terça-feira, 12 de outubro de 2021

Contos surrealistas 19

O molusco.

 

Ele não via o pequeno e colorido molusco levando a casa às costas que contornava o arbusto. Não via porque estava entretido nos pensamentos enquanto saboreava o uísque matinal. Dava a impressão que o insignificante animal estava querendo chamar a atenção dele. Como as voltas pelo tronco fino do arbusto não deram resultado, resolveu subir e com o peso o arbusto curvou e, assim ele pode passar para o ombro dele. Ao sentir a gelada massa gosmenta em seu ombro nu, ao invés de passar a mão, virou a cabeça e com cuidado, pegando pela casca do caramujo o colocou na palma da mão direita. Por relativo tempo que, nem foram dois minutos, ficou observando a variedade de cores e tonalidades na casca do animal. Já estava pronto para com os dedos dar um piparote quando mudou de idéia. Foi até a cozinha, procurou nos armários o vidro de maionese que estava quase vazio. Achou-o no fundo da geladeira. Lavou bem o vidro, fez uns pequenos furos na tampa, lavou também umas folhas de alface e, como se pegasse algo precioso com medo de quebrar, colocou o frágil molusco dentro do vidro junto com as folhas de alface e tampou. Pronto, você vai ser a minha mascote de hoje em diante, disse levando o vidro para o quarto, colocando-o em cima do criado mudo.

E o pequeno interessante molusco, mais conhecido como caramujo, de família ainda não catalogada, viveu seus dias felizes vendo o grande molusco se definhar até que a morte, companheira inseparável, pegou-o desprevenido.

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