sábado, 2 de maio de 2020

Série desenho 93


Fratricídio


Fratricídio Feitosa da Fonseca ao chegar, depois de um dia estafante, em casa, estranhou o silêncio. Quer dizer, a casa sempre foi silenciosa, mesmo nos fins de semana, só que aquele dia parecia mais que nunca, um silêncio pesado, sufocante, como se estivesse ou já estivesse acontecendo algum fato que marcaria o dia inteiro e, talvez, a vida toda. Fratricídio depois que fechou a porta, jogou as chaves na mesinha, colocou a pasta no sofá, e na cozinha tomou um gole de água gelada.
Através de meia fresta da porta, inspecionou o pequeno quintal e viu que ali não tinha ninguém. Passou pela sala, subiu o pequeno lance de escadas e, ao chegar ao topo, foi que notou uma espécie de gemido, talvez dor, ou outro tipo de gemido que não conseguia definir. Pisando em ovos, abriu à porta do quarto de Frederik, vazio, o filho não estava. Em seguida abriu a porta do quarto da Frederika, vazio, à filha também não estava.
Angustiado e apreensivo se dirigiu à porta do seu quarto. Com a respiração suspensa, imóvel permaneceu na expectativa em confirmar se os gemidos vinham dali. Com a inquietude a flor da pele, não acreditou, ao abrir devagarzinho a porta, o que via. Primeiramente distinguiu dois corpos, depois reconheceu um dos corpos: Fatrícia, sua mulher, em seguida, segurando os nervos, reconheceu o outro corpo: era ele. O que mais o deixou desconcertado é que os dois olharam para ele como se não fosse ninguém, não se sobressaltaram, nem tentaram se esconder. Nus como estavam, ele por cima dela, continuaram no ato que, para ele presenciava, era indecente e escandaloso.
Fatricidio fechou a porta lentamente. Desceu as escadas, se serviu de uma boa dose de uísque e se sentou no sofá. Seis minutos depois, o copo escorregou de sua mão e rolou pelo tapete manchando de uísque. No dia seguinte, de manhã, a empregada o encontrou na mesma posição, com um pequeno sorriso que, concluíram, fosse de satisfação, mas o médico diagnosticou foi contração de dor. Sofrera um enfarto fulminante.


desenho: Pastorelli

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...