Primeiro
movimento...
Olhava a urina que
batia na louça quebrada e suja do vaso sanitário. O estomago dava nó ao sentir
o cheiro que entrava pela narina. Teve que urinar ali mesmo, não achou outro
lugar para satisfazer as necessidades. Todos estavam piores que aquele. Era uma
merda, pois sempre que tinha que urinar acontecia isso. Por que era assim? Essa
frescura de se fechar para urinar? Não poderia ser como os outros? Urinar em
qualquer lugar, na frente de qualquer um? Não, ele não, tinha que ser em lugar
fechado, e quando achava era isso, sujeira, merda, chão molhado, porta que não
tranca... reparou que aquilo não era propriamente um banheiro, quando entrou
parecia ser, percebeu que se parecia
mais um quarto, a sua frente tinha uma parede toda descascada, e a parede da direita
o chão se alongava num estreitamento que mal dava para ver o fim, e a parede da
esquerda parecia ter uma cama toda bagunçada.
- Hein, vai demorar,
cara? – gritava alguém batendo na porta.
Queria urinar logo,
mas a maldita não saia, sentia a bexiga cheia, só uns pingos batiam no chão
sujo, não era mais a louça suja e quebrada do vaso. Suava, tinha que terminar,
porque a demora? Nisso, os pingos se transformaram em pequenas lâminas de gelo
dilacerando o membro. Não podia mais ficar ali. Colocou o membro para dentro da
calça, subiu o zíper, puxou a camisa, se virou, abriu a porta e caiu no vazio
do quarto batendo a cabeça no assoalho limpo e brilhoso.
- Caralho! De novo
não.
Levantou rapidamente
arrancando o lençol onde se via uma grande mancha escura e colocou no cesto de
roupa suja. Pegou outro do guarda roupa e estendeu na cama e se jogou quase
batendo a cabeça na parede.
Olhava o amarelo da
bebida. Amarelo como urina, pensou. Seus pequenos lábios se contraíram num perceptível
sorriso. Que merda, não tem graça nenhuma. Tomou um longo gole sentindo o
gelado queimar a garganta. Levantou o braço. Quando o garçom se aproximou
pediu:
- Me traga uma
branquinha, por favor.
O esguio garçom se
afastou. Como é que tinha sido mesmo? A todo momento procurava se lembrar. Para
começar, assim que chegou, não o encontrou na plataforma. Angustiou-se. Olhou no relógio. Quase uma hora atrasado. Que
merda. Se ele não aparecer como ficarei? O que farei? Dormir na rodoviária ou
pegar o próximo ônibus de volta? O celular sem bateria senão teria ligado. Por
fim, achou que não deveria se preocupar, não valeria a pena se atazanar por
pouco coisa. Se ele não aparecer, arrumo um jeito, pensou sentando pela decima
vez no banco da rodoviária. Afinal era cedo, quase vinte horas, talvez ficou
preso no trânsito ou saíra atrasado do serviço, vai lá saber. Estava num meio devaneio
se cochilava ou não quando um vulto sentou ao seu lado. Levou um susto, quase
caiu do banco.
- Desculpe, demorei
né.
- Sim, demorou, estava pegando o próximo
ônibus, você teve sorte porque o próximo é só as vinte e três horas.
Olhava o teto. Meio que escuro de manchas.
Precisava de uma pintura urgente, pensou. Ele dormia no colchão no chão.
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