Cancer
E se
dissesse que estou com uma filha da puta de uma doença terminal o que me
diriam? É o que me diriam? Por favor, não venham com chavões, com clichês, com
frases bestas e repetidas, coitado, tão novo, é a vida, por favor, sejam
criativos, digam algo novo que ninguém disse ainda e, outra coisa, nada de
pena, já chega a pena que sinto de mim mesmo.
A merda é que soube da pior maneira.
A doce garota por baixo de mim, numa voz
sensual, pelos menos pretendia ser, repetia várias vezes: “vai meu coroa, goza,
gostoso, goza”, e, humildemente satisfiz o desejo dela, gozei entre os seios
que jorrou, apesar da minha idade, leitoso
lambuzando o queixo dela.
Foi então que a menina deu um grito
estarrecedor:
- Que caralho é isso? Sangue? Seu morfético é
coisa que se faz? Tá doente, velho de merda.
E por aí afora foi ela aos berros para o
banheiro me xingando de tudo o que era nome feio conhecido e desconhecido. Fiquei
sem saber o que fazer, com cara apalermada. Queria me esconder num buraco e não
sair mais.
O rapaz que estava entre as pernas da menina,
levou uma tremenda joelhada no instante do grito, simplesmente se vestiu e saiu
sem dizer uma palavra. O berro escandaloso da garota e nem a porra com sangue
não doeu mais que o silêncio do rapaz.
É.
Foi assim que descobri, por uma foda, que estava fodido.
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