sábado, 9 de janeiro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 7.609(2020)

                             Caro e prezado amigo cinéfilo

 

Não sei se você sabe que estou falando com você, e, espero que não seja necessário citá-lo explicitamente, não é? Portanto continuando essa minha explanação cinematográfica digo-lhe que os outros dois cinemas da minha cidade natal Rio Claro onde de dia falta água e de noite falta luz ou, como é mais comumente chamada: A cidade azul – não sei por que, mas ainda vou procurar saber – eram o cine Excelsior e o cine Tabajara. Falarei do Excelsior. Esse cinema ficava em frente a praça da Liberdade bem no centro. E essa praça é enorme, pega dois quarteirões cortada pela avenida um que hoje foi, vamos dizer, emendada, isto é, a avenida que a cortava virou um calçadão, não sou bom em descrever, mas espero que tenha entendido. O hall do Excelsior era grande, de um lado ficava a bilheteria e alguns balcões de bugigangas e do outro lado uma lanchonete e no meio placas com os cartazes dos filmes. Na porta de entrada se postavam dois funcionários para a receber os tickets ou bilhetes. Nos dias de semana por essa porta entravam e saiam os espectadores, nos fins de semana, principalmente aos sábados, a fila para a entrada se formava do lado de fora ao lado do portão grande e a saída era feita pela porta do hall, isto porque, havia duas sessões ou três, não me lembro direito, portanto era uma fila para se comprar o ingresso e uma fila para a entrada. Saudades desses dias, era um alvoroço, era uma angústia enfrentar a fila para comprar os ingressos e depois a da entrada. Era um tal de pedir um para outro guardar lugar na fila de entrada enquanto uma só comprava os ingressos as vezes para cinco, seis, dez pessoas, era um frenesi de risos, vozes, falatórios, ainda as moças não usavam calças compridas, as paqueras, os olhares, uma vez ou outra surgia uma briga, discussões que no final era apaziguada. Assisti nesse cinema muitos filmes de terror, ficção cientifica, comédias, dramas, Bem-Hur, Os dez mandamentos, Gigi, e muitos outros que na maioria das vezes ficava boiando, não conseguia entender nos meus treze ou quatorze anos. Me disseram que o prédio foi tombado, tanto o do Excelsior como o do Variedades, não podem ser derrubados. Saudades de vocês meus cinemas queridos...

É isso... ou, não é?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...