segunda-feira, 1 de junho de 2020

Contos surrealistas 149


Hotel Cidade Conforto.

Estava rodando a mais de três horas quando chegou à pequena localidade numa noite de frio e ventania. A cada quilometro consultava o mapa. Como não reparou na localização da cidade? Foi então que percebeu uma coisa. A estrada dava a impressão que terminava na cidade, não tinha pegado nenhum atalho, nem visto placa indicativa, nada, a cidade apareceu repentinamente a sua frente. Cansado, não queria pensar nisso. Seguiu a orientação que o cara do posto lhe dera. Passando o cemitério, na primeira esquina virar à esquerda.  Foi o que fez e, assim que dobrou a esquerda viu o hotel.
Hotel Cidade Conforto, logo abaixo em letras menores, O conforto para a sua estadia eterna. Meio modernoso para o meu gosto, disse dirigindo-se ao balcão onde um homem alto, magro, com os olhos nas orbitas profundas, com a voz estrangulada, lhe perguntou:
- Pois não, bem vindo ao hotel onde a estadia é eterna.
Olhando para cima, pois parecia que o sujeito tinha mais de dois metros de altura.
- Tem quarto? Preciso de um bom banho e um bom descanso.
- Qual que o senhor prefere? O quarto da primeira esquina ou da segunda esquina?
- Como assim, primeira ou segunda...
- É que aqui denominamos os quartos por esquinas, entende.
Não, não entendia e nem queria entender, o que estava querendo era descansar.
- O da primeira esquina.
- Ok. O senhor pediu, não aceitamos reclamações posteriores. Por favor, assine aqui.
Assinou onde o dedo fino e comprido indicava e ao mesmo tempo ouviu a campainha tocar e, um sujeito idêntico ao recepcionista aparecer ao seu lado.
- Adenário, por favor, acompanhe esse senhor ao quarto primeiro da primeira esquina.
- Por aqui, senhor, por favor.
Subiu as escadas atrás do sujeito.
- Por favor, senhor, à esquerda, - disse Adenário abrindo a porta do quarto primeiro da primeira esquina - Aqui está, senhor, o seu quarto. E ali o banheiro, onde o senhor poderá tomar o seu banho sossegado.
- Obrigado. – respondeu empurrando o sujeito para fora do quarto.
Jogou-se na cama. Não são cinco estrelas, mas dava para descansar, disse mentalmente. Abriu a mala, pegou o que necessitava e entrou no banheiro.
Adenário ficou um tempo parado em frente à porta. Dali a instantes ouviu um silvo longo e depois total silencio. Abriu a porta, viu a mala aberta em cima da cama e, entrou no banheiro. Estava vazio, não tinha ninguém.
- Pronto mais um.
Chegando a recepção Adenildo perguntou:
- Ele já foi? Já se teletransportou?
- Sim. Não completamos a lista ainda?
- Não, faltam uns oitocentos. Precisamos sair daqui para não levantar suspeita.
- E para onde vamos?
- Não sei, tenho que pesquisar.
- Espero completarmos logo a lista, estou com saudades de casa.
- Rápido, arrume tudo está chegando um casal. Colocarei no quarto décimo onde tem banheiro duplo.
E todo atencioso, falou para o casal que se aproximava:
- Pois não, bem vindos ao hotel onde a estadia é eterna.

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