Como a Bienal do Livro estava sendo no Anhembi não precisei sair com antecedência para ir à tarde de autógrafos de Rosa Pena que estava lançando o livro Tarja Branca.
Pois
bem, na minha folga preguiçosa de sempre, sai de casa as quatorze horas, o
lançamento, pelo comunicado da Rosa que bombardeou a lista a semana toda, iria
começar as quinze horas, portanto tinha tempo de sobra. Era só pegar o ônibus,
pegar o metrô na Estação Penha fazer baldeação na Sé, e pegar o metrô da linha
azul. Dito e feito.
Para
sorte minha não precisei pegar o ônibus, o genro e a filha, gentilmente me
deram carona até a Estação Penha. O metrô por milagre estava vazio, pude sentar
sossegadamente, abrir o livro Inútil Regresso, de Maria da Conceição Pazzola e
desfrutar da agradável leitura até a Sé.
Chegando
na Sé o alvoroço era grande, e como sempre distraído desci a escada rolante
quando percebo estava indo em sentido errado, ao invés de pegar o metrô para
Tucuruvi estava pegando o que ia para Jabaquara, esse era o sentido que pegava
quando ia para o trabalho. Por sorte que no findar da escada rolante, caiu à
ficha, tive que voltar pela escada normal.
Na
plataforma certa, reparei que o movimento era maior, mas não me preocupei.
Entrei no trem, olhei em volta, vi um banco azul, e corri sentar. Abri de novo
o livro Regresso Inútil, mas como estava meio ansioso, coisa que tenho bronca,
mas não consigo me controlar, logo em seguida fechei o livro.
No
Tietê onde desci a primeira coisa que meus olhos fizeram foi procurar alguma
coisa indicativa, placa, ou sei lá o que, indicando onde deveria pegar a
condução grátis para a Bienal. Por sorte, depois que passei a catraca vi
afixado na parede: Condução grátis para a Bienal do Livro, e embaixo uma baita
duma seta. Aí foi fácil, achei outros avisos, mas ao chegar no ponto da
condução grátis, quase que desisti. A filha estava quilométrica, dava tantas
voltas que mais parecia outra coisa do propriamente fila. Por sorte que ela
andava, mesmo assim teve uns retardados que pagaram cinco reais a lotação, e os
carros não eram nem taxis, os motoristas paravam o carro perto da fila
anunciavam, enchiam e iam embora. Tinha duas moças e uma menina atrás que,
volta e meia, distraídas, conversando esbarravam em mim, além do que, a menina
de seus seis anos ou sete anos queria a todo o momento mexer nos penduricalhos
da minha bolsa a tiracolo. E as duas moças, não sei que parentesco era da
menina, encorajavam a coitada que não sabia o que a esperava: calma, você vai
ver, lá tem livros para criança, legal para caramba, você vai gostar. Se
a menina gostou não sei, espero que sim. Bom, trinta minutos depois, às quinze
horas em ponto descia em frente ao Anhembi.
Enquanto
me encaminhava para a entrada, pensava: o que devo fazer? Vou direto à
bilheteria apresento a carteira de identidade e eles me dão o ingresso ou, vou
direto à catraca e mostro a identidade. Mas logo vi uma moça de uniforme e
perguntei a ela que me indicou que havia uma catraca especial para os velhinhos
de mais de sessenta anos, e nem foi preciso apresentar a identidade.
Ufa!
Pronto! Já estou na Bienal. Vamos procurar o estand da editora... Qual era
mesmo a editora? Al Bred, Al... Isso mesmo Al qualquer coisa. Para! Primeiro
deixo ver onde é o banheiro, pois assim não vai dar. Achado o banheiro,
aliviado o joelho, me pus a procurar a tal da Editora que começava com Al e
qualquer coisa.
Aparvalhado,
disse para mim mesmo, porque não guardou o e-mail da Rosa? Não se preocupe logo
eu acho. Eram dezesseis horas e trinta minutos e ainda não tinha achado. Pô, falava
comigo mesmo, é só olhar onde estiver livro com o título Tarja Preta que é lá.
