quarta-feira, 28 de julho de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.707(2021)

           

            Martim levanta a cabeça. Olha para os lados. Uma pequena onda de frio congela o corpo levando-o a puxar o zíper da blusa até quase o pescoço. Como sempre divaga nas palavras cujas letras arredondadas se esparramam nas linhas do caderno em busca do que escrever. A falta de técnica, de coordenação, de ritmo, pontuação, concordância não o impede de em um amontoado de letras formarem palavras uma ao lado da oura. Ideias vão e vem, soluções absurdas, contos sem profundidade literária, crônica salpicado de devaneios o leva a inquirir se o que escreve é literatura. O dia nublado não o ajuda. Por outro lado, o ônibus demora para sair. Aos poucos vai lotando. Alguém reclama da demora. Outros, a maioria, perdem o pouco da vida que ainda tem entretidos no celular. Por fim, o veículo começa a se movimentar. Apressado o motorista pisa no acelerador. Em menos de cinco minutos chega ao destino. Em passos lentos sobe a avenida. O senhor que faz o jogo hoje não está no seu ponto habitual no bar da esquina.

            É isso... ou, não é?

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