enquanto a manhã avança com suas garras de chumbo prendendo meu pé a este solo. O que escrever se o escrever é a própria vontade em escrever e, que por um mistério, limita meus dedos a essas poucas palavras que não dizem nada. E o nada atola tudo ao mesmo tempo em que vivencia objetos largados aqui e acolá. O que escrever nesse primeiro dia do resto da minha vida em que pisarei outro caminho. O que escrever quando penso que a estas horas estaria em outro lugar e não aqui procurando palavras para escrever. O que escrever quando sou interrompido pelo miado da gata faminta e sedenta de água. Será que o animal tem suas preocupações ou apenas vive a vida por viver obedecendo a seus instintos. Talvez me tornando um felino, seja ele qual for, terei vida melhor? Não sei e nem quero saber, pois o mistério da vida é não saber o que é sabido nas entrelinhas dos meus passos.
Assim escrevo palavras mudas carregadas
de sons orquestradas pela natureza de ser vivo entre tantos outros vivos seres.
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