Tenho nas mãos, principalmente nas palmas das mãos, todo o vazio da saudade provocado pela ausência de alguma coisa que não sei.
Esse não sei
cresce na proporção da saudade incrustando na carne da palma da mão o prego da
cruz.
O prego sangra
confirmando o vazio de se ter e não ter o que não sei se tenho ou não, se tenho
não vejo e, muito menos não sinto o não ter.
Se fecho a mão
aprisionando tudo isso num gesto monótono e monocórdio, faz-me crer na vida
como um prêmio que ainda não ganhei.
Por isso luto,
não desesperadamente, pois não sou de luta, sou da paz, na tentativa de
preencher o vazio e, conseqüentemente, arrancar esse prego livrando-me da
saudade.
Mas enquanto isso não acontecer fico a espera do botão de rosa se abrir e ofertar ao primeiro amor que surgir.
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