo energias, frequências boas, num papo agradável e descontraído. Em
seguida foi proposto uma meditação e uma dança em que dávamos três passos e
erguíamos os braços elevando nosso potencial ao universo. Foi um processo
reconfortante. Ao término da dança, sentamos no chão numa roda e cada um declarava
o do que porquê e qual o objetivo de estarem ali. Bem, comecei a suar frio,
ainda bem que começaram pelo lado esquerdo, isto é, não sei se era bom ou não,
pois acabei ficando para o final, fui o último e, aos trambolhões disse o do
porque e o meu objetivo. Em seguida partimos para a seção comer e fotos. E
ficamos conversando aqui, ali, acolá trocando impressões e conhecimentos. E
para finalizar a agradável tarde e na voz suave da meiga Nina ouvimos duas
canções, ou três, de seu repertório. E logicamente João com seu violão nos
presentou com duas canções muito bonitas. E eu durante o lanche e a apresentação
da Nina e do João, procurava uma maneira de abordar a caravana da zona leste
afim de pedir uma carona até o metrô. Até que criei coragem e pedi e,
felizmente... disseram sim. Aí só foi juntar o que sobrou, despedir daqui e
dali, sossegados dirigimos à saída do parque. A noite estava bonita, as luzes
refletindo na água proporcionava uma beleza refrescante de calma e conforto. No
portão um grupo foi para um lado e outro para o outro lado. E mais uma vez peço
desculpas para as meninas, não lembro os nomes, só da Aline porque foi a pessoa
com quem mais falei, antes, durante e depois do piquenique, e fico imensamente
grato pela carona.
E assim foi mais uma
aventura de um aprendiz no mundo quântico. Grato a todos. Que a luz de
Akhenaton ilumine vocês.
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