Despertei
angustiado. Era realidade? O quarto vazio. Silêncio. Estantes de segundos
apavorei-me. Esperei ouvir algum som, algo que dissesse se era realidade
ou não. Tentei gritar sem sucesso. E então para meu alívio a porta do banheiro
abriu. Sorri e pensei em desistir, porém continuei com a farsa. Não era culpa
e, se houvesse seria sanada no decorrer do tempo. Feliz. Estava ao lado
dele e ele ao meu lado novamente. Avancei quando saímos da aquela espelunca.
Preciso salvar-me dele e ele de mim. E então o que não esperava
aconteceu. Por algum motivo, destino ou não, despreparado talvez, não percebi,
ficamos longe um do outro. Calmo suspirei. Salvei-me dele e ele de mim. Passei
a viver para mim e ele a viver para ele tão somente, despreocupado sem a
interferência um do outro. O que tornou-se agradável, tanto para mim quanto
para ele. Refazíamos o dia-a-dia da forma que deve ser, pronto para o que desse
e viesse. E nesse o que desse e viesse cai na rotina de apenas ser e mais nada.
Sem um significado que não fosse a não ser eu mesmo. Monotonia absoluta. Prazer
de respirar, viver um dia após o outro, viver o essencial milagrosamente, eis o
verbo: viver! Viver gritava meu eu. Viver gritava a minha pele. Viver gritava
minha alma. Viver pulsava o meu sexo. Viver intenso ou não viver. O não estar
aqui desfalecido mijando ininterruptamente o que não existisse mais o que
mijar. Agonia passou a ser o lema dos meus passos. Agonia conduziu meus espaços
entre fileiras de rostos, mãos, peitos, pernas, sexo e buracos sem prazer, sem
desejos. Bebi choro engoli lágrimas doces de insatisfação. Perdi o tesão.
Perdi o membro num orifício qualquer por desleixo, por não enrijecer mais. A
partir desse momento deixei de ser o que era para me tornar o que sou: pária de
mim mesmo. Zumbi descontrolado exposto...
sexta-feira, 27 de março de 2020
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Vazia.
Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...
-
Bloquinho Amarelo Creio já ter escrito o suficiente. E ainda tenho...
-
chtgpt Criar o gesto, acompanhado da fala — oral ou escrita — é pulsar vibrações ao redor, orientando ou manipulando quem está por perto. A...
-
na sua infinita pequena grandeza a borboleta abre as asas e beija a natureza espalha o pólen da beleza fecundando o ci...
Nenhum comentário:
Postar um comentário