Rodei, rodei, rodei, passei três mil vezes em frente à Editora Globo, mais
trezentas vezes em frente ao banheiro, outras quatrocentas vezes em frente à
praça de alimentação, parei umas dez vezes nas placas de informações onde tem o
nome das editoras e as ruas, e não vi a dita Editora que começava com Al
qualquer coisa. Trombei trilhões de vezes com crianças puxadas pelos pais e
pais que eram puxadas por crianças, virei à esquerda, depois à direita, é
melhor seguir direto até o fim esse corredor, sai num espaço livre onde não
tinha nada, voltei, virei à direita fui dar na entrada, aí, cansado, pronto
para desistir, não via nada de livro cujo título fosse Tarja Preta, pensei que
estaria numa prateleira bem amostra, caramba! Lançamento à editora deveria
colocar o livro bem a vista, pensei, resolvi não mais procurar pela Editora que
começava com Al e qualquer coisa. Quer saber vou procurar a L&PM e ver se
tem o livro Matadouro cinco, se eu achar, compro o livro e vou embora.
E eu conseguia ver alguma coisa no stand da L&PM? Nada, não se
conseguia ver nada, e perguntar para algum vendedor fora de questão. Quer
saber, vou embora, sei que a Rosa vai ficar brava comigo, mas não acho essa tal
Editora que começa com Al e qualquer coisa.
E
de repente, não mais que de repente, assim derepentemente, topo com uma cabeça
loira abaixada, autografando tendo a sua frente o livro Tarja Branca, - ué! Não
era Tarja Preta? - ao lado sentado o Ydeo que momentaneamente não o
reconheci, e do outro lado da loira, a Maria da Graça e lá estava a tal da
Editora que começava com Al e qualquer coisa, a tal da Editora All Print...
Retificando, não é Editora All e qualquer coisa, é All qualquer coisa Editora: All
Print Editora. Parei bem em frente da mesa esperando que a Rosa terminasse de
autografar. Quando ela ergueu a cabeça e me viu, foi uma festa, me abraçou,
beijou, tirou foto, como diria aquele personagem do Chico: foi uma loucura.
Logo em seguida chegou o Cula, Delfino, Ciça, Arlete, Amanda, filha da Ciça,
Lilian Maial que quando me viu não deixou que me apresentasse, queria lembrar o
meu nome o que dali dois segundos ela gritou: Pastorelli me abraçando, Dalva,
Antonio de Menezes, Eliane, e me desculpem em não citar todos é que a minha
memória não é fotográfica.
A
partir daí foi uma festa só, fotografia daqui, fotografia dali, tira uma aqui
com Delfino, tira outra aqui com a Rosa, agora é a Rosa e os homens, junta todo
mundo, Ciça tira nossa foto aqui, pegue aquelas três máquinas, agora é as
mulheres com a Rosa, tinha momento que o Delfino estava com três ou quatro
máquinas e assim foi até às dezenove horas mais ou menos.
Aí
alguém falou: pessoal, vamos tomar um chopinho e comer alguma coisa? E a Rosa
puxou o cordão e fomos lá procurar a praça de alimentação. Conversando,
conversando, conversando, conversando, espere aí, aqui não é a praça de
alimentação, voltamos todo o caminho até que achamos a praça, juntamos três
mesas e nos aboletamos para um chopinho, pizza e conversa animada. Saímos de lá
com a promessa de pelo menos uma vez por ano realizarmos um almoço ou um jantar
com todo o pessoal.
Eu só posso dizer: obrigado a todos, foi uma satisfação rever os conhecidos e conhecer novos amigos: Rosa, Cula, Ydeo, Eliane, Maria da Graça, Antonio Carlos Menezes... Prazer em conhecê-los e obrigado pelo carinho. Sucesso Rosa.
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