Coisas
da quarentena.
Liguei para o mercadinho do
bairro.
— Alô.
— De onde fala?
— Do mercadinho.
— Vocês fazem entrega?
— Sim.
— Legal.
— Mas só entregamos para pessoas
que estão no grupo de risco.
— Sei, estou no grupo de risco.
— Com essa voz?
— Sim. O que tem a minha voz?
— Voz de jovem, parece voz de
quem tem 25 anos.
— Quisera ter os meus 25 anos.
Tenho 73 anos.
— Não acredito.
— Então vai me atender?
— Até posso te atender, mas se
estiver me enganando...
— Vamos fazer o seguinte: se eu
estiver te enganando, pago em dobro, se eu não estiver te enganando não te pago
nada. O que acha?
— Deixa prá lá. Vou entregar,
fique sossegado, mas sua voz...
É coisas da quarentena, né.
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