segunda-feira, 5 de julho de 2021

Contos surrealistas 39

                                 Pão de mel.

 

Chegou à beirada do papel. Viu o abstrato chamando-o. Sorriu. O mar brilhava na planície do corpo como espelho refletindo seu semblante confuso. Deu dois passos para direita. Outro dois passos para esquerda. Nisso a porta foi aberta. Uma lufada de vendo rasgou seus pensamentos e caíram na cama suja de corpos desconhecidos. Olhou para cima. Um rosto feminino de olhos escuros sorria para ele.

 - Você não sabe como é doce, muito doce.

Ouviu a porta sendo fechada. Sorriu e se jogou no abstrato do papel escrevendo na parede: Vingança.

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