quarta-feira, 15 de abril de 2020

Contos surrealistas 159


Cancer

                         E se dissesse que estou com uma filha da puta de uma doença terminal o que me diriam? É o que me diriam? Por favor, não venham com chavões, com clichês, com frases bestas e repetidas, coitado, tão novo, é a vida, por favor, sejam criativos, digam algo novo que ninguém disse ainda e, outra coisa, nada de pena, já chega a pena que sinto de mim mesmo.
A merda é que soube da pior maneira.
A doce garota por baixo de mim, numa voz sensual, pelos menos pretendia ser, repetia várias vezes: “vai meu coroa, goza, gostoso, goza”, e, humildemente satisfiz o desejo dela, gozei entre os seios que jorrou, apesar da minha idade, leitoso  lambuzando o queixo dela.
Foi então que a menina deu um grito estarrecedor:
- Que caralho é isso? Sangue? Seu morfético é coisa que se faz? Tá doente, velho de merda.
E por aí afora foi ela aos berros para o banheiro me xingando de tudo o que era nome feio conhecido e desconhecido. Fiquei sem saber o que fazer, com cara apalermada. Queria me esconder num buraco e não sair mais.
O rapaz que estava entre as pernas da menina, levou uma tremenda joelhada no instante do grito, simplesmente se vestiu e saiu sem dizer uma palavra. O berro escandaloso da garota e nem a porra com sangue não doeu mais que o silêncio do rapaz.
                         É. Foi assim que descobri, por uma foda, que estava fodido.

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