Quando
seus dedos finos e longos empunhava a esferográfica não tinha noção do que iria
escrever. Sua mão leve e larga deslizava sobre as linhas do caderno de
anotações fazendo com as palavras surgissem numa ordem vinda do cérebro
cunhando quase que desordenadamente numa fricção de prazer alimentando dessa
maneiro o ego.
Havia
momentos que ao olhar para a caneta com a carga azul pela metade, mesmo pressentindo
que tinha que escrever, sem saber o que e muito menos como, as palavras surgiam
quase como milagre e ao mesmo tempo percebia que elas nada lhe diziam. Nesses
momentos, seus olhos se embruteciam numa névoa de tristeza e melancolia levando
as pessoas a confundir os sentimentos angustiosos como indiferença ou mesmo
timidez. Precisa ser mais claro,
dizia a sim mesmo. Concordava e não concordava criando uma confusão mental que
tolhia o que deveria e o que não deveria registrar no caderno de anotações.
Reconhecia o incansável lapidar que em certas vezes sabia não ser necessário, o
qual, de certa maneira, se arrependia por não o fazer. Teria que abrir o
coração num silencioso grito expondo entre linhas o sentir do poder da palavra:
Te amo.
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