Hotel Cidade Conforto.
Estava rodando a mais de três horas quando chegou à
pequena localidade numa noite de frio e ventania. A cada quilometro consultava
o mapa. Como não reparou na localização da cidade? Foi então que percebeu uma
coisa. A estrada dava a impressão que terminava na cidade, não tinha pegado
nenhum atalho, nem visto placa indicativa, nada, a cidade apareceu repentinamente
a sua frente. Cansado, não queria pensar nisso. Seguiu a orientação que o cara
do posto lhe dera. Passando o cemitério, na primeira esquina virar à esquerda. Foi o que fez e, assim que dobrou a esquerda
viu o hotel.
Hotel Cidade Conforto, logo abaixo em letras menores, O
conforto para a sua estadia eterna. Meio modernoso para o meu gosto, disse
dirigindo-se ao balcão onde um homem alto, magro, com os olhos nas orbitas
profundas, com a voz estrangulada, lhe perguntou:
- Pois não, bem vindo ao hotel onde a estadia é
eterna.
Olhando para cima, pois parecia que o sujeito tinha
mais de dois metros de altura.
- Tem quarto? Preciso de um bom banho e um bom
descanso.
- Qual que o senhor prefere? O quarto da primeira
esquina ou da segunda esquina?
- Como assim, primeira ou segunda...
- É que aqui denominamos os quartos por esquinas,
entende.
Não, não entendia e nem queria entender, o que estava
querendo era descansar.
- O da primeira esquina.
- Ok. O senhor pediu, não aceitamos reclamações posteriores.
Por favor, assine aqui.
Assinou onde o dedo fino e comprido indicava e ao
mesmo tempo ouviu a campainha tocar e, um sujeito idêntico ao recepcionista
aparecer ao seu lado.
- Adenário, por favor, acompanhe esse senhor ao quarto
primeiro da primeira esquina.
- Por aqui, senhor, por favor.
Subiu as escadas atrás do sujeito.
- Por favor, senhor, à esquerda, - disse Adenário
abrindo a porta do quarto primeiro da primeira esquina - Aqui está, senhor, o
seu quarto. E ali o banheiro, onde o senhor poderá tomar o seu banho sossegado.
- Obrigado. – respondeu empurrando o sujeito para fora
do quarto.
Jogou-se na cama. Não são cinco estrelas, mas dava
para descansar, disse mentalmente. Abriu a mala, pegou o que necessitava e
entrou no banheiro.
Adenário ficou um tempo parado em frente à porta. Dali
a instantes ouviu um silvo longo e depois total silencio. Abriu a porta, viu a
mala aberta em cima da cama e, entrou no banheiro. Estava vazio, não tinha
ninguém.
- Pronto mais um.
Chegando a recepção Adenildo perguntou:
- Ele já foi? Já se teletransportou?
- Sim. Não completamos a lista ainda?
- Não, faltam uns oitocentos. Precisamos sair daqui
para não levantar suspeita.
- E para onde vamos?
- Não sei, tenho que pesquisar.
- Espero completarmos logo a lista, estou com saudades
de casa.
- Rápido, arrume tudo está chegando um casal.
Colocarei no quarto décimo onde tem banheiro duplo.
E todo atencioso, falou para o casal que se
aproximava:
- Pois não, bem vindos ao hotel onde a estadia é
eterna.
Nenhum comentário:
Postar um comentário