sexta-feira, 18 de junho de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.690(2021)

         

            O que podemos fazer com uma roupa que que começa a se esgarçar? Continuar usando-a, não é mesmo? E se ela, no caso uma calça jeans de um cinza claro, pano fino, bonita e que cai bem no corpo e, devido ao tempo de uso, começa a esgarçar na coxa um pouco acima do joelho? Continuar usando-a, não é mesmo? Está na moda calça com rasgos na perna, não está? Vejo muitos com calças com rasgos um maior que o outro. E por que não devo usá-la? Ah! não posso por causa da idade? Que absurdo. Queria continuar usando-a, até pensei em costurar um pedaço de pano por cima dos rasgos, um que fosse bem diferente da cor da calça, um xadrez por exemplo. No entanto na adiantaria nada, seu esgarçar continuaria de onde a agulha for passada com a linha, entende. Essa calça tem mais de seis anos de uso. Creio que nem serviria transformá-la em pano de chão, se esfarelaria ao primeiro contato com o chão. Outro dia, no ônibus, vi um sujeito com uma calça costurada como imaginei fazer na minha. Só que a costura estava por baixo do rasgo, estava bem-feita, acho que saiu da fábrica desse jeito. Até aí nada demais. O que era engraçado é que o rapaz moreno, geração academia, tronco forte, braços grossos tatuado, esbanjando virilidade de se faze inveja estava com uma bolsa mais para feminina que masculina. Era uma bolsa características delicadas, quase quadrada, alça para pendurar nas costas e alça de mão, num tom de marrom claro, beirando ao bege escuro com bolinhas marrom escuro, até que a bolsa era bonita. O problema, quer dizer, até aí nada de mais, ele pode e deve usar o que acha que deve usar, o que achei esquisito, desproporcional, um homão daquele com uma bolsa pequena pendurada nas costas largas, um contrassenso meio que absurdo, toda aquela virilidade a flor da pele e em contrapartida uma bolsa pequena e feminina as costas. E ao descer olhou para mim franzindo as sobrancelhas num ato de contrariedade. Será que leu meus pensamentos, pensei. Eu hein!

            É isso... ou, não é

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