Berenice
Depois de certa indecisão, Elli voltou a se preocupar
com o livro sobre as pernas. Interrompera a leitura para com a barra da camisa
passar com cuidado nas duas lentes até se certificar que estavam limpas. Após
essa meticulosa operação, colocou os óculos e voltou sua atenção a leitura.
Assim ficou por mais de duas horas ausente ao que
ocorria a sua volta. Havia pequenos intervalos ao qual se dedicava ao cigarro
de sua preferência saboreando com uma longa tragada para em seguida, lançar no
ambiente, grossas nuvens de fumaça.
Praticava esse hábito pelo menos uma vez por semana
quando Berenice vinha por ordem ao apartamento. Apesar da altura em que estava
décimo segundo andar e, estando à janela aberta, ouvia a movimentação da vida
com suas buzinas, sirenes, freadas, serras, gritos metálicos e, uma vez ou
outra, algumas vozes que se sobressaiam, o que não atrapalhava a leitura.
Elli precisava ouvir o pulsar desconhecido da rua, só
assim se entregava por inteiro a leitura.
- Boa noite, Seu Elli.
- Boa noite, Berenice.
Logo que a empregada saiu da sala, fechou o livro,
dirigiu-se ao barzinho no canto esquerdo do corredor, e preparou uma boa dose
longa de uísque. Em seguida acendeu o cigarro e, bebericando e fumando
contemplou a cidade aos seus pés.
Isso lhe dava um excitamento inimaginável só de pensar que toda aquela imensidão, até onde sua visão pudesse alcançar, estivesse realmente aos seus pés. Cronometricamente meia hora depois de saboreado o uísque e fumando o último cigarro da noite, entrou no quarto de Berenice, e nu, deitou ao lado da empregada.
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