O molusco.
Ele não via o pequeno e colorido molusco levando a
casa às costas que contornava o arbusto. Não via porque estava entretido nos
pensamentos enquanto saboreava o uísque matinal. Dava a impressão que o
insignificante animal estava querendo chamar a atenção dele. Como as voltas
pelo tronco fino do arbusto não deram resultado, resolveu subir e com o peso o
arbusto curvou e, assim ele pode passar para o ombro dele. Ao sentir a gelada
massa gosmenta em seu ombro nu, ao invés de passar a mão, virou a cabeça e com
cuidado, pegando pela casca do caramujo o colocou na palma da mão direita. Por
relativo tempo que, nem foram dois minutos, ficou observando a variedade de
cores e tonalidades na casca do animal. Já estava pronto para com os dedos dar
um piparote quando mudou de idéia. Foi até a cozinha, procurou nos armários o vidro
de maionese que estava quase vazio. Achou-o no fundo da geladeira. Lavou bem o
vidro, fez uns pequenos furos na tampa, lavou também umas folhas de alface e,
como se pegasse algo precioso com medo de quebrar, colocou o frágil molusco
dentro do vidro junto com as folhas de alface e tampou. Pronto, você vai ser a
minha mascote de hoje em diante, disse levando o vidro para o quarto,
colocando-o em cima do criado mudo.
E o pequeno interessante molusco, mais conhecido como caramujo, de família ainda não catalogada, viveu seus dias felizes vendo o grande molusco se definhar até que a morte, companheira inseparável, pegou-o desprevenido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário