Martim
levanta a cabeça. Olha para os lados. Uma pequena onda de frio congela o corpo
levando-o a puxar o zíper da blusa até quase o pescoço. Como sempre divaga nas
palavras cujas letras arredondadas se esparramam nas linhas do caderno em busca
do que escrever. A falta de técnica, de coordenação, de ritmo, pontuação,
concordância não o impede de em um amontoado de letras formarem palavras uma ao
lado da oura. Ideias vão e vem, soluções absurdas, contos sem profundidade
literária, crônica salpicado de devaneios o leva a inquirir se o que escreve é
literatura. O dia nublado não o ajuda. Por outro lado, o ônibus demora para
sair. Aos poucos vai lotando. Alguém reclama da demora. Outros, a maioria,
perdem o pouco da vida que ainda tem entretidos no celular. Por fim, o veículo
começa a se movimentar. Apressado o motorista pisa no acelerador. Em menos de
cinco minutos chega ao destino. Em passos lentos sobe a avenida. O senhor que
faz o jogo hoje não está no seu ponto habitual no bar da esquina.
É
isso... ou, não é?
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