quinta-feira, 26 de março de 2020

Rádio 7


Quatro horas de conversa foi mais que suficiente para se falar sobre sexo, política, cinema, televisão, filosofia, sociologia, umbanda, macumba, sondagem,  sadismo, masoquismo, pedofilia e derivados afins e, depois de consumidas doze cervejas e várias caipirinhas,  foi que ele disse autoritário, preciso ir, estou atrasado e não sei mais o que, tudo bem, fazer o que, talvez seja romântico tímido, tudo pode ser, porra, poderia ter sido mais específico,  dito isto por aquilo e aquilo por isto, não ter continuado a conversa, alimentando esperanças ao dizer : preciso ir, estava era confirmando simplesmente que não foi com a tua cara, não gostei, não estou afim, não é minha expectativa, sei lá o que ,  apenas disse: preciso ir, sem mais nem menos, na lata, de uma hora para outra, no meio da conversa, decepcionou, ele viu a decepção no meu rosto, é para broxar qualquer um, porra e foi ele bamboleando o corpo podre de frustrado com alguma coisa que não se sentiu bem e não quis dizer, merda, fiquei com o meu corpo decepcionado com a falta de expectativa de um ser que não tem o direito de agir assim, fiquei  aqui com o tesão no meio das pernas, tudo bem quem sabe na próxima vez sabendo que não haverá a próxima porra nenhuma, nessa descrença, creio que não haverá próxima vez merda nenhuma, podia pelo menos ter pago a metade da conta, os vinte litrão de cerveja, caralho, digo ao garçom que não tem nada com isso e que sorri lindamente com o sorriso hétero machista que bate na mulher como quem bate punheta e não tem culpa pela minha falta de sorte, espera aí, sorte, por que falta de sorte, creio que não, talvez uma estratégia mal sucedida, uma abordagem não direcionada ao ponto nevrálgico da questão e também por fazer de um encontro uma expectativa muito grande, isso não é falta de sorte, é uma ilusão  confiante em que daria certo e que a merda da procura se encerraria nesse encontro e que viveria feliz para sempre, merda, merda, merda, merda...

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