sábado, 18 de setembro de 2021

Esse não sei...

Tenho nas mãos, principalmente nas palmas das mãos, todo o vazio da saudade provocado pela ausência de alguma coisa que não sei.

Esse não sei cresce na proporção da saudade incrustando na carne da palma da mão o prego da cruz.

O prego sangra confirmando o vazio de se ter e não ter o que não sei se tenho ou não, se tenho não vejo e, muito menos não sinto o não ter.

Se fecho a mão aprisionando tudo isso num gesto monótono e monocórdio, faz-me crer na vida como um prêmio que ainda não ganhei.

Por isso luto, não desesperadamente, pois não sou de luta, sou da paz, na tentativa de preencher o vazio e, conseqüentemente, arrancar esse prego livrando-me da saudade.

Mas enquanto isso não acontecer fico a espera do botão de rosa se abrir e ofertar ao primeiro amor que surgir.

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