Caro e prezado amigo cinéfilo
Não sei
se você sabe que estou falando com você, e, espero que não seja necessário
citá-lo explicitamente, não é? Portanto continuando essa minha explanação
cinematográfica digo-lhe que os outros dois cinemas da minha cidade natal Rio
Claro onde de dia falta água e de noite falta luz ou, como é mais comumente
chamada: A cidade azul – não sei por que, mas ainda vou procurar saber – eram o
cine Excelsior e o cine Tabajara. Falarei do Excelsior. Esse cinema ficava em
frente a praça da Liberdade bem no centro. E essa praça é enorme, pega dois
quarteirões cortada pela avenida um que hoje foi, vamos dizer, emendada, isto
é, a avenida que a cortava virou um calçadão, não sou bom em descrever, mas
espero que tenha entendido. O hall do Excelsior era grande, de um lado ficava a
bilheteria e alguns balcões de bugigangas e do outro lado uma lanchonete e no
meio placas com os cartazes dos filmes. Na porta de entrada se postavam dois
funcionários para a receber os tickets ou bilhetes. Nos dias de semana por essa
porta entravam e saiam os espectadores, nos fins de semana, principalmente aos
sábados, a fila para a entrada se formava do lado de fora ao lado do portão
grande e a saída era feita pela porta do hall, isto porque, havia duas sessões
ou três, não me lembro direito, portanto era uma fila para se comprar o ingresso
e uma fila para a entrada. Saudades desses dias, era um alvoroço, era uma
angústia enfrentar a fila para comprar os ingressos e depois a da entrada. Era
um tal de pedir um para outro guardar lugar na fila de entrada enquanto uma só
comprava os ingressos as vezes para cinco, seis, dez pessoas, era um frenesi de
risos, vozes, falatórios, ainda as moças não usavam calças compridas, as
paqueras, os olhares, uma vez ou outra surgia uma briga, discussões que no
final era apaziguada. Assisti nesse cinema muitos filmes de terror, ficção
cientifica, comédias, dramas, Bem-Hur, Os dez mandamentos, Gigi, e muitos
outros que na maioria das vezes ficava boiando, não conseguia entender nos meus
treze ou quatorze anos. Me disseram que o prédio foi tombado, tanto o do Excelsior
como o do Variedades, não podem ser derrubados. Saudades de vocês meus cinemas
queridos...
É isso...
ou, não é?
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