De olho no esperma
Estava de olho. Não devia perder nada, nem um segundo,
os olhos não possuíam os momentos precisos, fazia o possível, esperava que seu
desempenho fosse, pelo menos, razoável. Já estava mais de vinte minutos no vai
e vem. A pele do prepúcio começava a irritar. Diminuiu a intensidade dos
movimentos. O suor escorria pelas costas, ensopava os pelos do corpo.
Preocupado perguntava-se: “Será que broxei?” Não, gritou a mente, essas coisas
acontecem com os outros não comigo. Recorreu às revistas, nada. Ligou o
televisor, nada. “Sou macho, sou potente, caralho.” Nisso, sem ter muita
certeza, sentiu o clímax se aproximando. O que precisava fazer era segurar um
pouco, infelizmente não deu tempo. O jato saiu com força e grudou no azulejo
branco. Numa agilidade impressionante conseguiu que o segundo jato se alojasse
no fundo do copinho. Suspirou aliviado. Missão cumprida. Tampou o copinho, se
limpou, entregou a ficha e a coleta no balcão que lhe fora indicado. Saiu do
laboratório recebendo a alegria do sol achando-se o homem perfeito.
desenho: pastorelli

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